Tempo caminhado
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quinta-feira, 19 de março de 2026
quarta-feira, 18 de março de 2026
Convocatória para Assembleia Geral, 26 de março de 2026, 16H30 - CTMAD - LISBOA
Estimada(o), Consócia(o),
Convoco todos os associados da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro a participar na Assembleia Geral Ordinária a realizar no próximo dia 26de março, pelas 16h30m , na sede sita no Largo do Campo Pequeno nº 50, 3º esq.º em Lisboa.
Em anexo os seguintes documentos:
Balancete Exercício de 2025
Plano atividades para o ano de 2026
Orçamento para o ano de 2026
Convocatória para
Assembleia Geral, 26 de março de 2026, 16H30 (Formato Misto)
Lídia Praça, na qualidade de Presidente da Mesa da Assembleia
Geral da Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro (CTMAD), venho pela presente, e no
uso da competência que me é conferida pelos artigos 16º a 19º dos Estatutos da
Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro, em vigor, convocar V.exa. para a
Assembleia Geral, no próximo dia 26 de março de 2026, pelas 16H30,
nas instalações do Campo Pequeno nº 50, 3º esq. º em Lisboa, e também via
online (via zoom), com a seguinte Ordem de Trabalhos: -
1. Leitura da ata da sessão anterior;
2. Apresentação, discussão e votação do relatório de gestão
do exercício de 2025.
3. Apresentação, discussão e votação do relatório de contas
do exercício de 2025.
4. Apresentação, discussão e votação do plano de atividades
e do orçamento para o ano de 2026.
5. Nova Sede – ponto da situação.
6. Outros assuntos de interesse da CTMAD.
Caso não se verifique o número de presenças suficiente para
deliberar a Assembleia reunirá, com qualquer número de associados, em pleno
gozo dos seus direitos, de acordo com o disposto no art.º 18º n.º 1 dos
Estatutos, meia hora depois, isto é, às 17.00 horas no mesmo local (de
modo presencial e via zoom).
Juntam-se em anexo os documentos a que se referem os itens
2, 3 e 4.
Convidam-se todos os associados a participarem ativamente
na discussão construtiva dos problemas da CTMAD.
Com os melhores cumprimentos,
Lisboa, 2 de março de 2026
Saudações Transmontanas e Alto Durienses
A
Presidente da Mesa da Assembleia Geral
(Lídia Praça, Dra.)
terça-feira, 17 de março de 2026
Seis quintas transmontanas ovuladas de outras tantas aldeias medievais
Seis quintas transmontanas
ovuladas de outras tantas aldeias medievais: Quinta de Vila Boa de Arufe
(Bragança); Quinta de Vale de Pradinhos (Macedo de Cavaleiros); Quinta de
Clemente Menéres do Romeu (Mirandela); Quinta do Prado (Vila Flor); Quinta da
Ribeira da Vila (Carrazeda de Ansiães); Quinta de Alva (Freixo de
Espada-à-Cinta). – Ora bem, onde é que eu em 40 anos de colaboração com o
Notícias de Mirandela escrevi um título dum texto tão extenso (5 linhas)?
O começo desta meada de letras - O começo desta meada de letras. nasce
da amizade com o Armando Pereira, de Vimieiro, e que estudou no célebre Colégio
das Caldinhas, dos Jesuítas, de Santo Tirso. Emigrou para Angola e com o 25 de
Abril veio para a Metrópole, com o rótulo de retornado, como tantos dos nossos
compatriotas, recebidos pela onda vermelha, como «exploradores», «fascistas» e
«reacionários». Em Macedo de Cavaleiros (vereador do município) foi ajudado
pela Dona M.ª Pinto Azevedo, de Vale Pradinhos. Encontrei-o em Braga, onde está
ligado à RBC, empresa de créditos e seguros, propriedade do seu filho Nuno, com
uma dependência em Mirandela. Numa conversa falou-me dum trabalho de
investigação sobre seis quintas transmontanas, entre elas, a «Quinta do
Clemente Menéres, do Romeu», e perante o meu interesse enviou-me o trabalho
publicado. Devo dizer que o Armando tem uma memória prodigiosa e um
conhecimento basto, incluindo o monográfico daquela região do Quadraçal.
O trabalho monográfico das quintas – Foi publicado na «Revista Memória
Rural», n.º 6, de 2023, Ernesto Albino Vaz é o autor, natural e residente em
Samil, Bragança. Foi meu camarada na vida militar, no Curso de Oficiais
Milicianos, na Escola Prática de Infantaria de Mafra, no 1.º turno de 1969 e em
Janeiro de 1970, voltávamos a estar juntos no Batalhão de Caçadores 10 (BC10),
em Chaves. Terminado o serviço militar, o Ernesto foi quadro do Banco de
Portugal, reformando-se aos 45 anos, e foi tirar o Curso de Arqueologia da
Universidade do Porto, fez um excelente trabalho na Câmara Municipal de Miranda
do Douro, sendo hoje aposentado e dedica-se à investigação. O Ernesto Albino
Vaz, escreve como poucos e é um investigador rigoroso, na citação das fontes
documentais.
Como surgiram muitas das quintas na
nossa região? – No
resumo do texto refere que, com base no numeramento de 1530 e inquéritos
paroquiais de 1758, vêem-se as oscilações de moradores das quintas e aldeias ou
a sua extinção. Desde criança, eu procurava respostas para a extinção de
aldeias, sendo a primeira a de Vale de Freixo. Quando acompanhava o pastoreio
do gado pelos cerros e fragas da Molinheira, no limite do termo de Chelas com
Mirandeses, Vale Freixo surgia-me como um local mágico, em que se destacava a
Capela de N.ª S.ª de Vale de Freixo ou da Apresentação. Diziam-me que os
habitantes tiveram um ataque ou invasão de formigas. Noutros locais falavam-me,
igualmente, de ataques de formigas. Respostas que nunca me satisfizeram por
desproporcionadas. Ora bem, algumas quintas foram dadas como ermas, outras [ao
ter mais de 20 moradores] passavam a aldeias. No final do séc. XV [1498], e já
antes a peste negra [1348], o «flagelo devastou o termo da vila de
Torre de Moncorvo (…) dele resultaram (…) uma densíssima rede de quintas (…) as
aldeias medievais, e os respectivos territórios, ficaram vazios de moradores».
Este processo também «aconteceu no sul de França, onde, graças aos abandonos
[medievais] se criou uma rede de explorações dispersas». O numeramento
de 1530 diz-nos que Mirandela tinha «77
moradores (…) Alfândega (64) e Ansiães (35) número cai ainda mais fundo se
soubermos que, 90 anos antes, em 1440, Mirandela recebera 30 homiziados (…) A
míngua de moradores transformara a vila de Mirandela num asilo de delinquentes
(…) Estes indicadores demográficos provam que Mirandela fora profundamente
flagelada pelas pandemias medievais, iniciadas com a Peste Negra, que começou a
acumular mortos nos adros das igrejas no Outono de 1348. O caso de Abambres (…)
Depois de muitos anos herma só pode recrutar 4 novos fregueses, conforme
registo da sua anexação a Mascarenhas feita pelo Arcebispo de Braga em 1 de
Agosto de 1439. (…) Em 1530, 91 anos
depois da sua anexação (…) S. Tomé de Abambres estava repovoada. Moravam então
49 casais. Mas havia lugares que ainda continuavam sem ninguém (…). Também na
aldeia das Carvas ficava para Sul (de
Vale Pradinhos – antiga Vale Prados)
(…) Saíra da Idade Média (…) com apenas 7 moradores em 1530. (…) tinha uma
ermida (a S. Bartolomeu) e 3 fontes. Em 1758 (…) já estava erma. As ruínas
desta aldeia medieval situavam-se a Sul de Vale Pradinhos, a caminho do
Vimieiro, no vale da Ribeira das Carvas, antes de se juntar ao Ribeiro do
Moinho Velho, 900 metros a jusante».
A Quinta de Clemente Menéres de Jerusalém do Romeu – Das seis quintas investigadas por Ernesto Albino Vaz interessa mais a Mirandela a Quinta de Clemente Menéres, por estar situada neste concelho, pela importância que teve na economia local nos últimos 200 anos e pela visão estratégica do seu fundador, Clemente Menéres.
No recenseamento de 1530 o Romeu tinha,
apenas, 17 vizinhos, porque as perdas pestíferas da Idade Média deixaram a
aldeia despovoada. Vale de Couce e Vale de Miões ambos com 6 cada. A Casa das
Lameiras, entre o Romeu e Vila Verdinho poderá ser uma aldeia morta. Vale de
Miões no seu percurso demográfico tinha 7 vizinhos em 1758 e era anexa de Vilar
de Ledra, em 1796 só 4 fogos, ermando-se em meados do século XIX, antes da
vinda de Clemente Menéres ao Romeu em 1874. Na «Serra do Quadraçal» ou nas suas
abas, segundo a descrição de 1758, conclui-se que de Vale de Miões ficava entre
Vale de Lobo e Vale de Couce, próximo de Vila Verdinho e Cernadela. Portanto
ficava na aba Norte do Quadraçal, também próxima do Romeu. O mítico Vale de
Miões ficava na confluência da Ribeira de Carvalhais (ou rio Mircea) e o
Ribeiro de Vides (descia da Serra de Ala, hoje Ribeiro da Açoreira). Hoje de
Vale de Miões resta uma casa de «alvenaria adossada» com uma construção mais
recente. Do outro lado dos ribeiros está Monte Miões com um edificado de apoio
à produção do vinho generoso e de mesa e ao azeite, da Casa Clemente Menéres.
O Clemente Menéres – Nasceu em Vila da Feira (1843) e foi «brasileiro de torna viagem» e visionário para o seu tempo. Começou por exportar rolhas para a América do Sul e a seguir cria a própria fábrica de rolhas. Após a Exposição Universal de Viena (1873), vende azeite para a Rússia. Já radicado no Porto, um amigo diz-lhe que em Trás-os-Montes há uma mata de sobreiros sem fim e a 14 de Maio de 1874 partem os dois, chegando a 18 ao Romeu. O resto da história já a sabem os leitores. A ceia de bacalhau assado e pão negro, servidos na taberna do Romeu, pela Maria Rita. Ainda nesse dia faz a compra da sua vida, «o Quadraçal - que tinha para cima de meio milhão de sobreiros» e vinhas. Assim Vale Mião ermo tem novo senhor e passa a ser uma quinta de referência, da Sociedade Clemente Menéres, em todo o Trás-os-Montes, ali ergueu lagares e adega. Diz Ernesto Vaz: «ouvi dizer muitas vezes ao meu avô que o Menéres do Carriço tinha um sobreiral tão grande que o combóio andava mais de uma hora para sair de lá». Parabéns, Ernesto A. Vaz, pela investigação meticolosa que nos enriquece e orgulha.
Ouvi ao meu Pai (Eugénio A. Lage) – Que o Menéres
era tão esperto para o negócio que os americanos da Califórnia lhe compraram
bolota para plantação de sobreiros. Antes de lha enviar cozeu-a para que não
germinasse e assim Portugal continuava como principal produtor. E ouvi dizer ao
Marcolino Gonçalves (Zoeira), que me deu algumas boleias, que ele carregava
cerca de 4.000 mil contos de cortiça todos os anos. O azeite fino ali produzido
ia para os hospitais de Inglaterra para a dieta dos doentes. Mais tarde, soube
que a Sociedade Clemente Menéres varejava a azeitona mais cedo que os demais
para que o azeite tivesse um travo amargo, sendo exportado para a Alemanha. O
meu irmão Eduardo dizia-me, há umas décadas, que os mirandelenses, quando a
Sociedade Clemente Menéres abria um tonel de vinho, era um corridinho de
Mirandela a ir buscar garrafões de bom vinho. Hoje o seu vinho é engarrafado.
Há mais de 20 anos lavrei um texto de entrevista a um bisneto na sede da
Sociedade no Porto. Ouvia, em criança, dizer aos mais vivaços: Vai chamar
pai ao Menéres que é rico! Isto é, não me incomodes!
(As fotos, do logotipo e placa a atestar, são
do autor)
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