sexta-feira, 17 de julho de 2026

A campanha e o método (no caso de Luís Neves)

Jorge Silva Carvalho 

@JMJSCarvalho

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A campanha e o método

Conheço Luís Neves desde os catorze anos. Nunca fomos muito próximos. As nossas vidas correram paralelas, a minha nos serviços de informações, a dele na Polícia Judiciária.

Este texto não é a defesa de um amigo. É a análise de um método. E escrevo com a autoridade de quem foi alvo do mesmo.

Cometi erros, erros que tiveram consequências, incluindo no plano criminal, mas cometidos, na minha convicção de então e de hoje, na defesa do próprio Estado.

Quem passou por isso aprende a distinguir o escrutínio legítimo da campanha que apenas visa deitar alguém abaixo, por política, por inveja ou por qualquer outro motivo.

Primeiro, a substância.

Nada do que foi publicado configura, até hoje, indício de crime. Existem questões de procedimento e de ética, de lana caprina face ao que se insinua, e essas têm sede própria de avaliação, com contraditório.

Podem e devem ser escrutinadas. Não é disso que se trata aqui.

Segundo, o método.

Drones sobre propriedade privada. Entrada em terrenos alheios. Exposição das residências e da família de um homem que dirigiu a Unidade Nacional Contra-Terrorismo e a Polícia Judiciária e que, por isso, tem inimigos reais e permanentes. A prova relevante é documental, não visual.

Quem tem provas não precisa de tropelias. Isto não é jornalismo de investigação. É jornalismo que parte da bufaria.

E, tratando-se do titular da segurança interna, é um problema objectivo de segurança do Estado.

Terceiro, a mecânica. Estas campanhas visam fabricar uma aparência de suspeita que funcione como profecia a cumprir: pressionar o Ministério Público para que a acusação surja, sabendo-se que tantas acusações assim geradas nunca chegam a condenação.

Nessa altura, porém, o objectivo já foi atingido: a anulação pública e política. Conheço o guião.

E há a pena antecipada. Luís Neves já está a pagar, na praça pública das redes sociais, um julgamento sem processo, sem prova e sem defesa, feito de visões redutoras do mundo.

Há erros de vida e falhas de avaliação que nada têm de crime.

Mas a sociedade informacional amplifica a falha menor e abafa o essencial: um percurso que deu à Polícia Judiciária credibilidade internacional e eficácia acima da média.

Um homem que o Estado deveria propor para condecoração está a ser consumido por aquilo que de pior temos como país.

O escrutínio é um dever da democracia. A bufaria organizada é a sua corrupção.

Este caso já não é sobre Luís Neves.

É sobre quem organiza a campanha e sobre o que pretende conseguir e cobrar.

 

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