Boa tarde!
A esposa do amigo, António Chaves, partiu ontem 26/06/2021.
O amigo Coronel Jorge Golias dedica-lhe de imediato uma “Crónica Triste” da
sua autoria. Pela beleza e pela tristeza entendi partilhá-la com alguns amigos
da nossa região
Deus a tenha em bom lugar.
Parabéns ao Coronel Jorge Golias.
Abraço amigo,
Jorge Lage.
JORGE GOLIAS
A Teresa cata a Safira e
canta. Não sei o quê, nem ela saberá. Toca o meu Tm, saio da sala e refugio-me
no quarto. Oiço o António soluçar. Balbucia umas frases que mal entendo e
adivinho que morreu a Cândida, aquela amiga por quem um dia rezei e pus amigos
a rezar. É a sexta amiga/amigo que morre nesta janela da pandemia. Sim, foi com
o vírus, depois de mais de 4 meses de coma.
O Alexandre saiu há pouco
na sua cadeira de rodas GT, que faz demasiadas coisas e não cumpre o essencial,
que é aguentá-lo, sem partir. Porque já partiu. São quase 18 horas, o Alex só
volta perto da meia noite.
Neste tempo de espera,
descanso, estendido no sofá, leio o jornal, ou um livro, dormitando a espaços, ganhando
forças para a noite. Estas seis horas trissemanais são o espaço e o tempo do
recobro de um dia de stresses vários.
A Cândida queria que fôssemos
todos ao Barroso, passear pelo Gerês e pela sua aldeia, Vilarinho de Negrões,
que é uma das mais bonitas de Portugal. Havemos de fazer-te a vontade, Cândida.
Um dia estaremos em comunhão contigo, no teu país Barroso, que tem tanta coisa
boa: língua, história, literatura e os usos e costumes comunitários, hoje uma
memória do passado: o boi do povo, o forno do povo, os baldios do povo, antes
da espoliação.
A Teresa cantarola e cata
a gata, que não cura com o spray da farmácia. Vou esperar que páre de cantar
para lhe contar que mais uma das suas amigas partiu, assim, sem mais nem menos,
para o além, que cada vez fica mais perto.
A gata saltou e fugiu ao
martírio da sua purificação. A Teresa parou de cantar e eu vou parar de
escrever para lhe dizer: -Teresa, a Cândida… partiu!
A Teresa chora a amiga e
acende uma velinha. Eu sabia que ela ia fazer isso, aqui num quase altar ao
lado do seu lugar. Assim, custa menos. A velinha acesa, que afinal são duas,
vai ajudar a amiga na sua longa viagem cósmica. Até ao fim dos tempos. Até que
todos não sejamos nada.
Estamos ambos a pensar o
mesmo e ambos estamos na mesma bolha. Daqui vê-se mal tudo o resto que passa
por aí: a política, o futebol, os fait-divers, o que for é assunto menor
perante o nosso assunto mor.
De vez em quando furo a
bolha e salto para o mundo profano. Caminho com destino nas funções do macho
que busca os alimentos para a família. Regresso, carregado e cansado, mas feliz
porque alguém anseia por me ver chegar. Eu trago sempre o que faz falta e mais
do que essa carga exterior trago a minha força interior. De onde me vem? Não sei!
Estou aí para trabalhar e durar.
Hoje o ar carregou
demais. Os amigos e as amigas são o melhor que todos temos. Quando um/uma falta
percebemos melhor o bem que nos fazem. E não é preciso a presença nem o
contacto, basta sabermos que estão ali, pensando em nós e rezando para que a
vida nos seja mais leve.
Adeus Cândida, querida
amiga, companheira do António Chaves, nosso querido amigo, que hoje abraçamos
com mais força. Hoje voltamos a rezar por ti, Cândida. Até sempre!
26 de Junho de 2021 JG80


Belo cântico apesar de triste. Condolências ao Dr. António Chaves. Sempre muito tristes as partidas...
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