segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Pela capital da Beira Baixa


 Comentário:

Este belo texto sobre Castelo Branco é enviado a pensar no amigo e companheiro na meninice e juventude, Manuel Daniel Martins. Também saúdo a douta Professora Antonieta Garcia. Já agora sugiro que façamos um Encontro de ex-Maristas em Castelo Branco. Acredito que até teríamos um momento cultural polifónico proporcionado pelo grupo do Daniel. Fica o desafio. Leiam o texto anexo. Saudações amigas.

Jorge Lage

O PEQUENO MUNDO DA NOSSA TABERNA

 Por Leonel Dias


Por ocasião da passagem do meu 75º aniversário, o lagoaceiro Elmiro Barbeiro (O Miro, filho do António Cinco, da Rua da Rebola), em boa hora, ofereceu-me a obra “O PEQUENO MUNDO DA NOSSA TABERNA” – (histórias de vidas e comeres numa taberna transmontana), da autoria de FERNANDO CALADO, licenciado em Filosofia e Professor aposentado, natural de Milhão, Bragança.

Quero partilhar no Grupo de Amigos de Lagoaça o quanto achei importante esta Obra e exortar os Amigos da leitura, que não a conheçam, a lê-la e permitam-me que justifique a importância da mesma.

A ação desenrola-se numa taberna, de uma qualquer aldeia transmontana, considerando o autor que “a taberna é um lugar mágico onde há de tudo na promiscuidade da fartura que delicia os olhos, para desconsolo dos que nada têm.” Através da taberna, ponto de encontro da comunidade, centro da vida social e retrato da vida quotidiana da aldeia, local de convivência, de socialização e partilha de saberes e de fortalecimento de laços comunitários, FERNANDO CALADO, oferece-nos um belo romance de memórias e de defesa da verdadeira Cultura rural transmontana, onde marcam presença a solidariedade, o mundo do trabalho, os costumes, as tradições, as notícias, as experiências e os saberes.

Na Obra estão presentes os usos e costumes de um mundo rural, a valorização da gastronomia da região, funcionando como fatores culturais, ao mesmo tempo que reflete e destaca as dificuldades da vida antiga, os sacrifícios passados, a dureza do dia a dia, enaltecendo, como contrapartida, a solidariedade entre gentes e nunca negada. Numa mistura, extraordinariamente bem conseguida, de episódios bem interessantes das suas gentes (a chegada do circo, o professor que por desgosto de amor se dedicou ao vinho, a emigrante retornada à aldeia, o revisor da camioneta, o contrabando, a passagem de Humberto Delgado (?) pela taberna, etc.)  e memórias que refletem a riqueza da génese humana, a cultura e a gastronomia, sempre presente, de uma aldeia de Trás-os-Montes.

É este mundo que, progressivamente, desaparece pela desertificação das aldeias e pelo envelhecimento da população que, mais uma vez, como sucede no “Canto do Cisne”, preocupa o Professor de Milhão.

FERNANDO CALADO, teimosamente, e bem haja por isso, preocupa-se com a preservação de um universo rural, marcadamente cultural, infelizmente, em vias de desaparecimento e expressa-o: “ O nosso soto, a nossa taberna, a nossa casa, o nosso forno… caíram… o pão é somente pão… nesta tristeza de quem assiste, paulatinamente, ao cair do nosso soto, da nossa taberna, da nossa casa… ao cair da vida… nesta noite quente… transmontana… não chores! … o fim é sempre um novo começo! … estamos a caminho!”

Obrigado, Professor FERNANDO CALADO, por esta partilha de saberes, pelo grito de alerta deixado aos Homens de hoje e, apesar de tudo, pela réstia de esperança ainda mantida. Julgo ter justificado, Caros membros deste Grupo, a razão, ou as razões, pela qual este Livro é imprescindível.


Notas breves sobre a vitória da AfD

 

O Brasil de Alexandre de Morais

 




domingo, 6 de setembro de 2026

Livro Novo - «História Moderna do Sport Clube de Mirandela »

JORGE  LAGE 


Livro Novo - «História Moderna do Sport Clube de Mirandela » – Em terras do Interior Transmontano não é fácil o trabalho na área do desporto dar muitos e bons frutos. Tem que se trabalhar muito mais do que no litoral. Até o Grupo Desportivo de Chaves, clube que nos representa a todos, já teve melhor dias.

O SCM no ano do seu Centenário baixou de divisão, indo parar ao futebol regional. Foi um centenário modesto, segundo alguns associados que tomaram parte.  Diz-se que até para a atribuição de sócio número um, que estava vacante, não se teve em consideração o associado mais antigo como sócio e ter-se-á inventado um critério que não dignificará ninguém. As assembleias-gerais apenas têm de cumprir o correcto ou ratificá-lo.

Ainda há quem espere para que a legalidade seja reposta. Mas são apenas reparos que se ouvem e que apenas damos eco, por querermos o bom entendimento e dignidade de todos os mirandelenses.



Voltando ao livro, no «Epígolo» a terminar refere os sócios mais antigos de SCM: Armando Figueiredo Sarmento, José Sales Golias, José Gonçalves, Alberto Pereira, Mário Machado, Rogério Romão, Rui Barreira, Martinho Pires e Fernando Cunha. Quanto a mim, é uma chamada de atenção, porque um deles, o mais antigo deste bom naipe, deveria ser o sócio n.º um. Um desconforto.

Mas na nota do livro, «História Moderna do Sport Clube de Mirandela (Contributos) 1926-2026 Centenário», com uma edição limitada a 25 (vinte e cinco) exemplares, de Maio 2026, editora 5 Livros, sendo autores os mirandelenses, Jorge Sales Golias e João Lima Rocha. Este livro raro tem 220 páginas, bem documentadas onde se privilegiou a fotografia, em especial das várias equipas, dos escalões de futebol. Na «Nota de abertura», informa-se que em 2019, foi lançado o volume da «História Antiga» (abrangendo a vida do SCM de 1926 até 1976), e, neste novo volume, baliza o período de 1977 até 2026. Como as dificuldades em obter documentação foram imensas e algumas incompreensíveis, este volume faz referência a «Contributos», não pretendendo ser uma «História» acabada. Ficamos a saber que o SCM é o mais antigo clube do Distrito de Bragança e que ante já havia três clubes de futebol em Mirandela, continuando os mesmos a proliferar até aos doze clubes e se lhes somarmos mais um de Golfeiras e dois da Vila da Torre Dona Chama, terá havido no concelho 15 (quinze) clubes de futebol. Contudo, acrescente-se que quase todas as aldeias, grandes e pequenas, tiveram o seu clube de futebol (lembro-me bem do clube da minha aldeia, Chelas), terá havido no concelho de Mirandela, dezenas de equipas, até para o futebol da areia se formaram grupos de futebol, dinamizado pelo popular Arquitecto Albino Mendo. Um pormenor, o Clube que se criou a seguir no distrito foi o Grupo Desportivo de Bragança, mas 17 anos depois. Nas fotografias, desta obra, destaca-se a arrojada e bela sede do SCM, no Parque Império, alguns futebolistas marcantes e dirigentes. Cada fotografia, cada legenda, cada equipa são belas páginas de livros memoriais dentro deste livro documental que os autores foram tecendo e oferecendo aos leitores interessados. Também, a compilação e reprodução de recortes de jornais dão uma perspectiva mais abrangente e completada e roles de nomes de jogadores. Fica-se com a ideia que o SCM viveu os seus momentos de glória, principalmente quando as camadas jovens eram campeãs distritais e os séniores quando militaram na segunda divisão, no final do século XX e primeiros anos do século XXI, coincidindo com a presidência do Município de José Silvano. O guarda-redes, Eduardo Carvalho, terá sido a estrela maior do SCM de todos os tempos pelos feitos chegando à selecção nacional de futebol. Ainda no «Epílogo» do livro destacamos: «Por aqui (SCM) passaram as mais ilustres gerações de mirandelenses que amavam a sua terra (…)». Referiam-se os autores as várias instituições que sempre quiseram o melhor para Mirandela e os Mirandelenses. O livro pode ser solicitado à editora «5 Livros»: info@5livros.pt ou 919455444. Parabéns aos autores, Jorge Sales Golias e João Lima Rocha, por mais esta bela obra e os maiores êxitos para Sport Clube de Mirandela e seus Dirigentes.

Jorge Lage

06SET2026

 

REVISTA MEMÓRIAS DE LAGOAÇA

Por Leonel Dias


Acabou de chegar à minha mão, por gentileza do lagoaceiro e Amigo Elmiro Barbeiro, ainda com aquele agradável cheiro do prelo, a Revista “Memórias de Lagoaça”, da responsabilidade da Comissão das Festas em honra da Nossa Senhora das Graças - 2026, e que conta com interessantíssimos textos de 11 colaboradores.

 


Servida em bom papel, com manifestações poéticas e muitas fotos ilustrativas, a Revista visa angariar fundos para a grande Festa do mês de setembro e uma oportunidade para falar da aldeia, dos seus costumes, tradições, das origens e das suas gentes.

As Festas em honra de Nª Sª das Graças fiquei a saber, eu que sou sulista, graças ao texto de José Manuel Pinto Marcos, Presidente da União de Freguesias de Lagoaça e Fornos, é uma Festa popular, rica de acontecimentos que têm o seu ponto alto na Procissão, oportunidade de devoção, de agradecimento de graças recebidas, cumprimento de promessas e, sobretudo, de reencontro da grande Família de Lagoaça que as condições da vida levou à dispersão por vários países e continentes e por diversas regiões de Portugal. É, assim, uma oportunidade maravilhosa para a união de uma comunidade que a Vida separou mas que foi incapaz de matar o profundo sentimento de pertença à aldeia e à identificação com o meio constituído por gente lutadora, com espírito de sacrifício, de imenso valor e conhecedora e praticante dos valores da Amizade, da Solidariedade, da Cooperação e da Interajuda.

Recomendo vivamente a aquisição da Revista pelas razões supra aludidas e permitam-me a liberdade de destacar da mesma o poema, escrito com o coração, da pequena Leonor Rodrigues, com nove anos, que faz uma declaração de sentido e profundo amor a Lagoaça. Gostei de saber, pelo texto de Vitor Barros, que “lagoaças”, foi a designação encontrada para os mictórios da cidade do Porto, no Séc. XVIII, quando era Presidente da Câmara Municipal da Invicta Cidade o lagoaceiro António José Antunes Navarro, 1º Visconde de Lagoaça. Interessante, ainda, a ligação de Lagoaça à Columbofilia, feita pelo referido Vitor Barros. De muito valor histórico, o levantamento do conjunto de Serviços, Comércio e Indústria, existente em Lagoaça, nos idos anos das décadas de 50, 60 e 70 do século findo, na narração de Hirondino Isaías, extraordinariamente bem documentada com diversas fotos. A justificar destaque, a dedicação e fé a Santo António, por parte do saudoso Amigo António Cinco, lagoaceiro, assentador de primeira categoria dos Caminhos de Ferro Portugueses, no relato de seu filho o, igualmente, filho de Lagoaça, Elmiro Barbeiro. Por fim, pela grande importância cultural e histórica, não posso deixar de referir as brilhantes participações de Armando Manuel Gomes Palavras, numa abordagem ao povoamento romano de Trás-os-Montes Oriental e a participação de Teresa Almeida Subtil que, através da sua Poesia, empresta à Revista, uma qualidade cultural merecedora de destaque.

No último parágrafo quero deixar expressa uma palavra de enorme incentivo ao Presidente da Comissão de Festas, António Ramalho, que se revelou um bom Poeta na Revista, bem como à Tesoureira Odete Conde, formulando-lhes os melhores votos que as Festas de Nª Sª das Graças de 2026 exceda em muito as melhores expetativas que na mesma depositaram com o vosso trabalho de há vários meses a esta parte. Bom êxito e bem hajam, voto extensivo a todos aqueles que vão tornar a Festa de 2026 algo de inesquecível. E, Caros Amigos e Companheiros deste Grupo de “Amigos de Lagoaça”, adquiram a Revista que vale bem a pena o dinheiro despendido.

 

Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno

 

A quem servir?

 

CASAL DE SETUBALENSES EM LAGOAÇA

           Fotografia:   União das freguesias de Freixo de Espada à Cinta e Mazouco


 Por Leonel Dias


A convite do Miro (Elmiro) Barbeiro (filho do “António Cinco”) visitámos Lagoaça, onde permanecemos durante oito dias, tendo marcado presença, com enorme gosto, nas Festas em Honra do Santo António, 2026.

Encantados com tudo o que nos foi dado ver, queremos retribuir o bom acolhimento e a simpatia sempre presente, e nunca negada, do povo de Lagoaça, partilhando neste Grupo a lenda de Freixo de Espada-à-Cinta, da autoria do jornalista e escritor madeirense José Viale Moutinho, publicada no “Diário de Notícias”, nos inícios do presente século, designada “AS PANELAS E O HOMEM DE SAIAS”:

“ Façam o favor de imaginar que ouviram falar que em determinado sítio estavam enterradas panelas de ouro, de prata e de peste. Exatamente no lugar de Castelo Ferronho e nos Castelares, duas velhas atalaias do antigo castelo de Freixo de Espada-à-Cinta. E que sabiam que a localização poderia ser feita olhando o primeiro local onde bate o sol no clarear da manhã de S. Miguel. Pois, com uma certa dose de espírito aventureiro, lá aproveitaram esses dados. Pois sabiam que isso aconteceu a um tal Albaninho, que sonhou com estas indicações nas tais três noites a fio. Pois meteu enxada às costas no dia de S. Miguel do ano correspondente ao sonho e cumpriu o que pôde, que foi dar uns golpes de enxada na terra. E de repente – metam-se na pele do Albaninho, vá! -, ouvem lá do fundo do mundo uma voz cavernosa a dizer:

- Suspende! Nem mais uma enxadada. Se chegas à nossa vista, morrerás fulminado tu e mais meio mundo com a onda da peste! É só bateres aqui com a tua enxada na cobertura desta panela e a peste rebentará como um vulcão!

O que fariam os senhores? Albaninho fez o que não pensou, pois, tonado de pânico, desatou a correr e consta que nem em sua casa parou!

Já a vida aventurosa de caça-tesouros terá corrido melhor a um alfacinha com veia poética. Pois tendo tido o tal sonho do desencantamento do tesouro multiplicado por três noites, pôs-se a caminho de Freixo e não tardou em dirigir-se à fonte de Ménones. Este Ménones era um sujeito bem mais antigo que se chamava Mem Nunes, mas a voz do povo não perdoa quando apanha um nome bizarro a jeito. Então o alfacinha deu com um menino de ouro maciço. Agarrou nele e levou-o, deixando o terreno remexido, mas ainda teve tempo de imortalizar o seu gesto numa quadra que deixou na fonte:

Adeus forte Mem Nunes

Quem te dever que te pague;

Qu`eu dentro de ti achei

O valor duma cidade.

Ainda se gabou, o diabo! Mas se em vez de se pôr a escrever versos, procurasse melhor, não deixaria de ter deitado a mão a uma bola de ouro de bom tamanho que lá estava ao pé coberto de musgo.

Conta-se ainda de quando o Convento Oratoriano de Freixo de Espada-à-Cinta, nacionalizado e vendido em hasta pública, o homem que o comprou foi impiedoso com um frade velhinho que só queria que o deixasse acabar os seus dias a um canto da igreja desativada. Não tinha para onde ir e a sua paisagem de sempre foram as paredes interiores daquela enorme casa. “Não quero cá homens de saias!” bradara o inflexível novo proprietário. Então, o frade foi-se embora, mas caiu-lhe uma doença na bexiga que lhe provocou incontinência tal que ele teve de usar saiotes até ao fim dos seus dias…”

 

sábado, 5 de setembro de 2026

Revista Nova - «Memórias de Lagoaça 2026»


JORGE  LAGE

 

Esta revista é uma forma de preservar as memórias de um pequeno espaço territorial e humano do nosso interior fronteiriço, antes que os senhores de Lisboa ou as suas empresas digam que aquele povoado já pertence a Espanha ou o tempo apague esta bela página de solo e de casario perpianhado em terras freixenistas ou junqueirianas.

Vamos à sua ficha identitária: «Memórias de Lagoaça» é uma revista cultural que a «Comissão de Festas de Nossa Senhora das Graças – Lagoaça 2026» quis que o tempo não triturasse as memórias e a cultura. O papel suporta com dignidade 44 páginas de cultura propriedade da Comissão de Festas, com a experiente coordenação de Armando Palavras. O arranjo gráfico e a impressão são da Exoterra, sediado no Porto, mas pertença do freixanista António Neto, tendo uma tiragem de 500 exemplares.

Abre com uma belíssima imagem de 2025, do andor da Senhora das Graças de 2025, com notas de abertura do Presidente da Comissão de Festas, do Presidente da Junta da União de Freguesias de Lagoaça e Fornos e do Presidente do Concelho de Freixo de Espada-à-Cinta. Participam nesta revista festiva e cultural, entre outros: Armando Palavras, com «Lagoaça e a sua Ara Romana» e as vias romanas; Víctor Barros, com «Os Lagoaças» (um foi Presidente do Município do Porto, no liberalismo); Elmiro Barbeiro, com «O Milagre de Santo António» (que acalmou a fúria de um vagão da saudosa linha do Sabor); José Veríssimo (Fragata), com «Já está a ficar com cu de velha» (diz-se da azeitona enrugada) e «Sem pressa»; Teresa Almeida Subtil, com «Tresmalhada Ternura» (mesmo enternecedora ou divina) e dois belos poemas em mirandês (<Raiç d’arçana> e <poema de lhino>; António Ramalho, com «Santa Marta» e «Senhor da Santa Cruz»; Manuel Pires, com «Lagoaça - Terra Nossa» e «Zangarrão» (careto/diabo); e Hirondino Isaías, com «Serviços, Comércio e Indústria em Lagoaça nos anos 50, 60 e 70».

Uma revista contra a corrente da maioria das aldeias, vilas e cidades transmontanas, em que quase tudo se perde até as palavras e a língua. Como me dizia um bom barrosão: «na minha terra já não há a quem deixar a palavra». Em Lagoaça deixa-se a palavra, as tradições e a cultura a quem a quiser receber. Parabéns à comissão de festas, à junta de freguesia, ao município e aos autores.

Jorge Lage

 

                 Cartaz da Festa de 2026

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