O Dr. José Augusto da Silva Vieira, poeta de Amanhã não haverá poente e Flores de Outono, resolveu dedicar uma monografia à sua terra natal, Constantim. É um volume de 170 páginas, a que deu o título de Gente da minha Terra – Terra da minha gente.
O livro é, todo ele, uma declaração de amor a Constantim. Começa por um apanhado histórico, que o Autor tempera com alguma erudição sem com isso o tornar maçudo, e prossegue abordando outros assuntos, com realce para a evocação de aspectos relacionados com a etnografia e com a lavoura, ocupação principal das gentes de Constantim, noutros tempos.
A escrita é correcta e o livro lê-se com muito agrado e proveito.
Saiu recentemente, com a chancela da Averno, mais um livro de poesia de Vítor Nogueira. Tem por título Segunda voz, e está dividido em duas partes, “A casa por sob o sótão” e “O sótão por sobre a casa”, cada uma delas contendo dezoito poemas. Tem apresentação cuidada, com capa da designervila-realense Daniela Gomes.
Todo o livro se desenvolve numa espécie de diálogo do Autor com um tu que não é outro senão ele próprio. Poesia do concreto e do quotidiano ― concreto e quotidiano que servem de trampolim para a amarga reflexão sobre o sentido da existência.
O belíssimo poema “Formol”, com que encerra o volume, é por assim dizer uma síntese-recapitulação do resto: «A casa por sob o sótão. O sótão por sobre / a casa. A casa por sobre a rua. A rua por sobre / o mundo. [...] Eras demasiado novo / para todos aqueles livros, / todos aqueles ossos / arrumados nas estantes. Livros como este, / que se fecha sobre si e só dói a quem o escreve.»
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