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| Carlos D,Abreu |
Ritos e Mistérios
Transmontanos, volume II, Âncora Editora, Lisboa, 2015, no âmbito da Festa de
S. Martinho de Maçores, organização dos Mordomos de S. Martinho e Associação
Cultural e Recreativa de Maçores, na antiga Escola Primária, cuja mesa foi
presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo, a 14 de
Novembro de 2015, pelas 14h30, por Carlos d’Abreu.
Saúdo
a todos e agradeço a vossa presença.
Sejam
bem-vindos os que hoje nos visitam. Maçores foi e é uma terra hospitaleira, não
fora transmontana e raiana.
Dou
os parabéns aos mordomos da festa, pelo bonito programa que nos apresentam.
A
Festa, a festa grande de qualquer povo, povo aqui no sentido de comunidade de
vizinhos, serviu desde tempos imemoriais para reforçar os laços entre os seus
membros e, não deixando ela hoje nesta Região de continuar a servir esses fins,
promove também o reencontro com aqueles que tiveram de ir ganhar o pão a outras
paragens e se veem afastados do torrão natal ao longo da maior parte do ano.
A
festa a S. Martinho foi sempre a festa maior desta Freguesia; uma festa já fora
do tempo normal das festas no tempo que corre, pois os dias grandes e cálidos
concentram a grande maioria das festividades, por ser o Estio tempo de férias
por excelência e nele regressarem os emigrantes, realidade que forçou o
calendário hagiológico a certa versatilidade.
Mas
no caso da festa de Maçores isso nunca aconteceu, a não ser o pormenor de nos
últimos anos se ter ligeiramente adaptado o feriado da Freguesia às exigências
da vida moderna, antecipando-o ou adiando-o dois ou três dias por forma a
coincidir com o fimde-semana mais próximo, dando assim possibilidade aos filhos
e amigos da terra que trabalham fora – e hoje em dia sabemos que são a maioria
– poderem desfrutar também do convívio patrocinado pela festa, aliás, festa sem
gente não faz sentido. Está assim explicado o facto de este ano termos o dia 14
de Novembro como o dia principal das comemorações.
O
que importa é que nos continuemos a reunir, e essa realidade prova que a
comunidade continua viva, apesar de todos os constrangimentos deste tempo que
nos é dado viver.
Mas
esta é uma festa especial, não só pelas razões já apontadas, isto é, ser uma
festa fora do tempo habitual das festas da modernidade, mas porque, sem deixar
de continuar a manter a tradição, ela soube adaptar-se uma vez que os jovens
que a organizam perceberam que é necessário acompanhar os novos ritmos dos
ritos do presente, diversificando-a, somando-lhe outros atractivos para além do
vinho, das castanhas, do cancioneiro e dos acordes das gaitas e das fraitas,
aliando o património cultural imaterial que a festa representa, a outros
patrimónios. Por essa razão assistimos hoje de manhã à inauguração de duas
exposições fotográficas de filhos da terra – o António Joaquim e o Silvino
Jorge – e, neste momento reunimo-nos para a apresentação de três livros, que
versam temáticas distintas.
Juntamos
a investigação etnológica com este livro do Antropólogo António Tiza, nosso
amigo e conterrâneo raiano de Varge, livro que me cumpre apresentar, com a
poesia da maçorana Fernanda Santos e, ainda, um livro colectivo por mim
coordenado e que será apresentado por outro conterrâneo e também amigo, o
carviçaleiro Escritor António Sá Gué, livro que reúne Ciência, Literatura,
Poesia e Arte, a propósito d’”A Linha do Vale do Sabor, um caminho-de-ferro
raiano do Pocinho a Zamora”.
A
este intenso caldo (aqui no sentido enológico) bem se lhe pode chamar Alta
Cultura!
Mas
caros conterrâneos e amigos, vamos ao que agora mais interessa, porque o tempo
urge, que é como sói dizer-se, “ala que se faz tarde”. O que agora importa é
apresentar o livro do nosso amigo e meu colega Doutor António Tiza, que tem
vindo a Maçores para estudar a festa a S. Martinho, integrando-a no conjunto
dos “ritos e mistérios transmontanos” que a sua investigação vem registando,
avaliando, estudando, comparando; e em ambos os lados da raia! E nós maçoranos
temos de lhe estar gratos por fazer ombrear a nossa aldeia com todo um conjunto
de outros povos da região, onde as manifestações populares ancestrais se
conservam ainda.
Maçores
estará agora, e graças a este livro, no mapa do Património Cultural Imaterial
Transmontano e Ibérico.
Bem-hajas
estimado amigo!
INVERNO
MÁGICO
Este
é o título do livro, livro imprescindível para todos aqueles que desejem
conhecer e compreender melhor a sua identidade, que desejem perceber as razões
porque sentem e agem de determinada maneira, por vezes diferente da dos membros
de outras comunidades mesmo que geograficamente próximas. Raízes cheias de
Ritos e Mistérios.
Um
livro de António Pinelo Tiza que sucede ao Inverno Mágico publicado em 2004, e
que foi agora reeditado. É pois este o 2.º volume da obra com este título.
No
decurso da década seguinte à publicação desse primeiro Inverno Mágico foi o
autor constatando que “outros ritos e mistérios transmontanos” persistiam em
celebrar-se com força e vigor. Constatou ainda que outros, adormecidos há
décadas, haviam sido recuperados. São rituais perdidos que renasceram ou que
ganharam uma dimensão nunca sonhada; é a adequação de celebrações festivas à
modernidade, ou a reconstrução de ritos de inspiração antiga e arcaica que
acabaram por ser inseridos nas celebrações actuais.
Conclui
por isso o investigador que era necessário voltar a fazer caminho.
Pelo
tempo que mediou entre a impressão de ambas as brochuras e sabendo-se que o seu
Autor é trabalhador incansável – basta para tanto consultar a imponente obra
que dá pelo nome de “Bibliografia do Distrito de Bragança” do ilustre
bragançano e nosso amigo comum Professor Hirondino Fernandes, volume VIII, pp.
295 a 312 –, para se perceber que este é o fruto de muita investigação, fruto
de muito trabalho, trabalho de campo, trabalho de biblioteca, trabalho de arquivo,
trabalho de gabinete. Trabalho intensivo e rigoroso. Trabalho maduro que
acrescenta mais um item à extensa Bibliografia de António Tiza, um outro à
Bibliografia Etnológica / Antropológica / Etnográfica, um outro ainda à
Bibliografia Transmontana e outro mais à Bibliografia Ibérica.
Da
continuação dos trabalhos de campo resultou uma reflexão sobre a evolução da
práxis decorrente da contemporaneidade, constatada nas novas tecnologias da
comunicação, da revitalização de celebrações perdidas ou da introdução de
encenações que, embora radicados na tradição, se orientam agora para a
inevitável “turistização”, no dizer do próprio Autor. Face a alguns fenómenos
de mudança, a reflexão do investigador fixa o essencial dos ritos festivos para
a sua compreensão. Esta é a temática do primeiro capítulo “Questões
preliminares em torno da máscara”, ou seja, uma abordagem sociológica dos
rituais festivos de inverno e seus desenvolvimentos mais recentes.
O
aprofundamento dos ritos “olvidados” no primeiro volume é neste, o segundo, uma
constante, a par de algumas revelações. Era inevitável que assim fosse. Num
território tão vasto e tão rico, nem tudo era possível conhecer e muito menos
aprofundar. A sua coincidência no tempo cíclico exige mais tempo para a todos
acorrer e, provavelmente, este processo de reconhecimento ainda não terminou.
Dito de outra maneira: grande parte destes rituais realizam-se nas mesmas datas
mas em povos diferentes, por vezes distantes, daí a dificuldade, e o hiato
entre a publicação dos dois livros, livros que se complementam.
As
questões em torno da máscara (sacralidade e iconografia simbólica) e das
mascaradas (tradição e inovação e as facetas dos seus rituais), ocupam o I
capítulo deste livro.
Nele
o amigo António Tiza confirma a nossa concepção de raia e de cultura raiana,
pois a Etnologia prova que é precisamente nesta zona entre Trás-os-Montes e
Zamora e Salamanca, onde se situam a maior parte das comunidades “que preservam
os ritos festivos, com uso de máscaras e trajes que lhes estão adereçados”, não
obstante a fronteira política aí fixada há cerca de 9 séculos.
Aí
se encontram “as componentes e características das celebrações festivas do
solstício de inverno e das Calendas de Janeiro, comuns a ambos os Países, a
saber:
- o tempo cíclico das celebrações;
- a sua organização, liderada por
jovens (temos hoje aqui o exemplo da mocidade maçorana);
- a simbologia dos rituais que integram
as celebrações.”
Esse
tempo cíclico é de doze dias, entre as Saturnais e as Bacanais, i. e., entre o
Natal e os Reis, conforme o calendário que quisermos utilizar, se o romano
pagão, se o cristão.
Os
ritos mágicos de entrada na estação escura constituem a temática do II
capítulo. Consolidam os rituais da lenha dos Santos (do primeiro volume) e são
acrescidos das celebrações do vinho novo. E cá temos a recém-afamada festa da
Cabra e do Canhoto de Cidões (concelho de Vinhais) – o Shamhaine ou entrada no
Ano Novo Celta –, celebrada na noite de 31 de Outubro para o primeiro de
Novembro. Cá está também, em grande destaque, a nossa festa de São Martinho,
sobre a qual mais adiante outros comentários teceremos. Outras festas há de São
Martinho que sendo diferentes da de Maçores (que é única), incidem nos ritos
relacionados com o verão do dito santo milagreiro, como forma de perpetuar a
luz e o calor, a convivência e o aconchego entre as pessoas, durante a longa
estação fria que acaba de começar.
Já
próximo do solstício, em “Ritos do Advento do Solstício de Inverno”, no
capítulo III, esmiúça-se o rito preparatório do Natal, a 13 de Dezembro, dia da
luz de Santa Luzia, falando em termos cristãos ou, em termos pagãos, o rito
mágico do Velho e da Galdrapa de São Pedro da Silva (concelho de Miranda do
Douro), preparatório e anunciador do grande dia do Sol, o Natale Solis Invicti,
que há-de ocorrer doze dias depois, a 25 de Dezembro.
Outras
festas solsticiais (antes adormecidas) renasceram e são tratadas no capítulo
IV, sob a designação de “Festividades solsticiais do ciclo dos doze dias”, a
saber:
- a festa do Natal ou dos Rapazes, de
Sacoias (concelho de Bragança), perdida desde 1969 e recentemente recuperada
(agora sem o elemento basilar da crítica social; espera-se que, com o incentivo
deste livro, também este ritual se recupere);
- as festas de Santo Estêvão e de São
João Evangelista de Duas Igrejas (concelho de Miranda do Douro); foi restaurada
com todos os rituais, incluindo a crítica social;
- a festa de Santo Estêvão de Travanca
(concelho de Vinhais), onde apenas a presença e actuação dos mascarados se
tinham perdido e que agora foram recuperadas. De resto, a festa sempre se
celebrou.
As
mesinhas do milagroso e mártir Sebastião ganharam agora um vigor nunca antes
visto. Constam do capítulo V, onde aparecem devidamente esmiuçadas. À excepção
da festa de Vale de Lamas (concelho de Bragança), todas as demais se celebram
em Terras do Barroso, a saber: a mesinha de São Sebastião de Couto de Dornelas,
a festa de Alturas do Barroso (ambas do concelho de Boticas), a festa de São
Sebastião de Salto e de Venda Nova (concelho de Montalegre) e as de Samão e
Gondiães (concelho de Cabeceiras de Basto), com as famosas papas de São
Sebastião.
Das
celebrações do Carnaval (capítulo VI), o livro descreve o de Lazarim (concelho
de Lamego), já no Doiro, e os ritos da Quarta-feira de Cinzas, o dia seguinte
ao Carnaval. Sendo certo que já haviam sido tratados no primeiro volume, havia
a necessidade de inserir o de Edrosa (concelho de Vinhais), em plena serra de
Nogueira. Relativamente ao de Vinhais, o autor voltou à carga (no capítulo I)
para dar conta da evolução que sofreu nestes dez anos.
O
último e VII capítulo é dedicado aos ritos penitenciais da Quaresma, todos eles
claramente de filiação cristã: as várias liturgias da serra ou serração da
velha, vigentes ainda em concelhos como o de Bragança, Miranda do Douro ou no
Barroso.
Os
Sete Passos de Freixo de Espada à Cinta encerram este Inverno Mágico. Estando
já na Sexta-feira Santa, três dias depois é a Páscoa, que é como quem diz, a
Primavera.
O
presente Inverno Mágico alargou o seu âmbito espacial a uma boa parte do
território de Trás-os-Montes e Doiro. O seu tempo cíclico prolongou-se até à
Semana Santa que, sendo movediça, se celebra ainda no Inverno (o transmontano)
que neste “reino”, cantado por Torga, é de “nove meses”. E, acima de tudo,
mágico.
Em
Trás-os-Montes, mesmo a Sul, no território a bordejar a ribeira do Doiro, o
Inverno chega cedo, por finais de Outubro ou inícios de Novembro. Mingam os
dias e medram as noutes. Aproxima-se a estação fria. Não é verdade que “dos
Santos ao Natal é Inverno natural”?
Pois
era nesta altura, no dizer dos estudiosos, que o povo Celta celebrava o fim do
ano velho e a entrada do novo: com celebrações e rituais propiciatórios. A
noite das bruxas a 31 de Outubro e o dia dos mortos no 1.º de Novembro.
Diz
o ditado que “se o Inverno não erra caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho”, não
obstante a pausa no frio e na chuva determinada pelas divindades, pausa que
designámos por “Verão de S. Martinho”. Pausa curta, é certo, mas suficiente
para que possamos celebrar as colheitas do fim do Outono. E é essa celebração
que está subjacente a esta festa, festa que aqui nos reúne.
“A
festa mais típica do concelho de Torre de Moncorvo”, no dizer dum meu antigo
professor, o P.e Joaquim Manuel Rebelo. Uma festa que ainda há 20 anos atrás,
quando esse Etnógrafo publicou o seu contributo para o congresso sobre “A Festa
Popular em Trás-os-Montes”, se celebrava a 10 e 11 de Novembro. No dia do
Santo, fosse qual fosse o dia da semana.
Dizem
ser esta festa um misto de paganismo e cristianismo, informação que o nosso
sábio Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal, corrobora, afirmando
corresponderem os festejos do S. Martinho às festas em honra de Baco, as
Bacanais, também ditas Antestérias, i. e., um ritual carnavalesco de
transgressão e afirmação na Grécia Antiga, acompanhadas, as festas, por um
género lírico na Antiguidade Clássica, onde as Oscofóricas acompanhadas de uma
vara de parreira, entoavam cânticos dionisíacos no princípio de Novembro, “em
reconhecimento das uvas novas chegadas ao lagar. Eram celebradas pelas
bacantes”, sacerdotisas da deusa Semele, a mãe de Dionísio, cuja gestação se
concluiu na barriga da perna de Zeus, seu pai, em virtude da morte da
progenitora. E que as mencionadas sacerdotisas “corriam pelas ruas acompanhadas
de tocadores”.
Era
pois um culto ao vinho. E uma vez cristianizada a festa, chamou S. Martinho a
si essas celebrações, assumindo as funções de patrono e por conseguinte, “santo
amigo dos bons bebedores”, no dizer de outro sábio, José leite de Vasconcelos.
António
Tiza reúne alguns adágios e provérbios que associam o santo a esta conotação:
- Em dia de S. Martinho, prova o teu
vinho;
- No dia de S. Martinho, vai à adega e
prova o vinho;
- No dia de S. Martinho, barra a pipa e
prova o vinho;
- No dia de S. Martinho, lume,
castanhas e vinho;
- Pelo S. Martinho fura o teu pipinho;
- Pelo S. Martinho, todo o mosto é bom
vinho.
Não
deixa o Investigador de sair em defesa do S. Martinho, lembrando que a sua
personalidade nada tem a ver com aqueles costumes paganizantes, nem tão pouco
ter sido amigo dos borrachos. Desfia a sua história de vida, da qual nos parece
conveniente reter aquela faceta de solidariedade para com o pobre com quem
repartiu a sua capa, lembrando-nos esse gesto que a partilha é um dom que
devemos cultivar.
E
já nas derradeiras linhas do proémio à festa de Maçores, nos informa António
Tiza que, a morte daquele militar que se tornou eclesiástico ocorreu no Outono,
e que esse facto mais o gesto de ter rasgado a sua capa ao meio para aquecer o
mendigo, deram origem à designação de “Verão de S. Martinho”.
Mas
esse período do ano, já frio e brumoso, coincide com a prova do vinho novo,
acompanhado de castanhas, o alimento mais importante para os povos das terras
altas até ao aparecimento no século XIX das malinas nos castanheiros e sua
progressiva substituição por um tubérculo oriundo do Novo Mundo que então já
estava adaptado aos nossos solos e clima, a batata. Felizmente que a cultura da
castanha se incrementa neste momento, constituindo no Alto Trás-os-Montes uma
cultura com valor económico em crescendo.
Castanhas
e vinho, os dois ícones de S. Martinho, dois produtos abundantes nesta região e
nela associados desde tempos imemoriáveis. E cujos testemunhos estão
abundantemente documentados pela Arqueologia, mormente para o período da
Romanização. A castanha como alimento do corpo, o vinho enquanto alimento da
alma, simbólico por conseguinte.
Se
a castanha e o vinho são ingredientes da festa, a música não o é menos, pois
sabeis como “nem só de pão vive o Homem”.
Tenho
pena de não poder aqui tentar dissertar sobre o feitiço da música. Mas para a
festa de S. Martinho, quem executa os acordes que o Povo criou para acompanhar
o seu cancioneiro, é o gaiteiro.
Estou
em crer que num passado relativamente recente, a aldeia teve os seus próprios
gaiteiros, quero dizer, gaiteiros nativos. Mas se no século XX Maçores não teve
já gaiteiro residente, pelo menos socorria-se do das aldeias vizinhas, a
avaliar pelas referências que ouvimos aos mais antigos, relativamente ao
gaiteiro da Açoreira. E até uns versos algo brejeiros que me vieram à memória:
“o gaiteiro d’Áçoreira / já não toca quando quer / partiu-se-lhe a gaita / e
roubaram-lhe a mulher”.
Depreendemos
pelo convívio que tivemos com aqueles que nasceram na transição dos dois
primeiros quartéis do século XX, ou seja, nos últimos 90 anos, que na sua
memória outros gaiteiros não havia na festa que aqueles que adrede desciam a
Maçores provenientes do Planalto Mirandês.
E
alguns desses gaiteiros tornaram-se da família da festa, tal a constância da
sua presença. Eu próprio tenho uma vaga memória de um deles, de apelido San
Pedro, que vinha duma Travanca, provavelmente de Mogadouro. Creio que repetiu
durante duas ou mais dezenas de anos, a viagem a Maçores por esta altura, e só
não continuou, porque a morte o levou.
É
uma pena termos consciência da limitação do tempo que o programa da festa nos
concede para esta actividade, caso contrário, seria impelido a, pela primeira
vez, e metendo a fouce em seara alheia, ou melhor, no restolho da seara do
António Tiza, tentar descrever a festa do S. Martinho de Maçores, a partir das
leituras das minhas vivências, vivências da festa, impregnadas de telurismo.
Mas
ainda bem que assim é, pois para além de vos poupar à minha prédica,
obrigar-vosei a ler a descrição que este familiar da festa redigiu. Uma
descrição clarividente, própria de observador atento, com conclusões filtradas
pelo crivo do rigor científico.
Quem
ainda não conhece os rituais, esteja então atento: gaiteiros, cancioneiro
popular, caldeira com vinho, castanhas assadas, rostos enfarruscados, em suma,
ALEGRIA COLECTIVA!
Bem-hajam!



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