domingo, 10 de maio de 2026

O discurso de Putin na Praça Vermelha



 Jorge Silva Carvalho

 @JMJSCarvalho

May 9

O discurso de Putin na Praça Vermelha hoje foi exatamente o que se esperava de um homem que passou a vida a construir narrativas de poder.

Tecnicamente irrepreensível. Emocionalmente calibrado. Politicamente vazio e sem aderência à realidade.

Invocou os valores mais profundos da alma russa: o sacrifício da Grande Guerra Patriótica, a espiritualidade ortodoxa, a comunidade e a missão histórica. São valores reais. Calam fundo numa população que perdeu 27 a 30 milhões de pessoas e guarda esse trauma como ferida coletiva. O problema não são os valores. O problema é o homem que os usa.

Produto do KGB, uma instituição que ensina acima de tudo a usar a linguagem como ferramenta de poder, não como expressão de verdade. Putin acumulou uma das maiores fortunas pessoais da história (estimada entre 70 e 200 mil milhões de dólares) através de um sistema de captura do Estado que enriqueceu um círculo restrito de oligarcas em troca de lealdade. Os valores que invoca hoje (sacrifício, espiritualidade, verdade histórica) são o oposto exato do que praticou em 25 anos de poder. Clássico populismo autoritário: o líder que fala em nome do povo enquanto o saqueia.

A Igreja Ortodoxa é o exemplo mais puro desta instrumentalização. O Patriarca Kirill (ele próprio suspeito de ter sido agente do KGB) tornou-se o braço espiritual do regime, abençoando a guerra na Ucrânia como missão sagrada. O Kremlin dá à Igreja prestígio e financiamento. A Igreja dá ao Kremlin legitimidade transcendente. O povo recebe a mensagem de que a guerra é uma cruzada e não a aventura imperial de um homem que quer entrar para a história.

O perfil narcisístico de Putin é clinicamente relevante: a convicção de ter uma missão histórica especial, de ser insubstituível, de que as regras normais não se aplicam. Explica a invasão da Ucrânia muito melhor do que qualquer análise geopolítica racional.

Putin não calculou mal os custos. É que os custos para os outros simplesmente não entram na equação.

O desfile de hoje foi a manifestação mais clara desta dinâmica: com cadetes das principais escolas militares ausentes pela primeira vez em anos, pedido de cessar-fogo para proteger o evento, o general de Bucha nomeado para comandar a força aérea – e ainda assim o discurso de vitória.

Enquanto Zyuganov – líder histórico do Partido Comunista e voz de dentro do próprio sistema – evocava no parlamento o espectro de 1917, o ano em que a Rússia imperial colapsou sob o peso da guerra e do descontentamento popular, a aprovação de Putin caía 12 pontos desde janeiro. Não é um aviso que vem de fora. É um aviso que vem de dentro.

O narcisismo exige a performance, mesmo quando a realidade a contradiz.

A eficácia do discurso não se mede pela autenticidade, mas pela receção. E aqui é preciso ser justo com a complexidade russa. Os valores que Putin instrumentaliza são genuínos. Mas a memória da humilhação dos anos 90 e o sentimento de que o Ocidente não respeita a Rússia foram em grande medida uma construção sua, não uma realidade vivida pelo povo comum. O Ocidente não rejeita a Rússia: tentou repetidamente lidar com ela como parceiro. O que o Ocidente não aceita é esta Rússia corrupta, abusiva e sem respeito pelos direitos humanos que Putin construiu.

O que o discurso faz é criar uma ponte entre esses sentimentos nacionais reais e uma guerra que a maioria dos russos não escolheria se tivesse informação completa.

A analogia com a Grande Guerra Patriótica é historicamente absurda, mas emocionalmente poderosa para quem perdeu avós em Estalinegrado.

A questão não é se Putin acredita nos valores que invoca (provavelmente não).

A questão é se o povo russo ainda acredita quando o homem que os invoca pede cessar-fogo para proteger um desfile sem tanques, com um general de Bucha à frente da força aérea, enquanto a economia contrai e os filhos não voltam.

Os valores são reais.

O homem que os usa é outra coisa.

#Putin #VictoryDay2026 #Ucrânia #Geopolitica #Russia #9deMaio

National Syndicalism

 

                Pode ser adquirido em Amazon.com

Desfile de viúvas Russas

 

Abriu Miradouro das Fisgas de Ermelo

 

Parque Ecológico concluído em 2027

 

sábado, 9 de maio de 2026

Operações clandestinas (espionagem) da Rússia na Alemanha


 

Livro de Ernesto Rodrigues na FNAC - Av. de Roma 11 A - LISBOA

 Cara(o) Consócia(o),  


A Direção da CTMAD vem dar conhecimento aos seus associados, e a pedido do Dr. Ernesto Rodrigues, convite para apresentação do livro 
"GOLPE DE ESTADO", da sua autoria, no dia 14 de maio (quinta-feira) às 18 horas na FNAC, sito na na Av de Roma 11 A em Lisboa.

Ver Convite anexo

            A Direção da CTMAD

Saudações Transmontanas e Durienses

**************************************************
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa



Vila Flor faz história no futebol de praia

 

Falhanço... a base da mentalidade vencedora


 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

IGREJA DE SÃO JOÃO DE LOBRIGOS - A ARTE DA TALHA SANTA MARTA DE PENAGUIÃO

Por MARIA da GRAÇA

Em finais de Seiscentos era abadia da apresentação dos Marqueses de Arronches, passando a ser apresentada pelo Duque de Lafões em meados de Setecentos. Foi sempre a freguesia do concelho de Penaguião de maiores rendimentos  *28.

______________

*28 Para Pinho Leal (1871), esta era a abadia mais rica de Portugal, pois havia anos que só em vinho, fazia o abade, 16 a 20 contos de reis. O que , segundo o mesmo autor, a tornava mais rendosa que alguns bispados. Era uma riqueza considerável para a época. Luís Cardoso (1758) observa que o abade de Lobrigos era apresentado pelo Duque de Lafões e tinha um rendimento anual de 10.000 cruzados, que correspondiam a quatro contos de reis. Isto pode ajudar a explicar o fausto dessa igreja.

 __________

Francisco Lameira atribui o risco e o entalhe do retábulo da capela- mor da igreja paroquial de São João de Lobrigos a Frutuoso de Azevedo *29 (1720), mestre entalhador e eventualmente debuxador de retábulos com oficina aberta na cidade de Braga, atendendo às semelhanças compositivas deste exemplar com o retábulo da capela de Nossa Senhora da Piedade, no claustro da igreja da Sé, em Braga, eventualmente da sua autoria. Neste retábulo, no ático é aplicada uma composição muito pouco usual: a utilização de arcos salomónicos diferenciados em cada um dos tramos.

Contudo a cinco de Fevereiro de 1792 é lavrada escritura de obrigação pelos moradores da freguesia na presença do reverendo abade José Coelho Borges, "para a factura de hua nova Igreja" (Armando Palavras, 2011, p. 127). Não deixando dúvidas sobre o destino da antiga: a sua demolição.


Assim sendo, seria muito difícil que Frutuoso de Azevedo tivesse realizado, pelo menos, o entalhe.

Porém, a atribuição de Francisco Lameira (2020, p.73 e 105) faz algum sentido, por duas razões:

1- Ou aproveitaram o retábulo antigo;

2- Ou o trouxeram de outro lado.

Quanto à primeira hipótese não temos dados da região que a sustentem. Já quanto à segunda temos. No concelho de Alijó, im concelho vizinho, existem duas visitações que a sustentam *30:

A 24 de Setembro de 1701 foi visitada a igreja de São Tiago de Vila Chã. Após observar o inventário degradado pelo tempo, o visitador observou as obras recomendadas em visitação pelo visitador da comarca: branquear e rebocar a capela-mor e sacristia, um banco para levantar o retábulo e um guarda-pó. Porém, o pároco da freguesia entendia não ser conveniente por duas razões: porque esteticamente não ficava bem e era caro. Propunha então um retábulo novo, vendendo este (banco) à Senhora dos Remédios.

Em 1715, em São João Baptista do Castedo, o visitador manda vender o retábulo velho para com esse dinheiro dourar o novo. De certeza que foi vendido a outra igreja.

Exemplos destes são vários pelo país inteiro. Damos este exemplo:

A 5 de Março de 1755 a Irmandade da Nossa Senhora da Colegiada de Guimarães entregou a António Cunha a quantia de 20$000 reis provenientes dos " acrecimos que fes na obra da tribuna de Nossa Senhora".

Toda a anterior estrutura retabulística executada pelo mestre Pedro Coelho nos inícios do século XVIII, com a campanha das obras executadas em 1771-74, encontrava-se em 1775 desmontada nos claustros da Igreja da Colegiada. A 4 de Abril de 1775, o secretário e os irmãos da Irmandade da Nossa Senhora da Oliveira reunidos na sacristia do Santíssimo Sacramento decidem dar como esmola o "retabollo da tribuna velha de Nossa Senhora", à Irmandade do Campo da Feira, tendo em conta o requerimento feito pelos irmãos daquela irmandade que a pretendiam colocar na "sua capella que andavão fazendo de novo e que tudo seria em ourra e louvor do Senhor dos Santos Paços".

... ... ...(...)

__________

*29 Em 1693, em parceria com Luís Vieira da Cruz (escultor) executa o retábulo de Nossa Senhora do Pilar na Póvoa de Lanhoso (SMITH, 1968,p.39; OLIVEIRA, 2005,p,71)

*30, PALAVRAS, 2022,pp37-39 e 52-54.

https://tempocaminhado.blogspot.com/2026/05/a-arte-da-talha-em-santa-marta-de.html


O discurso de Putin na Praça Vermelha

  Jorge Silva Carvalho   @JMJSCarvalho May 9 O discurso de Putin na Praça Vermelha hoje foi exatamente o que se esperava de um homem q...

Os mais lidos