sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Bater em Seguro era um dever. Bater em Costa será um prazer - Henrique Raposo



1. Os militantes que se envolveram à pancada em Braga são a personificação do problema criado pelas primárias. Ao contrário do que se diz, muita democracia não é necessariamente boa democracia. Ou melhor: uma democracia não é só eleitoralismo. Um acto eleitoral é uma demonstração de força, não é uma demonstração de razão ou virtude. É um momento que causa fricção entre dois pólos, criando ódio e ressentimento. Abusar do acto eleitoral é forçar a sociedade a estar em permanente contacto com o ressentimento, é forçar a sociedade a ficar no lado mais primitivo das lealdades caninas. Foi isso que aconteceu nestas primárias primitivas. Ainda há pouco vimos isso na televisão. Enquanto Seguro fazia a declaração de derrota, a sala de Costa explodiu em alegria. O contraste fala por si. Mais: no seu discurso, António Costa não se dirigiu uma única vez a António José Seguro. Como é que esta gente se sentará à mesa num conselho de ministros?
2. Para mim, António Costa é um mistério. Participou nos governos que afundaram o país, mas tem "boa imprensa". A sala onde fez o discurso de vitória parecia um conselho de ministros do socratismo, mas tem "boa imprensa". Fez uma patética gestão da Câmara de Lisboa, mas tem "boa imprensa". Ou seja, Costa é uma daquelas personagens lisboetas que têm sempre "boa imprensa". Façam o que fizerem, digam o que disserem, passam sempre entre os intervalos da chuva e são sempre levados ao colo. Bastava ver a ansiedade dos jornalistas, "então Dr. Costa, já nos pode dizer que ganhou?", "então Dr. Costa, já vai fazer o discurso da vitória?" Podiam ao menos disfarçar um poucochinho. É por isso que será um prazer bater em Costa. Criticar Seguro era só um dever, mas criticar António Costa será mesmo um prazer. Até porque ficaram à vista três características que não o recomendam.

Enviado por João Manuel 


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