domingo, 5 de julho de 2026

Ribeiro Cardoso e o Povo de Fafe a todos acolheu

José Manuel Ribeiro Cardoso - Foto NALF.

Por    Mário Adão Magalhães

Bom Dia Luxemburgo

https://bomdia.lu/


Ontem foi anunciada a morte de José Manuel Ribeiro Cardoso, advogado e jornalista em Fafe, aos 89 anos. A notícia entristeceu-me, porque desaparece um homem que dedicou parte substancial da sua vida à Comunicação Social e que, ao longo de décadas, marcou de forma indelével a Imprensa Regional minhota na Sala de Visitas do Minho.

Ribeiro Cardoso foi director do Povo de Fafe desde 1973 até ao último dos seus dias. Sempre me impressionou a longevidade dessa ligação e a própria história do jornal, que comecei a ler muito cedo e cuja data de fundação - 1940 - figurava orgulhosamente no cabeçalho, conferindo-lhe uma autoridade que o tempo consolidou. Foi através das suas páginas que muitos conheceram a realidade da região, encontrando também um espaço aberto aos jovens que desejavam dar os primeiros passos no jornalismo. Ribeiro Cardoso fez do Povo de Fafe uma casa de portas abertas para todos quantos desejavam escrever e participar na vida da comunidade. Nunca foi apenas um jornal. Foi uma verdadeira escola de escrita, de cidadania e de liberdade.

A influência de Ribeiro Cardoso ultrapassou largamente as fronteiras daquele periódico. Foi um dos fundadores e impulsionadores de diversas estruturas ligadas à Imprensa Regional, entre elas o Gabinete de Imprensa de Guimarães, o IPIR (Instituto Português de Imprensa Regional) e a APIR (Associação Portuguesa de Imprensa Regional). Participou, com entusiasmo e espírito associativo, em muitas instituições e agremiações que ajudaram a afirmar a identidade cultural, desportiva e cívica de Fafe.

Foi no Gabinete de Imprensa que tive o privilégio de o conhecer. Recordo-o como um homem afável, entusiasta, empenhado e profundamente dedicado às causas. Exerceu funções nos órgãos sociais, tendo-me ficado particularmente na memória a forma entusiástica e digna como presidia à Assembleia-Geral. Para além dos cargos que desempenhou, impressionava a coerência entre as suas palavras e os seus actos, sempre orientados pela defesa da Imprensa Regional e pela valorização da Comunicação Social.

Sou mais novo do que ele. Vou assistindo, com uma frequência inquietante, ao perecimento dos que, na minha juventude, aprendi a admirar. Costuma dizer-se que é a inexorável lei da vida. Eu continuo a pensar que é a lei do tempo. É ela que me revela que os tempos passam e que, com eles, também vai passando o meu próprio tempo. Cada perecimento aprofunda em mim a consciência dessa inexorabilidade.

Com o perecimento de Ribeiro Cardoso, a Imprensa Regional perde um dos seus mais dedicados servidores e Fafe perde uma das suas vozes mais respeitadas. Permanece a obra, permanece o exemplo e permanece a memória de uma vida inteiramente colocada ao serviço da informação, do associativismo e da comunidade. É esse legado que sobreviverá ao tempo.

À família de Ribeiro Cardoso, aos colaboradores do Povo de Fafe, a todos os condoídos e a todas as instituições de que fez parte, apresento as minhas mais sentidas condolências e o meu profundo pesar.

Mário Adão Magalhães

(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).


Novas descobertas no Vale do Côa


Arqueólogos da Fundação Côa Parque puseram a descoberto novas gravuras do período Solutrense, com mais de 23.000 anos, no sítio do Fariseu, que abrem uma nova janela de investigação no Vale do Côa, disse um dos investigadores.

FONTE: https://bomdia.lu/arqueologos-descobrem-novas-gravuras-com-mais-de-23-mil-anos-no-vale-do-coa/

A incitação ao genocídio ...

 

Quem sabe das Lavercas da minha terra?

 

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Um país que não funciona bem, apesar das promessas...

 

sábado, 4 de julho de 2026

Estados Unidos comemoram hoje (4 de Julho de 2026) 250 anos de independência, celebrando a assinatura da Declaração de Independência em 1776

Os Estados Unidos comemoram hoje (4 de Julho de 2026) 250 anos de independência, celebrando a assinatura da Declaração de Independência em 1776, que oficializou a separação das Treze Colónias do domínio britânico.

 

As ideias do filósofo inglês John Locke foram a base intelectual da fundação dos Estados Unidos, influenciando diretamente a Declaração de Independência de 1776 e a Constituição de 1787.

Seguem os pontos centrais da sua importância:

1. Direitos Naturais

Locke defendia que todo ser humano nasce com direitos inalienáveis que ninguém pode retirar.

Ideia original: Direito à vida, à liberdade e à propriedade.

Aplicação nos EUA: Thomas Jefferson adaptou este conceito na Declaração de Independência para "Vida, Liberdade e a busca pela Felicidade".

2. Contrato Social e Consentimento

Para Locke, os governos só são legítimos se tiverem o consentimento dos governados.

Ideia original: O Estado serve apenas para proteger os direitos dos cidadãos.

Aplicação nos EUA: A Constituição começa com "Nós, o Povo" (We the People), estabelecendo que o poder político deriva diretamente dos cidadãos, e não de um rei.

3. Direito à Revolução

Se um governo se tornar tirânico e violar os direitos do povo, o contrato social é quebrado.

Ideia original: Os cidadãos têm o direito e o dever de derrubar esse governo.

Aplicação nos EUA: Foi a principal justificação jurídica e moral para as Treze Colónias se rebelarem contra a coroa britânica.

4. Separação de Poderes

Locke argumentava que o poder político não devia ficar concentrado numa única pessoa ou instituição.

Ideia original: Divisão entre o poder Legislativo (fazer leis) e Executivo (executar leis).

Aplicação nos EUA: Esta ideia (mais tarde refinada por Montesquieu) moldou o sistema americano de três poderes (Legislativo, Executivo e Judicial) com mecanismos de controlo mútuo (checks and balances).

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A principal diferença: John Locke forneceu a justificação moral e os princípios para o nascimento da nação, enquanto Montesquieu desenhou a estrutura prática e mecânica das leis e do governo americano.

Como cada um influenciou a criação das leis e do sistema dos EUA:

1. John Locke: A Origem do Poder e os Direitos

Locke concentrou-se em por que o governo existe e em quem deve mandar.

Foco: Legitimidade e direitos individuais.

Ideia central: O governo é um contrato. Ele só existe para proteger a vida, a liberdade e a propriedade. Se falhar, o povo pode mudá-lo.

Impacto nas leis americanas: Inspirou a garantia dos direitos individuais (como a Bill of Rights ou Declaração de Direitos) e o princípio de que o poder supremo pertence ao povo (We the People).

2. Montesquieu: A Estrutura do Estado e Impedimento da Tirania

Montesquieu focou-se em como o governo deve ser organizado para não se tornar tirânico.

Foco: Engenharia institucional e engenharia constitucional.

Ideia central: O poder deve travar o poder. Para isso, dividiu o Estado em três poderes independentes e harmónicos: Executivo, Legislativo e Judicial.

Impacto nas leis americanas: Moldou diretamente a estrutura da Constituição de 1787. Ele inspirou o sistema de Freios e Contrapesos (Checks and Balances), onde o Presidente, o Congresso e o Supremo Tribunal se fiscalizam mutuamente.

 

Resumo do contributo de cada um

Locke deu a Alma: Definiu os valores fundamentais americanos (liberdade, igualdade perante a lei e propriedade privada).

Montesquieu deu o Corpo: Desenhou a máquina governativa (o sistema de três ramos independentes para garantir que nenhum político se torne um rei).

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O rascunho de Thomas Jefferson para a Declaração de Independência dos EUA (1776) adaptou a filosofia do Segundo Tratado sobre o Governo Civil (1689) de John Locke de forma quase literal.

A comparação direta dos textos demonstra esta transposição ideológica:

 

1. Direitos Inalienáveis vs. Direitos Naturais

John Locke (1689):

"Sendo todos iguais e independentes, ninguém deve prejudicar o outro na sua vida, saúde, liberdade ou posses." (Section 6)

 

Declaração de Independência (1776):

"Todos os homens são criados iguais, dotados pelo seu Criador de certos direitos inalienáveis, entre os quais estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade."

 

Thomas Jefferson - Retrato oficial, 1800
Nota: Jefferson trocou "propriedade" por "busca da felicidade", mas manteve a estrutura tripartida exata de Locke.

 

2. A Finalidade do Governo

John Locke (1689):

"O objetivo maior e principal dos homens se unirem em comunidades e submeterem-se a um governo é a preservação da sua propriedade [vida, liberdade e bens]." (Section 124)

Declaração de Independência (1776):

"Para assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens..."

3. O Consentimento dos Governados

John Locke (1689):

"O começo da sociedade política depende do consentimento dos indivíduos em se unirem e formarem uma sociedade." (Section 99)

Declaração de Independência (1776):

"...derivando os seus justos poderes do consentimento dos governados."

4. O Direito de Alterar ou Abolir o Governo

John Locke (1689):

"...permanece ainda no povo o poder supremo de remover ou alterar o legislativo quando descobrirem que o legislativo age de forma contrária à confiança nele depositada." (Section 149)

Declaração de Independência (1776):

"...sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva desses fins, é direito do povo alterá-la ou aboli-la..."

5. O Padrão de Abusos e a Longa Linha de Erros

Esta é a secção onde a semelhança linguística é mais evidente, utilizando quase as mesmas palavras em inglês (train of abuses / long train of abuses):

John Locke (1689):

"Mas se uma longa série de abusos, prevaricações e artifícios (long train of abuses, prevarications, and artifices) apontar para o mesmo caminho..." (Section 225)

Declaração de Independência (1776):

"Mas quando uma longa série de abusos e usurpações (long train of abuses and usurpations), perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, evidencia o desígnio de reduzi-los sob o despotismo absoluto..."

O Couto Misto

 

As memórias que não se apagam

 

Sobre a ameaça russa...

 

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