sexta-feira, 24 de abril de 2026

Restituições Seletivas: Onde Termina a Justiça e Começa a Fatura Política?

 

Nuno Nabais Freire

@Nuno_Nabais_ X

Restituições Seletivas: Onde Termina a Justiça e Começa a Fatura Política?

O recente apoio de Emmanuel Macron ao pagamento de reparações pela escravatura, sob a bandeira da "justiça restaurativa", é o mais recente capítulo de uma tendência perigosa: a transformação da História num tribunal de exceção, onde a sentença é ditada pela conveniência política do presente e não pela verdade dos factos.


O argumento, embora sedutor na sua capa de humanismo, esconde um simplismo que ignora a densidade da experiência humana.

A História raramente se escreve a preto e branco. Como defendi anteriormente em "A Escravatura não tem dono… tem História", https://observador.pt/opiniao/a-escravatura-nao-tem-dono-tem-historia/ .Este fenómeno não foi um exclusivo de uma raça, de um continente ou de uma religião. Foi uma chaga transversal. Ao insistir numa responsabilidade politicamente unilateral, ignora-se, deliberadamente, que o tráfico transatlântico só foi possível graças a uma infraestrutura de colaboração: impérios e elites africanas foram agentes ativos, lucrando com a venda dos seus pares. Se o crime é da Humanidade, por que razão a conta é apenas apresentada a uma parte? Uma justiça que escolhe os culpados com base na geografia atual não é justiça é sinalização de virtude.

Fala-se, com frequência, do que foi retirado, mas impõe-se um silêncio cúmplice sobre o que foi deixado. Tomemos o Brasil ou as antigas colónias: a riqueza produzida não fluiu apenas num sentido. Ela financiou a arquitetura das cidades, as instituições jurídicas, a língua que une continentes e os modelos de Estado que hoje permitem a estas nações reclamar reparações. Ignorar que os Estados modernos são os herdeiros diretos das estruturas que geriram e beneficiaram desse sistema, localmente, é uma forma de negação histórica. Estaremos dispostos a auditar não só as perdas, mas também os benefícios civilizacionais que estas nações hoje usufruem?

A lógica das reparações abre uma "caixa de Pandora" de consequências absurdas. Se aceitarmos a retroatividade da culpa sem limites temporais, onde paramos? Deverá a Itália indemnizar a Europa pelos escravos do Império Romano? Deverá a Turquia responder pelos séculos de escravidão sob o domínio Otomano? Ou deveremos processar os descendentes dos fenícios?

Quando se tenta punir cidadãos contemporâneos por crimes cometidos por antepassados que eles não escolheram, contra vítimas que já não existem, a justiça perde o seu objeto e torna-se um instrumento de poder. Estamos a criar um "Paradoxo Kafkiano" um mundo que tenta saldar dívidas impagáveis através de mecanismos que já não conseguem identificar, com rigor, nem o credor nem o devedor.

Uma civilização que transforma a sua História numa narrativa de conveniência abdica da procura da verdade para se concentrar na organização de culpas. A História deve ser lição, não arma de arremesso. Como nos ensinou Cícero em De Oratore

Historia vero testis temporum, lux veritatis, vita memoriae, magistra vitae nuntia vetustatis. ( A história é, em verdade, a testemunha dos tempos, a luz da verdade, a vida da memória, a mestra da vida, a mensageira da antiguidade )

Se apagarmos a "luz da verdade" em favor do brilho da demagogia, ficaremos cegos perante o futuro.

P.S.:Se o critério de Macron para a "justiça restaurativa" é o ressarcimento por danos históricos, Portugal deveria ser o primeiro na fila para apresentar a fatura à França. Durante as Invasões Napoleónicas, o nosso país foi alvo de um esbulho sistemático, de um roubo de património artístico e de uma destruição infraestrutural que atrasou o nosso desenvolvimento em décadas. Se a moda é a retroatividade indemnizatória, que comece a França por dar o exemplo e pagar a Portugal o que Napoleão saqueou. Ou será que a "justiça" de Macron só se aplica quando a fatura é para os outros pagarem?

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Carta a um Amigo

 

JORGE  GOLIAS


Carta a um Amigo

Meu caro Carlos Alberto,

Conheço-te desde sempre e tu a mim desde que te conheces! Fazendo tu hoje 80 anos está explicado o tempo do meu conhecimento. A certa altura cada um seguiu o seu caminho. Com um cruzamento no velhinho e sempre novo IST, onde ambos andávamos nas engenharias. Depois voltámos a andar longe vários anos, mas, nas voltas que a vida dá, um dia, cruzámo-nos na zona do Marquês de Pombal. Creio que foi desde esse dia que nos voltámos a juntar, agora em sede da Casa de TMAD, por onde entrei pela tua mão. Estavas nos órgãos directivos, onde, aliás, sempre estiveste até hoje. Perguntaste-me o que fazer para animar a Casa. Sugeri-te os Dias DD, ou seja, Dia de Mirandela, etc. E fizemos logo vários dias DD, com sucesso e com destaque para a nossa terra que veio cá em força duas vezes. Depois lembrámo-nos de instalar a Tertúlia Transmontana, muito animada por dois actores amadores do Grupo PT, tu e a Elsa, que viria a ser a minha dizedora preferida. Já vos tinha visto em algumas peças e gostei. Tu representavas bem e bem cantavas, sobretudo o emblemático Marião. Ah, e tocavas cavaquinho. Tal como o João Rocha, que também tocava e cantava bem. Depois ganhámos a Ana Maria Calado, a magnífica voz da rádio, que nos encantou e entrevistou a todos para todas as rádios transmontanas. Que foi um vulcão que apareceu e desapareceu dramaticamente. O João Vicente surge então entre nós com a sua boa presença que foi um belo reforço do grupo. Outros amigos se nos juntaram, Eduardo Botelho, que com a sua presença era sempre o narrador, Elsa Vera, João de Deus e, assim, animámos a Casa durante uns 12 anos.

Curiosamente, com tantos distanciamentos da vida, vivíamos todos os reencontros como se nunca tivéssemos deixado de nos ver!

E pronto, aqui chegados, a Tertúlia foi-se esgotando, mas a nossa amizade continua firme. Ter Amigos é o melhor que a vida nos pode dar. Sou Teu Amigo e aqui estou a dar-te os Parabéns por teres chegado à marca de Octogenário. Estás agora mais perto de mim.

Que passes um Dia Feliz junto da tua Família.

Abraço fraterno,

JG85

 

22/04/2026

Os crimes do regime escabroso do Irão.

 

Onde estão as "feministas" ocidentais ?

 

Aviso do chefe da agência nuclear da ONU sobre as armas nucleares no Irão

 

terça-feira, 21 de abril de 2026

Ucrânia vai retomando território.

 

Sánchez, o novo farol anti-ocidente.


 

Lula e a vagabundagem brasileira...

Os turistas (alguns portugueses) ficaram presos, durante várias horas,  num morro do Rio de Janeiro por causa da ladroagem do Comando Vermelho.


Lula, iletrado, em vez de tratar destas coisas do seu país, prefere dar "lições" ao mundo sobre Cuba, pavonear-se viajando na Europa com a Janja, e moralizar a Europa sobre a imigração / emigração.


Restituições Seletivas: Onde Termina a Justiça e Começa a Fatura Política?

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