sábado, 24 de setembro de 2016

O “pé de meia” da mana Mortágua


A mana Mortágua com aquela vozinha de cotovia alpendorada em ramo socialista de árvore frondosa, resolveu esvoaçar pelos campos trigueiros do país. E, qual Maria da Fonte, atirou-se em voo rasante ao rendimento dos “ricos”.
A drª Mariana (temos que a tratar por drª porque julgamos que é formada em economia), para ganhar protagonismo (aliás, é o que o Bloco pretende), desafiou o P.S. no Sábado passado. A srª drª quer saber o que é que o PS "pensa do sistema económico, do capitalismo financeirizado" para assim "pensar melhor as desigualdades".
Em relação a esse ponto pode a drª Mariana ficar descansada porque o PS de Costa não pensa nada. Apenas pensa no poder pelo poder. Mesmo não ganhando eleições exerce o cargo que exerce. E continua, com os dados a contradizê-lo, a afirmar que o país está no caminho certo, que o investimento está em alta, quando ainda ontem o FMI alertou para a possibilidade de um segundo resgate! E diz mais: que com o andar da carruagem, dificilmente se atingirá um défice inferior a 3%.
Mesmo sabendo disto, a dirigente bloquista que intervinha no debate sobre "as Esquerdas e a desigualdade", na Conferência Socialista 2016 que decorreu em Coimbra, no Convento de São Francisco, não foi de modas, e no calor do debate disse o que lhe ia na alma (se é que a tem):  "Temos de perder a vergonha de ir buscar a quem está a acumular dinheiro".
Uma coisa é ser-se formada em economia, outra bem diferente é ter um entendimento correcto da língua. O que é que a drª entende por “acumular”? Qualquer miúdo do quarto ano lhe explicará que é um verbo, cujo sinónimo é “juntar”.  Ou seja, “que se junta ao que já existia”.
Ora todos nós ao longo da vida acumulamos, mesmo aqueles que vivem com vencimentos miseráveis. Juntam um bocadinho mensalmente, e ao fim do ano adquirem aquilo que o vulgo trata como “pé de meia”.
Assim sendo, a drª terá que criar o tal imposto, não apenas para os “ricos”, mas para todos, onde ela se inclui, com o seu vencimento de deputada. Porque se apenas o cria para os “ricos” é uma verdadeira patetice. Porquê? Porque aqueles a quem a srª drª chama “ricos”, segundo os dados já publicados são cerca de 44 mil. Coisa irrisória. Para quem sabe a tabuada, sabe muito bem que isso não representa rigorosamente nada. Mas como a festa continua, com o país a afundar-se, que importa saber a tabuada ou ter algum domínio da língua materna?

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Encontro de Escritores Trasmontanos e Alto-Durienses

A.M. Pires Cabral
Cara Escritora / Caro Escritor:

                Vai realizar-se, no dia 15 de Outubro de 2016, o habitual Encontro de Escritores Trasmontanos e Alto-Durienses, organizado pelo Grémio Literário Vila-Realense.
                Os interessados poderão fazer a sua inscrição (gratuita) através do telefone 259 30 30 82 ou do e-mail gremio@cm-vilareal.pt.                  
Anexa-se o programa do Encontro.
Esperando poder cumprimentá-lo(a) pessoalmente nessa ocasião, enviamos as nossas mais cordiais
                Saudções literárias.
O Responsável pelo Grémio Literário Vila-Realense,
Pires Cabral 

Grémio Literário Vila-Realense
Encontro de Escritores Trasmontanos e Alto-Durienses
15 de Outubro de 2016
O Encontro será dedicado a dois temas: o Vinho e a Literatura Galega.

Programa:

09h00 – Recepção

09h30 – Sessão de Abertura

Incorporação do Fundo Carlos Loures (Correspondência com António Cabral, Eduardo Guerra Carneiro, Francisco Tavares Teles e Nuno Teixeira Neves, e outra documentação)

10h00 – Apresentação da Antologia Da vinha e do vinho, organizada por A. M. Pires Cabral (N.º 33 da Colecção Tellus)

10h30 – Pausa para café e visita à exposição ‘O São Pedro – Fotografia e alguidares de forno’

11h00 – ‘Lorca e os Seis poemas galegos’ – Palestra por José Viale Moutinho

11h45 – Debate

12h45 – Visita à exposição ‘Na defesa da República: A participação de Vila Real no movimento de 3 a 7 de Fevereiro de 1927 – Documentação secreta’

13h15 – Almoço no Hotel Quinta do Paço

16h00 – Visita à Casa Aires Torres, em Parada do Pinhão

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL /Grémio Literário Vila-Realense

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O bico do PCP e as patas do BE

                        http://www.avante.pt/pt/2234/opiniao/142147/
O líder parlamentar do PCP sugeriu num artigo de opinião do jornal "Avante!" que uns partidos que fazem parte da atual solução governativa andam a "juntar com o bico" e o BE a "espalhar com as patas".
O líder parlamentar do PCP veio sugerir, num artigo de opinião publicado esta quinta-feira no jornal “Avante!”, que uns partidos que fazem parte da atual solução governativa andam a “juntar com o bico”, enquanto o Bloco se entretém a “espalhar com as patas”. Esta é mais uma crítica dos comunistas àquilo que consideram ser a excessiva sede de protagonismo dos bloquistas.

A propósito da polémica sobre o eventual novo imposto sobre o património de luxo e o anúncio feito pela deputada bloquista Mariana Mortágua, João Oliveira titula o texto com a frase final: “Ainda que, às vezes, pareça que andam uns a juntar com o bico e outros a espalhar com as patas…”.
“Uma medida que pode contribuir para maior justiça fiscal fazendo cobrar mais impostos a uma minoria de contribuintes que tem património de valor mais elevado foi transformada, com o inestimável contributo do Bloco de Esquerda, numa ameaça à generalidade dos contribuintes a partir da especulação sobre o número e valor dos imóveis a abranger, do destino que é dado ao imóvel e de outros elementos por definir”, acusa João Oliveira.
“Para o PCP, é essencial uma política que combata a injustiça fiscal, é necessária a consideração adequada de cada imposto nas suas implicações económicas, de receita e de justiça fiscal, critérios que obviamente devem aplicar-se também aos impostos sobre património de valor muito elevado e a avaliação terá que ser feita globalmente e não imposto a imposto”, defende o deputado comunista.
Para o líder da bancada parlamentar do PCP, estes são os “critérios que levarão à apreciação sobre o Orçamento do Estado” por parte do seu partido. Tudo que Bloco (e também PS) esqueceram quando se apressaram a anunciar uma medida que não está sequer fechada.
“O saldo do que aconteceu na última semana, depois do apressado anúncio feito pelo BE e confirmado pelo PS a propósito do imposto sobre o património imobiliário de valor elevado, confirma que posturas e critérios errados não se limitam apenas a criar dificuldades a boas medidas que podem ser tomadas, oferecem ainda de bandeja a outros (neste caso, a PSD e CDS) a oportunidade de branquearem as suas opções”, pode ler-se no artigo de opinião escrito por João Oliveira.
O comunista vinca, de resto, que “uma ideia que podia vir a ser uma boa proposta fiscal foi imediatamente transformada num alvo de todo o tipo de bombardeamento especulativo” e “está a ser apresentada como uma ameaça e, pior de tudo, deu a PSD e CDS uma oportunidade de ouro para ocultarem a responsabilidade pelo saque fiscal que impuseram e criarem dificuldades à sua reversão”.
“Ao anunciar a criação de um imposto cujos principais elementos estavam ainda em discussão – incluindo entre o PCP e o Governo -, o Bloco de Esquerda procurou, uma vez mais, antecipar-se no anúncio de uma medida de forma a chamar a si os créditos pela aprovação daquilo que não depende apenas da sua vontade ou intervenção”, acusa o parlamentar comunista.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Um livro

O Arquitecto Saraiva, director do jornal Sol, entendeu publicar um livreco sobre alguns “segredos” de conversas que, ao longo dos anos, tivera com certas personalidades da vida politica. E convidou para o apresentar o Dr. Pedro Passos Coelho, ex-primeiro ministro.
O caso levantou polémica nunca vista por parte de alguns acólitos das esquerdas. Incluindo o Doutor Louçã.
Que razões estariam na base deste ataque severo ao autor e ao apresentador? A mesquinhez das nossas esquerdas: a inveja e a vingança (sobre estes dois sentimentos nos debruçaremos quando lermos o livro).
Não podemos ainda escrever grande coisa sobre a publicação, porque ainda a não lemos. Mas podemos comentar o caso com base no que lemos dos seus críticos.
O que nos impressionou nesta polémica foi o ataque pessoal de certa gentalha ao autor e ao apresentador, sem terem lido o livro. Sustentaram as suas criticas nos mexericos e em pequenas "fugas de informação". E o que dói é que alguns deles seguiram a carreira académica que exige rigor e verdade.
A nós calhou-nos já a segunda edição, o que deixará o arquitecto satisfeito. Melhor publicidade não estava ele à espera.
Pedro Passos Coelho é um homem livre (não está apegado a esquemas ideológicos como estão os seus detractores), e como tal era livre de apresentar o livro, como foi livre ao tomar agora a decisão de solicitar ao autor que o desobrigasse da tarefa.
Só quem não conhece os textos de Stuart Mill ou de John Rawls (apenas para citarmos dois dos modernos e nenhum dos clássicos da Antiguidade) não percebe isto.
Cheira-nos que a publicação nada trás de novo. De relevante. E que os aspectos “sexuais” são as insinuações conhecidas há, pelo menos, uma década, levantadas por gente do PS como Ana Gomes e Candal, ou mesmo gente de outros quadrantes como Louçã.
Nunca investimos neste tipo de leitura. Preferimos um Sófocles, um Eurípides, um Ésquilo, um Shakespeare, um Coleridge, um Yates ou um Dostoiévski, entre tantos outros como Proust. Mas desta vez não resistimos. Pelo facto de estarem envolvidas pessoas que foram selvaticamente e escabrosamente denegridas pelos do costume. Os mesmos que ensaiam ataques a juízes sérios.                     Armando Palavras
Actualizado a 22 /09/XVI

Erros e falta de rigor


Santana Castilho – jornal Público
Será que a passividade generalizada ante tanto martelar de dados é simples consequência de um paradigma de falsa esperança?
Não será difícil admitir que a Educação é um instrumento ímpar, que não único, para promover o progresso social, sobretudo quando se calcula que 228 milhões de crianças continuam, em todo o mundo, sem escola e que 400 milhões a abandonarão sem qualificação primária, seja porque tiveram o azar de nascer num sítio e não noutro, seja porque nasceram mulheres em vez de homens, seja ainda porque a guerra lhes caiu em cima. Os conhecimentos, as competências que por eles se adquirem e, mais que tudo, o carácter que a escolarização formal ajuda a moldar em cada ser humano contribuem, definitivamente, para o sucesso dos indivíduos e das nações. Neste quadro, os instrumentos de avaliação educacional e de estudo comparado dos resultados da Educação, independentemente das críticas que podemos aduzir à forma como demasiadas vezes são usados para impor políticas e à tendência para tudo medir e expressar em números, constituem referências importantes para compreender o passado e programar o futuro, desde que os interpretemos com rigor. Ora interpretar com rigor começa, elementarmente, por conhecer, antes de usar parangonas que enchem os olhos, as metodologias dos processos e as unidades em que os conceitos se exprimem.
No passado dia 15, em Bruxelas, Ángel Gurría, secretário-geral da OCDE, apresentou o Education at a Glance 2016, um relatório detalhado sobre os sistemas educativos de 46 países (35 membros mais 11). São 505 páginas na versão inglesa ou 543 na francesa, complexas de analisar, pela extensão, pela profusão de quadros estatísticos e pela necessidade de os relacionar e cruzar, para relativizar e contextualizar conclusões. Não obstante, no mesmo dia, na hora seguinte, a imprensa escrita e falada veio a terreiro com afirmações de peso, mas infelizmente erradas ou pouco rigorosas. O maior erro, cometido em jogral pelo Jornal de Notícias, Negócios, Sábado, Observador e SIC Notícias, pelo menos, foi dizer que o investimento público em Educação, excluído o ensino superior, aumentou 33% em Portugal entre 2008 e 2013, de acordo com o relatório em análise. Tal afirmação constitui um erro grosseiro, que o Education at a Glance 2016 não comete. Em 2008, o PIB português cifrou-se em 178.872,6 milhões de euros e o investimento público em Educação representou 4,1% desse PIB. Em 2013 o investimento público cresceu uma magra décima (4,2) em termos percentuais. Mas, nesse ano, o PIB caiu para 170.269,3 milhões de euros. Logo, o investimento público desceu entre 2008 e 2013, em vez de ter aumentado os 33% propalados. Na pressa de falar sem analisar, a imprensa não se deu conta de que os números citados pelo Education at a Glance 2016 somam investimento público e investimento privado. Uma coisa é o que o que se consagra à Educação em sede de OE, outra coisa é a soma disso com outras fontes de financiamento. Por exemplo, do universo total dos alunos que frequentam os 2.633 colégios privados, 75% são integralmente financiados pelas famílias. Por exemplo, há financiamento da Educação com origem na União Europeia. Ou seja, em termos globais, a provisão do ensino tem custos relevantes para além daqueles que o Estado suporta, como é o caso, ainda, entre outros, dos materiais e manuais escolares, transportes, alimentação, “explicações” e actividades de investigação e desenvolvimento.
Por outro lado, não vi, em nenhum dos órgãos de imprensa que citei, notas complementares que ajudassem os leitores a interpretar os dados. É o caso da frequente utilização do PIB (Produto Interno Bruto) como indicador de referência e da correcção de dados nominais pela aplicação da PPC (Paridade do Poder de Compra).
O PIB, assumido como o valor pelo qual foi transacionada no mercado a totalidade dos bens e serviços produzidos por um país num ano, carece sempre de explicações acessórias para percebermos o significado das taxas percentuais que o referem como indicador. Comparar, como o Observador comparou, os 5,1% do PIB consignados a gastos públicos com a Educação de Portugal com os 6,2% da Noruega ou os 5,6% da Dinamarca, para além de estar errado, como já referi, induz quem lê a uma conclusão grosseiramente incorrecta, que só se resolve se, do mesmo passo, se disser (agora uso dados de 2015) que o PIB português foi 179.369 milhões de euros, enquanto os da Noruega e Dinamarca foram, respectivamente, 348.332 milhões (quase o dobro do nosso) e 266.178 milhões (superior ao nosso em mais de 86 mil milhões). E, sobretudo, se se disser, ainda, que a população daqueles países é … cerca de metade da nossa.
Quanto à PPC, que permite relacionar os rendimentos com os custos de vida entre diferentes países, constato que se fazem comparações utilizando os valores nominais de uns e os valores ponderados de outros, o que, naturalmente, distorce qualquer conclusão.
Tudo visto, será que a passividade generalizada ante tanto martelar de dados é simples consequência de um paradigma de falsa esperança, que transforma o anormal em normalidade institucional?
Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)


Comentário:
Portugal é um país de mentirosos e invejosos, por essa razão na lista da OCDE dos países mais corruptos, está em 5º lugar no conjunto dos países europeus.
O texto de Santana Castilho é assertivo. Por essas razões o país está já na BANCARROTA e ninguém o diz; por isso os corruptos continuam a andar por aí, atacando-se a dignidade dos juízes; por isso a Educação está como está, miserável, e ninguém o diz ...

terça-feira, 20 de setembro de 2016

De Graça e Graciosamente


Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra
A tipuana é uma arvore de folha caduca, originária da Argentina e Bolívia. Da família das fabaceaes, o seu nome cientifico é Tipuana tipu (Benth), e o nome vulgar é tipuana, acácia Draco. Árvore florífera, de copa densa e ampla, o seu tronco de superfície rugosa e cor cinzenta escura, e uma folhagem grande, composta por numerosos folíolos oblongos e verdes, dão a esta árvore o direito a pontificar nos mais belos jardins e arruamentos públicos das grandes cidades americanas e europeias. De crescimento rápido, não se aconselha que “seja utilizada na arborização de calçadas, estacionamentos, residências e canteiros centrais, devido às características especificas da planta”.
 No paisagismo, por ser uma árvore bela e frondosa, a tipuana, é ideal para cultivar em espaços grandes. A sua floração dá-se no período Junho-Agosto. A tipuana, com as flores amareladas, é uma das árvores que anuncia a chegada do Verão.
Dado o seu grande porte, e a agressividade das suas raízes, como também a fragilidade de sua madeira, sobretudo nos troncos e ramos mais idosos, ultimamente a tipuana tem vindo a ser preterida em favor doutras espécies. Foi no Jardim Botânico do Funchal que descobri o nome desta árvore que tenho à porta da minha residência, mas desconhecia a sua designação. Mais contente fiquei por saber que é da família das mimosas ou acácias. E se não inça como elas, pelo menos no que toca a dar cabo dos canteiros, e dos carros se estiverem estacionados e calhe esgalhar uma pernada, como há pouco aconteceu aqui, a tipuana mais por culpa de quem ordena mal as plantações e zela por elas, alheia a tudo, cumpre a sua função: embelezar de graça e graciosamente.

domingo, 18 de setembro de 2016

Os que mais perderam com a crise


Quem perdeu mais durante a crise? Os mais pobres e os jovens qualificados

Os portugueses perderam entre 2009 e 2014 em média 116 euros mensais. Estudo mostra que a perda foi maior nos mais pobres, cujo rendimento caiu 25%, e nos jovens mais qualificados.
Os portugueses perderam entre 2009 e 2014 em média 116 euros mensais, uma quebra que afetou especialmente os mais pobres, com quase um terço dos trabalhadores por conta de outrem a ganhar menos de 700 euros mensais.
Os dados fazem parte do último projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, chamado “Portugal Desigual” e que faz “um retrato das desigualdades dos rendimentos e da pobreza no país”.
A Fundação pretende, com dados estatísticos, mostrar quem perdeu mais nos últimos anos de crise, se a classe média ou os mais ricos ou pobres. E mostra que foram os mais pobres.
Os números indicam que de 2009 a 2014 os rendimentos dos portugueses tiveram uma quebra de 12% (116 euros por mês), mas mostram também que o 10% mais pobres perderam 25% do rendimento enquanto os 10% mais ricos apenas perderam 13%.
E a crise afetou sobretudo os mais jovens, segundos os números da Fundação: “os jovens com menos de 25 anos sentiram uma perda de 29% nos seus rendimentos, acima da perda média de rendimentos para o conjunto de todos os portugueses”.
Nos anos da crise foram também os que têm mais alta formação académica quem mais perdeu. Especificam os dados que a perda de rendimento para quem tem formação superior foi de 20%, enquanto para quem tem o 6.º ano ou menos foi de 13%. Mas os primeiros têm por norma um rendimento duas vezes acima dos que só fizeram o 6.º ano.
Outros números divulgados demonstram ainda de que forma a crise afetou o mercado de trabalho em Portugal, desde logo na baixa da remuneração média, especialmente nas mulheres, mas também na redução dos vínculos laborais.
Os trabalhadores que entraram em 2012 viram a sua remuneração baixar 11% em relação aos que saíram em 2011, ano em que Portugal teve de recorrer ao programa de assistência internacional. Em 2009 um em cada cinco trabalhadores por conta de outrem recebia por mês menos de 700 euros, em 2014 já era quase um em cada três.
Com tudo isto, dizem os números, 8% dos trabalhadores por conta de outrem vivia há dois anos abaixo do limiar da pobreza, os mais jovens perderam quase um terço dos rendimentos e em termos gerais os salários dos homens caíram 1,5% entre 2009 e 2014 e o das mulheres 10,5%.
No mesmo período o número de pobres aumentou em 116 mil (para 2,02 milhões), com um quarto das crianças e 10,7% dos trabalhadores a viverem abaixo do limiar da pobreza (6,3 % em privação material severa). E hoje um em cada cinco portugueses vive com um rendimento mensal abaixo de 422 euros.
A crise fez aumentar a desigualdade em Portugal (na nona posição em termos de desigualdade) mas também em mais 18 países da União Europeia, especialmente na Grécia e em Espanha.
Dizem os números da Fundação Francisco Manuel dos Santos que em Portugal, em 2009, os 5% mais pobres recebiam 15 vezes menos do que os 5% mais ricos. Em 2014 os 5% mais pobres recebiam 19 vezes menos do que os mais ricos.
O projeto “Portugal Desigual”, que é apresentado na segunda-feira, é uma uma iniciativa da Fundação, em parceria com a SIC e o Expresso, que hoje divulga os resultados.

Folha de serviço


Eduardo Dâmaso – revista Sábado

O juiz Carlos Alexandre já foi alvo de denúncias anónimas sobre contactos com jornalistas que nunca teve. Foi obrigado a um striptease salarial e a relatar a inspectores judiciais todos os rendimentos da família. Foi vasculhado por causa de um empréstimo de 4 mil euros num programa de TV dirigido por Sandra Felgueiras, filha da famosa arguida Fátima Felgueiras, que fez outro programa onde explorava alegadas "coincidências" entre as decisões do juiz e as notícias de um jornalista.
Foi "aconselhado", por superiores, a suavizar decisões sobre o crime de branqueamento em processos relacionados com Angola. Viu processos de obras em casa espiolhados e decisões suas achincalhadas por desembargadores da Relação de Lisboa que passaram mais de uma década em comissões de serviço nomeados pelos amigos políticos, com base em opiniões e não em argumentação jurídica. Viu os filhos ameaçados com pistolas deixadas em cima das respectivas fotografias.
Nunca teve uma repreensão do Conselho Superior de Magistratura. Tem quase trinta anos de serviço público, centenas de decisões acolhidas pelo direito e uma folha de serviço impecável. Tudo isso é indiferente aos pregadores evangélicos como Louçã e a outros que o macaqueiam, que reduzem tudo ao interesse indisfarçável que prosseguem e que não é outro senão safar Sócrates, mesmo que isso leve Ricardo Salgado, Oliveira e Costa e Duarte Lima na mesma água do mesmo banho a deitar fora. Todos vítimas do malandro Carlos Alexandre e do iníquo Estado de direito em que vivemos… Grandes democratas!

Três livros de leitura amena num verão escaldante



Por BARROSO da FONTE
Só dia 13 de Setembro choveu neste verão de 2016. Um verão anómalo, tórrido e com menos sombras,  porque os incêndios em Portugal passaram a medir a temperatura económica, política e social. Infelizmente custou muitas vidas, de pessoas e de animais, já que na florestação é impossível  contabilizar a área reduzida a cinzas. Empobreceu o país, avaliou-se a degradação social.

Para esquecer este miserabilismo aconselhamos a leitura destes livros:

Conheces SANCHO ? A académica Maria Helena Ventura é autora de 19 títulos: sete em poesia, doze em de ficção e um infantil. Alguns dos romances históricos fazem parte da coleção «A História de Portugal em Romances -900 anos de histórias», contadas pelos melhores romancistas históricos. Este volume de 368 páginas ocupa-se de D. Sancho II, bisneto de Afonso Henriques. Baseando-se numa investigação cuidada, Maria Helena Ventura descreve-nos a  biografia de uma das personagens mais desconhecidas da História de Portugal. No subtítulo a romancista demonstra que os mouros guerreavam D. Sancho II. Os nobres e o clero traíam-no. E o próprio irmão lhe cobiçava o trono. Neste último romance de Maria Helena Ventura, decorre     a vida de uma das figuras mais trágicas e misteriosas as História de Portugal. A história de Portugal em Romances, com o selo da Saída em emergência, começa a impor-se como modelo de sucesso. Bem anda Maria Helena Ventura que marcou um ritmo certificado para, através de uma escrita efervescente, «dar a conhecer a História de uma pequena nação que sonhou ser valente e imortal».

A Bombarda de Banastarím - seis capitães e outros mais em terras da Índia Portuguesa em meados do século XX.  É este o título do mais recente  livro do Tenente- General José Lopes Alves que nasceu em Lagoas, no concelho de Valpaços (1924) e vive em Lisboa. Desde que se aposentou tem-se dedicado a obras de inegável interesse historiográfico, como: "Entre Cardos e Espinhos ao Anoitecer - regresso ao Verão Quente de 1936", com o pseudónimo de A. de Alémmontes (2002); O Preto Deitado que não estava - Moçambique, 1969 (2003) e A Morte desceu à Praia (2005). Em José Lopes Alves, encontramos duas personalidades superiores: o militar e o escritor. A primeira foi coroada pelo topo da carreira. A segunda está patente nos quatro dezenas de obras cada qual a mais importante para poder ajuizar-se um século da vida social que caraterizou o nosso país, a nossa epopeia e a comunitária.
Este militar transmontano «tem publicados diversos trabalhos de índole técnica e cultural dos âmbitos político, histórico, militar e outros, romanceados e de base histórica». Tem um curriculum militar impressionante. Desde os anos oitenta, tem produzido imensos livros da mais variada temática. A europress tem sido a sua editora de serviço. Ultrapassa já os 40 títulos em obras de índole histórica, prevalecendo em todos o domínio puramente literário. Na introdução começa o autor por dizer que foi um dos cerca de dez militares expedicionários ao Estado Português da India, entre 1955 e 1957, período durante o qual se incentivaram a subversão e o terrorismo, especialmente no distrito de Goa. Neste seu último livro de 346 páginas explica, como protagonista, aquilo que se viveu nessas longínquas paragens Indianas. Este volume é um documento histórico-militar de grande oportunidade, narrado por um distinto militar que aos 92 anos nos delicia com estes pedaços de História Portuguesa.

Arnaldo Moura -memórias de um padre do Povo. Maria da Assunção Anes Morais organizou, em tempo recorde, uma biografia que veio eternizar um pároco que deixou um rasto de generosidade, de bondade e de humanismo. Esse pároco chamou-se Arnaldo Alves de Moura, nas freguesia de Pinho, do concelho de Boticas. Ordenou-se em 20/9/1958 e faleceu em 28 de Março de 2015. Para entrar na memória do povo um padre, como outra qualquer pessoa não precisa de fazer milagres. Basta-lhe ser afável, dialogante e sobretudo justo. Nas 350 páginas deste livro, não se descrevem fatos e feitos façanhosos deste bondoso Padre Arnaldo Moura. Mencionam-se quase uma centena de testemunhos, das mais variadas figuras que com ele conviveram e que são comprovativos da grandeza humana deste padre que não precisou de sair do seu terrunho para merecer uma homenagem. A Câmara de Boticas e a freguesia de Pinto irmanaram vontades e conjugaram esforços para que se perpetuasse a figura irrepreensível de um cidadão que, a docente e investigadora Maria da Assunção Anes Morais condensou num livro sério, oportuno e exemplar.
Barroso da Fonte