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quarta-feira, 13 de maio de 2026
Pedaços da História - em busca das origens
PREFÁCIO
No seguimento das nossas conversas e tendo em conta a sua pronta disponibilidade, remeto para sua análise e posterior emissão de PREFÁCIO, o livro em anexo o qual, em princípio, terá o título PEDAÇOS DA HISTÓRIA. Foi este o desafio que o Elmiro Barbeiro me fez, no passado dia 6 de dezembro, a que acrescentou, em telefonema posterior: O título não é definitivo, se quiser pode sugerir outro… Lido o livro, a hesitação do autor ficou resolvida: em minha opinião, PEDAÇOS DA HISTÓRIA – histórias vividas e História investigada – é um título ajustado ao espírito e à letra da obra. Tudo o que eu pudesse sugerir não a beneficiaria… e duvido que o autor consiga encontrar um título mais adequado à trama e ao fio da narrativa.
Sobre Angola, a história é outra…
Testemunha do drama vivido pelos portugueses forçados a abandonarem precipitadamente as suas casas e as suas vidas nas colónias africanas e participante, por razões profissionais, num dos programas desenhados para a integração dos retornados nacionais, vivi, à minha escala, a tragédia da descolonização – gente desenraizada, revoltada e completamente perdida era despejada diariamente no Aeroporto de Lisboa e ali ficava à espera de uma ajuda incerta. Rever as fotografias daquele amontoado de famílias, sentadas ou deitadas no chão, sem a mínima ideia do que as esperava é, ainda hoje, uma experiência de partir o coração. É por isso que não me canso de afirmar que ter conseguido promover a absorção de quase dez por cento da população, em situação de emergência, de penúria financeira e com a anarquia do PREC em pano de fundo, foi uma proeza à altura da gesta dos Descobrimentos… se é que não foi um milagre da Padroeira de Portugal. O impacto dos acontecimentos despertou o meu interesse para tudo quando se relacione com a descolonização e por todos os relatos dos protagonistas, sob a forma de depoimentos, artigos de jornal ou livros, um interesse que, acrescente-se, me conduziu ao conhecimento do que era a vida dos brancos em Angola e Moçambique, antes e depois de se iniciarem as lutas pela independência, até à ponte aérea… que lhes salvou as vidas, mas fez perder os haveres. Sobre um e outro tema, tenho a informação recolhida ao longo de cinquenta anos, mas insuficiente para compreender a dimensão dos dramas vividos por aqueles portugueses. Por esta singela razão, a história contada pelo judeu Ezequiel Pereira, mesmo ficcionada, foi mais uma peça para compor um puzzle que precisa de muito mais até que a imagem fique definida nos contornos e nas cores de uma paisagem complexa.
E os relatos do judeu Ezequiel Pereira conduziram-me à minha terceira área de interesse: a vida dos judeus em Portugal até à ordem de expulsão, à conversão forçada e às perseguições aos convertidos por parte do pior que, em todas as épocas, abundou na sociedade portuguesa: a mesquinhez e a bufaria que levaram tanta gente às fogueiras da Inquisição. O incómodo causado pelos comportamentos da hora do lobo – aquela em que o medo leva os homens a esquecerem tudo o que a civilização conseguiu – ampliou um interesse nascido na busca de explicação para o que terá levado um povo tradicionalmente cordato às barbaridades das lutas liberais, quando vizinhos, amigos e parentes se mataram uns aos outros, só porque os outros eram partidários de um rei diferente. Isso e o facto de também eu ter nascido sardento e com cabelos ruivos herdados do meu avô – um Celta puro, ruivo de fogo e com a cara e os braços cobertos de sardas. Quem sabe se descendente de judeus…
Estes três capítulos – Setúbal/Arrábida, Angola/colonos/guerra e visita às origens/perseguição aos judeus – seriam suficientes para captar o meu interesse, mas esta é a consequência de preferências que pouco interessarão aos leitores. Mais importantes são os factos narrados, mesmo se de forma ficcionada, o ritmo da narrativa e o cuidado do autor para se documentar e ser rigoroso na evocação dos factos históricos que povoam as páginas do livro. Tive oportunidade de confirmar esse zelo em dois aspectos que conheço razoavelmente: a história do Convento da Arrábida e do Palácio da Comenda.
Um belo livro de poesia que o autor publicou há uns anos revelou o do seu amor às origens: Trás-os-Montes, Freixo de Espada à Cinta, Lagoaça. Como se isso não bastasse, as alheiras de Carviçais com que tenho sido brindado fazem prova definitiva da sua ligação à terra. Alheiras que, como é geralmente sabido, foram a invenção dos judeus convertidos para demonstrar a adesão aos costumes cristãos: as suas casas, como as demais, exibiam o fumeiro! Só que os enchidos não eram confecionados com carne de porco. A leitura dos poemas, muitos deles de cariz autobiográfico, preparou-me para ler uma obra com acento etnográfico, à maneira de Ferreira de Castro, Aquilino ou Namora – que seria sempre interessante, pelo menos para os amantes de História, Geografia, Antropologia e Sociologia – mas tive a boa surpresa de descobrir a veia ficcionista do autor, patente numa história bem construída, com uma narrative fluida e onde, a par da descrição objetiva do contexto das vivências, emerge a fina sensibilidade do Elmiro Barbeiro. Por todas as razões, um livro que merece ser lido com atenção.
Filipe Pinhal
terça-feira, 12 de maio de 2026
Qual é a ex-colónia portuguesa menos conhecida?
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imp%C3%A9rio_Portugu%C3%AAs
Na realidade, o que mais não falta são ex-colónias portuguesas desconhecidas dos portugueses – por vários motivos, importância histórica, reconhecimento formal e longevidade do domínio português, etc.
Importa também lembrar que em muitos casos, Portugal detinha
pequenas colónias / regiões de países atuais, e como tal a presença portuguesa
acaba por ser lembrada pelos habitantes desses países / regiões de forma mais
frequente do que os próprios portugueses.
Dos territórios menos conhecidos, eu listaria:
Em África Em Marrocos, além de Ceuta, as
cidades de Tânger (1415-1640), Casablanca (1515-1755), El Jadida (1502-1769),
Agadir (1505-1541), Safi (1488-1541), Asilah (1471–1508 e 1577–1589) e a vila
de Azemmour (1513-1541); No Senegal, a ilha de Gorée (1444-1536); Na
Mauritânia, a ilha de Arguim (1445-1633); Na Gambia, a ilha de James e Albreda
(1456-1458); Na Serra Leoa, o atual distrito de Port Loko (1462-1651); No Gana,
dois fortes costeiros, Fortaleza de Elmina (1482-1637) e Forte de Santo António
em Axim (1515-1642); No Benin, Ouidah (1721-1961); Na Guine Equatorial, as
ilhas de Annobón e Bioko (desde os 1470s até 1778); Na Tanzânia, as ilhas de
Zanzibar, Pemba e Mafia bem como a cidade de Kilwa (1505-1512); No Quenia,
Mombasa (1593-1698); Em Madagascar, povoado costeiro de Matatana (1508-1613),
inicialmente como colónia portuguesa e depois como missão jesuíta.
A juntar aos acima mencionados, apesar de nunca ter
exercido controlo sobre, podemos também incluir os Reino do Benin (Nigeria) e
do Kongo (República do Congo e Angola) sob o qual Portugal exercia bastante
poder político e diplomático – influenciado e exercendo bastante poder sobre
territórios como Lagos.
No Médio Oriente Em Omã, sobre as cidades
de Muscat, Sohar e Khasab (1507-1650); No Irão, controlou as ilhas de Ormuz e
Qeshm (1507-1622) e uma parte substancial do distrito de Bandar Abbas
(1514-1622); Controlo sobre o Bahrein (1521-1602); Nos Emirados Arabes Unidos,
as cidades de Khor Fakkan (1507-1623), Dibba (1620-1650) e Ras Al Khaimah
(cerca 1570-1623); No Yemen, ilha de Socotra (1507-1511); Na Eritreia, a cidade
de Massawa (1540-1541);
No Indico e no subcontinente Indiano Controlo
total sobre o Sri Lanka (1505-1658); Controlo sobre as Maldivas (1558-1573); Na
India, Chaul (1521-1740), Vasai (1534-1739), Mumbai (1534-1661) & Ilha de
Salsette (1534-1737), Dadra & Nagar Haveli (1779-1954), Kochi (1503-1663),
Kannur (1502-1663), Kollam (1502-1661), Kodungallur (1536-1662), Nagapattinam
(1507-1658), Chennai (1523-1749), Hoogly (1579-1632); No Bangladesh, Chittagong
(1528-1666).
A estas junta-se ainda as descobertas das Ilhas
Seychelles, e a descoberta e exploração das ilhas Mauricias e de Reunião
Na Asia & Oceania Na Indonésia, as Ilhas
de Ternate (1522-1575), Ambon (1512-1605), Solor (1520-1613) e Flores
(1511-1859) Controlo sobre Malásia, incluindo Singapura (1511-1641); No Japão,
semi-enclave portuário de Dejima, na cidade de Nagasaki (1580-1587); Na China,
Ningbo (1542-1548), ilha de Tunmen (perto de Shenzhen) (1518-1521); Na
Tailandia, um povoado semiautónomo Baan Portuget, em Ayutthaya (1516-1767). A
juntar a estes, apesar de nunca ter formalmente exercido controlo sobre,
podemos também incluir Tailândia (nas províncias de Patani e Phuket), Vietname
(Hoi An), Camboja (onde Portugal chega mesmo a controlar indiretamente a corte
deste pais).
Nas Américas No Uruguai, Cisplatina
(1680-1820) - pouco conhecido para os Portugueses (e muito pelos Brasileiros),
importa definir que a área controlada por Portugal mudou bastante sendo o seu
pico em 1815; No Canadá, Newfoundland (1501-1583(?)) e Nova Scotia
(1521-1583(?)) Controlo sob as ilhas Barbados (1500s-1620) No que toca as
Américas importa mencionar que: As colónias no Canadá tinham um caráter
sazonal, há exceção da da ilha de Cape Breton (1521-1525) - mas esta fracassou
devido ao inverno e a dificuldade em recrutar colonos; Os Barbados eram usados
como ponto de reabastecimento, não se conhecendo registos de colónias
portuguesas. Contudo, é assumido como possível que um pequeno contingente
militar e/ou mesmo uma aldeia existisse na ilha – uma vez que os barcos
portugueses consistentemente paravam na Baia de Carlisle para reabastecer e
levar a cabo reparações sem aparenta motivo maior. O esquecimento. A maioria
destas colónias acabaram por cair no esquecimento por várias razoes, sendo que
na maioria dos casos ficaram apenas uma a duas gerações sob domínio português.
Vários destes territórios são também hoje relativamente conhecidos (exemplo, Ras
Al Khaimah, Tangier, etc.) mas durante o período de domínio português não
passavam de pequenas vilas / cidades junto à costa que vieram a perder a sua
importância estratégica com o estabelecimento de novas rotas comerciais.
O modelo colonialista português – baseado no
estabelecimento de colónias / entrepostos comerciais junto à costa – ajuda
também a que muitas destas caiam no esquecimento – sendo a sua menção histórica
eclipsada pelas colónias de maiores dimensões que todos aprendemos na escola.
Artigo interessante ... afinal também dominamos a Ilha de Ormuz e Qeshm (1507-1622).
Texto enviado por António Aresta
Conquistas no Oriente!
JORGE LAGE
Se dúvidas houvesse bastava conhecer-se a «Batalha de
Diu», de 3 de fevereiro de 1509, comandada pelo Vice-Rey, Dom Lourenço de
Almeida, vingando a morte do filho, Lourenço de Almeida.
Mais de 100 embarcações e uma coligação de impérios contra 19
navios portugueses.
Efectivos portugueses: 800 soldados e 400 indianos. Contra:
cerca de 5000 árabes e indianos.
Perdas humanas portuguesas: 32 mortos e 300 desaparecidos:
Perdas contra: todos mortos e 22 vivos.
A partir daqui os árabes e indianos borravam-se todos e davam às
de vila Diogo.
Fomos os Senhores do Oriente por um século, até à chegada dos
ingleses.
A Batalha de Dio está entre as maiores mundiais, comparável à de
Lepanto (1571) ou a de Trafalgar (1805).
As grandes conquistas de Afonso de Albuquerque no Oriente: Goa
(1510), Malaca (1511) e Ormuz (1515).
As nossas vitórias e conquistas assentavam na bravura dos portugueses e no poder de fogo das naus e Caravelas.
REUNIÃO DE ANGARIAÇÃO DE FUNDOS - CTMAD - LISBOA
Estimada(o) Consócia(o),
Tendo em conta que se marcou a reunião de direção alargada a todos os sócios
para dia 30 de Abril, antes do feriado do dia 1 de Maio, em vésperas de
fim-de-semana prolongado, decidiu-se alterar a Reunião em questão para o
dia 14 de Maio de 2026, a partir das 16h00 na Sede da Casa de
Trás-os-Montes e Alto Douro!
O objetivo desta reunião é que tenha o maior número possível de sócios
presentes visto que a Obra da Nova Sede já começou e torna-se necessário lançar
várias iniciativas para a angariação de fundos!
Contamos com todas e todos nesta Missão que se avizinha e que tem de trazer
resultados significativos nos próximos 12 meses!
Saudações Transmontanas e Alto Durienses
A Direção da CTMAD
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Casa de Trás-os-Montes e
Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º
Esq.
1000-081 Lisboa
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