segunda-feira, 11 de maio de 2026

A «Crónica Lisboeta» do Jorge Golias

 

JORGE  LAGE


Desculpem a informalidade, mas, na escrita gosto dela e poucas são as vezes que cumpro com a formal civilidade, mesmo com os desconhecidos.

Duma assentada li duas crónicas do Jorge, cada qual a mais interessante, a primeira açoriana, por força da deslocação militar, ao que penso, lá foi o Jorge para os Açores uns tempos, onde se tornou pescador e gastrónomo quanto baste.

A crónica do Chiado tinha que ser mais intelectual e magistral, porque os figurões e criadores literários eternizaram-se pelo seu gigantesco talento. Logo, o Coronel Jorge Golias tinha que subir a parada e fundamentar toda a elevação.

Assim, nesta crónica, o Pessoa da Mensagem não esteve com meias medidas e contratou, não sei se inspirou no José Malhoa ou outro artista, apresentando 3 figurões para guarda-costas. Assim, enquanto o público se distraía com Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro Campos, Fernando Pessoa podia ir até ao Martinho da Arcada e, na mesa habitual, pode ser apanhado por algum citadino bisbilhoteiro, «em flagrante delitro» do néctar de colares ou alentejano, pelos quais o Baco se roeria de inveja.

O Luís de Camões, como flaviense (sim, o único local em que a tradição oral popular indica a casa em que o épico nasceu, Nantes), de sangue galego, encarna a máxima que assenta, em muitas situações aos portugueses e que ele fez jus à exaustão: «putas e vinho verde». Estourava o pouco que tinha e que não tinha. Foi a moralidade de seiscentos que nos privou de a sua vida desde o nascimento até à ida para Ceuta.

Talvez uma das mulheres da vida dele o terá levado a Ceuta. Pouco depois, numa festa do Corpo de Deus uma rixa atirou-o para a Cadeia do Tronco e de seguida para as naus da carreira marítima do Oriente. Desconfio que foi para justificar os gastos à tripa forra, dele e doutros, em três anos de abundância em Macau, sem assentamentos e contas prestadas, que o barco de regresso que o trouxe de novo a Goa terá naufragado. Onde perdeu a sua querida chinesa Di Na Mem e talvez a filha de muita tenra idade.

Aliás, alguns dos grandes escritores tiveram uma vida muito precária e foi o facto de viverem momentos dificílimos, que se lhes «aguçou o engenho», como diz o povo. Por exemplo, Miguel Cervantes, Honoré de Balzac, Camilo Castelo Branco e o próprio Luís de Camões não teriam subido tão alto na criatividade literária.

Por fim, vou decifrar a interessante sigla, «CNX02MAI2026JG85» que o Jorge deixa sempre no final das crónicas para que leitores futuros não tenham dores de cabeça ou dúvidas: CNX, é a abreviatura de Carnaxide, onde vive; 02MAI2026 a data da escrita; JG as iniciais do nome (Jorge Sales Golias); 85 a provecta idade do autor. Esta todos os anos vai aumentando e rijo como uma rocha transmontana.

Parabéns, Jorge! Por tanta fluência da pena, tanto saber e tanta elevação na escrita!

https://tempocaminhado.blogspot.com/2026/05/cronica-lisboeta.html

 

" A BABA DO LOBO" - Teatro Taborda

 

" A BABA DO LOBO" - Teatro Taborda | 29 e 30 Maio

 

                                                              Cara(o) Consócia(o),  

A Direção da CTMAD vem dar conhecimento aos seus associados, e a pedido do Sr Roberto Fernandes, convite e  informação sobre o espetáculo  a apresentar no "TEATRO TABORDA" em Lisboanos dias 29 e 30 de maio às 21 horas com o acolhimento do Teatro Garagem.

 

Segue Link para mais informações e imagens em anexo

https://cempalcos.com/trabalhos/a-baba-do-lobo/

            A Direção da CTMAD

Saudações Transmontanas e Durienses

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Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro

Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.

1000-081 Lisboa

http://ctmad.pt/

Histórias da música mecânica coleccionadas por Joaquim Teixeira


 

domingo, 10 de maio de 2026

O discurso de Putin na Praça Vermelha



 Jorge Silva Carvalho

 @JMJSCarvalho

May 9

O discurso de Putin na Praça Vermelha hoje foi exatamente o que se esperava de um homem que passou a vida a construir narrativas de poder.

Tecnicamente irrepreensível. Emocionalmente calibrado. Politicamente vazio e sem aderência à realidade.

Invocou os valores mais profundos da alma russa: o sacrifício da Grande Guerra Patriótica, a espiritualidade ortodoxa, a comunidade e a missão histórica. São valores reais. Calam fundo numa população que perdeu 27 a 30 milhões de pessoas e guarda esse trauma como ferida coletiva. O problema não são os valores. O problema é o homem que os usa.

Produto do KGB, uma instituição que ensina acima de tudo a usar a linguagem como ferramenta de poder, não como expressão de verdade. Putin acumulou uma das maiores fortunas pessoais da história (estimada entre 70 e 200 mil milhões de dólares) através de um sistema de captura do Estado que enriqueceu um círculo restrito de oligarcas em troca de lealdade. Os valores que invoca hoje (sacrifício, espiritualidade, verdade histórica) são o oposto exato do que praticou em 25 anos de poder. Clássico populismo autoritário: o líder que fala em nome do povo enquanto o saqueia.

A Igreja Ortodoxa é o exemplo mais puro desta instrumentalização. O Patriarca Kirill (ele próprio suspeito de ter sido agente do KGB) tornou-se o braço espiritual do regime, abençoando a guerra na Ucrânia como missão sagrada. O Kremlin dá à Igreja prestígio e financiamento. A Igreja dá ao Kremlin legitimidade transcendente. O povo recebe a mensagem de que a guerra é uma cruzada e não a aventura imperial de um homem que quer entrar para a história.

O perfil narcisístico de Putin é clinicamente relevante: a convicção de ter uma missão histórica especial, de ser insubstituível, de que as regras normais não se aplicam. Explica a invasão da Ucrânia muito melhor do que qualquer análise geopolítica racional.

Putin não calculou mal os custos. É que os custos para os outros simplesmente não entram na equação.

O desfile de hoje foi a manifestação mais clara desta dinâmica: com cadetes das principais escolas militares ausentes pela primeira vez em anos, pedido de cessar-fogo para proteger o evento, o general de Bucha nomeado para comandar a força aérea – e ainda assim o discurso de vitória.

Enquanto Zyuganov – líder histórico do Partido Comunista e voz de dentro do próprio sistema – evocava no parlamento o espectro de 1917, o ano em que a Rússia imperial colapsou sob o peso da guerra e do descontentamento popular, a aprovação de Putin caía 12 pontos desde janeiro. Não é um aviso que vem de fora. É um aviso que vem de dentro.

O narcisismo exige a performance, mesmo quando a realidade a contradiz.

A eficácia do discurso não se mede pela autenticidade, mas pela receção. E aqui é preciso ser justo com a complexidade russa. Os valores que Putin instrumentaliza são genuínos. Mas a memória da humilhação dos anos 90 e o sentimento de que o Ocidente não respeita a Rússia foram em grande medida uma construção sua, não uma realidade vivida pelo povo comum. O Ocidente não rejeita a Rússia: tentou repetidamente lidar com ela como parceiro. O que o Ocidente não aceita é esta Rússia corrupta, abusiva e sem respeito pelos direitos humanos que Putin construiu.

O que o discurso faz é criar uma ponte entre esses sentimentos nacionais reais e uma guerra que a maioria dos russos não escolheria se tivesse informação completa.

A analogia com a Grande Guerra Patriótica é historicamente absurda, mas emocionalmente poderosa para quem perdeu avós em Estalinegrado.

A questão não é se Putin acredita nos valores que invoca (provavelmente não).

A questão é se o povo russo ainda acredita quando o homem que os invoca pede cessar-fogo para proteger um desfile sem tanques, com um general de Bucha à frente da força aérea, enquanto a economia contrai e os filhos não voltam.

Os valores são reais.

O homem que os usa é outra coisa.

#Putin #VictoryDay2026 #Ucrânia #Geopolitica #Russia #9deMaio

National Syndicalism

 

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Desfile de viúvas Russas

 

Abriu Miradouro das Fisgas de Ermelo

 

Parque Ecológico concluído em 2027

 

sábado, 9 de maio de 2026

Operações clandestinas (espionagem) da Rússia na Alemanha


 

Livro de Ernesto Rodrigues na FNAC - Av. de Roma 11 A - LISBOA

 Cara(o) Consócia(o),  


A Direção da CTMAD vem dar conhecimento aos seus associados, e a pedido do Dr. Ernesto Rodrigues, convite para apresentação do livro 
"GOLPE DE ESTADO", da sua autoria, no dia 14 de maio (quinta-feira) às 18 horas na FNAC, sito na na Av de Roma 11 A em Lisboa.

Ver Convite anexo

            A Direção da CTMAD

Saudações Transmontanas e Durienses

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Casa de Trás-os-Montes e Alto Douro
Campo Pequeno, 50 - 3º Esq.
1000-081 Lisboa



A «Crónica Lisboeta» do Jorge Golias

  JORGE  LAGE Desculpem a informalidade, mas, na escrita gosto dela e poucas são as vezes que cumpro com a formal civilidade, mesmo com os...

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