terça-feira, 21 de novembro de 2017

O Estado e a verdade


Rui Ramos OBSERVADOR

Este é um Estado que teve seis anos José Sócrates à frente do governo, carregado de suspeitas de corrupção, mentira e conspiração contra o Estado de direito – e nada fez para esclarecer as dúvidas.

José Cutileiro, autor de um dos melhores livros sobre Portugal, Ricos e Pobres no Alentejo, contou ao Observador uma daquelas histórias que resumem um país. A certa altura, o seu alfaiate teve de ir a Braga, como testemunha num julgamento. E eis como, de regresso, sintetizou a sua prestação: “Bom, o juiz queria que dissesse a verdade, mas eu…”
O perjúrio nos tribunais é um clássico nacional. Em Visitas ao Poder, Maria Filomena Mónica registou a impressão que lhe fez assistir em Lisboa, na década de 1990, a audiências sucessivas em que a mentira era obviamente uma rotina a que todas as testemunhas se entregavam, e que os juízes acolhiam com indiferença.
José Cutileiro comenta: “isto é impensável a norte de Poitiers! (Em) todos os países que tiveram a Reforma, que foram luteranos ou calvinistas, uma pessoa não se pode gabar de perjurar num tribunal”. A explicação das imperfeições nacionais pelo catolicismo é um lugar comum republicano. Mas com todo o respeito, parece-me que Cutileiro andou mais perto da razão noutro ponto da entrevista: “há uma linha qualquer, que passa provavelmente um pouco a norte de Bruxelas. Acima deste paralelo, as pessoas normalmente acreditam no que lhes dizem e o poder que haja é considerado legítimo. Abaixo dessa linha, as pessoas em princípio não acreditam no que as outras dizem e o poder em princípio não é talvez tão legítimo como isso”. Esta é a questão: porque é que em Portugal o poder não é legítimo, e porque é que as pessoas não acreditam?
O problema não foi o catolicismo. Foram antes aqueles que, julgando que era esse o problema, começaram, no século XIX, por fazer tábua rasa de todas as instituições e tradições, deixando para trás uma população rural e analfabeta que se habituou a olhá-los com desconfiança. Sob vários regimes, desde então, Portugal teve formas de Estado identificadas com pequenas cliques políticas sem legitimidade reconhecida e sustentadas apenas pela força ou pela manipulação. As leis e as instituições mudaram frequentemente, com apenas uma constante: as excepções para os amigos. A esse respeito, vale a pena lembrar outra história, a da visita de António Nobre ao consulado de Portugal em Paris, na década de 1890, salvo erro para validar um passaporte (cito de memória). A certa altura, o próprio cônsul se revolta com os emolumentos, e comenta: “este Estado é um ladrão”. E trata de arranjar maneira de Nobre pagar menos. O cônsul era Eça de Queirós. Ajudou António Nobre porque era um confrade das letras. Como se dizia sob a República, “para os amigos, tudo; para os outros, a lei”. Porque não haviam “os outros” de mentir ao Estado, de tentar escapar aos impostos, ou de fugir à “lei”, quando sabiam que esta só valia para quem não tinha “padrinhos”?
A ilegitimidade do Estado foi agravada por outras tendências. Por exemplo, o modo como a defesa do poder teve sempre prioridade sobre o seu escrutínio e responsabilização. Ou ainda, a maneira como os vários regimes, para se fazerem populares, não hesitaram em suscitar expectativas inviáveis, sujeitando depois o país a choques sucessivos: bancarrotas como as de 1891 ou 2011, inflações demolidoras como as dos anos 20 ou dos anos 70 e 80. Demasiadas promessas e esperanças acabaram em cortes e impostos. Como é possível “acreditar no que nos dizem”? Acima da linha de Bruxelas, está também, por exemplo, a Europa com as menores taxas de inflação dos últimos 50 anos (veja-se o livro de Vítor Bento, Euro Forte, Euro Fraco).
José Cutileiro tem razão: “esta espécie de indiferença pela verdade e a mentira em relação ao Estado é uma grande falha nacional”. Mas a mentira do Estado em relação aos cidadãos, a indiferença do Estado pela verdade é a outra metade dessa “falha nacional”. Este é um Estado que teve seis anos o afinal não-engenheiro José Sócrates à frente do governo, ostensivamente carregado de suspeitas de corrupção, mentira e “atentado contra o Estado de direito” – e nada conseguiu fazer para esclarecer as dúvidas, num sentido ou no outro. Como ter confiança? Não, não foi só a falta de Lutero e de Calvino no século XVI.

0 futebol dá pão a muita boca.


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra

Hoje virei-me para o desporto, já chega por agora de tanto se perder tempo a dar importância aos nossos governantes que não a merecem. Vamos ao desporto que faz bem à saúde e nos mentem em forma para encurtar nos furos do cinto. E vamos começar pela noticia que deu como vendida por 3.600 euros a bicicleta do corredor espanhol Raúl Alarcón  que pelo FC do Porto venceu a 79ª Volta a Portugal. Foi em leilão e o produto entregue à  Associação Salvador para ser aplicado no apoio ao desporto adaptado. " O Desporto Adaptado surgiu no início do século XX, com as primeiras atividades a serem dirigidas para os portadores de deficiências auditivas e visuais. No entanto, só no final da Segunda Guerra Mundial, quando os soldados regressaram aos seus países com viários tipos de mutilações, se deu oficialmente início a este desporto". "Associação Salvador foi fundada em 203 e tem como principal objectivo promover a integração das pessoas com deficiência motora na sociedade e melhorar a sua qualidade de vida". Coisas bonitas, estas, que no desporto nos são mostradas, que no entanto não deixam de contrastar com outras menos agradareis como a "aguerrilhar" travada entre dois sportinguintas que se desentenderam, mas que não passa do fervor clubista, onde basta uma vitoria do club para tudo ficar serenado. Bem pior é o "bailarico" dos E-mails entre dragão e a águia...Já deixei há muito de ser aquele louco da bola que fui, mas ainda gosto do bom futebol e tenho gosto por certa cor...
Mas com franqueza hoje por vezes pergunto-me: aonde é que vão buscar tanto dinheiro para pagar ao nosso querido Ronaldo, e a outros semelhantes, e os milhões que gastam para construir estádios que rondaram os 500 mil milhões de euros, caso do Chelsea? Não condeno, mas melhor destribuido dava para atenuar a fome a muita gente sem pão, nem agasalho neste mundo materializado, que até o Papa Francisco já alertou para essa realidade. É verdade que também o futebol dá pão a muita boca. 

Entrega dos Prémios do PEN CLUB Português para as obras publicadas em 2016















Dia 21 de Novembro, pelas 18H30, decorrerá na Sociedade Portuguesa de Autores (Rua Gonçalves Crespo, n.º 62, Lisboa) a entrega dos Prémios do PEN CLUB Português para as obras publicadas em 2016. Nesta cerimónia serão galardoados dois membros do CLEPUL: Ernesto Rodrigues na categoria de Narrativa com Uma Bondade Perfeita, e Fernando Pinto do Amaral em Poesia, com Manual de Cardiologia.

Pobreza e Assistência Social no Estado Novo - Vila Real


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Modesto Navarro em "Mar de Letras"

António Modesto Navarro - Mar de Letras - Artes e Cultura ... - RTP



António Modesto Navarro foi entrevistado na RTP África a um de Novembro passado, para o programa "Mar de Letras".
O último romance do escritor transmontano intitula-se " A Capital do Império".

Tertúlia Transmontana

A Direção da Casa de Trás-os-Montes e Alto-Douro tem o prazer de a/o convidar para assistir à Tertúlia Transmontana, com a apresentação do Livro: “Barroso – Resgate da Memória na Obra de Bento da Cruz ”, do dr. António Chaves  no próximo dia 23 de Novembro , quinta-feira, pelas 18.30horas , a realizar na sua Sede,Campo Pequeno, N.º 50, 3º Esq., em Lisboa.

Contamos com a sua presença,
 
A Direção

A Abelhinha Mariana - Grémio Literário Vila-Realense

CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
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Judeus em Trás-os-Montes - A Rua da Costanilha