Natal XXVI – Retiro de
Natal
Um dia de retiro,
Este dia vinte e seis,
Um momento que muito prefiro!
Coração e mente fiéis,
A um encontro, neste momento,
Todo feito de recolhimento! (1)
O presépio na minha mesa.
Contemplo o Menino que sorri.
Ó divina e celestial beleza…
Do mais belo que eu já vi!
O Menino e o seu sorriso!
Um presente do paraíso! (2)
É o Filho que nos foi dado!
É o maior presente de Deus.
Agora aqui ao meu lado…
Na Terra, a presença dos céus.
E eu ali, em contemplação.
O silêncio é a minha oração! (3)
Também me atrevo a sorrir.
Quero quase pegar o Menino
Tê-lo no meu peito e sentir,
Que acolhê-lo é o meu hino,
À oferta da Virgem Maria,
Na “Noite Feliz” daquele dia!
(4)
Rezo e contemplo ainda,
O Menino a sorrir ali deitado!
Sorrio e digo: “Que coisa mais
linda!”.
Tão linda que eu não esqueço.
Ó meu sorridente Menino Jesus,
Nunca deixes de ser a minha luz! (5)
Teófilo Minga
Manziana,
26 de dezembro de 2020
1)
Hoje (26/12/2020), um dia a seguir ao Natal decido fazer um dia de
retiro e de oraçao. Prolongo a quarentena social e transformo-a em quarentena
espiritual. As lições “espirituais” destes dias são tão grandes que vale bem a
pena dedicar-lhes um dia por inteiro entre a reflexão, contemplação e oração.
2)
Tenho o Menino Jesus na minha mesa. Logo por sinal um Menino Jesus que
sorri. Gosto muito do Menino Jesus que sorri. Encanta-me o sorriso do Menino
Jesus. E contemplo-o por longo tempo. Um pedacinho do Paraíso, quem sabe,
talvez o Paraíso inteiro está ali. É por isso que me encanta. Como que a
dizer-me que mesmo em tempos de pandemia não há que perder a esperança. E a
esperança de sorrir ainda.
3)
“Um Filho nos foi dado” foi o
tema da Homilia do Papa Francisco na missa da noite de 24/12/2020, celebrada às
19.30 na Basílica de São Pedro do Vaticano. Lembrava a grande profecia de
Isaías 9, 5: “Um menino nasceu para nós; um filho
nos foi dado”. Se um Filho nos é dado, e sabemos que é o Filho de Deus, há razões
também para sorrir, mesmo se tudo parece dizer o contrário. Deus torna-se
presente. E a presença de Deus entre nós só pode gerar alegria. Não a alegria
superficial que às vezes nos rodeia. Uma alegria que vem de DENTRO. E do
CENTRO. O CENTRO é Deus em Jesus que toca o mais profundo de nós mesmos, toca o
nosso interior para o regenerar. E ao regenerá-lo torna-se fonte de alegria.
Gosto muito de uma definição de Natal dos Padres da Igreja que Bento XVI
gostava de repetir: “Natal é a festa da Humanidade
renovada”. E, ainda aqui, a novidade de Deus, só pode ser fonte de alegria. A
novidade absoluta de Deus é o dom do seu Filho que se encarna PARA nós. A
Homilia de Francisco girou à volta deste PARA. Parece uma coisa de nada. E,
contudo, é a revelação absoluta do amor de Deus PARA mim, PARA ti, PARA cada um
de nós, PARA todos, sublinha insistentemente Francisco. Outra razão da nossa
alegria.
4) Como resposta ao sorriso do Menino Jesus, também eu sorrio. É bem a
alegria de Natal, que os anjos anunciaram nos céus que me invade. A noite de
Natal não deveria ser para ninguém uma noite de tristeza. E gostava que a minha
alegria contagiasse outros (já que se fala tanto de contágio, hoje!) não só na
noite santa de Natal, mas al longo de todo este tempo de Natal. Um tempo que a
alegria deve também “habitar” entre nós, assim como entre nós habita o Filho de
Deus.
5) O sorriso do Menino não só me encanta. Conquista-me e ali fico em
contemplação por uns momentos. Uma oração contemplativa que depois se converte
numa oraçao de petição: “Que o menino Jesus seja sempre a
minha luz!”. A luz que iluminou os Céus na noite de Natal. Mas poderia alargar a
minha oração e pedir-lhe que seja a minha esperança, a minha paz,
a minha alegria, o meu amor para lembrar os 4 valores que as 4
velas do advento nos apresentaram. E ao ser tudo isso para mim, será também
tudo isso para os outros. Somos sempre um ser em comunhão. Esta Comunhão vivida
a nível da fé, torna-me Igreja, membro da Igreja-Comunhão. E, ainda aqui, a
Comunhão só pode gerar alegria. Dou-me conta de que não podemos abeirar-nos do
presépio sem sermos contagiados pela alegria de Deus. Então a visita ao
presépio, mesmo se é no meu quarto, torna-se compromisso. Contagiado pela
alegria de Deus, sinto-me comprometido a contagiar outros dessa mesma alegria.
Belo poema. Se toda a gente tivesse Deus no coraçao e com ele conversasse mais vezes atravez do retiro ispiritual, o mundo e as pessoas que o habitam seria bem melhor.
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