sábado, 31 de outubro de 2020

De asneira em asneira…

Hoje o dr. Costa falou ao país, com aquela voz grave de quem está preocupado com a coisa. E o que disse? Nada. Anunciou uma série de medidas para 121 concelhos. Ou seja, o rame-rame do costume. Não interessa atacar a coisa a sério, o que é preciso é entreter a populaça.

Lista atualizada às
18 horas
 de 30 de outubro com
 500 estabelecimentos
Repare-se que antes de falar ao Povo, no dia anterior mandou falar o seu ministro da Educação. E este, serventuário, lá veio dizer as baboseiras do costume.

Antes do Verão a OMS e os especialistas portugueses anunciaram a coisa. Os homens cultos também. Mas o que fez o dr. Costa (e os seus ministros)? Foi para a praia mostrar aquela barriguinha, resplandecente ao sol. O que fizeram os portugas? O mesmo. Banhos de sol, cervejinhas e tremoços. Para complicar a coisa, em vez de seguirem os conselhos de quem sabe, abriram as escolas à maneira soviética, sem disciplina, com aquela cultura socrática e lurdesca. E deu nisto. O Hospital de São João abarrotou e os números são os que se conhecem.

O problema está nas escolas, só não vê a coisa quem não quer. Mas o dr. Costa está cego! E o seu ministro da Educação também. Ainda hoje o dr. Costa reafirmou a asneira. 

Nas escolas existem poucos casos, disse, para tapar o sol com a peneira (neste caso rota!). Baseado na informação da DGS dos 49 Casos! Ora se existem 49 casos, porque razão só em Matozinhos existem 130? E porque razão as escolas de Vila Viçosa e Borba continuam encerradas? E porque razão a Fenprof apresenta 500 estabelecimentos atacados de Covid?

Daqui a 15 dias estes 121 concelhos vão duplicar, as escolas não irão suportar a asneira, e aquilo que deveria ter sido feito no inicio de Setembro, por altura da abertura das mesmas, vai ter que ser feito – impor a disciplina na população e na comunidade escolar. E quando as escolas poderiam estar a funcionar em sistema misto [que dá o direito às aprendizagens mas com a segurança adequada], vão ter que encerrar! Mas nessa altura nenhuma mentira irá safar o dr. Costa e o seu ministro da Educação.

 

Pedro Passos Coelho despede-se do irmão mais velho

 


Saber (a) Vinhais


Virgilio Gomes

Um livro para encantar a ler e a saborear:

Saber (a) Vinhais



O subtítulo deste livro é bem o seu propósito: contributo para uma carta gastronómica. Foi vontade dos seus autores não fazer uma coleção de receitas, mas abordar este território, o concelho de Vinhais, numa perspetiva de vivência local e por outro lado observar, como quem está de fora, o que acontece no mundo da alimentação. Eu sei que sou suspeito por ser um dos autores…!

No livro podem ler uma abordagem etnográfica do território, logo no primeiro capítulo intitulado “À mesa … de diário a diária!” seguido do segundo capítulo “Do chiqueiro ao Lareiro – Vinhais a Capital do Fumeiro” no qual podem ler, além de outros temas a descrição da matança de porco e a identificação do fumeiro local. No terceiro capítulo o descrição e consumo de um produto invulgar apenas produzido nesta região: “Cuscos de Vinhais – Gestos que guardam memórias” seguido de mais um capítulo com outro produto identitário deste território: “A castanha e o castanheiro – Conjunto notável de simplicidades!”. Garantido que não se sai com boca de pobre, um capítulo dedicado à doçaria: “Do mel e do açúcar – Lembrar a boca doce” e ainda uma capítulo dedicado a receitas contemporâneas e com tradições locais: “Saberes d’antanho, sabores d’agora”. Termina com um capítulo de imagens “Para comes e bebes – Guia fotográfico”.

Um concelho do “Reino Maravilhoso” num livro atrativo.

Sean Connery morre aos 90 anos


A pedagogia do Infantário Branco e a Disciplina da realidade

 

Ontem o sr. Jerónimo e os Verdes (uma sucursal do PCP) vieram dizer ao Povo que é preciso pedagogia nas normas impostas pelo governo. Pedagogia é o que o governo nepotista do dr. Costa tem utilizado. Ou seja, a asneira. O que se impõe neste momento é DISCIPLINA!

Quem conhece esta gente sabe muito bem como pensam. Não existe novidade alguma na sua argumentação. Tem mais de cem anos! E não conseguem pensar de outra maneira, mesmo perante as evidências.

Estão aí as antigas experiências sociais soviéticas, iniciadas com Vygotski Luria com as crianças que deram origem ao Infantário Branco, fundado em 1923 por Vera Shmidt, uma psicóloga talentosa, esposa do explorador, projectista e burocrata bolchevique Otto Shmidt.

Gente que trabalhou em colaboração com Jung, e protegida de Freud e Piaget. Este Infantário até era conhecido como Lar Experimental Internacional Solidário. E seguiu aquelas experiências idiotas que levaram aos desastres. Porque a disciplina nunca existiu como fundamento na formação das crianças. O que interessava a estes idiotas era que os professores e psicólogos socialistas descobrissem o ambiente que produzisse as personalidades mais saudáveis e mais felizes!

Esta experiência daria pano para mangas. Mas o tempo exige alguma síntese. Este Infantário foi o mais célebre de toda uma série de experiências sociais bolcheviques. Dois anos após da sua abertura, o Infantário, a mascote de uma revolução social que nunca aconteceu, fechou, por falta de fundos. Ora a patrocinadora deste movimento, Nadya Kupskaria, mulher de Lenine, foi forçada a reconhecer os seus “erros esquerdistas”.

Esta experiência que deu origem a milhares de experiências bolcheviques foi um fracasso. Nunca chegou a cuidar de quaisquer órfãos. Pelo contrário, cuidava dos filhos dos figurões do Partido Comunista, incluindo Vassili, filho de Josef Estaline.


Quebrado

 

 


ANTÓNIO MAGALHÃES

 https://bomdia.lu/
Técnico Aeroespacial
Sheffield


O assunto é bastante sério, ou não estivéssemos neste momento a assistir a um funeral.

Não que tenhamos qualquer afinidade com o finado, e nem sequer nos debruçamos sobre o teclado do computador para falar dele, até porque dele pouco ou nada sabemos, e do pouco, apenas que entre ele e o protagonista desta pequena, séria, e com uma mensagem entre linhas, história, havia uma grande amizade.

Talvez por isso, no decorrer das cerimónias fúnebres se vão descobrir coisas acerca do protagonista, uma figura pública da comunicação social, que até então eram completamente desconhecidas, dir- se-ia mesmo, absolutamente inesperadas.

A dor, a que vem de dentro e não se sente no corpo mas sim na alma, pode vergar até o mais forte, o que parecia inabalável, o que até é capaz de mostrar alegria nos momentos de boa disposição, mas esconde, por vezes com uma gargalhada desgarrada, os momentos que o ferem, ou que o desapontam, que o entristecem.

Choveu durante a noite. Pouco, mas choveu.

Contra todas as expetativas o dia amanheceu com um radioso sol que ao debruçar-se sobre a relva verdejante que circunda a maioria das campas do cemitério, aos poucos a foi secando com os seus raios de calor, apesar de tudo ainda ténues, deixando aqui e ali umas gotas de chuva como um colar de diamantes que ali se tivesse dispersado.

As cerimónias fúnebres começaram agora mesmo e a pequena plateia de enlutados, sentada nas cadeiras de frente à urna, quatro filas de cinco cadeiras cada, ouve com todo o ar de solenidade o padre que preside às celebrações fúnebres, interrogando-se, mesmo que apenas mentalmente, onde estará o melhor amigo do defunto, aquele que desde muito tenra idade selou uma amizade com ele que jamais sofreu um pequeno abalo que fosse.

A atmosfera tácita que reinava entre os enlutados que do padre pareciam ouvir apenas um murmúrio longínquo, foi interrompida pela voz aguda e nada contente de uma criança que corria atrás de um adulto empoleirado numa bicicleta pequena de mais para o seu tamanho.

É minha, é minha, - gritava à medida que perseguia o homem que por sua vez parecia ignorar por completo as suas lamúrias.

Não demorou que o dito homem perdesse o equilíbrio na bicicleta e esta viesse desenfreada pela encosta à medida que ele sempre que passava um solavanco o rabo se distanciava uns bons centímetros do selim para depois cair nele novamente com toda a força, enquanto que ao mesmo tempo abria as pernas em leque para sustentar o equilíbrio que apesar de tudo era muito inconstante enquanto que a bicicleta ganhava cada vez mais força encosta abaixo.

Os enlutados rodaram quase em simultâneo a cabeça na direção do burburinho e foi de boca aberta e queixo caído que seguiram o desalmado que perdendo o controle da bicicleta atravessou o cemitério até se estatelar de encontro ao caixão, que com o embate ficou a balançar entre o cai e não cai…, mas não caiu.

Quem o viu e quem o vê. Nem parece o mesmo homem. O nó da gravata solto e quase a tocar-lhe no ombro, a camisa desapertada e com uma grande e visível nódoa de vinho tinto a deixar perceber algumas antecipadas conclusões, o fato amarrotado, o cabelo despenteado, um olhar esgazeado e quase perdido, um sorriso que não dá bem para perceber se nele existe alguma ponta de contentamento ou uma profunda tristeza.

Levantou-se, sacudiu as calças, deu duas palmadinhas na tampa do caixão e disse, “Desculpa se te acordei”

As pessoas continuaram de boca aberta e queixo caído e talvez por isso, e só por isso não seria com certeza, iam movendo os olhos na sua direção à medida que ele se ia mexendo para aqui e para acolá.

Quase que não dava para acreditar. O homem direito, de personalidade vincada e sem qualquer defeito que se lhe apontasse, apresenta-se no funeral do seu melhor amigo despedaçado em farrapos. E não nos referimos à sua vestimenta, mas sim ao seu coração. Por vezes a dor profunda manifesta-se de maneiras misteriosas.

Sem sequer mover os lábios o padre aponta-lhe a cadeira vazia na fila da frente.

Ele pareceu compreender e foi-se sentar. Ao menos isso, pensou o padre ao mesmo tempo que apertava os olhos de maneira muito ligeira, franzia a testa e encolhia os ombros.

Ele sentou-se, mas completamente desengonçado, a escorregar pela cadeira, quase a tocar com o rabo no chão, sempre de olhar fixo na urna. De repente compõem-se, senta-se direito na cadeira, roda o pescoço para as filas atrás de si, e diz,

“Então não é que o cabrão se vai embora sem sequer se despedir…?”

Na última fila, um homem calvo e avermelhado de cara, sussurrou para a sua direita,

“Ele está tolo…”

Mas foi da esquerda, duas cadeiras a seguir à sua, que lhe responderam, também entre dentes, “O vinho assentou-lhe mal”

E da fila do meio um velho que segurava o boné axadrezado, enrolado nas mãos, quase grunhiu quando disse, “Vi-o na tasca do Betorino hoje de manhã bem cedo. A esta hora já é o vinho a ferver no estômago e o sol a queimar-lhe a moleirinha. Quem diria que este senhor se deixava ir abaixo assim desta maneira. “

Não que o amigo do defunto não fosse homem de saber confraternizar, nas alturas adequadas, com umas boas farras que sempre metiam uns copos à fartazana, mas nunca tinha ultrapassado os limites do que sabia poder ou não aguentar, pelo menos não ao ponto de perder a noção do ridículo.

 

Entre pequenas e nervosas gargalhadas, lágrimas à mistura, subiu ao pequeno púlpito ali colocado para que se falasse do defunto, para que se recordassem alguns dos feitos e momentos da sua vida que mais marcaram quem com ele se cruzou e com ele conviveu, e recordou alguns desses preciosos momentos que além de serem já passado, ficaram largados no tempo para por algum tempo apenas, limitado apesar de tudo, serem assim recordados por quem deles aviva as memórias.

E a coisa até nem tinha corrido muito mal se em certos intervalos do seu discurso não desse umas gargalhadas despropositadas e embaraçosamente altas, ruidosas.

O homem calvo e avermelhado de cara só dizia, entre dentes e em sussurro, “Ele está tolo…”

E o velho do boné axadrezado, enrolado nas mãos, aqui e ali ia metendo umas achas na fogueira, “É o vinho, é o vinho…”

E a coisa piorou quando ele, o amigo do defunto, se aproximou do caixão e com ar absolutamente esgazeado disse, “Estás muito calado…não dizes nada?”

E como se isso não bastasse virou as costas para a urna, inclinou-se quase a bater com a cabeça na ponta dos sapatos, baixou as calças e disse, “Encontramo-nos na face oculta da lua”

E houve um ah prolongado, quase em uníssono, quase sincronizado, e a senhora da fila da frente que fazia lembrar a barra de sabão do tio do Badaró, com um metro e sessenta de altura e dois metros de largura, disse escandalizada, “Homessa…”

Dizem as más línguas que a dita senhora era de bom comer, e contava-se que um dia, na tasca do Vitorino, numa tarde, ao lanche comeu seis bolinhos de bacalhau, seis rissóis, seis croquetes, uma posta de fígado de cebolada e vinte e cinco sardinhas fritas, das pequeninas, e depois de tudo isso deixou descair os mamalhões sobre o tampo do balcão ao se debruçar sobre ele, e no ar mais desconsolado que se possa imaginar, disse para o tasqueiro, “Olhe lá ó Betorino, vossemecê não tem aí nada que me chegue ao estômago…?

Como já se percebeu a senhora era avantajada e não era só de estômago, por isso, quando ela voltou a repetir, “Homessa…”

Desta vez em voz mais alta, o amigo do defunto, quase inexplicavelmente pareceu levar com um balde de água fria que lhe devolveu os seus sensos, o que mais estava a necessitar no momento era o do ridículo.

Teria sido muito mais fácil se deixasse fluir os seus sentimentos de profunda dor, tristeza e saudade pela perda do amigo, de maneira normal, mas os esforços que aplicou no sentido de abafar esses sentimentos, a começar pela tasca do Vitorino, fizeram com que se perdesse por completo numa teia de emoções com as quais não sabia lidar.

Quão mais fácil seria chorar apenas. Afinal essa ideia de que os homens não choram, além de estar mais do que gasta, nunca fez sentido nenhum, por não ser verdadeira.

António Magalhães

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

De aldrabice em aldrabice, urge a DISCIPLINA!

A notícia veio hoje no Público. Nela se podem constatar algumas das aldrabices do governo nepotista do dr. Costa. De aldrabice em aldrabice a coisa chegou aqui. Esperemos que o Presidente da República amanhã indique o caminho. E ponha cobro a toda esta anarquía soviética, e recorra ao argumento da DISCIPLINA!


 


Não é tempo de pedagogia, mas sim de disciplina

O que nos ensina a pandemia é que o ser humano precisa muito de disciplina. O desconfinamento foi indisciplinado, a abertura dos estabelecimentos foi (nalguns casos) indisciplinada, os eventos, ressalvando as excepções, foram indisciplinados, o Verão foi periodo de praia, tremoços e cervejas de forma indisciplinada e, a abertura das escolas foi indisciplinada. O latino é indisciplinado por natureza. Se não for punido com severidade por não cumprir as regras, será indefinidamente indisciplinado.

Ora foi isso que se viu nas escolas. Abriram-se como se estivéssemos em 2008. O que se impunha era que se abrissem com os alunos disciplinados. Pelo contrário, a indisciplina continuou, tanto no recreio como nas salas de aula. Não se criaram medidas punitivas adequadas com o apoio da tutela. E um aluno indisciplinado, neste momento, não pode ter os mesmos direitos que um aluno disciplinado. É que neste momento, um aluno indisciplinado coloca em perigo de vida várias dezenas de colegas, professores e funcionários.

Mas tanto a tutela como a maioria das escolas portuguesas estão-se borrifando para a disciplina e a coisa está aí como tem indicado o levantamento da Fenprof, que contraria em muito os dados da DGS e da tutela.

Aliás, o próprio ministro continua com aquela conversa fiada da treta:” … a importância da manter em funcionamento o regime presencial, não apenas para garantir as aprendizagens dos alunos, mas também a sua saúde mental e física, assim como para assegurar o equilíbrio das famílias e a continuidade da vida profissional dos encarregados de educação”.

Esta gente ainda não percebeu que estamos numa Guerra. Mas neste caso invisível. As bombas e os tiros vêm sem sabermos de onde.

Na Segunda Guerra Mundial as populações sabiam de onde vinham as balas. Por isso, com a ajuda dos governos, adquiriram hábitos de disciplina. Houve recolher obrigatório e estado de emergência durante meses seguidos, dias que se viveram seguidos em caves e abrigos. Havia horas certas para ir à água, à padaria, e por aí adiante. Estes sacrifícios e esta disciplina durou quatro anos!

Anne Frank, para sobreviver, passou um ano no sótão. Criou, ela própria, medidas de disciplina. Durante seis anos, o tempo de ocupação, os liceus polacos não abriram, como nos informa Kapuscinski, em Andanças com Heródoto. E, no futuro, não houve problemas com as aprendizagens, nem com a saúde mental e física!

Essa conversa fiada soviética do dr. Costa e do seu ministro já cheira a peido mal dado. Como a conversa do sr. Jerónimo. Pedagogia! Pedagogia é para pessoas normais, para os anormais só disciplina ...

E a conversa fiada da Economia idem. Porque o problema da economia não é a pandemia. Foi, sim, a ROUBALHEIRA! Mas sobre isso nada dizem. Porque muitos dos gatunos acompanham esse governo nepotista. E a prova disso é a perseguição que têm feito ao Juiz Carlos Alexandre que há muito devia ter sido condecorado pelo Presidente da República.

Concluindo: Os números de hoje são aterradores! As autoridades civis e escolares têm que impor a disciplina a todo o custo, e já, punindo os prevaricadores. E o confinamento geral para 15 dias (no mínimo) é prioritário. Para reorganizar, sobretudo, as escolas (porque é aí que está o problema). Daqui a 15 dias, não venham com a aldrabice do costume! Não digam que não houve avisos!

                                         Os dados actuais das escolas são estes:

Lista_escolas_covid

Lista atualizada às 18 horas de 30 de outubro com 500 estabelecimentos



   vermelho 145 concelhos afetados pela covid 19 - 500 escolas!

Colecionador de Memórias Barrosãs



·          por BARROSO DA FONTE  - A Voz de Trás-os-Montes

Foram apresentados no multiusos de Montalegre dois livros do Coronel Dias Vieira.

 

Apesar das limitações pandémicas o amplo espaço respeitou o distanciamento e todas as cadeiras foram ocupadas, confirmando que foi uma sessão cultural fora do comum. Os livros foram oferecidos a todos os presentes e ambos os temas foram enriquecidos por quantos sobre eles se pronunciaram, nomeadamente o Padre Branco Alves e o presidente da Câmara. Dias Vieira  conseguiu reunir nas 76 páginas uma biografia que há muito deveria ser conhecida e divulgada. Rebuscou nos poucos e débeis arquivos, o que foi a vida deste clérigo, que morreu aos 56 anos,na Póvoa de Lanhoso. Havia nascido em Frades do Rio, Montalegre,em 17 de Janeiro de 1895.Cursou o seminário de Braga, ordenando-se em 17 de Agosto de 1917. Foi colocado como pároco de Santo André, última povoação do concelho, na fronteira com Espanha. Chegou a ser Presidente da Câmara de Montalegre. Morreu em 5 de Julho de 1951. Dias Vieira neste pequeno livro exalta a humildade deste padre Barrosão, mostrando, em prosa e verso, pedaços de literatura  queiroseana.


Há sete Senhoras das Terras de Barroso que se veneram em lugares míticos, quase sempre nascidos de crenças pagãs que se mudavam de sítio, consoante os incêndios, as lendas e as ocupações da pastorícia. Neste imenso concelho Transmontano, mais vocacionado para floresta do que para chão de pessoas escravizadas, por políticos sem escrúpulos, os deuses do paganismo nasciam como os cogumelos. A religiosidade era dama de companhia vestida de trajes excêntricos que se mostravam através de formas,difíceis de explicar e de entender.

Este ermo  situa-se na margem esquerda do Rio Cávado, na encosta de uma serra que espreita a fronteira com a Espanha. Como foi ali implantada  em tempos difíceis de    identificar, Dias Vieira que tem sido um guardião permanente como historiador local, reuniu os elementos possíveis e deu-lhes forma de livro. A edição tem a chancela da Fronteira do Caos e a autarquia patrocinou  o opúsculo. O prefácio tem a assinatura do presidente da Câmara.  Como estive presente e não li nada sobre este evento, deixo aqui este registo, com parabéns para o Coronel Dias Vieira que estudou e vive em Vila Real, após uma carreira exemplar na GNR ao nível dos Comandos da Região Norte.


 

Por Telmo Verdelho



PREFÁCIO

 

CELEBRANDO A MEMÓRIA LITERÁRIA

DO CASTANHEIRO E DO SEU FRUTO (5)

 

10. O estouro ‒  estalo, estalido, o rebentar, estourejar ou estralejar da castanha ‒ tem também frequentes alusões na literatura portuguesa, especialmente no século XIX, em autores como Almeida Garrett, Júlio Dinis, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, para citar apenas nomes do andar superior.

Na corrente do discurso vão citando, em adequado contexto, a simples "frase vulgar, estalou uma castanha na boca" (Serões na Província), ou, em evocação comparativa, "dava um estouro como uma castanha" (Amor de perdição); ou, como alusão poética, "crebro estalo / Da assaltante castanha" (Dona Branca); ou, ainda como cenário de ambiente, "estalido das castanhas" (Prosas Bárbaras).

Até ao início do século XX, os exemplos são abundantes em outros autores e sobretudo na escrita dos jornais. Em todo o caso, referência especial é devida a Francisco Manuel do Nascimento (1734-1819), o famoso Filinto Elísio, de seu nome arcádico, que dedicou às castanhas e à sua estoural estrepitância uma assinalável distinção poética, na ode que começa "Coberto o campo está". Nela se afirma a vitoriosa vantagem das castanhas e de um bom magusto quando se confronta em concorrência com a poesia.

O poeta encontrava-se em Versalhes (nos longos anos do seu exílio em França) num dia de aniversário, triste, cheio de neve sem sol. Pedia às Musas que lhe acudissem para celebrar o dia de anos, mas perdeu o tempo e o rogo: as Musas, Apolo, os poetas Horácio e Catulo, Lésbia, as Bacantes, toda a corte poética estava ocupada a festejar em grande braseiro um "folgaz magusto", alegrado pelas "castanhas bombardeiras". As Musas não quiseram saber do poeta, trocaram os seus "minguados versos" pela folia do magusto e das suas "estourais castanhas":

 

ODE

 

Coberto o campo está, coberta a altura

Do soberbo Palácio

Com deslumbrante alvíssimo regelo:

Tremem com o Austro irado

De negros troncos desfolhados cumes.

O pardal, sem abrigo

Na desprovida neve entra, e mergulha

O bico, que agra fome

Aguçou na penúria, o Céu negreja,

E esquiva ao sol passagem,

Por entre espessos toldos. Muda a Terra,

Mudos os ares, prende

Nas engelhadas gentes ímpio Tédio

Que as ideias ensossa.

Fui-me ter com as Musas que acudissem

A celebrar meus anos.

Dei com elas, e Apolo a fazer corte

A um rúbido brasido,

Contando estalos do folgaz magusto.

Horácio andava aos pulos

Apanhando as castanhas bombardeiras:

Catulo em calças largas

Tirava da algibeira o seu cachimbo;

Dava quatro fumaças,

Com que o pardal de Lésbia sacudia

O pipillante bico.

Lésbia ralhava, Apolo ria, as Musas

Castanhas esbrugadas

Davam na palma ao velho Anacreonte,

E as tígridas Bacantes

Nos taboleiros de xarão traziam

Carcavelos, Chamusca,

Com que empurrar a entaladora buxa.

Perdi o tempo, e o rogo :

E já, sem desmanchar o regabofe,

Talia, com descoco,

Zombando do convite, me responde:

«Não deixaremos (certo!)

Tão ricco fôgo, e as estourais castanhas,

Por teus minguados versos.»

 

(Obras completas de Filinto Elísio, ed. de Fernando Moreira, vol. I, Braga, 1998, pp. 232-233)

 

11. Os epítetos tão hiperbólicos das "bombardeiras" e "estourais" castanhas inculcam a sensação excitante de espetáculo e de espanto, associados àquela surpreendente mirabolância explosiva, festivamente fantasiada. Podemos imaginar o bombardeio e o estourejar na coreografia das campanhas napoleónicas com toda a vivência ativa das emoções guerreiras daquele tempo. As castanhas eram então um alimento comum e quotidiano, um suporte básico da sobrevivência das populações, entravam no curso dos trabalhos e dias, e no fluir da história, com os seus conflitos militares ‒ tinham lugar privilegiado na alimentação dos soldados.

Entretanto passaram mais de 200 anos, mudaram-se hábitos e costumes, mudaram-se os gostos e até os lugares do pensamento, e foi-se evaporando a reminiscência das pequenas histórias. Os textos que mencionam alusões literárias da castanha e do castanheiro dão conta de um tempo passado, ainda fácil de imaginar, mas já agora irrepetível. A lembrança do seu consumo e cultivo pode ainda recuperar-se no registo meritório dos etnologistas e historiadores como Jorge Lage, que resgatam do esquecimento as pequenas e saudosas memórias da mesa e do campo que tantas vezes fizeram o ar sorrir, e deram aos nossos pais o gosto de viver.

Fiel à herança da memória antiga, recebida ainda na juventude, e aos valores e tradições que instituíam as nossas comunidades rurais, Jorge Lage teve a inteligência de quanto era importante a preservação desse espólio antigo e quase perdido da nossa civilização. Dedicou-se com solicitude e esclarecida indagação à recolha da memória ainda viva ou ainda recuperável; coligiu toda a informação "scibile" abrangendo a produção, o trânsito comercial e alimentar, e ainda todo o enquadramento cultural e metassocial.

Prosseguindo a sua demanda de salvaguarda cultural, promove agora (feliz ideia!) a publicação desta antologia testemunhal de depoimentos pessoais, ouvidos, vividos e recontados para celebrar o legado e fazer prova de herança. Vai ilustrada por nomes prestigiados de escritores e intelectuais. Tem verdade, tem arte, tem emoção, alguma nostalgia, bastante saudade e um justificado louvor aos nossos pais e à terra onde começámos a ver o mundo. Honra lhe seja feita!

 FIM

Ficámos hoje a saber que o Chega e o Doutor Ventura são esquerdóides...

 Comentário: Ficámos hoje a saber que o Chega e o Doutor Ventura são esquerdóides... E, portanto, para os esquerdóides, "tudo como dant...

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