terça-feira, 10 de março de 2026

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Governo quer comemorações nacionais dos 900 anos da Batalha de São Mamede - Direitos de autor pertencem à Grã Ordem Afonsina

Governo quer comemorações nacionais dos 900 anos da Batalha de São Mamede

Direitos de autor pertencem à Grã Ordem Afonsina

 João Miranda


Em 13 de Fevereiro de 2019 celebrou-se a escritura pública da Grã Ordem Afonsina, a curtos metros do Castelo de Guimarães. O seu objectivo é estudar a vida e obra do Rei Fundador, acertar a cronologia de Portugal, e lutar pela verdade histórica, que tem sido abandalhada nos meios académicos e historiográficos.

O jurista que preparou o processo e os três associados, desde 2011, passaram a celebrar duas das datas mais simbólicas da nossa história, nos dias que a tradição consagrou, na ausência de novos e irrefutáveis factos científicos: 1111 e 1128, respetivamente o ano do nascimento de D. Afonso Henriques e da Batalha de S. Mamede, “a primeira tarde portuguesa”. No século XX, o Largo do Toural, em Guimarães, escreveu no seu amplo chão: MCXI. E na Muralha que serve de defesa ao Centro Histórico foi colocada a legenda que proclama: Aqui nasceu Portugal.

Criminosamente, na voragem do poder político local, nos inícios do século XXI, essa data histórica foi apagada do chão do Toural, que esbanjou muitas centenas de milhares de euros. Empobreceu o amplo palco festivo da cidade Berço, reduzindo a cinzas a mais sugestiva prova histórica de que o século vinte e um, em 2009 foi reduzido a 98 anos de duração. Ou seja: o país passou a andar «manco» e, nem a Academia Portuguesa de História conseguiu trocar a tradição pela veracidade, nem a comunidade científica se esforçou por convergir, em torno dos nove séculos de Portugal. Não fora a Grã Ordem Afonsina e, ainda hoje, não haveria qualquer movimento cívico, cultural ou económico, para agilizar e dignificar a celebração de dois dos maiores eventos da Nação Portuguesa: o nascimento do Rei Fundador (em 25 de Julho de 1111) e o nascimento de Portugal na Batalha de S. Mamede.

Retomo a alusão à Grã Ordem Afonsina (GOA) e aos quatro vimaranenses que oficializaram esse  movimentos, primeiro para alertar a comunidade histórica da Portugalidade de que não há tempo a perder para mobilizar, dentro e fora  do país, as demarches, as sensibilidades e os meios físicos e humanos para que, no dia 24 de Junho de 2028, as comunidades lusófonas comemorem, condignamente, essa epopeia mundial.

Foi dia 13 de Fevereiro de 2019 que esses quatro cidadãos deram o pontapé de partida para a maratona que agora, sete anos depois, já com outro executivo autárquico na cidade berço, assumiu os compromissos que desde há sete anos a GOA reclamava. A árdua azáfama Vimaranense que, durante estes anos, mendigou direitos e promessas, sempre adiadas, agora que começa a frutificar, deu azo a que «olheiros profissionais» reclamassem autorias alheias que, tarde e mal, se esclarecem.

 

Governo cria Alto Comissariado para comemorar os 9 séculos

O Governo vai criar um Alto Comissariado em Guimarães no âmbito da comemoração dos 900 anos da Batalha de São Mamede, a celebrar em 24 de Junho de 2028.

A revelação foi feita dia 13 de fevereiro pelo Presidente da Câmara local, no jantar que assinalou os sete anos da Grã Ordem Afonsina. Ricardo Araújo frisou a promessa da Ministra da Cultura de que a efeméride será assumida como celebração nacional. E que Guimarães aproveitará para promover a sua ligação à fundação da nacionalidade portuguesa.

O Presidente da GOA, Florentino Cardoso, considerou ser uma "boa notícia de aniversário. Ficámos muito satisfeitos com a presença do senhor Presidente, porque sentíamos, de facto, a carência deste apoio institucional a tudo aquilo que a Grã Ordem Afonsina têm vindo a fazer, porque desde muito cedo começou a alertar para a necessidade de Guimarães começar a preparar a comemoração dos 900 anos e, sobretudo, com o objectivo de que não fosse apenas uma festa, passo a expressão, doméstica, que fosse uma festa nacional e até internacional".

Considerando que a criação do Alto Comissariado corresponde ao que sempre defendeu, “a Grã Ordem, quando nasceu, começou logo a tentar juntar associações para darem eco desta necessidade. Penso que se se conseguir criar aqui uma força à volta das associações vimaranenses, penso que Guimarães celebrará, com muita dignidade, os 900 anos, tendo como objectivo o reconhecimento nacional da Batalha de São Mamede”. Florentino Cardoso acrescentou que “temos defendido que o primeiro passo seria o reconhecimento histórico de que o dia 24 de Junho de 1128 foi o dia em que Portugal alcançou a independência, como Estado, como Reino. Não há unanimidade em relação a esta matéria, continua a haver divergências e nós vamos continuar a lutar, enfim, no plano historiográfico, porque tem de ser no plano historiográfico, porque não há uma opinião unânime, porque há sempre alguma divergência. Portanto, vamos tentar dar contributos para que se afirme, com todos os requisitos historiográficos, que Portugal nasceu em Junho de 1128".

O que foi feito até agora foi insuficiente, com todo o respeito por aquilo que tem sido feito, designadamente, a Comissão Científica, todas as comissões que têm sido anunciadas. Sem querer menosprezá-las, acho que era preciso, de facto, olhar para as comemorações com outro alcance, e o Alto Comissariado criado pelo Governo garante que será uma comemoração nacional”.

A decisão foi tomada no Conselho de Ministros de 12 de Fevereiro, pois “a preservação e divulgação da memória histórica da batalha de São Mamede contribui para o reforço da consciência cívica e para a promoção dos valores fundadores do Estado Português e que o programa do XXV Governo Constitucional prevê a criação de um comissariado nacional para reafirmar o seu compromisso com a preservação da memória dos 900 anos da Batalha de São Mamede (1128) como uma das datas precursoras da fundação da nacionalidade portuguesa, importa promover iniciativas comemorativas que evoquem este relevante acontecimento histórico e que contribuam para a preservação da memória coletiva e dos valores que sustentam o Estado Português”.

O Governo vai nomear nove comissários, sendo o comissário geral designado pela ministra da Cultura, um pelo ministro da Defesa Nacional, três a indicar pela Assembleia da República, e a Câmara de Guimarães e a Universidade do Minho a nomearem um cada.

Os restantes comissários representam a Academia Portuguesa da História, a Comissão Portuguesa de História Militar, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal, e um representando a entidade gestora da “Rota do Românico”.

 

João Miranda

António Lobo Antunes e a escrita mentirosa

Custa-me encontrar um título apropriado à escrita de António Lobo Antunes que, podendo ganhar dinheiro com a profissão de médico, prefere a escrita para envergonhar os portugueses. Talvez este início de crónica escandalize quem costume venerá-lo. Eu, por maior benevolência que queira usar não posso, nem devo. Por várias razões, algumas das quais vou enunciar. Porque não gosto de atirar a pedra e esconder a mão.

Este senhor foi mobilizado como médico, para a guerra do Ultramar. Nunca terá sabido manobrar uma G-3 ou mesmo uma Mauser. Certamente nem sequer chegou a conhecer a estrutura de um pelotão, de uma companhia, de um batalhão. Não era operacional mas bota-se a falar como quem pragueja. Refiro-me ao seu mais recente livro:

João Céu e Silva pode reclamar alguns méritos deste tipo de escrita. Foi o entrevistador e a forma como transpõe as conversas confere-lhe alguma energia e vontade de saber até onde o entrevistado é capaz de levar o leitor. Mas as ideias, as frases, os palavrões, os impropérios, as aldrabices – sim, as aldrabices - são de Lobo Antunes. Vejamos o que ele se lembrou de vomitar na página 391:

«Eu tinha talento para matar e para morrer. No meu batalhão éramos seiscentos militares e tivemos cento e cinquenta baixas. Era uma violência indescritível para meninos de vinte e um, vinte e dois ou vinte e três anos que matavam e depois choravam pela gente que morrera. Eu estava numa zona onde havia muitos combates e para poder mudar para uma região mais calma tinha de acumular pontos. Uma arma apreendida ao inimigo valia uns pontos, um prisioneiro ou um inimigo morto outros tantos pontos. E para podermos mudar, fazíamos de tudo, matar crianças, mulheres, homens. Tudo contava, e como quando estavam mortos valiam mais pontos, então não fazíamos prisioneiros».

Penso que isto que deixo transcrito da página 391 do seu referido livro, se vivêssemos num país civilizado e culto, com valores básicos e uma sociedade de mente sã e de justiça firme, bastaria para internar este «escriba», porque todo o livro é uma humilhação sistemática e nauseabunda, aos Combatentes Portugueses que prestaram serviço em qualquer palco de operações, além fronteiras.

É um severo ataque à Instituição Militar e uma infâmia aos comandantes de qualquer ramo das Forças Armadas, de qualquer estrutura hierárquica e de qualquer frente de combate. Isto que Lobo Antunes escreve e lhe permite arrecadar «350 contos por mês da editora» (p. 330), deveria ser motivo de uma averiguação pelo Ministério Público. Porque, em democracia, não deve poder dizer-se tudo, só porque há liberdade para isso. Essa liberdade que Lobo Antunes usou para enriquecer à custa do marketing que os mass media repercutem, sem remoques, porque se trata de um médico com irmãos influentes na política, ofendeu um milhão de Combatentes, o Ministério da Defesa e uma juventude desprevenida, porque vai ler estes arrotos literários, na convicção de que foi assim que se fez a Guerra, entre 1961 e 1974. E ofende, sobretudo, a alma da Portugalidade porque a «aldeia global» a que pertencemos vai pensar que isto se passou na vida real nos finais do século XX.

Fui combatente, em Angola, uns anos antes de Lobo Antunes. Também como ele, fui alferes miliciano (ranger). Estive numa zona muito mais perigosa do que ele: nos Dembos, com operações no Zemba, na Maria Fernanda, em Nambuangongo, na Mata Sanga, na Pedra Verde, enfim, no coração da guerra. Nunca um militar, qualquer que fosse a sua graduação ou especialidade, atirou a matar. Essa linguagem dos pontos é pura ficção. E essa de fazer cordões com orelhas de preto, nem ao diabo lembraria. E pior do que tudo é a maldade com que escarrou no seu próprio batalhão que tinha seiscentos militares e registou centena e meia de baixas… Como se isto fosse crível.

Se o seu comandante, que na altura deveria ser tenente-coronel, mais o segundo comandante, os capitães, os alferes, os sargentos e os soldados em geral, lerem estas aldrabices e não exigirem uma explicação pública, ficarão na história da guerra do Ultramar como protagonistas de um filme que de realidade não teve ponta por onde se lhe pegue.

Em primeiro lugar esta mentira pública atinge esses heroicos combatentes, tão sérios como todos os outros. Porque não há memória de um único Batalhão ter um décimo das baixas que Lobo Antunes atribui àquele de que ele próprio fez parte. É preciso ter lata para fazer afirmações tão graves sobre profissionais que, para serem diferentes deste relatório patológico, basta terem a seu lado a Bandeira Portuguesa e terem jurado servi-la e servir a Pátria com honra, dignidade e humanismo.

Não conheço nenhum desses seiscentos militares que acolheram António Lobo Antunes no seu seio e até trataram bem a sua mulher que lhes fez companhia, em pleno mato, segundo escreve nas páginas 249 e 250. Mereciam eles outro respeito e outros elogios. Porque insultos destes ouvimos e lemos muitos, no tempo do PREC. Mas falsidades tão obscenas, nem sequer foram ditas por Otelo Saraiva de Carvalho, quando mandou prender inocentes, com mandados de captura, em branco e até quando ameaçou meter-me e a tantos, no Campo Pequeno, para a matança da Páscoa. Estas enormidades não matam o corpo, mas ferem de morte a alma da nossa Epopeia Nacional.

Barroso da Fonte

Nota do autor:

Em 15/11/2009 na qualidade de oficial miliciano, em Angola, travei polémica na imprensa com António Lobo Antunes, médico de apoio à unidade militar, do BART 3835, e com a Mulher a fazer-lhe companhia, entre 1971 e 1973, em que, também ele miliciano, após o regresso à metrópole e virar escritor, fez afirmações descabidas sobre a guerra, completamente distorcidas da realidade, usando para com os soldados, linguagens que misturava sem nexo, descabidamente. Das muitas e variadas insinuações «picantes», com que baralhava os combatentes, as obras que publicou, em livros que foram crescendo, somaram fantasias eróticas e afins com que, hoje, todos nos confrontamos. O autor de quem aqui falamos, no texto em anexo, faleceu de 5 de março. Paz à sua alma.

Entre a culpa e o amor.

 

O lado impuro dos "objectos mais puros do mundo".


 

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