sábado, 2 de maio de 2026

O Nascimento de um Reino

 

·         “…quam (filiam) rex dedit maritatam Enrico comiti, et dotavit eam magnifice, dans Portugalensem terram jure hereditario.”

·         “…a qual (filha) o rei deu em casamento ao conde Henrique, e a dotou magnificamente, dando-lhe a terra de Portugal por direito hereditário.”

Estas palavras, preservadas na Chronica Adefonsi Imperatoris, encerram em si o segredo jurídico da fundação de Portugal. No século XII, a política não se fazia apenas com a espada, mas com o pergaminho. Ao ditar que a terra era entregue por “direito hereditário”, Afonso VI de Leão não estava apenas a honrar um genro; estava, sem o saber, a ceder os alicerces de uma futura coroa. O que começou como um dote magnífico para uma filha favorita, transformou-se na base legal para que um neto reivindicasse a suserania absoluta.

O valor histórico desta passagem é redobrado pela origem da sua pena. Não estamos perante o relato parcial de um cronista portucalense a tentar inventar uma legitimidade para o seu rei; pelo contrário, estas linhas foram traçadas na corte de Leão, destinadas a glorificar Afonso VII, o “Imperador”. O facto de um cronista leonês admitir explicitamente que a terra foi dada jure hereditario – e não apenas como um usufruto temporário – confere ao documento uma autoridade incontestável. É a confissão do próprio “império” sobre a natureza definitiva daquela doação, tornando esta fonte mais credível do que qualquer crónica posterior produzida em solo português.

FONTE: https://guimaraesagora.pt/o-nascimento-de-um-reino/

Sem comentários:

Enviar um comentário

O Nascimento de um Reino

  ·          “…quam (filiam) rex dedit maritatam Enrico comiti, et dotavit eam magnifice, dans Portugalensem terram jure hereditario.” ·  ...

Os mais lidos