quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Casa de Trás os Montes celebra aniversário no Palácio dos Aciprestes

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em parceria com a Fundação Marquês de Pombal promove a Festa dos 112 Anos da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro em parceria com a Fundação Marquês de Pombal promove, no próximo dia 23 de setembro, a Festa dos 112 Anos da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro.
O valor de participação no almoço será de 20 euros para adultos e 12,50 euros para crianças.
Confirmação de presença através do email geral@ctmad.pt ou através do telefone 217 939 311 até 18 de Setembro (2ª-feira) das 14h30 às 19h30.

Programa:

10h45 -  Sessão de Abertura
Missa no Palácio, em homenagem aos associados falecidos.
Apresentação de boas vindas aos sócios pelos Presidentes da Direcção e Assembleia.
Almoço self-service sujeito a inscrições
Atuação do Grupo de Concertinas Águias Vermelhas da Charneca da Caparica
Atuação do Grupo Maranus/baile
Inauguração da exposição coletiva de pintura “Diálogos” de José Augusto Coelho, Adelaide Monteiro e Vítor Higgs.
Provas de vinho e de azeite.
Entrega de medalha aos sócios com 40, 50 ou mais anos de associado.
Atuação do Grupo Maranus/baile
20h00 – Encerramento.

Super Interessante - Extra


A Super Interessante é uma revista interessante. Trata assuntos de relevância, em áreas distintas do conhecimento humano. Está no mercado há mais de duas décadas. Por vezes lança números especiais, como o Extra do mês de Setembro. Custa 3 euros e 95 cêntimos.
Contudo, como outras do género, enferma por omitir dados cruciais na história da Humanidade recente. Ao terror Nazi e ao Holocausto, dedica, e muito bem, páginas inumeráveis e números próprios. Já não faz o mesmo em relação ao Gulag soviético e ao terror leninista e estalinista. Embora tenha dedicado um número especial à Revolução Russa.
No número extra deste mês, por exemplo, na página 28 publica uma foto de Hitler, com a Torre Eiffel em plano de fundo. A Hitler dedica mais um texto, intitulado “governantes loucos”, ilustrado com fotografia na página 94. A ele comparam-se alguns reis, mas sobre Lenine e Estaline, nada!
Mais curioso ainda, é o produzido na página 58, no capitulo “Guerras”, sobretudo no capitulo “Milhões de vitimas”. São dados 10 exemplos de acontecimentos onde se perderam milhões de vidas. Sobre os Gulag soviéticos e sobre o terror de Lenine e Estaline, nada! E sobre os campos chineses no deserto de Gobi ainda menos. Salvam a honra do convento com uma pequena referência ao terrorismo moderno na página 53. Mas incidem apenas sobre Bakunine e os anarquistas. E então sobre o terror leninista e estalinista, não se diz uma palavra? E sobre o de Mao?

A Standard & Poor's (S&P), a subida notação da dívida portuguesa, e o limiar de nova BANCARROTA


Em 2011 o país entrou em BANCARROTA, como se pode ver AQUI. Esse facto obrigou o governo socialista de Sócrates a pedir 75 BILIÕES de empréstimo. Para isso, o governo que lhe seguiu foi forçado a cortar os vencimentos (para os conseguir pagar), nas pensões (segundo a regra matemática da proporção – ou seja, cortar mais aos que mais podiam), e por aí adiante. A coligação das esquerdas (PS, PCP e BE) agora no poder, alardeou durante dois anos aldrabices sobre esta questão. E, principalmente o BLOCO, pela voz da dona Catarina alardeou um aumento das pensões. É que o que está em causa são dois (2) milhões de votos!
Recentemente a Standard and Poor’s subiu a notação da dívida portuguesa. Mas não foi a primeira vez que o fez.
Convém, portanto, recuar no tempo, antes de tornarmos à Standard & Poor's (S&P). Lembram-se da primeira vez que Portugal foi aos mercados, depois da BANCARROTA, ainda como ministro o primo do beato Louçã? À época, Portugal não tinha crédito algum, e essa primeira tentativa estava alicerçada em terreno pantanoso deixado pelos socialistas! Colocava-se em dúvida o sucesso da operação. E os socráticos não tardaram a desestabilizar a operação. Porém, a dita foi um sucesso. O primeiro sucesso do governo português à época, liderado por Passos Coelho, coadjuvado por Paulo Portas.
Lembram-se? Pelos vistos, a memória do indígena luso é fraca. Nem se lembra, por exemplo, da primeira vez que a Standard & Poor's (S&P) subiu a notação da divida portuguesa, ainda no governo de Passos Coelho. Ao tempo, neste espaço, escrevíamos: “A Standard & Poor's (S&P) elevou o rating soberano de Portugal, que estava dois níveis abaixo de "lixo" (BB), para o primeiro patamar da chamada categoria de investimento especulativo (BB+). Ou seja, ficou a apenas um nível de sair do chamado "lixo". E neste mesmo espaço se escrevia em Setembro de 2015, na governação de Passos Coelho e Portas: “Revista Forbes distingue Portugal como o melhor para investir”.
Convém lembrar que certas “personalidades”, nesse tempo, eram criticas em relação à notação das agências. Mas hoje desdizem o que disseram. Qual o crédito de gente deste género?
E qual o crédito de gente que hoje “governa”, que faz tanto alarde, com tanto foguetório pela recente subida da notação da divida portuguesa pela agência Standard & Poor's (S&P)? Não lhes disseram ainda que estamos a milímetros de um segundo resgate? Do limiar de nova BANCARROTA?

Bibliografia de Jorge Lage


JORGE LAGE
Há notícias que nos alegram e nos dão alguma tristeza. Ontem o Gerente da Livraria Minho em Braga pediu-me 4 livros, «Falares de Mirandela», para um médico meu amigo mirandelense e a residir em S. Pedro do Sul. Pensava eu que ainda teria duas dezenas e afinal só tinha mesmo os 4!
Assim, anuncio-vos mais um livro meu ESGOTADO, O «Falares de Mirandela». Sobre Mirandela apenas fico com umas dezenas de exemplares de «Mirandela Outros Falares», publicado recentemente, para ir satisfazendo alguns leitores e compromissos.
Por um lado, fico feliz por aquele meu livro ser tão apreciado/solicitado e por outro fico triste por ser «obrigado a dizer não» a quem o pedir.
Sugestão de leitura para quem não lê ( e gosta de ler) os meus textos no jornal «Notícias de Mirandela»:

em «tempo caminhado» -

Apresentação do livro, Mirandela Outros Falares, em Mirandela e na Torre Dona Chama

e no www.netbila.com -

Bôlas Calcadas e

Festas da Senhora do Amparo

Os meus livros:

1 - «A Castanha Saberes e Sabores», com 3 edições - Esgotado

2 - «Castanea uma dádiva dos deuses», com 2 edições - Restam alguns exemplares

3 - «Mirandelês» (em co-autoria), - Esgotado
4 - «As Maias entre mitos e crenças», - Esgotado
5 - «Falares de Mirandela», - Esgotado
6 - «Memórias da Maria Castanha», - Restam algumas dezenas de exemplares
7 - «Maria Castanha Outras Memórias», - Restam poucas dezenas de exemplares
8 - «Mirandela Outros Falares», - Restam poucas dezenas de exemplares

Nota 1 - Todas as edições são de autor ou dum Município, recusando entregar os livros às editoras, apesar de algumas ofertas interessantes.
Os meus livreiros e só estes:
Livraria Minho - Braga

Livraria Traga Mundos - Vila Real

Livraria Académica - Porto
Livraria Varadero - Porto
Livraria Rosa d'Ouro - Bragança (só para as opções 2, 6 e 7)
Livraria Aguiarense - V. P. de Aguiar
Antígona de Isabel Viçoso - Chaves
Livraria Cristina - Mirandela (só para a opção 7 e 8)
Livraria Dinis - Valpaços (só para a opção 7)
Saudações,

Jorge Lage

Amanhã é domingo


Por: Costa PereiraPortugal, minha terra

É, no sábado o tempo não ajudou nada pois foi um dia chuvoso, que começou logo pela manhã cedinho e me conservou na cama até próximo das 11h00 alemãs,10h em Portugal. O "Alvarito" que não tem medo da chuva, mal acordou aí o temos pronto para acompanhar a mãe e a avó que saíram cedo para o centro de Bona.
Para nos entrarmos marcaram o Zum Gequetschten, restaurante que foi fabrica de cerveja e serve à rica e à francesa.
No fim de almoço com a chuva a colaborar foi um "pintar retratado" do que esta zona vizinha do posto de turismo tem para mostrar aos visitantes de Bona. Muita coisa linda para ver.
Sempre à espera de uma aberta para fugir da molha, lá vai ficando uma foto.
Sempre à espera de uma aberta para fugir da molha, lá vai ficando uma foto.E motivos muitos são, até com pendorelhos ... em cartaz, como nesta ocasião também em Portugal não faltam. Andam todos à procura do mesmo...
Agora que a chuva abrandou, o mais acertado é regressar a casa e aproveitar o tempo que Deus nos dá pois amanha é domingo.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

António Costa já deu os parabéns a Passos Coelho?


Rui Ramos - OBSERVADOR

Pensar que o país saiu do lixo porque aumentou os funcionários em 2016, e que o ajustamento de 2011-2014 não teve qualquer papel, é uma prova de obtusidade, antes de ser uma exibição de facciosismo.

A Standard and Poor’s subiu a notação da dívida portuguesa. António Costa já deu os parabéns a Passos Coelho? Não é uma questão de justiça. É uma questão de inteligência. Porque pensar que o país saiu do lixo da Standard and Poor’s porque aumentou os funcionários públicos em 2016, e que o sucesso do ajustamento entre 2011 e 2014 não teve qualquer papel, é uma prova de obtusidade, antes de ser uma exibição de facciosismo.
A ultrapassagem da crise de 2011 não se deveu só a Passos, mas deveu-se muito a Passos. O processo teve várias momentos: o resgate da troika em 2011, que poupou o país à bancarrota imediata; a declaração de Mario Draghi em 2012, que sossegou os investidores internacionais; a firmeza de Passos Coelho em 2013, que garantiu que Portugal não cairia numa cascata de governos, eleições e resgates, como a Grécia; a “saída limpa” de 2014, com a economia a crescer e o desemprego a diminuir; e finalmente, o ano passado, as brutais cativações e cortes de investimento de Mário Centeno, que sacrificou os serviços públicos e o papel do Estado de modo a satisfazer as clientelas do poder sem ferir a credibilidade externa.
Os cortes de salários e os agravamentos de impostos foram inaugurados por Sócrates em 2010, com o PEC 3, após as larguezas eleitorais do ano anterior. Passos não foi o primeiro-ministro que começou a austeridade. Foi, antes, o primeiro-ministro que, em 2015, a começou a aligeirar, como aliás lembrou Subir Lal, do FMI, numa entrevista recente. Em 2015, porém, Passos ainda foi prudente. Hoje, entre os seus correligionários, há quem ache que deveria ter sido mais aventuroso.
Se Passos não começou a austeridade, António Costa também não acabou com ela. Costa fez duas coisas. Primeiro, arranjou-lhe outro nome: agora, chama-se “rigor” — segundo a receita de Alexis Tsipras, que também acabou com a “troika” na Grécia passando a chamar-lhe “as instituições”. Segundo, mudou a sua composição: menos dinheiro para os serviços e mais para os funcionários (ou seja, menos dinheiro para tratar dos doentes e mais dinheiro para pagar aos enfermeiros).
Nesta história, o pior do governo de Costa nem está aí, mas no condicionamento da governação pelos inimigos da integração europeia, que são também os inimigos de todas as reformas capazes de habilitar os empresários e trabalhadores portugueses a aproveitar os mercados internacionais. Foi por isso que, no principio de 2016, os investidores recearam, a economia desacelerou e o custo da dívida se agravou. António Costa, entretanto, já mostrou que o PCP e o BE, afinal, estão suficientemente empenhados em continuar na área do poder para se calarem sobre o Euro e fingirem que não repararam nas cativações. Mas não demonstrou que não tentem aumentar a sua quota de poder, como sugerem exigências e greves. Quanto a reformas, o mais que o governo pode é tentar não reverter algumas.
Tudo isto justifica preocupação porque, por baixo do véu da conjuntura internacional, o país está longe de saudável. A dívida é mais cara do que a de Espanha, a poupança é a mais baixa de sempre, o crédito está novamente focado na habitação, o crescimento económico é inferior ao espanhol, o défice comercial aumenta. Não, não é a bancarrota para a próxima semana. É apenas a medida da vulnerabilidade de uma economia impedida de se valer das oportunidades para progredir ao nível requerido pelas suas expectativas e compromissos. A boa conjuntura protege-nos. Mas bastará que o tempo mude para nos arriscarmos a mais aflições. E que farão então Costa e os seus aliados? Vão culpar outra vez Passos Coelho?

Provocações (3)


wm.jpgNa sexta-feira a agência de notação de risco de crédito Standard & Poor's elevou a classificação da dívida pública portuguesa de especulativa para investimento. Significa isto que vê como remota a possibilidade da República não conseguir pagar o que deve. É curioso notar como alguns dos que vêm agora destacar os méritos exclusivos da Geringonça neste resultado (eu vejo méritos tanto deste governo como do anterior), há poucos anos juravam a pés juntos ser a dívida pública insustentável sem uma reestruturação que certas sumidades garantiam ter de rondar os 50%.

À consideração dos professores do meu país


Santana Castilho - Público

Quando a nossa indignação for maior que o nosso medo, então sim, discutiremos razões em vez de colocações.

“Quando eu tinha cinco anos, a minha mãe dizia-me que a felicidade era a chave da vida. Quando fui para a escola, perguntaram-me o que queria ser quando fosse grande. Escrevi feliz. Então eles disseram-me que eu não tinha entendido o exercício. E eu disse-lhes que eles não entendiam a vida”
John Lennon

Como qualquer humano explicado por Freud, somos o resultado da disputa entre o nosso “id”, vertente primária subjugada pelo instinto, o nosso “ego”, bússola de navegação pela realidade externa, e o nosso “superego”, o árbitro implacável que vigia e obriga os outros dois estádios a permanecerem entre os limites da moral vigente e a considerar os seus dilemas.
Poderemos falar de um “superego pedagógico”, que obrigue os que têm por missão orientar os seres em crescimento a não lhes dar o que não lhes deve ser dado, mesmo que imposto pelos normativos modernistas dos que mandam, prolongando a abulia e subjugando as vontades? Deverá esse “superego” atípico impedir que os professores empurrem as crianças pelos corredores da pressa e do utilitarismo, quando as deviam guiar pelos trilhos calmos do personalismo e dar-lhes tempo para terem tempo? Trilhos onde os livros tradicionais ganhem aos meios electrónicos, a memória seja uma qualidade intelectual respeitada e o silêncio cultivado como meio para nos encontrarmos connosco próprios, aprendendo que até um cabelo projecta a sua sombra.
A missão de um professor é também impulsionar e acelerar a evolução da humanidade dos seus alunos, tornando-os mais sensíveis, ensinando-os a distinguir a verdade da mentira, a justiça da injustiça, a humildade da vaidade, a bondade da inveja. O desiderato de um professor é também ter alunos que prefiram uma derrota com honra a uma vitória com trapaça, que escolham a gentileza à brutalidade, que prefiram ouvir a gritar, que saibam que chorar é próprio de quem sofre, não diminui e, quando acontece, só engrandece. A obrigação de um professor é também ensinar aos seus alunos que só aquece aquilo que se consome, que a falta de uma só trave pode tombar todo um sistema, que é mais difícil fazer o que o coração dita que o que os outros esperam, que é impossível tocar uma nuvem mantendo os pés no chão, que são os erros e as esperanças desfeitas que ajudam a crescer e que, citando Confúcio, “não poderão mudar o vento mas poderão ajustar as velas do barco para chegarem onde quiserem”.
Na Escola não vivemos ao Deus-dará. Vivemos ao Governo-dará, em situação de permanente experiência, conforme o lado donde sopra o vento, sem ponderar impactos, sem avaliar as políticas ou com avaliações pré-ordenadas para que os resultados sejam os pré-decididos. Na Escola permitimos que as teorias sobre a formação de “capital humano” capturem as teorias sobre o funcionamento da educação integral, expulsando as artes e as humanidades. Na Escola vivemos obrigados por leis verga-carácter, constantemente alteradas e interpretadas segundo a conveniência do legislador, esquecendo o dever que nos assiste: não calar! E calamos. E desistimos. E pactuamos. Pactuamos com insanos que se julgam profetas e tomam decisões em nosso nome.
Eu sei que a complacência produz amigos e a franqueza pode gerar ódios. Mas exponho-me, com o que sinto. Se queremos resolver e não apenas discutir os problemas da nossa profissão, temos que começar por tomar consciência de que fomos convertidos em proletários mal pagos, ao serviço de senhores que não têm que fazer prova nem de saber, nem de coerência, muito menos de ética, para mandar. Quando a nossa indignação for maior que o nosso medo, então sim, discutiremos razões em vez de colocações. E viveremos, como os outros portugueses, sem pânico de nos desmembrarem a família em cada ano que começa.
Aldous Huxley escreveu algures que a ditadura perfeita teria a aparência da democracia. Que seria um sistema de escravatura onde os escravos teriam amor à sua escravidão. No início deste ano escolar, abraço os professores do meu país e ouso sugerir-lhes que pensem no que acabo de escrever.

Professor do ensino superior

Caros Pedro e Daniel: vocês não aprenderam nada?


João Miguel Tavares - Público

Pelos vistos, nenhum deles parou cinco minutos a reler aquilo que escreveu sobre José Sócrates ao longo dos anos.

Pedro Adão Silva
No último Expresso, Pedro Adão e Silva e Daniel Oliveira escreveram duas colunas gémeas sobre o caso Medina, insurgindo-se contra o seu tratamento por parte da comunicação social. Louvo-lhes a coerência. Lastimo que sejam incapazes de aprender com os erros. Pelos vistos, nenhum deles parou cinco minutos a reler aquilo que escreveu sobre José Sócrates ao longo dos anos, regressando agora com a argumentação patética da terrível comunicação social e do malvado Ministério Público a propósito de Fernando Medina e das notícias do seu apartamento. É um déjà-vu que causa arrepios na espinha.
Daniel Oliveira
Ponto prévio para quem adora tresler-me: eu não estou a comparar Fernando Medina com José Sócrates. Já disse – e repito – que o caso da casa não parece ter especial gravidade. Aquilo que estou, de facto, a comparar é a argumentação dos dois colunistas do Expresso com a argumentação de inúmeros colunistas ao longo dos anos socráticos, de cada vez que aparecia a notícia de uma suspeita. Também ali havia invasões da “esfera íntima”, impróprias de uma “sociedade decente”; também ali havia “insinuação transformada em notícia” e um “processo de ‘correiodamanhização’ da comunicação social”. Claro que Sócrates, que é tudo menos estúpido, aproveitou logo para lançar mais um vídeo no YouTube, a exibir a sua solidariedade para com Medina. Ao contrário de Pedro Adão e Silva e Daniel Oliveira, ele percebeu que a mecânica que estava a ser criticada encaixava na perfeição na sua “narrativa”: confundir o mais básico trabalho de escrutínio com ofensas à honra e à dignidade de quem é alvo de notícia. Sócrates fez carreira à custa desta tese e é inacreditável que ainda haja colunistas que a continuem a alimentar.
Há pelo menos cinco razões para o caso Medina ser notícia: 1) o presidente da câmara comprou uma casa de 645.000 euros; 2) o presidente da câmara comprou essa casa a uma herdeira do grupo Teixeira Duarte; 3) essa casa foi vendida por menos 200.000 euros do que a herdeira do grupo Teixeira Duarte a comprou; 4) essa casa está num prédio que foi remodelado pelo grupo Teixeira Duarte; 5) o grupo Teixeira Duarte foi contemplado com obras de adjudicação directa pela Câmara de Lisboa. Isto, caros leitores, seria notícia em qualquer parte do mundo. Significa que há aqui um crime? Não, não significa. Mas desde quando está o jornalismo limitado a noticiar crimes? Espantosamente, as mesmas pessoas que criticam a má influência do Ministério Público sobre os jornais propagam uma visão policial do jornalismo: eles acham que todas as notícias têm de ser crimes devidamente comprovados antes de chegarem às bancas. Tudo o resto é “irresponsabilidade”.
Explica Daniel Oliveira: “É investigar e provar. Provas diferentes das criminais, mas, ainda assim, provas.” Senão, estamos no “domínio do boato”. Não, não estamos – estamos no domínio dos factos. Lá por não haver uma relação criminosa entre eles, não quer dizer que esses factos não sejam relevantes e que não devam ser noticiados. O artigo do PÚBLICO foi assinado por José António Cerejo, que já fazia investigação jornalística no tempo em que Daniel Oliveira andava de calções. E a sua publicação exigiu explicações detalhadas a Fernando Medina, como é próprio numa sociedade democrática. O que é que falhou aqui? Não falhou nada. Foram jornalistas a fazer o seu trabalho, para grande tristeza de alguns colunistas que ainda não perceberam o papel lastimável que desempenharam entre 2005 e 2011.

Jornalista