Miguel Esteves Cardoso
17/11/2015 – in: JORNAL PÚBLICO
Mais uma vez, os cidadãos da
França dão ao mundo um exemplo de firmeza e maturidade civilizacional.
O Presidente François Hollande
mais uma vez mostrou incorporar as mais admiráveis virtudes da república
francesa.
O discurso que fez ontem em
Versalhes foi corajoso, prático e, acima de tudo, claro. Mostrando a poderosa
utilidade do laicismo, Hollande defendeu que foram franceses que assassinaram
franceses. Está correcto.
Recusando-se a falar noutras
identidades religiosas ou culturais que só servem para estabelecer a confusão e
a cegueira, Hollande propôs levar à votação medidas severas para poder reforçar
a segurança do Estado contra os ataques e os assassinos terroristas.
Não é apenas François Hollande
que suscita o nosso afecto e respeito: mais uma vez, os cidadãos da França dão
ao mundo um exemplo de firmeza e maturidade civilizacional.
É uma civilização de perpétua
polémica, de insistência na diferença e no debate, cuja saúde cultural vem
dessa sempre inquieta e acesa discussão. Nem sequer se procuram consensos.
Procuram-se as luzes e as faíscas dos confrontos de ideias e de paixões: é o
contrário duma paz calada e chocha.
Hollande, como todos os
presidentes franceses, é impiedosamente atacado desde o dia em que tomou posse.
Mas também é apoiado por muitos dos maiores detractores quando a república de
todos os cidadãos é atacada.
É plausível pensar que se não
fosse Hollande o presidente mas outro político francês, da mesma ou doutra
força política, teria a mesma coragem, frontalidade e sentido de Estado. É,
também, consolador.


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