Barroso da Fonte
|
No JN de 1 do corrente
deparei com uma entrevista de página e meia com Maria de Belém Roseira, onde
faz afirmações narcisistas. A caixa alta puxaram os editores com esta tirada:
«Marcelo é criador de factos políticos e pode induzir instabilidade». No mesmo
contexto confessa: «não cheguei agora à política. Não começo o exercício da
política com uma candidatura à Presidência da República». E mais esta: «não
posso ser considerada candidata de fação porque não pertenço a nenhuma fação do
PS». Já numa toada a alta velocidade foi alegando que considera ser seu dever
por a sua experiência e o seu conhecimento ao serviço do país. «Tenho mais de
40 anos de vida pública, em sítios muito variados que me deram profundo
conhecimento da Administração Pública, das instituições e dos problemas reais
dos portugueses. Tenho grande experiência internacional e também governativa.
Tenho um perfil de grande experiência política. Não cheguei agora à política.
Fui ministra, deputada, representei o país em múltiplas situações, desempenhei
em inúmeros cargos...Tenho um perfil que me permite arbitrar conflitos e
resolvê-los».
Em relação a Marcelo «considero que tenho
caraterísticas que passam, não só pela minha experiência em cargos públicos, mas
também pela minha maturidade e serenidade».
Maria de Belém mostrou
nesta entrevista que gosta de ser elogiada. E que como esses elogios não
aparecem, é ela própria a reclamá-los, colocando-se acima de Sampaio da Nóvoa
que «só agora chega à política» e de Marcelo Rebelo de Sousa que tem a sua
idade, é Professor catedrático, tal como
Sampaio da Nóvoa, mas não têm eles a sua «experiência, os seus conhecimentos e
a sua serenidade».
Nunca entendi qual a diferença entre
«ética, o civismo e a urbanidade» que os manuais escolares preconizam para o
comum dos cidadãos e que não se aplica aos políticos. Sempre aprendi e ensinei
que devem ser os noutros a reconhecer as nossos méritos, a elogiar eventuais
qualidades e a aceitar eventuais
homenagens. Mas nunca reclamar essas homenagens, esses elogios e a proclamação
de eventuais contributos. Devem ser as boas obras a falar por nós.
Em relação aos políticos profissionais a
postura é inversa: são eles próprios que mandam colocar cartazes, que redigem e
mandam distribuir panfletos, pedem apoios monetários, pedem votos e palmas,
mesmo que ainda não tenham dado provas.
Acusar um candidato que
ascendeu ao topo da sua carreira profissional, que foi reitor de uma
prestigiada universidade nacional e que, sentido-se em idade ideal para entrar
na política, ainda sem vícios, sem manhas e sem telhados de vidro, seja
rejeitado só por esse facto, é impróprio de quem se reclama superior e com
melhores atributos. É o caso de Sampaio da Nóvoa, candidato impoluto.
Ou de outro candidato, Henrique Neto,
empresário de sucesso que gerou riqueza, promoveu empregos e, sendo militante
ativo, da área política do referida candidata, poderia, eventualmente, acusá-la
de ter gasto em benefício próprio, 2.500 contos em flores, quando foi Ministra
da Saúde; de ter sido «foco de polémica por acumular as funções com a
consultoria para o Grupo Espírito Santo» e, sobretudo por «outra polémica em
que se viu envolvida por causa da construção da sua casa, alegadamente contra
diretrizes municipais, junto a uma das praias da Linha de Sintra». Por tudo isto lhe entregou o seu camarada
Jorge Sampaio, quando PR, em 2005, a Grã-Cruz da Ordem de Cristo». Não terá
saldado essa condecoração pública qualquer pontinha de merecimento que os
vencimentos públicos de 40 anos de trabalho não tenham contemplado?
Ao contrário do que Maria de Belém aduziu
nesta entrevista ao JN, a seu favor, e em detrimento dos opositores: Sampaio da
Nóvoa e de Marcelo Rebelo de Sousa, pessoalmente sou apologista da renovação
política e não de quem já mostrou, ao longo de 40 anos, que deve dar lugar a
alguém, que noutras funções, já deu provas sobejas, das suas potencialidades.
Sejam: Sampaio da Nóvoa, Marcelo, Henrique Neto ou Paulo Morais, longe de terem
menos «maturidade, experiência e serenidade», gozam de mais independência, de
mais capacidade de diálogo e de maior margem de manobra. Possivelmente eles e
os restantes candidatos menos mediáticos – não gostarão de mostrar
desinteresse, irresponsabilidade ou falta de apreço pela função presidencial.
Sobretudo numa conjuntura como esta que a Europa Comunitária atravessa, deve
eleger-se, para tão importante cargo, uma personalidade que reúna todos os
predicados intelectuais, morais, cívicos, físicos e psíquicos que se imponham a
nível Europeu.


Sem comentários:
Enviar um comentário