quinta-feira, 10 de setembro de 2026

PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS

 Por Leonel Dias


PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS – Nomes próprios, apelidos, formas de tratamento e alcunhas - DE VÍTOR FERNANDO BARROS E JOSÉ MANUEL VERÍSSIMO

“ (A) nossa aldeia, qualquer aldeia, mais do que um espaço físico, é sobretudo uma comunidade de afetos e de memórias, dos que nela vivem, dos que a visitam e dos que, mesmo distantes, a trazem sempre no seu coração”

(Citação do prefácio de João Carlos Ferreira Lopes à obra “ Uma Aldeia Transmontana: Morfologia Social de Fornos”, página 14.)

Mais uma vez, inicio o meu comentário à Obra “PROCESSOS DE REFERENCIAÇÃO EM LAGOAÇA E FORNOS”, da autoria de Vitor Barros e José Veríssimo, agradecendo ao homem de Lagoaça, (El)Miro Barbeiro, a oferta deste Livro que mereceu toda a atenção.

Este interessante Livro, editado em 2020, versa uma matéria nunca antes merecedora de estudo no nordeste transmontano, e resulta de um meritório trabalho de campo feito pelos autores, nas aldeias de Lagoaça e Fornos, sobre a maneira como as pessoas são nomeadas e reconhecidas pelos outros, dando conta dos nomes próprios, apelidos e alcunhas ali usadas. Mais do que um estudo linguístico, o Livro constitui um documento de memórias e de identidade transmontana.

Digno de referência e registo, na minha leitura, que no enquadramento geográfico das duas aldeias, os autores diferenciam-nas, recorrendo a uma viagem ao longo dos tempos e, ainda, que quanto à população, e no período de 70 anos – 1950 a 2020 – constata-se que Lagoaça perde 983 residentes (70,5% do total) e Fornos 669 (76,5%), apresentando os autores explicações, de ordem diversa, para esta preocupante desertificação, comum a tantas aldeias de Trás-os-Montes.

Os autores apresentam os nomes próprios e os apelidos mais usados nas duas aldeias, descrevem, com grande pormenor, as diversas formas de tratamento usadas do “tu” ao “vós”, passando pelo “senhor”, “senhora”, “vossemecê”, “ti” (tio), “minha”(esposa ou filha única), “meu” (marido ou filho único” e “nosso” ou “nossa” (irmão ou irmã), seguindo-se uma exaustiva explicação sobre a origem das alcunhas, a classificação das mesmas e concluindo o meritório estudo com as alcunhas recolhidas no “terreno”, procurando fornecer explicação para a razão de ser de cada uma delas. Cada alcunha, per si, constitui, assim, um fragmento da história local.

Pelo exposto fácil é constatar a importância deste árduo trabalho para um melhor conhecimento das aldeias que constituem a União das freguesias de Lagoaça e Fornos, do concelho de Freixo de Espada à Cinta.

 

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