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Die Eroberung (Árpád's Landnahme
im Jahre 896, Detail), 1893.
Gemälde von Mihály Munkácsy (1844-1900),
Quelle: Fine Arts in Hungary
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Hoje sabemos que todas as línguas
europeias têm um passado comum – a língua indo-europeia (assim se chama porque
o sânscrito indiano e o iraniano também dela derivam). Esta descoberta deve-se
a William Jones, um juiz inglês do século XVIII.
Ora se a língua tem este passado
comum, as origens recentes da Europa devem começar por aqui. Um passado urbano com
cerca de 7000 anos A.C.!
Há muito que Dumèzil, ou Mircea Eliade
(ou mesmo antes Sir James Frazer no mítico The
Golden Bough, raramente citado pelos
modernos -Tempo Caminhado: O Ramo de Ouro – Rito da Árvore da ...), nos alertaram para a questão.
Dois aspectos tiramos destas
origens:
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| Aquiles |
1 - Com as excepções de Creta e
outras ilhas mediterrânicas, onde a sociedade era fundamentalmente matriarcal
(e fora da Europa, no Crescente Fértil, a Deusa, tenha tido um papel
fundamental, como é lembrado por Gimbutas), quase todas as grandes civilizações
eram patriarcais (como os indo-europeus). Mas o patriarcado indo-europeu
apresenta especificidades – a permanente luta entre o princípio matrilinear e o
patrilinear. O sangue feminino é tão importante como o masculino.
2- Se o primeiro aspecto continua
a ser importante na Europa dos nossos dias, o segundo aspecto não deixa de ter
tanta relevância. O traço que mais tempo permaneceu dessas origens foi a
nobreza – de sangue, de nascimento. Uma nobreza que entre pares, por ironia do
destino, sempre defendeu a igualdade, liberdade e fraternidade, princípios da
Revolução Francesa. O modelo dessas origens é aristocrático, “belo e nobre”,
como Ovídio nos diz sobre Cláudia Quinta, “ a sua beleza não era inferior à sua
nobreza”. Ulisses e Aquiles, os heróis de Homero, são os descendentes desses
aristocratas indo-europeus.
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| Ulisses |
Por influência dos pós-socráticos
e, mais tarde dos cristãos, o “nobre”, é convertido, em termos morais (e
éticos), em “bom”. Em “bem-nascido”. A mensagem socrática é clara. Uma coisa é
o corpo, outra a alma. Se exteriormente se é feio e plebeu, interiormente
pode-se ser “belo e nobre”. Logo a seguir o Cristianismo lembra que a dignitas, a qualidade do nobre, é de
todo o ser humano. Porque todos os homens são filhos de Deus, logo toda a vida
é consagrada, ou seja, todos somos sacerdotes do Altíssimo, ideia completamente
revolucionária para o mundo pagão indo-europeu. Ainda hoje o é.
Se os indo-europeus influenciaram
os Gregos e os Cristãos, estes, pegando no seu passado remoto, acabaram por
completar os alicerces da Europa actual (Não foi por acaso que em Quinhentos
surgiram mapas representando a Virgem coroada, como o do professor e Doutor de
teologia Heinrich Bünting).
Assunto a que voltaremos quando o
tempo o desejar.
Armando Palavras



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