A Verdadeira História da Escravatura (título original: Unbroken Chains:
A 5,000-Year History of African Enslavement) é uma obra do conceituado
jornalista e investigador Martin Plaut, antigo editor para África do World
Service da BBC. Publicada em Portugal pela editora Clube do Autor, a
obra oferece uma perspetiva ampla e rigorosa sobre os sistemas de servidão que
moldaram o continente africano ao longo de cinco milénios.
O
objetivo central de Martin Plaut é expandir o debate para além do tráfico
transatlântico de escravos (frequentemente o único foco abordado). O autor
demonstra como a escravatura devastou as sociedades africanas desde pelo menos
o ano 2500 a.C., estendendo-se por diversas rotas e geografias:
Eixos Principais do Livro
A
Escravatura no Oceano Índico e Transariana: Plaut detalha o tráfico de escravos em direção ao Médio
Oriente, ao Império Otomano e à Ásia. Esta rota teve dimensões comparáveis à do
Atlântico, mas com uma longevidade significativamente superior.
Práticas
Esclavagistas Internas:
O livro expõe como reinos e impérios dentro da própria África (como os reinos
etíopes ou o Califado de Socoto no século XIX) capturavam e escravizavam
populações locais a uma escala massiva, por vezes equiparável às plantações dos
EUA.
Os
Corsários Barbarescos:
Uma perspetiva menos conhecida abordada na obra é o aprisionamento de mais de
um milhão de europeus brancos por piratas do Norte de África (na costa do
Mediterrâneo e até em incursões mais distantes) para serem vendidos como
escravos.
A
Escravatura Moderna: O
autor encerra com uma análise crítica sobre a atualidade, alertando que a
escravatura sob formas modernas persiste em várias regiões de África,
frequentemente negligenciada por organizações internacionais como a ONU ou a
União Africana devido a constrangimentos políticos.
O
livro gerou debate por contextualizar as atrocidades do comércio atlântico num
panorama global e milenar, revelando a complexidade de parcerias comerciais e
rivalidades históricas que alimentaram este mercado ao longo de gerações.
Pode ainda consultar este site:
https://www.dn.pt/cultura/cinco-mil-anos-de-escravatura

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