terça-feira, 14 de agosto de 2018

Ouçam os Antigos!

Ponte de Génova que hoje colapsou

O Partenon de Atenas, talvez o mais belo e perfeito edifício construído pelo homem (reservas para o templo de Heliopólis, no Baixo Egipto), contínua de pé, passados c. de 2500 anos.
Os viadutos romanos e as suas pontes continuam de pé, passados 2000 anos. E usavam uma espécie de betão grosseiro.
Hoje, uma ponte em Génova, construída com toda a tecnologia moderna, caiu. Fez enormes estragos.
Próprio dos países latinos como a NOSSA ALDEIA LUSA. Aldraba-se aqui e ali, coloca-se um amigalhaço acolá, rouba-se o Estado (que é de todos), nesta e naquela empresa, alimentam-se sistemas de Ensino corruptos, e por aí adiante, e depois dá nisto.

Maquiavelismos externos e internos


BARREIROS MARTINS -Diário do Minho
Prof. Cat. Emérito, Jubilado da Universidade do Minho


Donald Trump finge que não gosta de Putin, mas convida-o e recebe-o na Casa Branca. O que vão tratar não sabemos, mas desconfiamos. As novas eleições para PR dos EUA já não estão distantes e é preciso tratar das coisas com tempo. Têm de se repetir os resultados das últimas. Entretanto, é preciso que os meios “trumpistas” de Comunicação Social, dentro e fora dos EUA, “mostrem por A+B” que Putin não interferiu nas últimas para PR dos EUA. Na vinda à Europa Donald Trump, depois de dar algumas machadadas na NATO e até na Merkel e uns elogios ao BrEXIT, aproveitou a oportunidade para, “em campo neutro” (Helsínquia), dizer ao Putin que não precisa nada dele e que a Rússia até é inimiga dos EUA. O cúmulo do fingimento, bem se vê. Em “voo picado” para as novas eleições, Donald Trump abre uma guerra com todo o mundo, para defender os postos de trabalho de todos os americanos e todas as empresas americanas que fabricam nos EUA: “AMERICA FIRST” a todo o vapor. Aplica taxas elevadas a tudo o que é importado da China, da Europa e até do Canadá. Tenta expulsar as empresas estrangeiras que trabalham nos EUA, etc. etc. Quanto ao Irão, Trump risca o acordo nuclear que os EUA têm com ele e ameaça esse país com sanções económicas: impedir empresas europeias e outras de comprarem petróleo ao Irão, impondo-lhes sanções. Refinarias europeias e japonesas já deixam de comprar ao Irão. 
O Irão ameaçou bloquear a passagem marítima no Estreito de Ormuz em retaliação pelo boicote dos EUA às suas exportações. O preço do barril de petróleo sobe. Claro que Trump sabe o n.º de votos que pode obter dos judeus que vivem nos EUA. Por isso, mudou a Embaixada dos EUA de Telavive para Jerusalém, provocando a ira dos palestinianos. Isso também foi um golpe sobre o Hezbollah, filial do Irão na Palestina. Quanto à Coreia do Norte, Donald Trump defendeu na TV que “o mundo está mais longe de uma “catástrofe nuclear”, após a sua reunião com o líder norte-coreano, Kim Jong-un, em Singapura”. Eos meios “trumpistas” de comunicação anunciam que “o essencial do desarmamento nuclear” da Coreia do Norte ocorrerá até ao final do mandato de Donald Trump. Vladimir Putin não é um jogador menor. Putin, Erdogan e Rohani do Irão, “de braço dado” na Turquia, debatem o futuro e a reconstrução da Síria (que papel resta à União Europeia?). Mas, “por detrás da cortina” combinam formas de fazer face às ameaças de Trump. Erdogan promete comprar petróleo russo e iraniano, de alguma forma. Claro que os “três da vida airada” estão interessados na desagregação da Europa, mais o Trump. Será que a Merkel consegue dar a volta a este esquema? Putin, que foi o elemento mais preponderante da KGB de Estaline, investiu há meses muitos milhares de euros no FSB, nome que a KGB tem agora. E anunciou isso na TV russa. O FSB tem meios cibernéticos invejáveis, etc. etc..
E já se vêem bem os efeitos. Internamente apanha as conversas secretas dos seus principais adversários e manda-os para a cadeia, de quando em vez, para
mostrar ao Mundo que é um bom “democrata”. Também com isso conseguiu iludir o Zé Povo russo sobre a necessidade de ser ele, Vladimir Putin, a nomear os governadores de todas as províncias russas, em vez de serem as populações locais a elegê-los, como era antes. Externamente intervém secretamente em todas as eleições europeias e não só. Acessoriamente também consegue matar por envenenamento os seus adversários que se escapam para o Reino Unido. Recep Tayyip Erdogan tem um “estilo” diferente, em acções semelhantes: Consegue fazer propaganda eleitoral a seu favor dentro da própria Alemanha onde vivem muitos milhares de turcos, usando um famoso jogador de futebol alemão, mas de origem turca. Isto depois de “oficialmente” ter declarado que, como “dono” da Turquia, tinha o direito de fazer propaganda eleitoral dentro da Alemanha, onde vivem muitos milhares de turcos, o que levou a fortes protestos da Merkel. Erdogan,
com a desculpa de fazer face ao único opositor de relevo, Fethullah Gülen, que se refugiou nos EUA para não ser morto, já mandou fuzilar uns largos milhares de militares, polícias e até juízes, pressupostamente seguidores de Gülen. De tal modo que, recentemente, até se declarou “dono” vitalício da Turquia, por “grande desejo do Povo Turco”.
Onde chega o cúmulo do descaramento!!! Erdogan tenta matar curdos em “tudo quanto é sítio”. Os curdos ocupam há milénios uma parte nordeste da Turquia que representa 1/3da área desse país. Além disso, a maior parte dos curdos vive do outro lado da fronteira entre o Iraque e a Turquia. Erdogan, não só não fornece o mínimo de apoio sanitário aos curdos que vivem miseravelmente dentro da Turquia, como manda bombardear as aldeias dos curdos que vivem dentro do Iraque. Depois, Erdogan “admira-se” que o PKK (partido curdo) que ele expulsou do “Parlamento” turco, tenha actividade guerrilheira contra ele. A “filial” do PKK no Iraque (os pesh mergas) foi fundamental na guerra contra os terroristas muçulmanos do ISIL no Iraque. A “filial” do PKK na Síria, o YPG, também foi fundamental na guerra contra os terroristas muçulmanos do ISIL na Síria. Erdogan mandou bombardeá-los e as tropas turcas até atravessaram a fronteia com a Síria para os atacar. Mas, Erdogan diz na TV, para todo o Mundo, que é contra os terroristas muçulmanos do ISIL. Porém, a mulher do Erdogan aparece em público, com um rico traje muçulmano…


Por cá também temos maquiavelismo. O 1ºM é especialista nisso. Passou toda a legislatura em “campanha eleitoral” junto com o seu séquito. Os sábados e domingos, pelo menos, não servem para outra coisa, com ajudas de custo pagas pelo Zé. E consegue levar a “Comunicação Social” atrás dele (paga-lhe bem?). Depois, “martelam” os ouvidos dos ouvintes, dia e noite, com as figuras e as “VERDADES” do Governo. E, como bem se sabe, essas “VERDADES”,1.º estranham-se e depois “ENTRANHAM-SE”. A seguir vêm os ferozes vómitos do J e seus acompanhantes, e do BE, que são só “Bluff”. Na hora de votar, votam a favor da “Geringonça”, porque o J segue à risca os dizeres e fazeres do Cunhal: “Tudo tem de ser feito para que a DIREITA não volte ao poder”.
O resto é paisagem. Claro que neste período pré--orçamental é indispensável fazer mais umas quantas greves, que muito prejudicam alunos e famílias, para ver se o responsável das Finanças, arranja mais uma maneira de ir aos bolsos dos Contribuintes, aqueles que realmente trabalham, buscar mais dinheiros para meter nas mãos dos das “Manifs”, aqueles que nada fazem e tudo comem.
Entretanto, R. R. tem feito algumas denúncias da situação nos campos da Saúde e da Economia, mas nada na podridão do ENSINO Básico e Secundário, o qual é fundamental na “formação” de um verdadeiro cidadão.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Foi chato

Foi chato

por Pedro Correia - Delito de Opinião
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A Serra de Monchique - o maior pulmão do Algarve - ardeu em larga medida. Cerca de 27 mil hectares - o equivalente a 27 mil campos de futebol, quase três vezes a área da cidade de Lisboa. 
Foi o sexto maior incêndio desde sempre registado em Portugal. E o maior incêndio ocorrido este ano em todo o continente europeu.
No preciso local onde o chefe do Governo se deslocou com vasta comitiva, para efeitos de propaganda política, assegurando aos portugueses em geral e aos algarvios em particular que estavam reunidas todas as condições, em meios humanos e técnicos, para um combate eficaz aos incêndios. 
Não estavam, como todos sabemos hoje. No lugar onde António Costa falou, a 1 de Junho, restam cinzas.
Ainda em Junho, novo exercício de propaganda: o Executivo convocou a Comunicação Social para revelar que faríamos deslocar para a Suécia e a Gréciameios aéreos de combate aos fogos.
Como se pudéssemos dar-nos a tal luxo após os flagelos de 2017 que enlutaram o País e comoveram o mundo.
Passado o pavoroso incêndio de Monchique, novamente o Governo, pelas vozes simultâneas do primeiro-ministro e do titular da pasta da Administração Interna, não perdeu tempo a lançar o slogan "não morreu ninguém" - igualmente para efeitos de propaganda.
Frase que esconde, no seu cinismo político, a perda de um número incontável de espécies animais e vegetais, o fim dos meios de sustento de centenas de residentes no concelho de Monchique, o fim de explorações agrícolas, turísticas, de apicultura e silvicultura.
Esconde as centenas de deslocados, esconde os 41 feridos e os 49 desalojados. Esconde os prejuízos globais de dez milhões de euros, avaliados pela Câmara local.
Procura afinal ocultar  - como bem escreveu o Manuel Carvalho no Público - que "ao primeiro teste difícil o aparato de combate aos fogos falhou".
É, no fundo, o equivalente moral ao "foi chato" proferido por Bruno de Carvalho na sequência do inqualificável assalto promovido a 15 de Maio por membros de uma claque leonina à Academia de Alcochete.

domingo, 12 de agosto de 2018

Antologia de autores Transmontanos, Durienses e da Beira transmontana na Senhora das Graças em LAGOAÇA


No primeiro fim-de-semana do mês de Setembro (7,8, 9 e 10), vai realizar-se a grande festa anual de Lagoaça, que os lagoaceiros festejam em honra da Senhora das Graças.
É uma festa recente, com origem no século XIX. A devoção a Nossa Senhora das Graças, denominada também da Medalha Milagrosa, resultou, segundo testemunhos da época, da aparição de Maria a Santa Catarina de Labouré, noviça da congregação das Filhas da Caridade no convento de Paris, a 27 de Novembro de 1830.
A Senhora das Graças foi ainda muito venerada no período colonial brasileiro. A primeira igreja do Brasil a ela dedicada foi construída em Salvador, por Diogo Álvares, o Caramuru.
A sua iconografia não difere do relato da vidente: “ (…) estava de pé, vestida com um vestido de seda, cor de branco aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul que descia até aos pés (…) as mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas, mais belas umas que as outras (…) jorrando feixes de luz em todas as direcções (…)”.
Normalmente é representada sobre o globo terrestre esmagando a cabeça de uma serpente que simboliza as forças satânicas. Aliás, iconografia fundamentada na passagem bíblica da Mulher do Apocalipse que escapa à serpente (Ap. XII; 13- 18); a Serpente antiga do Génesis (II; 1-5), ou a de Amós (IX; 1-4).
Os únicos elementos que existem sobre a origem desta festa, em Lagoaça, encontram-se publicados na revista Terra Nossa (2002) que era editada pela sua Comissão de Festas, mas onde se não citam fontes: no ano de 1869 é nomeado seu mordomo António Augusto Lopes Antunes. Em 1885 a Junta pagou a Francisco Manuel Lopes 18$600 por despesas que fez para essa festa.
São ainda referidos escassos elementos sobre os anos de 1886, 1887 e 1889. Os restantes (também escassos) são já do século XX.
Foi sempre uma festa de arromba. Na região não conhecemos nenhuma com a sua dimensão. Além do foguetório, sempre extraordinário, que os espanhóis de Mieza anseiam todos os anos, por volta da meia-noite de Domingo, os programas religioso, recreativo e cultural são sempre soberbos. A título de exemplo, em 2011, a sua Comissão de Festas, patrocinou uma colectânea de autores transmontanos (c. de 75), com mais de 400 páginas, editada pelo empresário António Neto (Exoterra).
Este ano, apoiou a Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira transmontana, como se percebe no seu cartaz, editada pela Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa (impressa pela Exoterra de António Neto), para a qual muito contribuiu o empenho do seu Presidente, Hirondino Isaías. A ser apresentada no concelho de Freixo, no dia 8 de Setembro, pelas 14H e 30m, na praça de Lagoaça, no decurso das festividades. 
Acrescente-se que por cada volume vendido (durante as festividades), reverterão a favor da Senhora das Graças, cinco euros.

Mandocas

Morreu V.S. Naipau



Morreu o escritor V.S. Naipaul, nobel da Literatura em 2001

Portugal, um país sem futuro


As declarações proferidas por Costa e seus esbirros sobre o incêndio de Monchique só trazem à memória a forma como se apoderaram do poder, assaltando-o, com a conivência dos do costume. O artigo de Alberto Gonçalves, no Observador, é bem elucidativo.
A bancarrota de 2011 foi obra deles, como o são todas as patifarias desde Outubro de 2015.
Arnaldo Matos, na sua página do Twiter, delineou a pormenor um dos apoiantes de Costa. E a política de Costa é bem escrutinada no artigo de Santana Castilho, no jornal Público e no editorial de Manuel Carvalho, seu actual director.

A prosperidade de uma Nação depende, sobretudo, do seu grau de educação. E o seu grau de educação depende, sobremaneira, do seu estado de Ensino. Sobre o ensino português, os dados estão na mesa há muito. Desde 2005, o objectivo de quem exerceu as funções de governança, foi proletarizar a função docente, à semelhança das experiências soviéticas surgidas em 1917, e das maoistas por influência destas.
O que sucedeu ao Sistema de Ensino no país, a partir de 2005, atirou-o para um atraso de três décadas. O pior é que tudo isso foi intencional. Não para melhorar o sistema, mas para o dominar. Os resultados são hoje visíveis. As direcções das escolas são as mesmas do tempo de Sócrates e de Maria de Lurdes Rodrigues, o sistema de avaliação docente também, e a progressão na carreira idem (a favorecer os amigalhaços, em vez da competência). Poderá assim o país prosperar? Não. Porquê? Porque todo o sistema se encontra CORRUPTO! E se o Sistema de Ensino é corrupto, toda a sociedade, de um modo geral o é.

Ora os incêndios são uma imagem desta corrupção. Querem acabar com eles? Pelo menos com os desta dimensão?


1 - Reagrupem, de novo, os guardas florestais (que foram extintos pelos socialistas), agora por pequenas equipas, equipadas com meios técnicos actualizados: rede de computadores, torres de vigia e dronesTodos os países civilizados, da Europa à América, por aqui foram, incluindo nessas equipas o elemento feminino.
2 – Apostem em equipas de defesa da vida selvagem, devidamente orientadas pelas Universidades.


 O resto é conversa fiada!

Quando as escolas são territórios para o assédio moral

O editorial de hoje do jornal Público, zurzido pelo seu director, Manuel Carvalho, um transmontano de Alijó, demonstra a realidade do ensino público da aldeia lusa. Assenta no estudo do Académico de Évora. Mas toda a gente sabia disto, desde 2005. Contudo, como é costume, os do costume enfiaram a cabeça na areia, como a avestruz, durante todos estes anos! O Doutor António Portelada apenas levanta o pó (o que já é bom num país ao nivel do Burkina Faso), mas a questão é muito mais grave. Será que Portugal já não tem gente decente em barda?


MANUEL CARVALHO
Jornal Público

Um em cada quatro docentes diz ter sido vítima de agressões morais. Não, desta vez não está em causa um estudo sindical — o que obriga a olhar o problema com outros olhos.

A garantia de boas condições para o exercício da docência não é um assunto que diz apenas respeito aos professores, aos seus sindicatos ou ao Ministério da Educação. O seu desempenho individual e colectivo é um assunto que tem de preocupar toda a comunidade. Por isso, é impossível não ler as conclusões do estudo académico de António Portelada, da Universidade de Évora, que o PÚBLICO hoje revela, e encolher os ombros como se o que estivesse em causa fosse apenas mais um desconforto de uma profissão cada vez mais exigente, hierarquizada e engolida pela burocracia.
Ao revelar que um em cada quatro professores de uma amostra razoavelmente expressiva foi vítima de assédio moral, o estudo atesta um pano de fundo propiciador para a desmotivação ou a negligência. Não se pode acreditar que um professor (ou qualquer profissional) vítima de assédio moral por parte da instância que dirige a escola, dos seus pares ou dos alunos e encarregados de educação reúna as melhores condições para dar à escola o que pode e deve dar. E não, desta vez não está em causa um retrato promovido pela Fenprof e realizado por uma académica conhecida pelo pendor ideológico das suas intervenções – o que, se serviu para alimentar suspeitas, não basta para minar os méritos científicos.
O Estado tem por isso o dever de considerar que há um problema e agir. Na relação com os alunos e os pais, a autoridade dos docentes tem de ser reforçada, seja pela produção de nova legislação ou pelo agravamento das penas já previstas na lei para os agressores. Mais difícil, porém, será resolver o problema dos abusos atribuídos aos directores das escolas. Porque o que aqui se reflecte é aquele mundo ínvio de pequenos poderes, do sectarismo tribal muitas vezes contaminado pela política local, que tende a considerar a escola como um feudo sujeito ao autoritarismo e à prepotência. É, por isso, uma questão cultural que é urgente combater.
Os desafios são imensos. E difíceis. Mas depois de anos de queixas avulsas, este estudo faz prova de uma realidade inaceitável. Se queremos boas escolas, não podemos deixar que os protagonistas dessa condição, os professores, continuem a viver com estes constrangimentos.

Cá neste jardim à beira mar plantado.


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra
                              Falar disto e daquilo

Conheço mal Monchique, visitei as Caldas e a Fóia  por duas ou três vezes, antes e depois do 25 de Abril. Na altura, era o Coronel Andreia que estava como administrador das Caldas de Monchique. Que é das zonas mais bonitas do Algarve não tenho dúvida, mas que a maioria dos veraneantes que se deslocam em busca das suas praias partem sem conhecer também não duvido nada. E perdem de conhecer além da paisagem, uma vila muito bonita, sede de um município do distrito de Faro, e subdividido em três freguesias. Limita, a norte, com Odemira; a leste, com Silves; a sul, com Portimão; a sudoeste, com Lagos, e a oeste Aljezur. Foi criado em 1773, e desmembrado de Silves. Nesta altura tem por presidente o autarca Rui André.
Desde Sexta-feira que o fogo flostal se apoderou de Monchique e desbasta toda a sua serra da Fóia (2.959 pés), um paraíso de fauna e flora que se perde. E as acusações por parte de quem conhece o terreno e as circunstâncias vem dos produtores florestais do Barlavento Algarvio que cita: «há cerca de sete meses” que está parado no Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICFN) um plano de prevenção e combate aos incêndios». De acordo com o Presidente da Associação dos Produtores Florestais do Barlavento Algarvio (Aspaflobal), Emílido Vidigal, todos sabiam que “a serra de Monchique era a próxima a arder”.
 “Há mais de um ano que todos sabiam que Monchique estava no topo da lista das zonas com maior risco de incêndios florestais”. Hoje terça-feira, 7 de Agosto, sabemos que o incendio continua a destruir património vegetal, fauna e bens públicos e privados, e um governo impávido e serena confiante na chuva que há-de vir e dar uma ajudinha á nossa Proteção Civil. Que para evitar mais estragos até pediu à EDP, por questões de segurança, que cortasse o abastecimento de eletricidade em algumas zonas de Monchique, como a Caldas e Fóia. Será que se lembraram que cortando a luz, onde a água dos poços ou furos é tirada a motor deixa de haver água em casa? Proteção, mas com regra, como é timbre... cá neste jardim à beira mar plantado.

sábado, 11 de agosto de 2018

Armando Vara tenta afastar super juiz Carlos Alexandre


Deixar arder


Alberto Gonçalves – OBSERVADOR

O que aflige nesta história é a brutal desumanidade das personagens, a começar pela principal. Aquilo espreme-se e não sai dali pingo de semelhança com o que se convencionou chamar uma pessoa.
Há as declarações, obviamente deturpadas, do dr. Costa sobre Monchique ser “a excepção que confirma a regra do sucesso” no combate aos fogos florestais, talvez no sentido em que o Holocausto foi a excepção que confirma a regra do amor pelos judeus na Alemanha nazi.
Há as declarações em que o dr. Costa explica a “complexidade” de Monchique com a “vela de um bolo de aniversário”, que “todos nós apagamos com um sopro, mas quando a chama se alarga e os incêndios ganham uma escala com esta dimensão, não basta os sopros nem alguns dias de trabalho”. É uma analogia esteticamente rica, tecnicamente informada e cuja clareza só uma criança percebe.
Há o momento em que o dr. Costa culpa o eucalipto pela tragédia que afinal é um êxito, num corajoso desafio aos “especialistas” que, armados com “ciência”, “factos” e “realidade”, “provam” a inocência da dita árvore.
Há as fotografias do dr. Costa no Twitter oficial, em que, surpreendido em pleno comando das operações, o estadista ora aponta para um ecrã, ora contempla o telemóvel, ora encosta o telemóvel à orelha. Quando não fogem para praias espanholas, os estadistas distinguem-se por proezas assim, além de exibir a barriga ou o peso da responsabilidade.
Há o “texto” do dr. Costa no Twitter oficial, onde se afirma em “contacto permanente” com ministros, autarcas e uma AGIF (?) para efeitos de “actualizações”, “análise” e “orientações”. Incansável, envia uma “palavra de apoio” (qual?) aos “agentes da proteção (sic) civil” e outra de “solidariedade” (qual?) às “populações afetadas (sic)”.
E depois há as naturais degenerescências do dr. Costa, que rimam com a criatura em cada gesto. Há a protecção civil, um centro de emprego para comparsas que envia sms vagos e acerta sempre que não erra. Há o representante dos bombeiros, munido de uma licenciatura em Sporting. Há uma barbela, competentemente elevada a ministro, que declara grandes vitórias em cenários arruinados. Há polícias que pelos vistos algemam as potenciais vítimas para bem destas. Há “meios” aéreos que não voam, “meios” terrestres que não se entendem e meios malucos que juram pela excelência dos serviços. Há uma empresa indigna de gerir a TVI e excelente para dirigir o SIRESP. Há o SIRESP, embora se houvesse não se notaria a diferença. Há funcionários do “112” que se limitam a desejar “boa sorte” aos aflitos. Há “jornalistas” que repetem ou legitimam as iluminações do chefe. Há silêncio dos parceiros de maioria e dos parceiros da oposição. Há um presidente avesso a ocasiões insusceptíveis de “selfie”. E há uma população que assiste ao circo com fundamental desinteresse, e que vê nos incêndios uma ocasional alternativa aos debates da bola.
Os incêndios, porém, não são o problema. Acidentes acontecem, como acontece a radical inépcia dos que recebem salário para mandar em nós. O que aflige nesta história, e nas histórias que a precedem, é a brutal desumanidade das personagens, a começar pela principal. Aquilo espreme-se e não sai dali pingo de semelhança com o que se convencionou chamar uma pessoa, cheia de defeitos e virtudes. Não se trata apenas um lamentável carácter: é uma coisa com os predicados morais do percevejo médio, a caricatura de um vilão desprovido de empatia, decência e de tudo o que não seja a manha dos simples, um perigo em suma. Estou a falar do dr. Costa.
Quanto ao resto, não vale a pena. Não vale a pena esperar demissões, indignações, sublevações. Não vale a pena respeitar um lugar que não se dá a respeito nenhum. Desde que, no saboroso ano de 2017, os donos do regime resistiram às próprias figuras durante Pedrógão, ficou estabelecido que os donos do regime resistem ao que calha – porque não calha ninguém ousar ou sequer tencionar incomodá-los. Na verdade, as “autoridades” podiam dispensar as chamas e chacinar a tiro centenas de cidadãos que, realizada a limpeza a cargo dos “media”, em poucos dias regressaria a normalidade. “Apatia” é um termo demasiado suave. “Masoquismo” também.
Há dias, tentei explicar à minha amiga Leonor (Freitas da Silva) o desagradável sentimento que o país actual me inspira. Acho que mencionei a vergonha. É pior, Leonor, pior do que vergonha e pior do que desprezo. É a impressão de que atingimos um ponto sem retorno e sem remédio, em que a prepotência é tão arrasadora e a impunidade tão evidente que quem as sofrer calado deixa de ser vítima para se tornar cúmplice. E é a certeza de que a vasta maioria dos portugueses não hesita na escolha. Deixar arder, pois, em Monchique e em todo o lado.