terça-feira, 23 de abril de 2019

Almoço de Benguela dia 25 de Maio (2019)




Benguelenses,

As acácias rubras vão dar flor outra vez!
E vai ser no dia 25 de Maio de 2019.
Os nossos amigos Rafael Rodrigues e Laura Chaves meteram mãos à obra, outra vez, e organizaram o almoço deste ano, no mesmo local do ano passado,  seguramente com a mesma qualidade e ainda mais animação. Preparem-se!!
O preço é de € 35,00 e é pago no local.
Inscrevam-se junto destes nossos dois amigos:

Laura: email - laurachaves@imoving.pt
Aqui vão mais informações que recebi entretanto:

Link do mapa  


O pagamento é no local e convém ser com importâncias certas.
Início às 11h para pagamento e aperitivos às 12h; o almoço será às 13H ou 13H30.

A ementa é esta:

Até lá.
Um abraço,
RUCA VAZ

O Padre de Savimbi



Este livro é um testemunho pessoal do padre António Oliveira, missionário claretiano português a residir na região do Luso, em Angola a partir de 1971. Nesta região, davam-se na altura os principais confrontos entre o exército português e a UNITA. Jovem missionário vem a desempenhar antes e depois do 25 de Abril um importante papel de negociador entre a UNITA, e pessoalmente Jonas Savimbi, e as autoridades militares portuguesas. Esta obra constitui um documento histórico fundamental não só para conhecer Jonas Savimbi (contem diversas cartas inéditas para o P. Oliveira) mas também algumas surpreendentes revelações como um bilhete do General Soares Carneiro (anterior ao 25 de Abril), então secretário-geral de Angola, dirigido ao autor com o seguinte conteúdo: «— Diga ao Dr. Savimbi que Portugal vai dar rapidamente a independência a Angola e ele poderá ser um dos parceiros privilegiados no momento das negociações.»
O padre António de Araújo Oliveira nasceu em Ribeirão, V. N. Famalicão, a 8 fevereiro de 1943. Logo após ter sido ordenado sacerdote na Sé de Lisboa em 1970, partiu em outubro desse ano para Angola como missionário colaborando na missão que os Claretianos portugueses haviam fundado recentemente no leste de Angola, diocese do Luso, no epicentro do conflito que a UNITA de Jonas Savimbi vinha mantendo contra o exército português. Desempenhou o papel de intermediário nas negociações, a princípio secretas, entre o fundador da UNITA e as autoridades portuguesas em Angola. Fez parte da direção do Colégio Universitário Pio XII, Lisboa, durante vinte e sete dos quais como diretor. Atualmente está integrado na Comunidade Claretiana do Colégio Internado dos Carvalhos (V. N. Gaia).
 Enviado por João Ferreira

segunda-feira, 22 de abril de 2019

NOTRE DAME DE PARIS...NO SEU ESPLENDOR!


De: Acílio da Silva Estanqueiro Rocha

Perdi a conta ao nº de vezes que entrei nesta Catedral! Já em 1970, quando estudante, fui com 3 colegas meus nos meses de Julho e Agosto trabalhar numa fábrica de produtos de alimentação em Levallois (Nordeste de Paris), e lembro-me bem que, no 1º sábado livre, o primeiro monumento que visitei foi a Notre-Dame, e que me senti completamente envolvido com a profusão e profundidade de arte, logo ao chegar à porta de entrada; lembro-me que parei, estupefacto, esmagado pela arte na pedra, pois não havia nada que não estivesse minuciosamente trabalhado. Parecia não ser já pedra, mas uma - desculp-se-me a quase contradição - uma "matéria espiritualizada! Sei que aí voltei então algumas vezes mais... Uns anos mais tarde, quando preparava o doutoramento na Sorbonne, era o sítio onde ia mais vezes, após a Sorbonne (onde ia praticamente todos os dias), também ela um outro monumento magnificente. O seu interior (da catedral) era envolvente, e eu andava por todo o seu interior, vendo com esculturas extraordinárias, quadros impressionantes, vitrais maravilhosos. 
A luminosidade tomava conta de nós, e uma demora aí ajudava muito a pensar e a reflectir. A liturgia, essa era empolgante! Lembro-me também bem que procurava arranjar tempo para ir ao concerto de órgão do domingo ao fim da tarde, em que havia por norma um organista célebre convidado para tocar no grande órgão; e ia com alguma antecedência se queria ter lugar sentado, senão sentava-me no chão como tantos jovens, como eu era na altura! E o som do órgão a ressoar por todo aquele interior tão belo, fazia que não se sentia o tempo a passar, com tal experiência de transcendência!
Aí vão dois dossiers para recordar o que me parece que é inultrapassável!
Boa Páscoa,
Acílio

RETÁBULOS NA DIOCESE DE LAMEGO

Autores: Francisco Lameira, Pedro Vasconcelos Cardoso, José João Loureiro (Coord.)
Faro: Universidade do Algarve, 2017
Desc. Física: 156 p.; Il.; 31 cm 
DL 426935/17
Décimo quarto volume da Promontoria Monográfica – História da Arte, que tem vindo a dar a conhecer o património retabular português, abrange exemplares desta tipologia específica existentes na Diocese de Lamego, com datas compreendidas entre os finais do século XVI e o século XX. Profusamente ilustrado, dá a conhecer grande parte dos retábulos existentes neste território, com a informações actualizadas sobre oficinas e artistas intervenientes, iconografia, técnicas e materiais, entre outras.

PALESTRA SOBRE O 25 DE ABRIL NA CTMAD!

Cara(o) Consócia(o)

De acordo com o plano de atividades da CTMAD para o mês de Abril, vamos ter no próximo dia 25 (quinta feira), pelas 18 horas, uma palestra pelo nosso sócio de mérito, Coronel Engº Jorge Golias, que foi um dos "capitães de Abril", e, melhor que ninguém, nos irá esclarecer sobre vários pontos  da "Revolução dos Cravos".
Venha saber como surgiu o 25 de Abril, após o tradicional desfile na Avenida da Liberdade, o papel do General Spínola, a origem do Movimento dos Capitães, o Plano B do MFA, etc.
Vai certamente ficar surpreendido com os pormenores da revolução que deu a liberdade ao povo português!
Seguir-se-ão momentos de convívio à volta de um bom vinho da nossa região e de uma merenda Transmontana;
Cara(o) Consócia(o): participe nas atividades da CTMAD! E, como diz a canção do Zeca Afonso : "Traz outro amigo também"! Contamos consigo, filhos, netos, etc. Todos serão bem-vindos e todos irão saber muito mais sobre essa jornada inesquecível para PORTUGAL!
VIVA O 25 DE ABRIL!
Saudações TMAD
A Direção da CTMAD
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Tel: 217939311 Tlm: 916824293
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa

O Macaco Criativo - Desmond Morris



Depois de ter abordado as principais semelhanças entre a espécie humana e os outros primatas em O Macaco Nu ou em A Tribo do Futebol, Desmond Morris (também artista), explora agora, neste O Macaco Criativo, aos 85 anos, as bases biológicas  de uma das mais eminentes manifestações culturais da nossa espécie - a arte.

Desmond Morris (PurtonReino Unido24 de janeiro de 1928) é um conhecido biólogo, doutorado na área, reconhecido pelo seu trabalho como zoólogo e etólogo; é ainda um pintor surrealista e um expert em sociobiologia humana. Ele passou a ser bastante conhecido nos anos 60 como apresentador do programa Zoo Time, na ITV. Seus estudos concentram-se no comportamento animal e humano, explicados de um ponto de vista zoológico. Morris escreveu vários livros e produziu alguns programas de televisão, muitas vezes convertendo-os em livros. Suas análises dos humanos de um ponto de vista zoológico geraram muita controvérsia mas são bastante populares nos meios académicos.

Fonte: Wikipédia, Enciclopédia Livre

“Esquecidos em Abril – os mortos da revolução sem sangue” - VILA REAL

Apresentação do livro “Esquecidos em Abril – os mortos da revolução sem sangue” de Fábio Monteiro
pelo autor
dia 23 de Abril de 2019, terça-feira, pelas 21h00
[Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor]
na livraria Traga-Mundos, Vila Real, Portugal

«Seis nomes sem biografia, encontrados no virar de uma página, são como seis cadáveres desconhecidos. Objetos de curiosidade mórbida e de indignação momentânea, que depressa acabam esquecidos.
A 25 de Abril de 1974, cinco portugueses, quatro civis e um funcionário da PIDE, morreram na rua António Maria Cardoso; no dia seguinte, um agente da PSP foi assassinado no Largo de Camões. Falamos de João Guilherme de Rego Arruda, José James Harteley Barneto, Fernando Luís Barreiros dosReis, Fernando Carvalho Giesteira, António Lage e Manuel Cândido Martins Costa. 
Esquecidos em Abril é uma investigação jornalística que dá corpo à memória dos mortos do golpe de Estado, pela primeira vez em 45 anos, expondo o mito da Revolução sem Sangue, que habita grande parte da consciência coletiva nacional. 
Nem todo o encarnado do “dia inicial inteiro e limpo” pertenceu aos cravos nos canos das espingardas.»


Fábio Monteiro é jornalista. Em 2015, ganhou o prémio Gazeta Revelação, atribuído pelo Clube de Jornalistas, pela série de reportagens “Pendurados num Sonho”, publicadas no Observador. Já em 2017, ganhou o Prémio Branquinho da Fonseca, atribuído pelo semanário Expresso e pela Fundação Calouste Gulbenkian, na modalidade infantil, com o original “A Construção do Mundo” (2018).


António Alberto Alves
Traga-Mundos – livros e vinhos, coisas e loisas do Douro
Rua Miguel Bombarda, 24 – 26 – 28 em Vila Real
2.ª, 3.ª, 5.ª, 6.ª, Sáb. das 10h00 às 20h00 e 4.ª feira das 14h00 às 23h00

Próximos eventos:
- Abril e Maio: exposição “I saw myself... conceptual draws” by Firoozeh Sol, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 23 de Abril de 2019, terça-feira: visitas de alunos da Associação 31 – Infantário & Lar de Vila Real, a propósito do Dia Mundial do Livro e da Leitura, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 23 de Abril de 2019, terça-feira, pelas 21h00: apresentação do livro “Esquecidos em Abril – os mortos da revolução sem sangue” de Fábio Monteiro, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal;
- dia 2 de Maio de 2019, quinta-feira, pelas 21h00: TL – tertúlia de leituras #16, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal; [evento periódico, a repetir-se em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês]
- dias 3, 4 e 5 de Maio de 2019: participação com uma banca de livros no FLiD – Festival Literário internacional do Douro, no Espaço Miguel Torga em São Martinho de Anta, Sabrosa, Portugal;
- dias 16, 17, 18 e 19 de Maio de 2019: participação com uma banca de livros de poesia no Txon-Poesia – II Encontro de Poesia e Poética, no Mindelo, Cabo Verde;
- dia 6 de Junho de 2019, quinta-feira, pelas 21h00: TL – tertúlia de leituras #17, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal; [evento periódico, a repetir-se em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês]
- dias 5, 6 e 7 de Junho de 2019, das 9h00 às 19h00: participação com uma banca de livros no VII Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia | 7th Congress of the Portuguese Anthropological Association, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa, Portugal;
- dias 28, 29 e 30 de Junho de 2019: participação com uma banca de livros no festival “Passa a Palavra”, Oeiras, Portugal;
- dia 4 de Julho de 2019, quinta-feira, pelas 21h00: TL – tertúlia de leituras #18, na Traga-Mundos, Vila Real, Portugal; [evento periódico, a repetir-se em todas as primeiras quintas-feiras de cada mês]
- e ao longo de 2019 haverá mais, sempre muito mais...
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Traga-Mundos - livros e vinhos, coisas e loisas do Douro - Património Mundial
Rua Miguel Bombarda, 24 - 26 -28 | 5000-625 VILA REAL
259 103 113 | 935 157 323 | www.traga-mundos.blogspot.com | Facebook
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O BOM SENSO TRIUNFOU



Por: Costa Pereira Portugal, minha terra  

Temos que nos render. O bom senso acabou por vencer e o rio Tâmega ficou livre de ser “banheira de água choca” desde o nascente até pelo menos a Amarante! É digno de louvor esta decisão governamental, que se deve certamente ao facto dos euros não abundar nos cofres ministeriais, o que, neste caso, foi muito útil, pois evitou um desastre ambiental que se ia propagar entre o Fridão (Amarante) e Cavez (Cabeceiras de Basto). Não foi, o que para alguns seria um mal menor, pois já imaginavam ali um modo de ganhar uns cobres sem precisarem de dobrar a espinha. Mas o certo é que têm de arranjar outra forma de fazerem pela vida e trabalhar.
O Tâmega, tem potencialidades para compensar o que lhe queriam impor com a barragem. Voltar aos moinhos, à praia fluvial, com barcos de recreio. Na época de Verão, porque não ali um quiosque com comes e bebes? O mesmo para as Fisgas de Ermelo, e no Parque de Sobreira. Fazer mais divulgação do morro da Senhora da Piedade, na Vila de Mondim, dado que do Monte Farinha e das Fisgas quase já não carecem de divulgação, está feita!  O Tâmega, sim, ainda precisa de um pouco mais de ser falado e divulgado, para não cair no esquecimento. Uma vez que neste país só pelas desgraças é que se fica a saber do que de bom ainda temos para mostrar aqueles que nos visitam. Visitem estes locais, saiam da vila e vão dar uma volta pelo concelho e toda a região de Basto que Camilo imortalizou, em Novelas do Minho, Maria Moisés, Doze Casamentos Felizes, e em Memórias do Cárcere. Tanto o concelho de Mondim como toda a Região de Basto é rica de motivos históricos, paisagísticos e etnográficos. E a sua culinária é do melhor que Portugal serve à mesa. Com verdasco tinto ou branco.

domingo, 21 de abril de 2019

Tempos de Páscoa

Rembrandt - "A Ceia de Emaús"

Este episódio relatado por Lucas, sob o ponto de vista literário é, de facto, um momento de profunda poesia e de grande delicadeza psicológica[1]. Entre as aparições de Cristo ressuscitado, esta é aquela que se não refere ao círculo restrito dos Apóstolos ou aos membros mais próximos da sua família. O episódio não foi relatado pelos outros evangelistas. Jesus apareceu a dois discípulos “obscuros” que nem sequer faziam parte do Colégio Apostólico. Apesar de tudo, reconheceram-No na forma como partira o pão, embora não tenham assistido à Última Ceia.
Dois discípulos vão pela estrada que liga Jerusalém a Emaús no dia da Ressurreição[2]. Vão tristes. Sem O reconhecerem, Jesus junta-se a eles e conversam sobre os acontecimentos recentes: a morte de Jesus e o desaparecimento do seu corpo do túmulo. Aquele em que muitos depositavam a esperança de libertar Israel tanto politicamente como espiritualmente. Ignorando os acontecimentos, o terceiro viajante dá-lhes uma lição de catecismo. Como anoitecia, os dois discípulos retêm o seu companheiro para jantar. Ao vê-lo repartir o pão reconhecem-No. Mas Ele desaparece milagrosamente (Luc. XXIV, 13-35).
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[1] Marcos (XVI-12) faz uma breve alusão ao acontecimento.
[2] Um dos discípulos era Cleofás. Do segundo nada se diz. Alguns comentadores julgam que seria o próprio Lucas que nos transmitiu este relato.

A tragédia de Moçambique e a incúria dos responsáveis


DIÁRIO do MINHO

 O oceano pacífico é o de maior largura do planeta. Por isso nele se geram as maiores tempestades. Na sua costa ocidental tem como “filhote” o Índico que contém a longa ilha de Madagáscar. Daí que grande número de ciclones venham atingir Madagáscar, não chegando a Moçambique. Mas algumas dessas tempestades tropicais entram no Canal de Moçambique e geram sempre tragédia, principalmente na cidade e região da Beira. E a questão mais importante nessas tragédias é a perda de ligações rodoviárias e ferroviárias. Quando em Maio de 1957 cheguei ao Laboratório de Engenharia Civil de Moçambique (LEM) as ligações rodoviárias da Beira com a cidade de Umtali, fronteira da ex-Rodésia do Sul (N6) estavam cortadas, porque uma cheia do rio Pungué tinha provocado um deslizamento do encontro da margem direita da única ponte que existia na chamada “Baixa do rio Pungué”, O então Eng.º Pimentel dos Santos, que era Director do LEM e foi o último Governador de Moçambique, encarregou-me de ir ao local para avaliar a situação e sugerir solução. Fui e verifiquei que a menos de 2 Km a jusante havia a linha de Caminho de Ferro da Beira -Umtali, a qual, para garantir a evacuação das águas das cheias do Pungué”, tinha nada menos do que dez pontes ferroviárias, com uma “vazão linear” total de mais de 500 m (fui lá medir). A ponte rodoviária ficava no “enfiamento” da ponte ferroviária central que era a de maior vão. Claro que a par da solução que sugeri para resolver o problema em causa, declarei, com insistência, que a travessia rodoviária na “Baixa do rio Pungué” tinha de ter mais pontes rodoviárias e o total da “vazão linear” delas não poderia afastar-se do que tinha a travessia ferroviária. Doutro modo, quando voltasse a haver uma cheia no Púngué, as ligações rodoviárias na N6 voltariam a ser cortadas. Tudo isso foi transmitido pelo LEM à Direcção Geral de Obras Públicas de Moçambique. Porém, essa entidade resolveu promover apenas o projecto e construção de mais duas pequenas pontes, uma à frente e outra atrás da dita ponte existente. Assim, o total da vazão continuava a ser uma pequena fracção da da travessia ferroviária. E nada mais foi feito, nem antes nem depois da independência. Em 1957, a ex-Rodésia do Sul era um território com muito boas produções de folha de tabaco, minérios e muitos outros produtos que eram exportados pelo caminho de ferro até ao porto da Beira. Por isso, havia vários comboios diários entre a Beira e Umtali, os quais serviam como boa via de deslocação das populações inter-localidades dessa via, nomeadamente de Vila Pery e a Beira. Na independência desse território, hoje o país Zimbabué, tomou conta do governo um tal Robert Mugabe que expulsou todos os fazendeiros europeus (brancos), pelo que a produção ficou reduzida a zero e a miséria instalou-se entre as populações. Mesmo assim Mugabe ainda arranjou dinheiros (dólares) para que a mulher, Grace, muito mais nova que ele, comprasse em Moscovo o brilhante mais caro do Mundo desse tempo (1980). Em 1916 e 1917, Mugabe esteve em tratamento médico em Singapura, mas de regresso, quis recuperar a Presidência a todo o custo, enquanto o País se afundava com uma hiperinflacção galopante. Mas, foi derrubado pelos militares, depois de 37 anos de ditadura. O sucessor é Mnangagwa que venceu as eleições e governa desde fins de 2017, mas, a instabilidade política é grande. Por isso, a produção continua ínfima. Daí que a linha do caminho de ferro da Beira para Umtali esteja praticamente inactiva. Assim, na terrível tempestade tropical recente as populações da Beira e arredores, perderam todas as ligações terrestres com o exterior, o que aumentou o drama em que viveram. Note-se que no momento da Independência a Estrada Nacional n.º 1 de LMarques N1, “espinha dorsal do País, para o Norte já estava praticamente concluída até ao cruzamento com a Estrada N6. Com o corte de lições rodoviárias na Baixa do Púngué também essa ligação para sul se perdeu.

O ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos considerou de “surreal” a destruição causada pela força das águas sobre a novíssima Estrada Nacional n.º 6 cuja plataforma João Machatine disse que tinha “consistência” que era suposto que resistisse a qualquer tipo de intempérie, e que custou 410 milhões de dólares em dívida externa”. Ora, o que se verifica é que actualmente os projectos de grandes Obras Públicas e a fiscalização da sua execução não seguem nem de perto nem de longe as Regras Internacionais que garantem as funções para as quais cada Obra é feita.

Em 1957 havia em Moçambique um “Conselho Superior de Obras Públicas”, onde, por lei, tinham de ir e ser aprovados antes da execução, TODOS os Projectos de Obras Públicas e até Privadas, edifícios de grande altura, etc.) , que tivessem relevância no que diz respeito a segurança dos usuários, fosse quem fosse o gabinete projectista, nacional ou estrangeiro. Ora, para o projecto de uma ponte sobre um dado rio há dois parâmetros fundamentais a considerar: a “vazão linear” (VL) e a cota (Zmax), das máximas cheias do rio, no local da ponte a construir. O LEM tinha delegações em todas as cidades capitais de distrito, onde havia pelo menos um Eng.º do LEM e pessoal operário, e uma das funções era registar e enviar para a sede em LMarques as medidas das (Zmax) dos rios, lidas na réguas limnimétricas, ou vistas a “olho nu” pela posição de farrapos de pano ou folhas secas, que as cheias sempre deixam nas margens dos rios.
Tudo isto para dizer que hoje os projectos de Estradas e Pontes em Moçambique, pelos vistos, não são executados por engenheiros competentes estrangeiros, embora haja engenheiros moçambicanos que são professores catedráticos de Engenharia Civil. Por outro lado, como escreve num semanário uma jornalista em reportagem da situação na Estrada N 280 da Beira para o Búzi, um novo trecho foi adjudicado a empresa indiana. E mesmo em Maputo, jornalistas têm mostrado a incompetência de empresas às quais se adjudicam Obras Públicas importantes.