Tempo caminhado
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domingo, 19 de abril de 2026
O enorme erro de Pacheco Pereira
João Marques de Almeida ( Jornal Nascer do Sol)
SEGUNDA
13
Incapaz de
resistir à sua vaidade e ânsia de popularidade e audiências, Pacheco Pereira
cometeu um enorme erro com o desafio a André Ventura para discutir questões
centrais da história portuguesa recente. Antes de mais, estava convencido que
seria um debate intelectual entre um ‘historiador’ conhecedor e um populista
ignorante (chegar ao estúdio com mais de dez livros é de um ridículo atroz, uma
espécie de novo-riquismo intelectual). Enganou-se completamente. Com Ventura,
os debates são políticos. No fundo, Pacheco Pereira desconfiava que o debate
poderia tornar-se político. Mas a sua vaidade também o levou a acreditar que
iria mostrar a todos como é que se debate com Ventura.
Mas o maior
erro de Pacheco Pereira foi ter contribuído para abrir o debate sobre as
interpretações políticas da história recente de Portugal. Aliás, Pacheco
Pereira prestou um serviço à Direita. A interpretação do período histórico
pós-25 de Abril, em Portugal e nas antigas colónias, foi construída pelas
esquerdas e imposto às direitas, que a aceitaram passivamente durante meio
século. Essa interpretação foi confrontada e reaberta por André Ventura.
Politicamente, é muito relevante. Normalmente, quem domina as interpretações do
passado, controla os debates políticos e culturais do presente. Só a Direita
partidária nacional não entende isto.
A Direita só
se emancipa do domínio cultural das esquerdas quando perceber que a
interpretação do período pós-25 de Abril foi imposta ao país. Foi isso que, de
um modo por vezes atabalhoado e pouco rigoroso, Ventura mostrou no debate com
Pacheco Pereira.
Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, vulgo Relatório das Sevícias
https://www.arquivo.presidencia.pt/viewer?id=989&FileID=302741&recordType=Description
Pacheco
Pereira tentou aldrabar os portugueses dizendo que teriam sido apenas exageros
do período revolucionário e uma forma de libertação dos «50 anos de
ditadura». Pacheco Pereira sabe muito bem que é mentira. Os exageros foram
resultado da ideologia das extremas esquerdas, especialmente do comunismo
soviético seguido pelo PCP de Álvaro Cunhal. Pacheco Pereira também sabe que se
os comunistas tomassem o poder, a ditadura seria muito mais sangrenta e dura do
que o Estado Novo. Tudo o que se passou em 1975 mostra a importância do 25 de
Novembro e a razão por que a Direita democrática celebra essa data.
Há quem diga
que não é o tempo para criar novas divisões. Eu prefiro divisões onde se possa
discutir as verdades do que imposições mentirosas. Devemos palavras de
agradecimento a Pacheco Pereira. Foi para o debate para aldrabar, sob a capa de
uma suposta superioridade intelectual, e acabou a contribuir para a verdade.
Foi para o debate como um homem de Esquerda para derrotar um populista de
direita e acabou a ajudar a Direita, contribuindo para o fim dos mitos das
esquerdas sobre o pós-25 de Abril.
Os crimes do PREC a nu
O período do Processo Revolucionário em Curso (PREC) ainda é, estupidamente, tema tabu. Factos são factos.
Vítor Rainho ( Jornal Nascer do Sol )
18 de abril 2026
Ao ler o livro No Terramoto de 1975, de Tomás Moreira, que recomendo vivamente, para fazer a Entrevista Imprevista, da página 2, interroguei-me sobre as razões de se querer ‘esconder’ factos que se passaram no Verão Quente. O autor – filho de Ruy Moreira, o empresário que criou a famosa marca Molaflex, e esteve oito meses preso sem culpa formada – fala da extrema-esquerda como da extrema-direita de uma forma desempoeirada.
Relatório
https://www.arquivo.presidencia.pt/viewer?id=989&FileID=302741&recordType=Description
Há quem argumente que
o período do PREC foi devidamente analisado pelo Relatório da Comissão de
Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, vulgo
Relatório das Sevícias, e que o mesmo demonstra que se vivia em liberdade em
1976. Têm toda a razão, mas esquecem-se de dizer que se não tivesse existido o
25 de Novembro teria sido impossível fazer tal relatório.
Depois há a questão
de se saber se havia mais presos políticos no dia 25 de Abril de 1974 do que
durante o PREC. Parece óbvio que em Portugal continental havia menos presos
políticos do que durante o PREC. Também é óbvio que se juntarmos os presos nas
ex-colónias, a balança inverte-se. Esta comparação, como é óbvio, não inclui os
numerosos presos políticos durante os 48 anos anteriores a 74.
Mas também me parece
óbvio que se a PIDE prendia todos aqueles que achava que eram subversivos e os
torturava – principalmente operários e estudantes, pois os advogados e
‘doutores’ tiveram melhor sorte – também o mesmo se passou durante o período do
PREC, onde a extrema-esquerda, com o PCP com papel principal, fizeram aos
outros o que lhes tinham feito a si. Prenderam, com mandados em branco,
assinados por Otelo Saraiva de Carvalho, centenas de pessoas sem qualquer culpa
formada, muitas delas apenas por serem empresários de sucesso, como era o caso
de Ruy Moreira.
Digamos que se muitos
informadores da PIDE, depois do 25 de Abril, procuraram vestir a camisola do
PCP ou de outros partidos de extrema-esquerda, dizendo-se os maiores
democratas, também os comunistas e outros companheiros de luta, durante o PREC,
vestiram a pele de pides, prendendo e torturando pessoas que foram detidas por
pensarem de forma diferente.
Tomás Moreira lembra
no livro que Balsemão e Sá Carneiro chegaram a ir visitar presos políticos
antes do 25 de Abril, mas que, durante o PREC,não quiseram fazer ‘ondas’ sobre
as prisões arbitrárias assinadas por Otelo. O tema era escaldante, mas 50 anos
depois ainda fará algum sentido ser tema tabu?
Francisco Sousa Tavares, que tinha defendido presos políticos durante a ditadura, foi depois advogado de Ruy Moreira e escreveu o seguinte sobre esse período: «Regressámos, por isso, às prisões arbitrárias, às acusações falsas, ao domínio da comunicação social pela mentira do governo e pela mentira partidária. Regressámos às coordenadas fascistas de não respeito pelas pessoas, de desprezo pelos direitos individuais, de repúdio da verdade e de destruição da simples liberdade». É assim tão difícil reconhecer o que se passou durante o Processo Revolucionário em Curso?
Cardeal Dom Américo Aguiar, Bispo de Setúbal
Hoje, 19/04/2026, assisti
à Missa Dominical em minha casa e fiquei virado ao contrário.
Em tempos tinham-me
fascinado as Missas, na Paróquia de S, Victor - Braga, rezadas pelo saudoso
Padre Franciscano, Fonseca, de Montariol - Braga e natural de Celorico de Basto
(irmão do Delegado Escolar, Professor Fonseca).
Eram Missas de sermões
pedagógicos, onde a nossa base cristã se alargava e acaboucava, de que hoje
tenho saudade. Ainda o desafiei a escrever os seus sermões, ao que me respondeu
que tinha receio que o considerassem herege.
Ora bem, eu tinha a ideia
contrária do que é o Excelentíssimo Cardeal Américo Aguiar. Um Bispo Vermelho
que metia política e ideologia em tudo. Depois de assistir pela TVI à missa
dominical de hoje, transmitida desde a Igreja Matriz (?) da Cova da Piedade -
Almada.
Foi um bispo pedagogo e
humano que me comoveu imenso e os que assistiram à sua homilia penso que não
serão os mesmos quando abandonaram a Igreja.
Curiosamente, focou-se
muito na má língua, na solidariedade com os diminuídos mentais, com os que
estão ao nosso lado, dizendo que devemos praticar o Evangelho com quem está ao
nosso lado e gostaria de o ver a rezar mais Missas no pequeno écrã.
Foi muito humano e até
disse um ditado de Sta. Maria da Feira: Deus nos livre da peste, da
fome e da guerra e visita do bispo na terra.
Mudei a ideia que tinha de
D. Américo. Posso não concordar com tudo o que diz, mas encheu-me a alma e
rebentaram-me as duas fontes, de emoção claro.
Todos precisamos de encher
a alma do melhor que há porque a vida de velhos não está fácil, porque cada vez
está bem mais abaixo da de um cão.
Alguém se preocupa com
cerca de 8.000 (oito mil) velhos a viverem abandonados nos distritos de
Bragança e Vila Real? E os do resto do país?
Sempre que puder vou ouvir
as homilias do Dom Américo Aguiar.
Na Cova da Piedade vi uma
Igreja colorida e participativa, com gente feliz, de todas as cores.
Jorge Lage.
sábado, 18 de abril de 2026
Catálogo Abril 2026 - Colofon
O mais recente catálogo da livraria já está disponível e pode ser consultado aqui:
https://livrariacolofon.com/
As obras são reservadas por ordem de chegada dos pedidos. Os livros reservados e vendidos vão sendo assinalados no catálogo ao longo do dia (ainda assim não deixe de nos contactar caso tenha interesse em alguma dessas obras, o seu pedido será devidamente registado). Os pedidos podem ser feitos respondendo a este email ou para colofon.pt@gmail.com
Todas as obras podem ser enviadas à cobrança ou mediante transferência bancária para IBAN a indicar no acto da compra. O pagamento poderá ser feito através de Paypal ou MBWAY (após a confirmação da disponibilidade do livro). O envio dos livros pode ser feito em total segurança para qualquer ponto do país e para o estrangeiro. Sempre que solicitado poderá ser feita uma descrição mais detalhada das obras e poderão ser enviadas mais fotografias.
Melhores cumprimentos e votos de uma feliz Páscoa,
Francisco Brito
www.livrariacolofon.pt
colofon.pt@gmail.com | colofon@colofon.pt
+351 919 565 452
Francisco Pinto dos Santos Brito, ENI - NIF 238939103
Rua de Santo António nº 137 R/C.
4800-162 Guimarães.
Portugal
sexta-feira, 17 de abril de 2026
Os mais lidos
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Um artigo lúcido. Quanto à PGR, conforme a lei (feita pelos políticos), temos muitas dúvidas se se lhe podem atribuir culpas. Pelo contrá...
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