quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Europa – Origens (1)




Die Eroberung (Árpád's Landnahme im Jahre 896, Detail), 1893.
Gemälde von Mihály Munkácsy (1844-1900), Quelle: Fine Arts in Hungary
A origem da espécie humana é ainda obscura. Veremos se no futuro a teoria de Darwin se mantém. Como é ainda obscura a origem da Europa. Sabemos alguma coisa, mas ainda muito pouco. Contudo, não temos dúvida de que teve um passado recente glorioso. Basta-nos observar os megálitos como Stoneheng (IIIa, c.1800 A.C.; IIIb, c.1500 A.C.) ou as grutas de Lascaux (15.000-10.000 A.C.). Verdadeiras obras-primas, jamais encontradas em parte alguma do Mundo, à excepção do “cromlech” de M’soura (Marrocos), “descoberto” no século I a.C. pelo general romano Sertório.
Hoje sabemos que todas as línguas europeias têm um passado comum – a língua indo-europeia (assim se chama porque o sânscrito indiano e o iraniano também dela derivam). Esta descoberta deve-se a William Jones, um juiz inglês do século XVIII.
Ora se a língua tem este passado comum, as origens recentes da Europa devem começar por aqui. Um passado urbano com cerca de 7000 anos A.C.!
Há muito que Dumèzil, ou Mircea Eliade (ou mesmo antes Sir James Frazer no mítico The Golden  Bough, raramente citado pelos modernos -Tempo Caminhado: O Ramo de Ouro – Rito da Árvore da ...), nos alertaram para a questão.
Dois aspectos tiramos destas origens:

Aquiles
1 - Com as excepções de Creta e outras ilhas mediterrânicas, onde a sociedade era fundamentalmente matriarcal (e fora da Europa, no Crescente Fértil, a Deusa, tenha tido um papel fundamental, como é lembrado por Gimbutas), quase todas as grandes civilizações eram patriarcais (como os indo-europeus). Mas o patriarcado indo-europeu apresenta especificidades – a permanente luta entre o princípio matrilinear e o patrilinear. O sangue feminino é tão importante como o masculino.

2- Se o primeiro aspecto continua a ser importante na Europa dos nossos dias, o segundo aspecto não deixa de ter tanta relevância. O traço que mais tempo permaneceu dessas origens foi a nobreza – de sangue, de nascimento. Uma nobreza que entre pares, por ironia do destino, sempre defendeu a igualdade, liberdade e fraternidade, princípios da Revolução Francesa. O modelo dessas origens é aristocrático, “belo e nobre”, como Ovídio nos diz sobre Cláudia Quinta, “ a sua beleza não era inferior à sua nobreza”. Ulisses e Aquiles, os heróis de Homero, são os descendentes desses aristocratas indo-europeus.
Ulisses
O feio era o plebeu, desamado pelos deuses. Sendo a nobreza, entre os indo-europeus, sempre de sangue, tem uma filiação divina escondida. Será por acaso que a Europa durante dois milénios foi governada por essa classe? E será por acaso que institucionalmente ainda o seja hoje?

Por influência dos pós-socráticos e, mais tarde dos cristãos, o “nobre”, é convertido, em termos morais (e éticos), em “bom”. Em “bem-nascido”. A mensagem socrática é clara. Uma coisa é o corpo, outra a alma. Se exteriormente se é feio e plebeu, interiormente pode-se ser “belo e nobre”. Logo a seguir o Cristianismo lembra que a dignitas, a qualidade do nobre, é de todo o ser humano. Porque todos os homens são filhos de Deus, logo toda a vida é consagrada, ou seja, todos somos sacerdotes do Altíssimo, ideia completamente revolucionária para o mundo pagão indo-europeu. Ainda hoje o é.
Se os indo-europeus influenciaram os Gregos e os Cristãos, estes, pegando no seu passado remoto, acabaram por completar os alicerces da Europa actual (Não foi por acaso que em Quinhentos surgiram mapas representando a Virgem coroada, como o do professor e Doutor de teologia Heinrich Bünting).
Assunto a que voltaremos quando o tempo o desejar.
Armando Palavras

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