terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Come quem tem dentes



Bons missionários eram os de antigamente, que explicavam o modo como, pagando indulgências, mesmo o pecador entrava no Paraíso e tinha lugar  garantido no seio do Senhor.
Foram-se esses, vieram os da política, prontos na explicação de como é fácil entrar no céu que tem os centros comerciais por igrejas e as praias exóticas como lugares de doce penitência.
Essas são as promessas, mas no diário outro galo canta, e assim, pela Europa fora, os governos fazem quanto podem para que o cidadão aperte cada vez mais o cinto, nicles promessas de melhoria, desencante-se quem as espera.
Na Grã-Bretanha, uma das nações europeias onde a desigualdade sempre se fez  mais sentir, calcula-se que 20% dos ingleses não vão ao dentista, arrancam eles próprios os dentes podres, ou encomendam um kit para reparações dentais à firma DenTek, que no ano passado vendeu mais de 250.000 deles e custam uns módicos seis euros.
Em Frinton-on-Sea (cerca de 4.000 habitantes e uma única loja de fish and chips) a municipalidade fechou as duas esquadras da Polícia, os moradores pagam agora três euros por semana a três homens que fazem o policiamento.
No ano passado foram dispensados 17.000 agentes de Polícia, este ano serão uns 22.000. Desde 2010 diminuiu em quase 1 milhão o número de funcionários, os orçamentos das municipalidades sofreram um corte de 50%, em 2020 o aparelho do Estado será comparável ao que era em 1930.
De modo que ao cidadão nada mais resta que desenrascar-se no inferno deste mundo, sem garantias de que no outro a vida lhe seja fácil.
Felizmente em Portugal não será assim, tudo aponta para melhorias.

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