sexta-feira, 6 de março de 2026

Pedro Passos Coelho ao ECO

 

Pedro Passos Coelho não exclui nada do seu futuro político, rejeita a tese de que está a dissimular uma candidatura e afirma que um acordo à direita permitiria uma estabilidade para fazer reformas.

"Nunca achei que fizesse sentido agendar uma entrevista para explicar o que não ia fazer. Acho que isso é, razoavelmente, o máximo do egocentrismo e da parvoíce. Ninguém dá uma entrevista a dizer o que não vai fazer. Eu não tencionava dar uma entrevista a dizer: ‘Não, eu não quero ser candidato a Presidente da República’, por isso não quis intervir, não quis participar. Mas uma vez que esse marco está ultrapassado, sinto-me mais à vontade agora para poder aparecer em contextos com mais visibilidade pública.

Pedro Passos Coelho

"Há pessoas que dão conta de um certo incómodo, ou de um certo nervosismo, pelo facto de eu me pronunciar sobre matérias de política nacional. Mas, mais uma vez, não me cabe a mim tentar explicar porque é que há pessoas que ficam nervosas pelo facto de eu me pronunciar, não tenho sequer de oferecer uma explicação para isso. Tenho pena que seja assim, mas não tenho nenhuma explicação para esse facto.

Pedro Passos Coelho

"Eu acho que, depois daquilo que realizei, estou de bem com o que fiz. Estou de bem com a política e estou de bem com o país, não ando à procura de nada em particular, não tenho desforras para fazer, não tenho necessidade de querer provar ou mostrar o que quer que seja. Portanto, encontro-me de bem comigo, com a vida e com o mundo. Por essa razão, não sinto necessidade de correr atrás de nada. Agora, não sinto nenhuma necessidade de excluir qualquer coisa que venha a fazer no futuro, porque razão haveria de o fazer?

Pedro Passos Coelho

"Porque é que devemos isentar o Partido Socialista e o Chega de assumirem a responsabilidade da decisão no Parlamento? Que chumbassem essa privatização. Isso responsabilizaria quer o Chega, quer o Partido Socialista. Podia ser que, face a essas responsabilidades, não chumbassem essa proposta do Governo. Mas, se chumbassem, o Governo ainda tinha a oportunidade de se aproximar dessa solução, se quisesse dizer ao país: ‘Não me deixam fazer o que eu desejo, vamos aos 49% porque não há outra condição. Vamos ver o que é que é possível, porque, apesar de tudo, o que temos é pior’.

Pedro Passos Coelho

"O Governo poderia ter optado por encontrar um quadro que pudesse ter a virtualidade de ser mais estável à partida. Não sei se seria possível, mas só quando tentamos é que sabemos. O que seria expectável é que esse quadro pudesse ser negociado dentro daquilo que chamamos a direita parlamentar, porque o país virou à direita e, portanto, claramente, há uma grande maioria no Parlamento à direita. Depois, é preciso saber se ela [a maioria] tem o mínimo de cimento ou não.

Pedro Passos Coelho

"Faz todo o sentido ter um ministro para a reforma do Estado. A maneira errada de comunicar essa intenção é criar um ministério. Deveria haver outra forma de dar poder a esse ministro. É a minha visão, manifestamente não foi essa a apreciação e o cálculo que foi feito, mas eu julgo que teria sido preferível assim, até para reforçar a autoridade do próprio ministro. Que o Governo avançou claramente com a ideia de que era preciso essa ambição reformista, avançou. O problema é que estamos a completar quase um ano. Não é já, é para maio, mas já não estamos muito longe, e, para já, os sinais que se conhecem, os que são públicos, são tímidos.

Pedro Passos Coelho

"A reforma da Segurança Social tem um problema essencial. Nós temos um modelo que não tem demografia que o sustente e quanto mais tempo passa, mais difícil é dizer às pessoas que estão a 10, 15 anos de se aposentarem que o seu sistema se vai alterar. Haverá até interpretações compreensíveis do ponto de vista constitucional que possam impedir alguma reforma da Segurança Social de mexer nas expectativas de alguém que está a oito, 10 ou 15 anos de se aposentar. Ora, o problema é que a grande maioria do problema está concentrado em pessoas que começam a estar muito próximas desse limite. Nós já perdemos 10 anos. Não é possível mudar de sistema sem que se reduzam os benefícios e se aumentem as responsabilidades do presente. Tem de ser um mix das duas coisas.

Pedro Passos Coelho

"O Presidente, para poder ter uma dimensão simbólica relevante e eficaz, não pode gastá-la de qualquer maneira, não pode ser um grilo falante, não pode andar a falar a propósito de tudo e de nada, quando fala tem de fazer alguma diferença e isso exige um perfil que eu não sei se o doutor António José Seguro tem. O tempo dirá. Se tiver, ótimo.

Pedro Passos Coelho


FONTE: https://eco.sapo.pt/entrevista/governo-deveria-ter-tentado-um-acordo-de-legislatura-com-o-chega-e-a-il/

 

 

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