domingo, 25 de outubro de 2026

"Horácio - Poesia Completa" - Trad. Frederico Lourenço

"Horácio - Poesia Completa", com tradução, fixação e anotações do helenista e latinista Frederico Lourenço, é um dos marcos editoriais mais importantes dos Estudos Clássicos em língua portuguesa. Lançada em Portugal pela Quetzal Editores (2023) e no Brasil pela Companhia das Letras (2026), esta obra constitui a primeira edição integral e bilingue da poesia de Horácio publicada em Portugal desde o século XVII.

Caraterísticas Principais da Edição

Edição Bilingue Integral: Apresenta o texto original em latim clássico lado a lado com a tradução em português.

Tradução sem Censura: Pela primeira vez, resgata-se a sexualidade franca e a crueza original dos versos de Horácio, elementos que foram sistematicamente expurgados ou suavizados em traduções de séculos anteriores.

Anotações de Contexto: O aparato de notas preparado por Frederico Lourenço (professor da Universidade de Coimbra) mapeia os intertextos do autor romano e traça paralelos explícitos com a tradição literária portuguesa, destacando os ecos de Horácio em Luís de Camões e na heteronímia de Ricardo Reis (Fernando Pessoa).

“MEMÓRIAS DA CASA GRANDE” – CARLA GUERREIRO

LEONEL DIAS


“Há, porém, algo que conservo, como uma alma secreta e que o tempo não apagará, enquanto se conservar em mim um só tijolo da minha edificação… as memórias.” … “Por isso e para que as memórias não se extraviem é preciso aconchegá-las. Que esta evocação seja o aconchego que a escrita permite à memória, tornando-a imortal.” (Página 14)

Depois da leitura de “Terra d`Encontros”, obra publicada em 2016, de Carla Guerreiro em coautoria com Lídia Santos, e que bastante me agradou, o lagoaceiro (El)Miro Barbeiro, primo por afinidade, ofereceu-me, com a devida dedicatória, “Memórias da Casa Grande”, da autoria de Clara Guerreiro, licenciada em Português-Inglês, investigadora e autora ligada ao ensino da língua portuguesa e à literatura, cuja leitura contribuiu para um melhor conhecimento das gentes transmontanas, da sua mentalidade e forma de ser e estar.

A autora, neste Livro, empresta voz, emoções e memória à Casa Grande sita na imaginária povoação transmontana de Benquerença, aldeia do concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, encrustada entre Portugal e Espanha e berço dos seus afetos (o que leva a pensar tratar-se da aldeia de Lagoaça), dando-nos ao longo de 11 capítulos contos de amor, afetos e ternura falando das suas memórias afetivas e pequenos dramas que foram relevantes para si, criando personagens e histórias ficcionais, num território isolado do resto do país onde, talvez por esse isolamento, essas tradições foram preservadas e que a escrita tornará imortal.

Carla Guerreiro, com “Memórias da Casa Grande”, homenageia a capacidade de resistência do povo transmontano, com enfoque nos moradores das aldeias do concelho de Freixo de Espada-à-Cinta, pela capacidade de ultrapassar o isolamento e os custos da interioridade, recusando-se a abandonar o torrão natal.

"Ai se as paredes falassem…", ouvimos dizer... E foi desta ideia que nasceu este projeto da Carla Guerreiro cuja leitura vivamente recomendo, sobretudo aos membros do Grupo “Amigos de Lagoaça”, para que as memórias se aconcheguem e não se percam.

 

Sob as tendas, o terror - Alberto Gonçalves



Alberto Gonçalves - OBSERVADOR

 

Sob as tendas, o terror

Não convém permitir que a comédia involuntária das “acampadas” lhes esconda a natureza e os propósitos: a destruição em larga escala, inclusive dos princípios que damos por adquiridos.

24 out. 2026

“Homem com bandeira de Israel invade concentração no Rossio e é retirado pela PSP”, informou a imprescindível Agência Lusa.

 

Repare-se no uso do verbo “invadir”, a sugerir que o homem não pertencia à “concentração” e tentou integrá-la de modo abusivo e quiçá ilegal. A infracção cometida não passou por ostentar a bandeira de um país estrangeiro numa manifestação que alegadamente protesta um problema português: não encontrei um único artigo em que a Lusa chamasse invasores aos homens e mulheres que têm acampado no Rossio com bandeiras da “Palestina” ou sem quaisquer bandeiras. Não vi em lado nenhum notícias de que, ao contrário do que sucedeu no referido caso, as bandeiras da “Palestina” e os lencinhos “fedayin” valessem aos respectivos portadores insultos, agressões e a necessidade de serem escoltados pela polícia. Para a Lusa, deduz-se, os manifestantes não só têm pleno direito de ocupar praças públicas, a vandalizar estátuas e a emporcalhar as imediações, como estão habilitados a seleccionar os candidatos a participar na pândega – e a filtrar a iconografia exibida. Porquê? Que se saiba, o indivíduo insultado e agredido pelos manifestantes pacíficos não era senhorio ou especulador imobiliário. Que se saiba, não há relação entre símbolos judaicos e o custo das casas em Lisboa e no Porto. Que se saiba, o indivíduo, à semelhança dos restantes, apenas queria juntar a sua voz aos que reclamam a dificuldade de comprar ou arrendar um apartamento no nosso país e, à semelhança de alguns dos restantes, levou a bandeira que lhe apeteceu. As assembleias “populares” realizadas nos acampamentos são pela liberdade, não são? E os acampamentos são sobre habitação, não são?

Não e não. Claro que os métodos leninistas não têm nada a ver com liberdade e os acampamentos têm pouco a ver com habitação. E este recorrente erro é culpa da generalidade dos “media”, que o repete a cada “directo” televisivo ou texto de jornal. Os campistas não têm culpa. Os campistas fartam-se de dizer o que de facto querem, ou com o que de facto sonham. E não o dizem em surdina, mas de megafone na mão. Uns exigem que se acabe com os “cães fascistas” (deve ser uma raça desagradável; por sorte, dos meus cinco rafeiros não há sequer um que mostre apetência para aderir a bandos de fanáticos ou que dê sinais de anti-semitismo). Outros proclamam “morte a Israel e aos israelitas”. Outros ainda pedem a “destruição do capitalismo” ou a “globalização da intifada”. Uma senhora com o cabelo verde intimou as massas: “Temos que ter mais raiva. Temos que fazer com que os políticos tenham medo de sair à rua.” E há os que divagam, sempre aos berros, acerca do clima, do colonialismo, do racismo, do feminismo, do movimento LGBT, de Trump e das demais modas que condizem muito bem com as tonalidades mais ousadas da L’Oréal Paris e dois piercings nas pálpebras. Mas não condizem de todo com o preço da renda de um T1 nas Amoreiras.

Conforme confessam nas entrelinhas de tudo o que guincham, os campistas “pela habitação” pairam na D. João I e no Rossio por ordem dos partidos assumida ou disfarçadamente radicais a que pertencem, os quais encontram na rua, aliás o seu habitat, uma alternativa ao fracasso nas urnas. Se realmente se afligissem com a dificuldade no acesso a casa própria, aqueles meninos e meninas guinchariam contra os governos socialistas, que abriram as fronteiras e, através de leis fatídicas e punições fiscais, fecharam a confiança de proprietários e investidores. Mas não. Na época dos governos do dr. Costa, com ou sem “geringonça”, não houve “acampadas”, esse grotesco neologismo que os babados reproduzem. As “acampadas” acontecem agora em parte para contestar o governo actual, que a tradição e os comentadores televisivos convencionaram colocar à “direita”. Sobretudo, os acampamentos são a importação possível do caos que vigora, ou que se procura implantar, pela Europa afora, e cujo alvo é o que também se convencionou designar por Ocidente.

Se Portugal não caiu na devastação sem retorno por exemplo da França, é somente por faltar força às forças empenhadas em devastar o que calha. Os campistas nacionais não carecem de raiva, que já possuem de sobra: carecem da adesão de cidadãos “comuns”, leia-se sujeitos que trabalham e não dispõem de vagar nem inclinação para pastiches revolucionários, e principalmente carecem da aliança estratégica com multidões de jihadistas genuínos, muçulmanos de 2.ª e 3.ª gerações empenhados em retribuir a hospitalidade dos infiéis com a extinção dos mesmos.

Por isso, os campistas de trazer por casa, perdão, por tenda limitam-se em geral e por enquanto em fornecer generoso alimento ao anedotário indígena. Tem piada ouvir a rapaziada que fala às reportagens e não consegue expressar a sombra de um esboço da caricatura de uma ideia. Tem piada observar, evidentemente a partir do sofá da sala, o aspecto circense da maioria da rapaziada. Tem piada constatar que, impedida de montar barracas, numa das noites a rapaziada recorreu a sacos-cama. Tem imensa piada ler que, no dia seguinte, a rapaziada acordou resfriada e trocou nova dormida ao relento por um minuto de silêncio em “conchinha”. Etc.

Porém, não convém permitir que a comédia involuntária das “acampadas” lhes esconda a natureza e os propósitos. Essa gente aguarda unicamente pelo número e pela oportunidade para proceder à destruição em larga escala, inclusive dos princípios que damos por adquiridos e, melhor ou pior, nos mantêm do lado de cá da civilização. Essa gente não pode ser legitimada – ou “normalizada”, em jargão contemporâneo – mediante “diálogo” e reuniões sérias com políticos que pretendem ser levados a sério. Essa gente, que na quase totalidade coincide com a extrema-esquerda, é um perigo tanto maior quanto o ignorarmos ou tratarmos com suicida tolerância. Se a deixarem, essa gente não gastará iguais mesuras connosco.


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

IV Colóquio Viário do Marão — Povoamento e vias de comunicação ao longo da História

Biblioteca de Vila Real

O IV Colóquio Viário do Marão — Povoamento e vias de comunicação ao longo da História vai decorrer nos próximos dias 24 e 25 de outubro, na Biblioteca Municipal de Vila Real, também com transmissão em linha via YouTube.

O principal objetivo deste encontro científico e cultural é promover o conhecimento, o estudo e a divulgação da história e das dinâmicas territoriais da região. O programa cruza o rigor histórico com o interesse cívico, procurando promover o diálogo entre investigadores, instituições culturais, autarquias e cidadãos, fomentando uma reflexão alargada sobre a identidade patrimonial do território.

Abaixo, destacamos as principais informações práticas para a participação:

·       Inscrições: A entrada é livre, mas sujeita a inscrição prévia até ao dia 18 de outubro, através do formulário. O número de inscrições presenciais é limitado pela capacidade do auditório.

·       Acreditação para Docentes: O programa de sábado, dia 24, está acreditado pelo Centro de Formação do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) como Ação de Curta Duração (ACD) para os docentes que assistirem presencialmente.

·       Visita Guiada: A visita "De Vila Real à Campeã: visita a dois troços lajeados da antiga Via do Marão" (dia 25) tem partida de autocarro junto à Biblioteca Municipal de Vila Real. As inscrições são limitadas à lotação do autocarro. Aconselha-se o uso de roupa e calçado apropriados para caminhada (nível de dificuldade: de fácil a moderado).

A organização do Colóquio resulta de uma parceria entre a Biblioteca Municipal de Vila Real, a Universidade Politécnica de Bragança (UPB), o CITCEM - Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória» (FLUP - Universidade do Porto) e a Junta de Freguesia da Campeã. 

A iniciativa congrega ainda um conjunto diversificado de entidades empenhadas na salvaguarda do património regional: Município de Vila Real, Super Bock Group, Dourogas, Centro de Formação do Sindicato dos Professores do Norte, Fundação da Casa de Mateus e associação cultural Batuta Fidalga.


QUEM VÊ O SEU POVO de AMADEU FERREIRA

LEONEL  DIAS

Quando da minha estadia, por oito deliciosos e inesquecíveis dias, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, para assistir às Festas em honra de Santo António, em Lagoaça, desloquei-me, algumas vezes, ao Posto de Turismo da sede do concelho e aí, por querer compreender melhor a vida numa aldeia transmontana (sou até à medula citadino), adquiri o Livro “QUEM VÊ O SEU POVO…” de AMADEU (JOSÉ) FERREIRA, e em boa hora o fiz.

AMADEU (JOSÉ) FERREIRA, foi coronel piloto-aviador, nascido em Fornos - que com Lagoaça constitui uma das freguesias do concelho de Freixo - tendo exercido importantes funções militares, entre as quais, professor do Instituto de Altos Estudos Militares. A par da riquíssima carreira militar, tem vasta obra literária traduzida em contos, romances, monografias e múltiplas colaborações em jornais e revistas militares e civis.

QUEM VÊ O SEU POVO…” é um livro, publicado em 1999, marcadamente atual, que dá gosto ler e enriquece-nos culturalmente pela investigação histórica, pelo relato das tradições da região e, sobretudo, pela preservação da memória e do património etnográfico do concelho. A Obra reúne descrições, testemunhos e reflexões sobre as tradições, os costumes, crenças e o quotidiano das comunidades do concelho de Freixo. De fácil leitura, numa linguagem simples, o livro faz-nos viajar sobre festas populares, rituais religiosos e profanos, lendas, provérbios, superstições, crendices, trabalhos agrícolas, a gastronomia a par de diversas manifestações de cunho popular e da cultura tradicional, factos da maior importância para a compreensão da historiografia local.

Concluo, referindo que este meritório trabalho de AMADEU (JOSÉ) FERREIRA,  de recolha de memórias, das tradições, de histórias preservadas por via oral, dos costumes do concelho, baseado num brilhante trabalho de investigação histórica e da memória oral das populações, constitui um importante contributo para o estudo da etnografia local, facto que levou a edilidade de Freixo de Espada â Cinta a apoiar a edição da Obra, em 1999, e a mim a recomendar veementemente, ao Grupo dos “Amigos de Lagoaça”, a leitura desta exemplar e importante Obra.

 

Contos de Fadas Turcos

Os contos de fadas turcos (conhecidos localmente como Masalları) constituem uma tradição literária riquíssima que reflete um caldeirão cultural único. Estas histórias entrelaçam mitos xamânicos da Ásia Central, folclore islâmico, memórias bizantinas e influências multiculturais, criando um universo mágico completamente diferente do ocidental.

Se procura explorar este universo literário em português, a editora Guerra e Paz lançou recentemente uma antologia marcante intitulada Contos de Fadas Turcos. Esta edição é magnificamente ilustrada com miniaturas otomanas e persas históricas.

 

Elementos Marcantes dos Contos Turcos

 

Os contos tradicionais turcos foram transmitidos ao longo dos séculos por dervixes, viajantes e narradores nos cafés otomanos. Eles distinguem-se por elementos muito específicos:

• Criaturas Mágicas Únicas: Presença frequente de parī (fadas/génios da mitologia persa e islâmica), efrits (demónios poderosos), bruxas malvadas e génios.

• Simbolismo de Cores e Animais: Heróis guiados por pássaros cor de laranja, heróis que voam em escudos ou tapetes mágicos e o uso ritual de queimar pedaços de asas para invocar auxílio.

• Geografia Encantada: As narrativas cruzam montanhas encantadas, jardins paradisíacos onde as árvores brilham e descidas profundas até aos círculos do Inferno para salvar donzelas.

 

Grandes Histórias de Referência

 

Dentro do folclore turco, destacam-se contos clássicos que moldam o imaginário do país:

• «Sahmeran, A Rainha das Serpentes»: Uma criatura lendária metade mulher e metade serpente que guarda segredos de sabedoria e cura.

• «As Três Fadas das Laranjas»: Uma narrativa vibrante repleta de provações, feitiçaria e redenção.

• «O Príncipe Veado»: Um conto clássico de metamorfose, focado nos laços de lealdade e na superação da inveja.

 

"Horácio - Poesia Completa" - Trad. Frederico Lourenço

"Horácio - Poesia Completa" , com tradução, fixação e anotações do helenista e latinista Frederico Lourenço , é um dos marcos edit...

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