por
João Pedro Miranda
No
dia 29 de maio escreveu-se no jornal O
Conquistador «que basta trocar o 10 pelo de 24 de junho para acertar a história
do dia do nascimento de Portugal». Todos os povos e nações celebram o dia do
seu nascimento. São marcos para os sucessos ou insucessos das suas populações.
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Desde
aí até 24 de junho de 1128, decorreram 51 anos, em que a D. Teresa, ficando
viúva com a morte do conde D. Henrique, em vez de apoiar o filho que
pretendia honrar o pai, tudo fez para
manter fidelidade ao reino da Galiza. Nesse período, entre a viuvez da mãe e o
crescimento do filho, o Infante Afonso Henriques, até à maioridade, este
armou-se Cavaleiro, em Zamora. O diferendo entre o filho e a mãe decidiu-se no
dia 24 de junho de 1128, na Batalha de S. Mamede, em Guimarães. Estava decidido
o destino de Afonso Henriques, ao apossar-se, pela força, do que restava do
Condado Portucalense.
Entre
o dia 24 de Junho e o reconhecimento do reino da Portugal em 1143, decorreram
15 anos tumultuosos, mormente o Recontro de Valdevez (em 1141), um dos
episódios mais decisivos para a consolidação da nacionalidade. Foi um
«confronto militar e diplomáticos entre as hostes de D. Afonso Henriques e o
seu primo, Afonso VII de Leão e Castela e teve o condão de abrir caminho para o
histórico Tratado de Zamora, em 1143.
Os
900 anos de Portugal representam um oceano de motivações para comemorar a mais
importante efeméride nacional. Como a vertente política fez vista grossa a esta
data Histórica, foi necessário surgir em Guimarães, em 2009, um movimento
cívico a repreender essa classe, pelo desinteresse em formar, a tempo e horas,
uma comissão científica, da área da lusofonia, para tratar desse desiderato
nacional. Foi preciso recorrer aos «amigos de Guimarães» para, no ano do
aparecimento do Covid, fundarem a Grã Ordem Afonsina, para defender a verdade
histórica em torno do nascimento de Portugal e do seu rei fundador.
Entretanto,
já é conhecido o programa oficial das comemorações do Dia Um de Portugal - Batalha
de São Mamede 1128, momento fundador da nacionalidade portuguesa. O programa, a
decorrer em Guimarães, tem 2 dias e visa preparar os 900 anos de 2028:
Programa
oficial
As «Comemorações
do Dia 24 de Junho – Batalha de São Mamede 1128» assinalam, nos
dias 24 e 25 de junho, uma das datas mais simbólicas da história nacional,
através de um programa de natureza institucional, histórica, cultural e
artística que celebra o acontecimento fundador da nacionalidade portuguesa e
renova o significado de uma data maior da identidade de Guimarães e de
Portugal.
O
programa tem início no dia 24 de junho, pelas
09h45, com o Hastear das Bandeiras, nos Paços do Concelho, seguindo-se,
às 10h30, as Cerimónias Comemorativas do 898.º
Aniversário da Batalha de São Mamede, promovidas pelo Exército
Português, junto à Estátua de D. Afonso Henriques, na Rua Conde D. Henrique.
Pelas 11h30, será celebrada a Missa Solene, na Igreja de Nossa Senhora da
Oliveira.
Durante
a tarde, às 18h00, realiza-se a inauguração da
requalificação e visita ao Bairro da Emboladoura, numa cerimónia que
contará com a presença de Sua Excelência o Ministro das Infraestruturas e
Habitação, Eng.º Miguel Pinto Luz.
As
comemorações culminam, pelas 21h30, no Campo de
São Mamede, com a Sessão Solene Evocativa do 24 de Junho de 1128, que
integrará a aposição de condecorações municipais, as intervenções protocolares
e o espetáculo «Guimarães, Cidade Contínua – A Batalha
pela Independência».
Com
direção artística de Daniela Cruz e direção musical de Samuel Martins Coelho, a
criação propõe uma reflexão sobre a independência como um processo contínuo de
construção coletiva, estabelecendo um diálogo simbólico entre a Batalha de São
Mamede e os desafios das novas gerações na construção do futuro.
As comemorações
prosseguem no dia 25 de junho, às 20h30, na
Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, com o Concerto Comemorativo da Batalha de
São Mamede, que apresentará a «Missa em Si menor BWV 232», de Johann
Sebastian Bach, considerada uma das maiores obras da história da música
ocidental. Interpretado pelo Ludovice Ensemble e pela Academia Ludovice 2026,
sob direção artística de Fernando Miguel Jalôto, o concerto reunirá cerca de 40
músicos profissionais nacionais e internacionais, proporcionando um momento artístico
e cultural de excelência para a cidade de Guimarães.
Com
estas celebrações, Guimarães volta a reunir-se em torno da data que deu origem
a Portugal, honrando a memória da Batalha de São Mamede e renovando, geração
após geração, os valores de identidade, liberdade, coragem e construção
coletiva que continuam a inspirar o presente e a projetar o futuro.
LINK
para o site do Município:
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