Tempo caminhado
tempocaminhado@gmail.com
domingo, 18 de janeiro de 2026
Morreu o escultor Francisco Simões
Morreu o escultor Francisco Simões, defensor do “acesso democrático à arte” Era autor da obra
Mulheres de Lisboa ou das esculturas dos vultos da poesia portuguesa no Jardim
dos Poetas, em Oeiras. Tinha 79 anos.
Faleceu o Artur
Casa de Trás-os-Montes
e Alto Douro
Tel: 217939311 Tlm: 916824293
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa
http://ctmad.pt/
sábado, 17 de janeiro de 2026
Havia o meu amigo de fazer anos neste dia...
Jornalista
Bom amigo
Havia o meu amigo de fazer anos neste dia... Além de lhe trazer o meu melhor
parabém, com o desejo de saúde e continuação de sucessos, trago um texto sobre
a data de hoje, o perecimento - ou sei lá o quê - de Torga.
Na oportunidade: Disse-me há tempo, que "um texto meu teve muita
repercussão nos Transmontanos". O Transmontanos, é, concretamente, o quê?
Segue-se, então, o meu texto sobre Torga para o caso de também querer
homenagear aquele transmontano maior.
E trago-lhe um bom e fraterno abraço. Não tenhamos medos do amplexo, porque o
mundo, como está, carece ainda mais delas.
Mário Adão Magalhães
(Não pratico deliberadamente o chamado Acordo Ortográfico).
https://e-cultura.blogs.sapo.pt/um-estudo-sobre-miguel-torga-862236
Miguel Torga
Inclinou-se há trinta e um anos, não caiu
Há hoje trinta e um anos tombou Miguel Torga. Ou melhor, se é
lícito dizê-lo, não tombou. Inclinou-se apenas perante a vida, como quem reconhece
a sua força maior sem jamais se render. Inclinou-se a dezassete de Janeiro de
mil novecentos e noventa e cinco, e assim permanecerá eternamente, curvado
apenas o suficiente para escutar a terra que o fez e o mundo que lhe respondeu.
Depois de Ansiedade, Os
Bichos, Contos da Montanha, Novos Contos da Montanha, A Criação do Mundo, o
Reino Maravilhoso, Vindima, os Diários, O Senhor Ventura, entre poesia, teatro
e romance, Miguel Torga não deixou apenas uma obra. Deixou uma presença. Uma
literatura que não pede licença, não implora afecto, não se acomoda. Uma
literatura que se impõe com a força telúrica de quem escreve com os pés
fincados na terra e os olhos erguidos para o universal.
Miguel Torga foi, como o melhor dos bons transmontanos, alguém
que não quebrou. Dobrou-se apenas, com dignidade austera, como se dobram as
árvores fortes quando o vento é excessivo. O homem chamava-se Adolfo Correia da
Rocha. Médico otorrinolaringologista. Escritor inteiro. Nasceu no meio das
urzes, em São Martinho de Anta, Sabrosa, a doze de Agosto de mil novecentos e
sete. Teve uma infância dura, tão dura que nem sequer apetece descrevê-la. A
vida começou-lhe cedo com a rudeza que mais tarde viria a moldar a sua escrita.
Ainda criança, foi sozinho para o Brasil. Voltou. Estudou
Medicina. E enquanto curava corpos, ensinou-nos a respirar literatura. Deu-nos
páginas de diário que são espelho e combate, poemas onde a palavra é enxuta e
exacta, contos que sangram verdade, romances que não fazem concessões, peças de
teatro que interrogam o humano sem ornamento.
Escolheu o pseudónimo Miguel por admiração a Miguel de Cervantes
e a Miguel de Unamuno. Dois faróis de uma Ibéria maior, pensante, inquieta. E
escolheu Torga porque as raízes não se escondem. A torga, a urze agreste, o
mato pobre e resistente, serviu-lhe de emblema. Assim se assumiu como ibérico
do mundo, profundamente universal por ser profundamente local.
Era homem de difícil acesso. Tinha uns olhos que metem medo,
digo eu, que os senti. Olhos de quem vê demais e não desvia. Caminhava atento e
compenetrado no seu trajecto diário, de casa ao gabinete em Coimbra, cidade
onde cedo se instalou e onde permaneceria até ao fim. Do Largo da Portagem,
diante do Mondego que lhe entrava pelas janelas, criou para o mundo um reino
que só ele poderia ter chamado maravilhoso. Não por fantasia fácil, mas por
fidelidade extrema à condição humana.
Ali me recebeu. As circunstâncias são irrelevantes para a
compreensão de Torga, mas foram marcantes para a minha vida. Recebeu-me quando
tantos jovens escritores (membros da AJEP, Associação de Jovens Escritores de
Portugal, como eu), já afamados, que estudavam ou passavam por Coimbra, não
conseguiam sequer a sua atenção. Quando contei, ficaram cépticos. Só
acreditaram quando lhes mostrei o manuscrito da resposta, escrita pela sua
própria mão. Só mesmo de Torga podia vir um gesto assim, seco, directo,
inesperado.
Eu próprio, conhecendo já algo do seu carácter, saí menos
impressionado com a figura do que seria de esperar. Talvez porque não fui à
procura do mito, mas do homem. E ainda hoje não sei explicar bem porque me
recebeu. Talvez porque reconheceu a honestidade de quem não ia pedir nada senão
um instante de verdade.
Viria a ser proposto várias vezes para o Prémio Nobel. Mais
tarde, a Academia Sueca veio dizê-lo, como se fosse novidade. Não venham tarde
com verdades antigas. Sempre se soube que Torga era uma potencia. O Nobel
habita a obra de Torga, mesmo sem diploma nem cerimónia. Quem perdeu foi a
Academia, que não pode hoje contar nos seus registos a atribuição do prémio a
um nome que lhe teria engrandecido a história. Não o recebeu porque era
desalinhado. E português. E depois tornou-se tarde.
Com humildade, sugere-se qualquer leitura de Miguel Torga.
Qualquer uma. É literatura exigente, mas não hostil. É profunda, mas acessível.
Cada leitor encontrará ali algo que lhe fala directamente. Quem não tem grande
apetência pela leitura, em Torga descobrirá uma porta aberta, um chamamento, um
estímulo para ficar.
Há trinta e um anos, eu não soube onde ir. Se a Coimbra, se a
São Martinho de Anta, em Trás-os-Montes, para me curvar perante o seu corpo.
Chovia muito. Era o mundo a chorá-lo. Fiquei em casa, doente, por sinal. Às
vezes a vida também se inclina connosco.
Jaz Adolfo Correia da Rocha com a sua mulher, Andrée Crabbé, sob
uma pedra no cemitério de São Martinho de Anta, à sombra de uma torga. Não
poderia haver metáfora mais justa.
Réquiem por Torga
Miguel Torga deitou-se para descansar há trinta e um anos. A sua
obra já o mantinha de pé muito antes disso. E mantém-no ainda hoje. Era um dia
frio, como o de hoje, e também um Sábado. Nasceu a doze de Agosto de mil
novecentos e sete, como aprendi em detalhe no preparatório, lições que ficaram
gravadas para sempre.
Houve um tempo em que eu próprio me preparava para cirurgias
difíceis e longos internamentos. Não me preocupavam demasiado, mas pensei, pelo
sim pelo não, que talvez não tivesse oportunidade de conhecer pessoalmente
Miguel Torga. Estava já numa idade avançada. Pedi-lhe que me recebesse.
Respondeu-me. À mão. Acertámos datas. Fui.
Hoje, trinta e um anos depois da sua inclinação final, permanece
inteiro. Não como estátua, mas como voz. Miguel Torga não morreu. Recolheu-se à
terra que sempre o sustentou. E dela continua a erguer-se, palavra a palavra,
como as torgas bravas que resistem ao frio, ao vento e ao esquecimento.
Mário Adão Magalhães
2026/01/17 _
Revista Aquae Flaviae vai lançar nº 71 em Chaves
O Grupo Cultural Aquae Flaviae vai lançar o número 71
da sua Revista no dia 22 de Janeiro às 17:30h, no Auditório da Biblioteca
Municipal de Chaves, em sessão presidida pelo Presidente da Câmara Municipal
local. Mais uma edição que visa legar às gerações futuras a pegada histórica,
herança de antepassados, em valores patrimoniais, materiais e imateriais, que é
necessário preservar e difundir. Eis os trabalhos que compõem este número:
Em seguida pode ler-se a investigação sobre «Os
dólmenes do Alvão (Vila Pouca de Aguiar) e o seu intrigante espólio
arqueológico», assinada por Albertino Sousa, evidenciando o ancestral
povoamento da serra do Alvão.
«Entre Ideais e Resistências: da Revolução de 1820 à
Consolidação da Nova Ordem Liberal em Portugal» de José Alfredo Faustino, é o
texto seguinte que evidencia como os populares de Chaves, juntamente com os
militares do Regimento de Cavalaria 6, defenderam a Revolução Liberal e o
Governo Supremo do Reino.
Depois de um texto sobre a «Comissão instaladora do
Museu Regional e Biblioteca Erudita» de Chaves, nomeada pela Câmara Municipal
em 1929; insere-se a importantíssima iniciativa da fundação da Escola do
Magistério de Chaves, de João Barroso da Fonte, empolgado protagonista da
dinâmica dessa fundação, conjuntamente com Miguel Pinto dos Santos e José
Henrique Rodrigues Dias. Testemunho esse, constante do trabalho intitulado
«Histórico da Escola do Magistério Primário em Chaves». Árdua diligência que
frutificou e se transformou em Pólo Universitário e, posteriormente, foi
assumindo outros desígnios.
Também José Luís Castor participa neste número da
Revista com um trabalho alusivo ao topónimo Chaves sob o título
«Alternativa disruptiva para Chaves», no qual alude à tomada desta vila pelos
irmãos Chaves e associa o símbolo falante da cidade a variadas localidades.
Este número 71 encerra com uma biografia de «António
Cirurgião, Ilustre Cidadão Português de Soutelinho da Raia».
A Revista Aquae Flaviae é dirigida por Maria
Isabel Viçoso, que preside ao Grupo Cultural flaviense.
João Pedro Miranda
Não fechem os olhos à Visão
![]() |
| bomdia.eu/nao-fechem-os-olhos-a-visao/ |
Mário Adão Magalhães
jornalista
A revista VISÃO faz parte das minhas boas memórias e do meu gosto pela grande informação. Em 1993, frequentava um curso de jornalismo em Santarém, ministrado pelo CENJOR. Um dos monitores era o carismático jornalista Daniel Ricardo, autor do Manual do Jornalista, entre outros livros que são autênticas bíblias da profissão, que nos falou de uma nova revista, fundada por si e por outros igualmente notáveis, que saíra nessa mesma semana. Chamava-se revista VISÃO.
FONTE: bomdia.eu/nao-fechem-os-olhos-a-visao/
sexta-feira, 16 de janeiro de 2026
Os três santos negros na igreja de Santo Adrião de Sever – Santa Marta de Penaguião
![]() |
| https://www.calameo. com/read/0058732028bb3a462512c |
O culto a santos pertencentes a linhagens reais africanas – como Baltasar, Elesbão e Ifigênia – resultaram de um imaginário construído pelos europeus após o contato com a África cristã, nos séculos XIV ao XVI.
A inserção
de santos negros no culto cristão está relacionada com a construção de um
imaginário que insere personagens negros na narrativa bíblica e na história da
Igreja.
Este
imaginário confirmava a crença na universalidade da mensagem cristã, revelada
pela presença de outros povos na história do cristianismo. Personagens bíblicos
como a Rainha de Sabá, ou o Eunuco etíope que se encontrou com o apóstolo
Felipe, tiveram as suas origens etíopes destacadas.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
A Linguagem Simbólica da Natureza - A flora e a fauna na pintura seiscentista portuguesa
«O ensaio de Sónia Talhé Azambuja […] constitui um dos pontos altos desta fase amadurecida de estudos sobre a Natureza Morta portuguesa do século XVII. […] O cruzamento entre a História da Arte, a Iconologia, a Filosofia e a História Natural […] confere inegável sucesso a uma metodologia de ponta de que a autora é responsável e que afirma a originalidade da sua investigação.».
VÍTOR SERRÃO, In Prefácio
Sinopse: Em 166 pinturas portuguesas do século XVII (Josefa de Óbidos, Baltazar Gomes Figueira, etc.) estudadas foram identificadas 188 espécies de flora e de fauna, contribuindo para a descodificação do seu simbolismo.
Os mais lidos
-
Os mais lidos nestes ultimos meses... Posts Actuação do governo? 1.32K "Pessoas que menstruam". 848 FESTA ! 80...






.jpg)




%20-%20C%C3%B3pia%20-%20C%C3%B3pia.png)
%20-%20C%C3%B3pia%20-%20C%C3%B3pia.png)
%20-%20C%C3%B3pia%20-%20C%C3%B3pia.png)


%20-%20C%C3%B3pia%20-%20C%C3%B3pia.png)
