terça-feira, 22 de outubro de 2019

Os homens que salvavam livros


 
David E. Fishman (autoria), Luis Reyes Gil (tradução)

A saga de “Os homens que salvaram livros” é um exemplo humano de inexcedível bravura e heroísmo para proteger tesouros judeus do regime nazi que então vigorava na Europa. É uma narrativa de resistência, amizade e romance, sob o risco de morte. É uma história real sobre os habitantes do gueto de Vilna, na Lituânia, que resgataram milhares de livros e manuscritos raros da cultura judaica por duas vezes – primeiro das mãos dos nazis, depois dos soviéticos.
O volume regista as actividades ousadas de um grupo de poetas e eruditos que se tornaram combatentes e contrabandistas na cidade conhecida como a “Jerusalém da Lituânia”. Uma história épica protagonizada por Shmerke Kaczerginski, Zelig Kalmanovitch, Rachela Krinsky, Herman Kruk, Abraham Sutzkever, Johannes Pohl, entre outros.

Vencedor do National Jewish Book Award 2017 – Categoria Holocausto

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

"Romanceiro da Castanha" em Chaves





A Última viúva de África

Alice Oliveira, nascida e criada no Minho, num meio pobre, sem horizontes, nos anos 50 do século passado, afronta o destino emigrando para o continente africano, fazendo parte do número reduzido de portugueses que permaneceu na antiga colónia belga do Congo após a independência. Serviu as autoridades portuguesas como informadora, a quem denominavam Madame X. Para os mercenários que combatiam pela secessão do Catanga era a “mãe” (Kisimbi).
A Última viúva de África é uma narrativa muito bem construída por Carlos Vale Ferraz, pseudónimo literário do coronel Carlos Matos Gomes, antigo oficial das forças especiais portuguesas, conhecedor exímio da realidade da Antiga África Portuguesa. A referência a César Dante, personagem breve do volume, prova-o na plenitude. Este jornalista italiano, Dante Vacchi, com a descrição ali invocada é aceite como o fundador dos Comandos portugueses. Muitas das personagens fictícias são, na forma, personagens reais.

O autor

Carlos Vale Ferraz, pseudónimo literário de Carlos de Matos Gomes, nasceu a 24 de julho de 1946, em Vila Nova da Barquinha. Foi oficial do Exército, tendo cumprido comissões em Angola, Moçambique e Guiné. Algumas das suas obras foram adaptadas ao cinema e à televisão, e colaborou com Maria de Medeiros no argumento do filme Capitães de Abril. É investigador de História Contemporânea de Portugal. Publicou, como Carlos de Matos Gomes e em coautoria com Aniceto Afonso, os livros Guerra Colonial, Os Anos da Guerra Colonial e Portugal e a Grande Guerra. No catálogo da Porto Editora figuram os seus romances A Última Viúva de África (2017), Prémio Literário Fernando Namora/2018, e Nó Cego (reeditado em 2018), uma obra de referência obrigatória na ficção portuguesa sobre a guerra colonial.

Biblioteca Publica de Vila Real comemora 180 anos.


CÂMARA MUNICIPAL DE VILA REAL
Grémio Literário Vila-Realense

domingo, 20 de outubro de 2019

ESCRITARIA leva escritores às escolas - PENAFIEL


Manuel Alegre, Rui Zink, Sérgio Almeida e André Rodrigues vão estar “à conversa” com alunos de Penafiel

Festival Literário preparou ainda uma tertúlia com autores do Vale do Sousa

O festival literário Escritaria vai levar escritores a vários estabelecimentos de ensino de Penafiel para estarem “à conversa” com centenas de alunos.
Para abrir a programação, no dia 21 (segunda-feira), às 14h30, o escritor e jornalista da Rádio Renascença, André Rodrigues vai estar no auditório do ISCE Douro onde terá a oportunidade de falar sobre o seu mais recente livro “Números Que Contam Histórias”, um livro de cultura geral onde os números são as personagens principais de histórias verídicas e cheias de informações e factos que o leitor provavelmente desconhece.
No dia 22, é a vez de Rui Zink conversar sobre os “ismos” do tempo presente e apresentar o seu livro “Manual do Bom Fascista”, na Escola Secundário de Penafiel, às 10h10.
O Manual do Bom Fascista é um compêndio sobre a ascensão do fascismo dividido em 100 lições (ou mesmo mais) acessíveis a aprendizes de todos os níveis.
Rui Zink nasceu em Lisboa em 1961. Escritor e professor no Departamento de Estudos Portugueses na Faculdade da Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é autor duma obra diversificada e multifacetada.
No âmbito da literatura publicou, entre outros, os romances Hotel Lusitano (1987), Apocalipse Nau (1996), O Suplente (2000) e Os Surfistas (2001), primeiro e-book em língua portuguesa.
No mesmo dia, às 10h30, o escritor e jornalista, Sérgio Almeida, está, às 10h30, na Escola Secundária Joaquim de Araújo. Nascido em Luanda, é jornalista desde os 18 anos. Trabalha no Jornal de Notícias, na secção de cultura, desde 1998, com especial enfoque na área da literatura.
Como autor, publicou os livros “Análise epistemológica da treta”, “Armai-vos uns aos outros”, “Não conto”, “Como ficar louco e gostar disso”, “Ob-dejectos” e “O elefante que não sabia voar”. Participou nas colectâneas “Fora de jogo”, “Luvina” (México) e “O livro do São João”.
Para encerrar a programação do dia 22, o Escritaria preparou uma tertúlia com autores do Vale do Sousa, no café Sociedade, às 21h00, com Nuno Meireles, Carlos Dias, Ajowan Freixo e Nuno F. Silva.
O poeta e declamador José Fanha também marca presença no Escritaria, dia 24, às 14h30, para estar “à conversa” no espaço do Livro, no Largo Padre Américo.
No dia 25, quinta-feira, o escritor homenageado do Escritaria 2019, Manuel Alegre, vai à escola secundária Joaquim Araújo, às 10h00, e à escola secundária de Penafiel, às 11h30.


O ostracismo do idoso no primeiro mundo...


                                        Entrevista ao escritor Knud Romer                                                                      https://www.youtube.com/watch?v=S09zpRXm1U8

Por lá (riquíssima Dinamarca) ou por cá, país pobre do faz de conta, a questão dos velhos não muda muito.
Eu já substituí a expressão «vida de cão», por uma mais dura e real, «vida de velhos».
Mas vejam o vídeo e vejam as semelhanças com o que se passa por cá.
Acolhemos a mãe da minha mulher até à morte e não tivemos uma atenção ou desconto nos impostos durante esses anos, mas se tivesse um cão ou um lambe cxxxxs o assunto já nos era favorável.
Jorge Lage

O sonho de Portugal é fingir que é um país


Alberto Gonçalves OBSERVADOR

O melhor de Portugal são aqueles instantes em que se esforça por simular a aparência de uma nação a sério e acaba a demonstrar espectacularmente que não passa de um equívoco.

O melhor de Portugal? Não, não são as praias, nem o clima, nem a gastronomia, nem sequer a indústria das rotundas. O melhor de Portugal são aqueles instantes em que se esforça por simular a aparência de uma nação a sério e acaba a demonstrar espectacularmente que não passa de um equívoco. É como o saltador à vara que promete recordes e se limita a correr de cabeça contra o colchão, sem vara e sem juízo: temos uma vaga noção do que importa fazer; não temos noção nenhuma dos meios e dos métodos necessários para chegar lá. Nem temos vontade. Em “Seinfeld”, o sonho de George Costanza não era ser arquitecto, mas fingir que era arquitecto. O sonho recorrente de Portugal é fingir que é um país.
A título de exemplo recente, podia falar da “inauguração” das “obras” da ala pediátrica do hospital de São João, que o dr. Costa apadrinhou com pompa, descaramento e demagogia dois ou três antes das “legislativas”. Agora, toda a gente sabe que o projecto, que o governo do dr. Costa suspendeu em 2016 e adiou repetidamente, continua a prosperar apenas nos “media” que divulgam estas rábulas sem escrutínio. Não há obras e não há vergonha.
Podia falar do chefe de Estado, o exacto chefe de Estado que visitou um “espaço” de variedades televisivas para revelar ao povo que talvez, ou talvez não, estivesse doente, e que, de seguida, recebeu em Belém um batalhão de “influencers”. “Influencers” são pessoas que recebem sapatos e esfoliantes por recomendar sapatos e esfoliantes, e o prof. Marcelo conta com elas para debater o futuro da pátria, da Europa e do mundo. Perante o nível dos pensadores tradicionais com quem o prof. Marcelo priva, de Marques Mendes a Marques Lopes, sempre será um progresso.
Podia falar da RTP, o “serviço público” que suspendeu um programa (de Sandra Felgueiras) durante a campanha eleitoral para não contaminar as massas, aliás abúlicas, com a informação de que um secretário de Estado adjudicou um contrato potencial de 380 milhões a uma empresa com 50 mil euros de capital, um ex-secretário de Estado lá dentro e três dias de existência. A RTP tem sessenta e tal anos e a cada um o enxovalho aumenta: entre a miséria rotineira, esta semana houve vagar para uma entrevista hagiográfica ao sr. Lula.
Podia falar das televisões em geral, que repletas de ignorantes e militantes (desculpem a redundância), adoptam as “causas” do momento com o entusiasmo dos simples. Ontem eram os transtornos clínicos da pequena Greta, que os pequenos jornalistas confundem com ecologia. Hoje é o apoio aos “independentistas” catalães, porque não têm legitimidade democrática, e a aversão aos “nacionalistas” britânicos, porque têm legitimidade democrática. Amanhã logo se verá.
Podia falar dos eurodeputados do PCP e do BE, que coerentemente rejeitaram a equivalência do comunismo e do nazismo “decretada” pelo Parlamento Europeu. Embora não espante nenhuma criatura socialmente apta, a resolução do PE conseguiu indignar os quatro camaradas que em boa hora depositámos em Bruxelas e os 900 mil devotos do horror comunista que em péssima hora decidiram permanecer aqui.
Podia falar da nova ministra da Agricultura, que alguns consideraram uma surpresa. Não percebo porquê. Antes do ministério, a dra. Maria do Céu Albuquerque foi secretária de Estado de Nãoseiquê Regional, e antes da secretaria foi autarca em Abrantes. E foi na câmara de Abrantes que a senhora exibiu vastos conhecimentos agrícolas, ao pagar, com dinheiro público e por ajuste directo, 60 mil euros por 30 oliveiras pertencentes a familiares do então seu homólogo de Proença-a-Nova, ontem premiado com a secretaria de Estado das Florestas. Além disso, a dra. Maria do Céu também pagou 515 mil euros – dinheiro alheio – por uns filmes do filho do deputado socialista Pedro Bacelar de Vasconcelos. Provavelmente, as protagonistas dos filmes são as oliveiras, e aguardo com ânsia o lançamento em DVD.
Podia falar da fresquíssima e (por enquanto) opcional disciplina de “História, Culturas e Democracia”, que altera o passado à luz da “culpa” e das “vítimas” e sobretudo da “sensibilidade”, de modo a rimar com a infantilidade dos tempos que correm. É a troca do realismo patriótico pelo realismo mágico, ou de uma realidade ocasionalmente enviesada por uma realidade minuciosamente inventada para acomodar os delírios de burgessos. Quando os burgessos ocupam a mansão, é natural que plantem couves na banheira.
Podia falar, mas não falo. No fundo, reescrever o passado é de somenos: convém é reescrever o presente. Se um dia aparecer por cá vida inteligente, não haverá maneira de acreditar que o que está a acontecer aconteceu mesmo.


Com migalhas enche a galinha o papo


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra      

Nem assim o António Costa, me convence; mesmo que desta vez tenha ganho as eleições. Quem me perde respeito uma vez, perdoo, mas não esqueço. Ficou marcado desde formação da “geringonça”, que agora terminou à espera de arranjar outra “sarilhada” que o aguente mais uns quatro anos no poleiro, e a cantar de galo. O povo gosta de lhe ouvir a cantilena e ele também não desgosta…. Dá o desejo, com vontade de comer.
Vamos a falar doutro assunto: filha de pai português e mãe espanhola, a Laura Fernandes cresceu num paraíso verde, no parque de Arribes del Duero (Arribas do Douro), e ecorregião que Portugal e Espanha partilham, uma área declarada Reserva da Biosfera transfronteiriça Meseta Ibérica, que serve de refúgio para as espécies em extinção, como a águia. Li em jornal do dia 20.
Certamente que deve dar muito gozo experimentar essa sensação de viver num espaço assim, quando se gosta a sério de viver em contato com a Natureza. Agora que os anos passaram e me vem à memória os tempos de infância sinto também saudades do tempo em que na minha aldeia abundava o javali, a corça e a aguia real do Marão que nas Fisgas de Ermelo tinha o seu solar. Até o lobo, fazia parte do conjunto das espécies selvagens que davam harmonia biológica a este pedaço de território transmontano encravado em terras de Basto.  Tudo se vai e como diz o outro: com migalhas enche a galinha o papo
Faz-me pena ver o ser humano perder tempo inutilmente sem aproveitar o pouco tempo que tem de vida. Gasta-se a chatear a ocupar com coisas que não tem importância e deixa as mais importantes por fazer. Ao ver o que se passa em Barcelona leva-me a pensar que algumas pessoas são mesmo destemidas e fazem os outros tremer também. Mas os catalães acabam por perder a razão ao perderem o controle sobre seus atos.  

Dizem-lhe que não podem atendê-lo


Mário Adão Magalhães
À cerca disto já dei notas ligeiras por dois ou três motivos.
Há dias uma médica que conheço pela competência e por isso "ainda" dirige o serviço diz-me: “Quando precisar venha cá e não avise. Apareça mesmo, senão vão sempre dizer-lhe que não podem atendê-lo.”

É que uma das coisas foi assim: sentia-me com muitas dores e como não há respostas, reduzo-me ao meu imenso sofrimento diário que me impede fortemente de ter vida própria. Não posso planear nada. Por vezes uma consulta ou tratamento. É uma vida que não é vida. Ponto. Sentia-me ainda pior. Foi uma terça feira pela manhãzinha. Ligo ao Serviço da Unidade da Dor para ver a possibilidade de ser atendido. Dizem-me que a médica não estava. Que ligasse na outra terça feira para falar com ela “para ver quando me podia atender”. Ligo. A médica diz-me que aparecesse na terça feira seguinte. Na terça feira seguinte a médica não apareceu, e não me avisou.
Lembrei-lhe que no hospital têm os meus contactos, mas ela afirma-me que por ser naquele contexto “não tinha o meu contacto”.
Dá-se o seguinte: eu sofro de “Dor Neuropática” provocada por negligência médica.
Há uns anos tinha consulta de oito em oito dias, um número de telemóvel para ligar, numa emergência. Cabe aqui dizer que ao tempo não se usava muito o telemóvel nem a dinâmica nestes moldes que hoje os hospitais têm. Isto representa que a minha dor neuropática não era brincadeira.
Até ao dia em que fizeram desaparecer o meu processo clínico e haviam preconizado um aparelhinho na coluna, mas mais tarde afirmam “que é muito perigoso instalá-lo”. E deixaram de fornecer umas pomadas que não havia no mercado e só o serviço as disponibilizava, com o argumento de que “a dor é por dentro, e a pomada não faria efeito lá dentro”.
Isto assim para um leigo sabe que este tipo de “terapia” é muito, muito ancestral e que daí terá evoluído para as “pomadas”.
Sucede que após essa falta de processo, o espaço entre as consultas começou a dilatar, chegando por fim a quase doze meses. Mas o processo, o processo clínico, esse desapareceu, tal como de outros doentes. Só que, e como uma paciente me contou, andava na médica dela “também no consultório particular, e lhe disse: “Ai sim! Então vá lá amanhã que ele aparece”.
E como assumo, vai assinado como uso e confirmo com o sê-lo branco. Ninguém o vê.

sábado, 19 de outubro de 2019

“E eu a cuidar” teve honras em Bragança

Hernâni  Dias (Presidente da Câmara Municipal de Bragança), Hirondino Fernandes e  Hemrique Pereira






Hirondino da Paixão Fernandes é, talvez, o escritor transmontano vivo com mais volumosa obra publicada. Dela e do seu curriculum não trata este modesto escrito que serve apenas para avivar a memória deste autor residente para lá dos montes.
“E eu a cuidar”, é uma colectânea de pequenos contos com temática transmontana, onde são exaltadas expressões e linguagem popular da região, há muito perdidas no tempo, agora reunidos numa publicação patrocinada pela Câmara Municipal de Bragança.
Esta publicação teve o empenho do Professor Henrique Pereira (docente da universidade católica do Porto).





Apresentado o volume a semana passada na Biblioteca Municipal de Bragança, reúne um conjunto de contos que o autor, ao longo de três décadas, foi publicando em revistas e jornais. Dois deles (O Rafeiro, e A Pedresa), foram publicados, em 2018, na Antologia de Autores Transmontanos, Durienses e da Beira Transmontana, Ed. Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro de Lisboa (imp. Exoterra).