sábado, 23 de junho de 2018

Vasco Pulido Valente entrevistado pela Sábado




Tem 76 anos e há um que deixou de escrever as crónicas mais mordazes da imprensa. Não deixou de pensar sobre a política, o País, mas recusa ser pessimista. Mordaz, ainda é. E nem Marcelo Rebelo de Sousa escapou às críticas. Que pode ler na edição Nº 738 da SÁBADO, nas bancas dia 21.

Voltou à escrita com um livro, Do Fundo da Gaveta, em que recupera dois episódios históricos do séc. XIX. Porque é que acha que têm paralelismo com a actualidade?

O primeiro, não. Pode talvez mostrar as diferenças na descolonização portuguesa, na forma como perdemos a colónia do Brasil e como perdemos o resto das colónias. Esse primeiro ensaio é um fragmento de uma história que eu nunca escrevi. E o outro fragmento resolvi publicar porque há paralelos muito claros com o que se passa hoje, esse sim. É sobre as reivindicações e os movimentos da classe média e da baixa classe média e o papel do Estado nesse conflito. E o papel da pobreza nacional. Os movimentos políticos em Portugal dessa natureza esbarram nos problemas do défice e da dívida do Estado.

É uma constante?

É. Quando se reivindica, há mais défice. Se a classe política depende do Estado, e está a reivindicar uma parte maior do rendimento nacional, vai aumentar o défice. Os défices acumulados dão a dívida. O problema da bancarrota ameaça sempre toda a parte produtiva e comercial da economia.

E tivemos esse concentrado nos últimos anos: a pré-bancarrota com Sócrates, depois o discurso antidívida e agora esta libertação. É um labirinto histórico?

As pessoas não têm memória histórica, mas isso é o que se passou no século XIX: tivemos várias bancarrotas. O Estado faliu rotundamente em 92 -93 e esteve sempre em pré-falência pelo meio. Faliu em 34, em 51, em 46... Isso aconteceu sempre.

Tendo em conta essa dimensão histórica, Passos Coelho foi quem se aproximou mais de um certo realismo sobre a situação do País?
Foi muito acusado de apelar ao empobrecimento.

Passos Coelho foi demonizado em benefício da coesão da geringonça. A geringonça precisava de um inimigo, foi Passos Coelho. Foi uma das pessoas mais vilificadas na política portuguesa, o que é absolutamente impensável. Tenho o maior respeito e consideração por Pedro Passos Coelho. Fez o que era preciso. Se não tivesse feito o que fez provavelmente teria havido uma crise social violenta. As consequências de ele não ter feito o que fez teriam sido gravíssimas, como as que teve a Grécia. Teria condenado as pessoas não a três ou quatro anos de relativa pobreza, mas talvez a 10 ou 15. Ele evitou uma crise social e deixou os fundamentos para a restauração de uma certa normalidade – não digo bem-estar, mas uma certa normalidade – que permitiu depois acompanharmos o crescimento da Europa.

[…].

Vê alguém no actual panorama politico que lhe mereça admiração politica e intelectual?

Nenhum político. Ainda há uma ou duas pessoas por quem tenho admiração intelectual, como o embaixador José Cutileiro.

Mas já disse que tem uma relação, não digo de admiração, mas de respeito por Passos Coelho …

De grande respeito. É uma extraordinária pessoa que foi um graqnde primeiro-ministro e ainda se vai reconhecer isso.

Ainda há um caminho para ele na política portuguesa?

Não sei o que ele quer.

Mas acha que vai recuperar o seu prestígio politico e ser candidato a Belém?

Isso é automático, já recuperou grande parte e vai recuperar muito mais. Quando a geringonça começar a desfazer-se ele vai aparecer como de facto, é, e como de facto foi.

A lobotomia nasceu aqui



      Alberto Gonçalves - OBSERVADOR

    Quando não estão a pagar impostos ou a ver a CMTV, as vítimas vão tirar “selfies” com os carrascos e prometem-lhes devoção e votos. Os portugueses apreciam ser humilhados ou não percebem o que são?
Conhecem aquela em que um marroquino, um brasileiro e um português aparecem na “flash interview” a comentar um jogo da bola? O português é Presidente da República. O maior problema desta anedota não é não ter graça: é ser verdadeira. Durante uma viagem ao “Mundial” da Rússia paga pelos contribuintes, e com os logotipos dos patrocinadores da coisa em fundo, o prof. Marcelo teceu considerações sobre os adversários, o “sistema de jogo”, a “atitude” e, suponho, a “transição”. A rematar (piadinha), anunciou que na próxima partida o primeiro-ministro estará presente. O prof. Marcelo voltará a Moscovo – “em princípio” – nos “oitavos de final”. Entretanto, naturalmente, subirá ao palco do Rock in Rio com os Xutos e Pontapés. Depois, por fim, rumará para merecidas férias em Pedrógão, de modo a evitar incêndios e curar a desertificação rural.
Não sei que diga. Literalmente, é difícil dizer o que quer que seja, já que isto começa a entrar em territórios nos quais as palavras perdem serventia. O prof. Marcelo é apenas um exemplo, piorado pela circunstância de desempenhar um papel a que, talvez com exagero, se costumava atribuir certa “gravitas”. Hoje, pulverizada por sorrisos e “afectos”, essa gravidade é menor que a da lua. Devagarinho, um país que nunca foi um modelo de ponderação lançou-se desvairadamente para os braços da pura toleima. Os oligarcas, ou funcionários de oligarcas, que nos tocaram em sorte não se satisfazem com o sequestro da nossa vida material e “simbólica”: porque querem, e porque os deixam, insistem em gozar com o pagode. E o impressionante é que o pagode gosta. Não é inédito que, em nações menos exóticas, um estadista ultrapasse as restrições e os privilégios do cargo para ridicularizar descaradamente os cidadãos. Sucede é que se arrisca a cair na prisão ou, no mínimo, nas sondagens. Mesmo em nações exóticas, acontece que o estadista caia na estrada, em fuga de uma multidão aborrecida.
Aqui, não acontece nada, excepto sucessivas paródias dos americanos, essa cáfila de pategos que depositou o ridículo sr. Trump na Casa Branca. Em simultâneo, a “nomenklatura” em peso (não raramente excessivo) saltita com belos cachecóis verdes-rubros a cada golo de Cristiano Ronaldo. Ou homenageia mortos cuja responsabilidade nunca assumiu. Ou manda o fisco torcer os rendimentos alheios enquanto celebra uma “prosperidade” sem paralelo. E o povo, perdão, as vítimas não demonstram pingo de revolta ou sequer desconforto. Pelo contrário, quando não estão a pagar impostos ou a ver a CMTV, as vítimas acorrem a tirar “selfies” com os carrascos e a prometer-lhes devoção eterna. E votos. Os portugueses apreciam ser humilhados ou não percebem que o são?
Não faço ideia. De resto, qualquer das hipóteses, a da tara ou a da idiotia, concorre para resultados idênticos. Ao longo de séculos, regimes sortidos oprimiram populações através do monopólio da força, ocasionalmente temperado com a ilusão de uma benesse. No Portugal de 2018, que parece a cobaia de uma gigantesca experiência de psicologia social, a força é completamente dispensável à opressão. Por uma vez na História, uma sociedade inteira entrega-se voluntária – e alegremente, convém notar – aos caprichos dos seus senhores, sem contrapartidas excepto a garantia de uma opressão maior e de um regozijo proporcional. Maquiavel, que previu muito, não previu isto. E nisto, como na lobotomia, somos precursores.
Podia perguntar-se se tamanha inovação é mérito dos senhores ou demérito da plebe. Porém, uma panorâmica fugaz por inúmeras figuras do Estado, da economia, dos “media” e do que calha revela a resposta: não é o brilhantismo desses vultos que lhes permite converter dez milhões de criaturas no capacho onde esfregam os sapatos. O capacho, que reza “Bem-vindo”, é que é particularmente exímio na função. A propaganda turística jura que os portugueses sabem receber. Sobretudo ordens. E enxovalhos. E beijinhos, imensos beijinhos. Na terra do respeitinho, ninguém se dá ao respeito.

Nota de rodapé:

Image result for catarina martins bloco de esquerdaO problema das migrações em massa nunca esclarece um enigma: porque é que as pessoas abandonam lugares aprazíveis e procuram fatalmente sociedades “fascistas” e empenhadas em tratá-las mal? A acreditar nos comentários dominantes, o expectável seria que os espanhóis fugissem para Marrocos, os alemães para a Turquia, os húngaros para a Síria e os americanos para Cuba. Misteriosamente, a realidade está de pernas para o ar e não é isso que sucede. Por motivos que ninguém compreende, uma quantidade desmesurada de mexicanos larga o conforto do mezcal e tenta regularmente atravessar a fronteira a norte a fim de se sujeitar ao jugo capitalista. Os capitalistas, que também são fascistas, não apreciam a proeza e procuram intermitentemente dificultá-la. E os “media” relatam o drama subsequente, por acaso misturando mentiras, meias-verdades e o ocasional facto. Sem brincadeiras, o assunto é complexo. Com brincadeiras, pode ser resumido na frase da dona Catarina Martins, roubada ao “activista”/sindicalista David Bacon: “no mundo não há pessoas ilegais”. Mas desonestas não faltam.

As mais lidas da semana e do mês


Entry
Pageviews
Jun 12, 2018, 1 comment
1888
May 23, 2018
1420
Jun 13, 2018
561
Jun 5, 2018, 1 comment
558
May 21, 2018
408
Jun 16, 2018
378
Jun 15, 2018
221
Jun 14, 2018
206
Jun 9, 2018
200
Jun 17, 2018
197
Pages

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Miguel Torga destacado na Livraria Cólofon - GUIMARÃES


É com muito gosto que vos envio as últimas novidades da Livraria Cólofon que podem consultar seguindo esta ligação:

Das obras seleccionadas para esta semana destaco a seguinte primeira edição de Miguel Torga: 


2223 - Torga, Miguel – O QUARTO DIA DA CRIAÇÃO DO MUNDO. Coimbra. Tipografia Atlântida. 1939. 113 págs. 22, 2 cm. B. 


Todas as obras podem ser enviadas à cobrança ou mediante transferência bancária para IBAN a indicar no acto da compra. O pagamento poderá ser feito através de Paypal para a conta colofon.pt@gmail.com.
O envio dos livros pode ser feito em total segurança para qualquer ponto do país e para o estrangeiro. 
Todas os livros s podem ser consultados nas instalações da Cólofon. Sempre que solicitado poderá ser feita uma descrição mais detalhada das obras e poderão ser enviadas mais fotografias.  
Com os meus melhores cumprimentos,
Francisco Brito
Francisco Pinto dos Santos Brito
+351 919 565 452
ENI - NIF 238939103
4800-159 Guimarães.
Portugal

Formas de governança no Mundo



J. BARREIROS MARTINS - Prof. Cat. Emérito Jubilado da Universidade do Minho
( Diário do Minho)

Os povos, desde a Idade da Pedra, sempre escolheram de forma automática um “Chefe”.
Portanto, a existência de um “Chefe” em cada Grupo
Humano é uma necessidade Natural. E isso também surge no reino dos animais. Sabe-se que um bando de aves voa sempre sob a “chefia” de uma das aves do bando e, certamente, que essa “Ave Mestra” não foi escolhida em eleições… Ainda hoje no Brasil cada Grupo de Índios tem um chefe, que também não é escolhido por eleições. Por outro lado, nas tão badaladas “Democracias Ocidentais”, mormente em Portugal, nas eleições o número de abstenções somado com o números dos que têm idade para votar, mas não se inscrevem para obter o cartão de eleitor, supera o número de votantes.

Portanto, o (s) eleito (s) obtêm a “chefia” sem apoio da maioria dos cidadãos em condições de votarem. Assim, pode dizer-se que todas essas Chefias são obtidas “Contra-Natura”. Para não falar nas “trapalhadas” que levam ao “poleiro” o elemento que soube fazer uma qualquer “geringonça”. Ou para não falar nas “Trumpalhadas” que levaram a Presidente do estado mais poderoso do Globo, um dado Trump. Já aqui falámos de outros tipos de “Cracias”: as “Autocracias” onde o “chefe” se nomeia a si próprio (Ditaduras),ainda que para isso tenha de usar alguma falsa eleição. Ou a chefia derivada hereditariedade (Monarquias).
As “Teocracias” onde as chefias governativas são sempre chefias religiosas. Nas Teocracias só há leis religiosas. Assim, todos os cidadãos islâmicos têm de obedecer à sharia que é um código suposto conter todas as leis e vir desde o tempo de Maomé. Os chefes supremos são sempre religiosos com o estatuto de Aiatolá, aquele que estudou a sharia nalguma universidade islâmica e fez actos religiosos e políticos relevantes que levaram à sua nomeação por outro Aiatolá, ou semelhante.
Pelos seus conhecimentos e discernimento, o Aiatolá supõe-se ser descendente directo de Maomé. Nas “Teocracias” a chefia governativa também pode ser exercida por um Rei e obtida deforma hereditária. É o caso do Rei da Arábia Saudita, que em vida nomeia um filho “príncipe herdeiro”. Claro que o Vaticano também é uma “Teocracia”. A nomeação de um novo “Bispo Diocesano” é feita pelo Papa num processo complexo em que são ouvidos vários intervenientes religiosos e até leigos. O Papa também nomeia os cardeais, de forma a rejuvenescer o Colégio dos Cardeais que o apoia e aconselha. No caso das Igrejas Protestantes a hierarquia já é muito mais complicada.
Nas monarquias, teoricamente o rei é o “Governador Supremo da Igreja”, embora não tenha poder real sobre os “pastores”, “bispos”,etc.. Nas repúblicas, como os EUA, a Igreja Presbiteriana, tem por base o “pastor” e a paróquia. Acima desse a coordenação é feita em “assembleias”.
As oligarquias são formas de governo de poucos. Normalmente são militares que tomam conta da governação de um país. Nas plutocracias o poder é exercido pelo grupo mais rico.
Esta concentração de poder nas mãos da elite económica agrava a profunda desigualdade de rendimentos entre ricos e pobres. Na prática, hoje como ontem, a governança na maior parte dos países é feita por uma mistura de autocracia, democracia, plutocracia e oligarquia.
E o Poder “pulhítico” sempre anda de “braço dado” com o Poder religioso:
Para eleições o J sempre fala com o Patriarca…
Olhando para o quadro mundial, hoje, como ontem, observa-se que em país algum a escolha dos governantes é feita de forma NATURAL.
Mas não seria difícil fazê-lo, se os que tomam o Poder, agissem em prol do BEM Público; mas agem em prol dos seus interesses económicos e financeiros e nodos seus apaniguados. Em todas as “Cracias”, hoje, como ontem, a escolha dos governantes, é feita de cima para baixo, e não de baixo para cima, como poderia e deveria ser feita. Aqui vai um exemplo de uma escolha de governantes feita debaixo para cima: As freguesia se os concelhos no Mundo Ocidental (e também, de forma ajustada, nos Orientes) são, e foram sempre, as áreas básicas de residência dos povos.
Numa freguesia, o governo é feito por uma “Junta de Freguesia” que tem um Presidente. A escolha do Presidente poderia ser feita em “Assembleia-Geral, pelos aldeões com, digamos, mais de18 anos. Os aldeões conhecem-se bem uns aos outros, conhecem as competências, as virtudes (e os defeitos) de cada um. Portanto, não seria difícil essa Assembleia escolher (eleger) um Presidente que melhor soubesse defender os interesses de todos os residentes. Por outro lado, o Presidente, assim designado, saberia escolher os seus colaboradores, formando-se, assim a Junta de freguesia, de forma NATURAL.
De forma semelhante, os presidentes das juntas de freguesia de um concelho, conhecem-se bem uns aos outros. Portanto, não seria difícil numa Assembleia de Presidentes das juntas de Freguesia eleger um Presidente da Câmara Municipal que, perante o Governo Central defendesse os interesses dos habitantes do concelho.
E a questão poderia generalizar-se para a escolha de um Governador de Distrito e daí para a escolha de um, digamos, Presidente da República, com funções governativas. Naturalmente que, no domínio da Justiça, a estrutura e a designação dos magistrados poderia ser semelhante a alguma das melhores da Europa. Mas, note--se, para evitar “amigalhices” locais, sempre inimigas da Justiça, os juíze (a) s teriam deter “mobilidade”: não poderiam estar mais de, digamos,5 anos em cada comarca.
Coisa semelhante se pode dizer dos oficiais das “Forças Militares” e “Militarizadas” .Também aí a hierarquia é feita de forma Natural e é Independente da governação política. Os oficiais também teriam de ter uma “mobilidade” semelhante à dos juíze (a) s.
No Mundo, o panorama actual da Governança continua muito mau, especialmente para os governados mais pobres.

Aniversário da elevação a vila - Torre de Dona Chama



Torre Dona Chama, uma vila pequena, do interior e do concelho de Mirandela, que deve ser apoiada para se combater a interioridade e a centralidade, mesmo quando essa centralidade é municipal.
Conto com os amigos para divulgar mais um aniversário desta jovem vila das Terras de Ledra. Se vir a «berroa» da Torre Dona Chama elevada a um digno pedestal, para ser melhor admirada, estimada e engrandecida. Gostava de ver, ainda, recuperada a azenha ou moinho dos vilares e pô-lo a trabalhar em momentos importantes.
Conservar o nosso património é darmos vida à memória do passado e honrarmos a sua herança e contribuirmos para o desenvolvimento.
A Exposição do Brinquedo que ali se inaugura é, também, um convite a preservarmos o nosso património artesanal e documental e podermos sonhar com os tempos da nossa meninice.
Estamos todos convidados.
Parabéns à Junta de Freguesia da Torre Dona Chama e a todos os que tornam este momento mais cultural e festivo, destacando o amigo flaviense, Prof. Rui Queirós, distinto membro activo do Grupo Cultural flaviense Aquae Flaviae e autor da Exposição.
Ajudem-nos a divulgar esta iniciativa pelos contactos e amigos.
Grato pela divulgação,
Jorge Lage