terça-feira, 15 de setembro de 2026

“RENTE AOS PÁSSAROS” – ODETE FERREIRA

 Leonel Dias


“Mas Freixo não mora só em Trás-os-Montes. Espalha-se por aí, como raízes. Enrodilha-se, vai-nos corpo acima e ganha seiva nova, até se enlear em ramos que vêm de outro chão". (Página 189).

 



Em boa hora o lagoaceiro (El)Miro Barbeiro me recomendou o Livro “RENTE AOS PÁSSAROS”, da freixenista ODETE FERREIRA, publicado no início do século em curso pelo Município de Freixo de Espada-à-Cinta.

Ao longo de 29 capítulos e de um conto anexo – imperdível - intitulado “A torre que não é de pedra”, numa linguagem simples mas profundamente expressiva, com forte influência poética, a autora demonstra toda a sua forte ligação literária e afetiva à terra que a viu nascer, oferecendo-nos imagens da vida de Freixo em que estão sempre presentes a memória pessoal e familiar, os costumes comunitários sem ignorar, em momento algum, a identidade transmontana, a relação com a natureza sem nunca descurar um olhar atento à condição humana num exercício em que ODETE FERREIRA recupera memórias, experiências e estados de espírito.

A extraordinária riqueza da escrita da escritora transmontana surge através do relato de paisagens, do universo rural transmontano, dos hábitos das suas gentes com enfoque para as suas formas genuínas de falar. Estamos perante uma escrita de memórias e de aproximação poética e sentimental à terra natal, suas raízes, recuperando e trazendo o passado para o presente através dos lugares, paisagens e vivências.

Pelas razões aludidas considero que todos os transmontanos devem sentir-se honrados por terem no seu seio tão ilustre filóloga e brilhante escritora e devem honrá-la conhecendo seu espólio literário e, sobretudo, esta obra cuja leitura, vivamente, recomendo.

 

121º Aniversário da CTMAD - LISBOA


 

São João da Cruz, Biografia em chamas

 

Um arcebispo devastador

 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Revista da Casa de Goa - II Série - N.º 42 - Setembro/Outubro de 2026.

 

bREVISTA DA CASA DE GOA

II Série - N.º 42 - Setembro/Outubro de 2026.

II Series - Issue 42 - September/October 2026.

 

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Os Judeus de Benguela e a Elite Mestiça de Benguela


Os judeus de Benguela e a elite mestiça de Benguela são dois grupos históricos distintos, embora ambos tenham desempenhado papéis fundamentais no desenvolvimento comercial e urbano da região de Benguela, em Angola, a partir do século XIX.

Existe um equívoco comum que confunde ou sobrepõe a origem destes dois grupos. A distinção histórica entre eles e como se relacionaram na sociedade benguelense processou-se da seguinte forma:

1. A Elite Mestiça (Crioula) de Benguela

A elite mestiça ou afro-portuguesa de Benguela já estava firmemente estabelecida muito antes da chegada expressiva de famílias judaicas no século XIX.

Origem: Foi formada ao longo de gerações pelo contacto e miscigenação entre comerciantes europeus (muitos deles degredados ou militares portugueses) e populações locais africanas.

Papel Social: Esta elite crioula controlava importantes redes do comércio sertanejo (para o interior do continente) e detinha grande influência política, cultural e social na cidade. Possuíam uma identidade própria, partilhando hábitos europeus e africanos.

2. Os Judeus de Benguela

A comunidade judaica em Benguela desenvolveu-se de forma mais visível na segunda metade do século XIX.

Origem: Eram maioritariamente judeus sefarditas oriundos do Norte de África (sobretudo de Marrocos) e, em alguns casos, indivíduos que passaram por Portugal ou Gibraltar antes de se fixarem em Angola.

Atividade Económica: Fixaram-se no corredor económico que ligava Benguela, Catumbela e Lobito ao Planalto Central. Foram responsáveis pela fundação de algumas das maiores casas comerciais de importação e exportação da região, como a firma da influente família Bensaúde (Salomon Bensaúde e familiares).

Proposta de Colonato: A ligação entre os judeus e a região foi tão forte que, em finais do século XIX e inícios do século XX, figuras da comunidade judaica de Lisboa (como Abraham Anahory e Alfredo Bensaúde) chegaram a propor a criação de colonatos agrícolas judaicos no Planalto de Benguela. Esta iniciativa acabou por nunca se concretizar em larga escala.

A Relação Entre os Dois Grupos

Os judeus não criaram a elite mestiça. Quando as famílias sefarditas chegaram, integraram-se na dinâmica mercantil já existente e gerida pela sociedade afro-portuguesa local.

Contudo, com o passar do tempo, ocorreram casamentos e interações comerciais inevitáveis. Hoje em dia, muitas famílias tradicionais de Benguela e do Planalto Central carregam tanto a herança da antiga elite crioula quanto o sangue e apelidos de origem judaico-sefardita.

Fonte: IA

As leprosarias bracarenses

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS

 Por Leonel Dias



PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS – Nomes próprios, apelidos, formas de tratamento e alcunhas - DE VÍTOR FERNANDO BARROS E JOSÉ MANUEL VERÍSSIMO

“ (A) nossa aldeia, qualquer aldeia, mais do que um espaço físico, é sobretudo uma comunidade de afetos e de memórias, dos que nela vivem, dos que a visitam e dos que, mesmo distantes, a trazem sempre no seu coração”

(Citação do prefácio de João Carlos Ferreira Lopes à obra “ Uma Aldeia Transmontana: Morfologia Social de Fornos”, página 14.)

Mais uma vez, inicio o meu comentário à Obra “PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS”, da autoria de Vitor Barros e José Veríssimo, agradecendo ao homem de Lagoaça, (El)Miro Barbeiro, a oferta deste Livro que mereceu toda a atenção.

Este interessante Livro, editado em 2020, versa uma matéria nunca antes merecedora de estudo no nordeste transmontano, e resulta de um meritório trabalho de campo feito pelos autores, nas aldeias de Lagoaça e Fornos, sobre a maneira como as pessoas são nomeadas e reconhecidas pelos outros, dando conta dos nomes próprios, apelidos e alcunhas ali usadas. Mais do que um estudo linguístico, o Livro constitui um documento de memórias e de identidade transmontana.

Digno de referência e registo, na minha leitura, que no enquadramento geográfico das duas aldeias, os autores diferenciam-nas, recorrendo a uma viagem ao longo dos tempos e, ainda, que quanto à população, e no período de 70 anos – 1950 a 2020 – constata-se que Lagoaça perde 983 residentes (70,5% do total) e Fornos 669 (76,5%), apresentando os autores explicações, de ordem diversa, para esta preocupante desertificação, comum a tantas aldeias de Trás-os-Montes.

Os autores apresentam os nomes próprios e os apelidos mais usados nas duas aldeias, descrevem, com grande pormenor, as diversas formas de tratamento usadas do “tu” ao “vós”, passando pelo “senhor”, “senhora”, “vossemecê”, “ti” (tio), “minha”(esposa ou filha única), “meu” (marido ou filho único” e “nosso” ou “nossa” (irmão ou irmã), seguindo-se uma exaustiva explicação sobre a origem das alcunhas, a classificação das mesmas e concluindo o meritório estudo com as alcunhas recolhidas no “terreno”, procurando fornecer explicação para a razão de ser de cada uma delas. Cada alcunha, per si, constitui, assim, um fragmento da história local.

Pelo exposto fácil é constatar a importância deste árduo trabalho para um melhor conhecimento das aldeias que constituem a União das freguesias de Lagoaça e Fornos, do concelho de Freixo de Espada à Cinta.

 

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Lumbrales y Figueira de Castelo Rodrigo celebran su VII Encuentro Transfronterizo de Patrimonio

La Raya se convierte en punto de encuentro: Lumbrales y Figueira de Castelo Rodrigo celebran su VII Encuentro Transfronterizo de Patrimonio - Noticias Ciudad Rodrigo

Senhora dos Remédios - Poemas Durienses

“Guimarães : Opera Omnia, 2017. ISBN 978-989-8858-19-1. Reimpressão do original de 1963 com prefácio de A. M. Pires Cabral. Linóleos de Nuno Barreto.” © António Cabral - Todos os direitos reservados. Ler mais em: https://antoniocabral.pt/livros/poemas-durienses/
                                          
        FONTE:             https://antoniocabral.pt/a-senhora-dos-remedios/



“RENTE AOS PÁSSAROS” – ODETE FERREIRA

 Leonel Dias “Mas Freixo não mora só em Trás-os-Montes. Espalha-se por aí, como raízes. Enrodilha-se, vai-nos corpo acima e ganha seiva no...

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