segunda-feira, 5 de maio de 2014

Padre Couto -AS MARAVILHOSAS PROCISSÕES DA SEMANA SANTA NA PÓVOA DE VARZIM RAMOS / PASSOS / SENHOR MORTO / RESSURREIÇÃO

Crónica Pascal / 1
AS MARAVILHOSAS PROCISSÕES DA SEMANA SANTA NA PÓVOA DE VARZIM
RAMOS / PASSOS / SENHOR MORTO / RESSURREIÇÃO
Vou dedicar uma especial atenção a este aspecto relevante da piedade popular, nesta terra tipicamente cristã que é a Póvoa de Varzim.
Os leitores compreendem que há certos temas importantes da vida da Igreja, arreigados profundamente, na população que passam ao lado da Comunicação Social que apenas ficam numa modesta fotografia, nem sempre a mais significativa e a uma reduzida legenda. Aconselho os leitores que me contactam pela internet a imprimirem estas páginas para irem lendo, conforme o tempo permitir. (Há dias recebi um email de um dos meus amigos de Lisboa que me enviava um texto de várias páginas. Encontro também emails com extensas mensagens ilustradas… A todos agradeço mas saibam que, frequentemente, tenho de adiar a leitura, mas chega sempre o tempo de as ler!...). Quanto a este texto façam de conta que lêem umas páginas de Eça de Queirós, ele que nasceu nesta terra e deu nome ao Liceu, actual    “ Escola Secundária “!…
As procissões da Póvoa de Varzim já têm fama em todo o país. As mais concorridas são a de Nossa Senhora da Assunção ( 15/8 ) e a do Padroeiro São Pedro – feriado municipal 29/6 – e também a de Nossa Senhora das Doresprocissão de promessas – em meados de Setembro, após a Novena do Septenário ( 7 Dores ).
As Procissões Pascais começam com Procissão dos Passos – no V domingo da Quaresma que se chamava, antes da Reforma Litúrgica do Vaticano II — “ Domingo da Paixão “ ou “ Domingo de Lázaropois sempre se lia o Evangelho da Ressurreição de Lázaro ( Jo. 11 /1-45 ). Agora variam as Leituras ( conforme seja ano A, B ou C.) sendo a Ressurreição de Lázaro apresentada apenas no ano A. Depois, vem a Procissão do Domingo de Ramos (Dia Mundial da Juventude) que inicia a Semana Santa. Destas duas não posso falar jornalisticamente, pois estive em Pregações noutras terras e assim vou começar pela Procissão de Sexta-Feira Santa. Além das procissões, também afloro alguns aspectos da Semana Santa e outros eventos surgidos, como a morte dos pescadores de Caxinas e de Vila de Conde e a morte da mãe de Monsenhor Ferreira da Costa, da Paróquia de São Cristóvão de Rio Mau, deste mesmo Arciprestado acontecidas no contexto da celebração da Morte de Jesus… Tratando-se de uma Crónica, os meus dedicados leitores hão-de compreender o estilo pormenorizado que costumo assumir. Como o pintor reflecte ao máximo os pontos da sua tela, também costumo apertar o ” grão da fotografia—ou mais modernamente — “ os pixéis de captação da realidade visual! Enfim, é uma leitura para recordar melhor estes tempos tão acentuadamente religiosos da Páscoa que deve impregnar muito a nossa vida pessoal, familiar, laboral, cultural e, principalmente, a nossa Prática Cristã.

IMPRESSIONANTE PROCISSÃO DO ENTERRO DO SENHOR
Após a Liturgia da tarde de Sexta- Feira Santa, às 15horas ( tradicional hora da Morte de Cristo), com a Via Sacra, Apresentação e Adoração da Cruz foi, à noite (às 21h30) o Sermão do Enterro do Senhor. É pregado no púlpito — a belíssima Igreja Matriz da Póvoa tem dois púlpitos — pois a Capela-mor está ocupada com o esquife do Senhor Morto colocado de baixo de um pálio de veludo escuro e tudo fica envolvido por uma enorme cortina preta que pende do arco cruzeiro.
Na capela lateral, frente ao andor de Nossa Senhora das Dores, estavam o Senhor Bispo D. Manuel Rodrigues Linda  —  Bispo da Diocese Pessoal das Forças Armadas e da Segurança —ladeado pelo Pároco, Pe. Torres e  pelo Vigário ParoquialPe. Avelino. O Pregador foi o Pe. Costa Araújo, dos Oradores Sagrados de maior nomeada. Gostei de reviver essa pregação, pois já subi a esse púlpito mas, então frente ao Senhor Bispo emérito de Vila Real – D. Joaquim Gonçalves que vivia nesta sua Póvoa onde foi coadjutor da Paróquia de São José e cá chegou ao final da sua vida… . O Pe. Costa Araújo recordou que o “ Jesus que morre na Cruz é um Jesus de Perdão e Misericórdia, é o Cordeiro que se oferece em sacrifício pela redenção da humanidade e também, um Juiz que até perdoa ao ladrão arrependido a quem concedeu, imediatamente, o Paraíso. Jesus espera o nosso arrependimento e consequente conversão” …

V.F.F.
 
Logo saiu a Procissão com muito figurado (mais de centena e meia) alusivo à Paixão de Cristo. À frente um grupo de “ farricocos ( vestidos de hábito preto e de cara encoberta pelos característicos capuzes, apenas com uns buracos no lugar dos olhos ) rodavam as “ relas “ e “ matracas “, pois, desde a Quinta-Feira Santa, após oGlória a Deus ”, já não se volta a ouvir sinos nem campainhas até à madrugada da Ressurreição. Em vários pontos do trajecto havia diversos grupos de cantores entoando hinos à Paixão de Cristo. Os estandartes eram transportados, não alçados mas horizontalmente. Os Irmãos da Confraria do Santíssimo Sacramento iam com “ balandraus “  ( opas pretas) com a cabeça encoberta nos capuzes. Eis uma multidão imensa mergulhada num silêncio respeitoso! Muitas crianças acompanhavam os seus pais e lembravam-me a bela poesia de João de Deus : “ Maezinha, quem é Aquele pregado naquela Cruz?” / “ Aquele, meu filho, é Jesus!” … A Banda Filarmónica da Póvoa ia envolvendo todo o ambiente com as suas músicas dolentes próprias destes momentos.  Quando chegamos à Igreja podemos meditar no belo poema    “ Hora de Noa “ que o Pe. Torres incluiu, muito bem, neste final. O poema recorda a hora da Morte de Cristo ( hora de Noa corresponde às 3h da tarde ) foi muito bem cantado pela Celiane, acólita desta Paróquia que mostrou uma comovente sensibilidade, interpretando o sentir das mulheres piedosas de Jerusalém. Acompanhavam-na um grupo de mulheres, aquelas a quem Cristo recomendou que não chorassem por Ele mas por elas e seus filhos… . A Celiane também tinha interpretado o “ Cantar da Verónica “, ao chegar ao adro da Igreja, enquanto ostentava a toalha que Cristo lhe retribuiu imprimindo nela o Seu rosto doloroso – “ Ó vos omnes, qui transitis per viam, atendite et videte si est dolor sicut dolor meus “ – “Ó vós, que passais pelo caminho, parai e vê-de se há dor igual à minha dor“ ! Depois do poema “ Cântico de Noa “, esse grupo de “companheiras da Verónica” beijaram, emocionadas, a imagem de Cristo que por nós se entregou à Morte…
Na continuação desse Cerimonial foi a visita às 7 Igrejas, simbolizando as 7 Igrejas de Roma… visita essa que se prolongou até à meia-noite. As pessoas percorriam, em filas silenciosas, o perímetro de cada Igreja, em clima de oração e contemplando melhor os objectos de culto aí expostos. Recordo que na Igreja de Nossa Senhora das Dores a imagem da Virgem Maria foi trazida para junto do grande Crucifixo que aí se venera - numa comemoração da Mãe Dolorosa junto à Cruz de seu Filho (stabat Mater Dolorosa, juxta crucem lacrimosa, dum pendebat filius – estava a Mãe Dolorosa, derramando lágrimas de dor, junto à Cruz em que estava cravado seu Filho “ ) !...
Tenho apreciado várias procissões do “ Senhor Morto “, mas é difícil encontrar tão impressionante mostra de respeito e piedade perante essefuneral de Cristo “. É uma autêntica compaixão padecer juntamente com “ nesse momento indescritível da solidariedade para com Cristo e Nossa Senhora da Soledade, que ficou sem o amparo de seu Filho!
A própria Câmara Municipal faz baixar o nível de iluminação nas ruas por onde passa esse féretro que nos recorda a noite trágica que se viveu após a Morte do Messias Salvador. Nas janelas e sacadas pendiam panos pretos manifestando o luto pela Morte de Cristonum sentido impressionante de condolência. Jesus ficará encerrado no sepulcro de onde Ressuscitará na madrugada do terceiro dia ( Sexta, Sábado e Domingo da Ressurreição ) .
                No fim da Procissão, como é usual, as Autoridades Locais, bem como os membros das Confrarias, Chefes de Bombeiros, Escuteiros (…), vieram à Sacristia para cumprimentarem os sacerdotes presentes desejando-lhes “Boa Páscoa”. À frente apresentava-se o Presidente da Câmara Municipal – Eng. Aires Pereira – com alguns Vereadores. Nesse dia pontificava o Senhor Bispo D. Manuel Rodrigues Linda - Bispo Castrense das Forças Armadas ( Exército – Marinha – Aviação – Forças da Segurança / G.N.R. – P.S.P. …). Assim, as Autoridades deste sector estavam, a cumprimentar o seu Bispo próprio, que pouco tempo antes, tomara posse do seu cargo, constituído na hierarquia militar no posto de Major General! …

O IMPACTO DA MORTE NESTES DIAS DE VIVENCIADA ESPERANÇA EM CRISTO RESSUSCITADO.
Nesta Semana Santa a Morte aparece-nos com um sentido muito especial e muito próximo. Já dizia São Paulo : “ Completo em mim o que falta à Paixão de Cristo. Se com Ele morrermos com Ele ressuscitaremos. Ó morte onde está a tua vitória?“ Todo o país se condoeu com a trágica morte de vários pescadores de Caxinas e de Vila de Conde, num naufrágio do barco, nas Astúrias (Mar Cantábrico) …. Dolorosa Semana Santa para esse povo cristão das Caxinas, cuja Igreja tem a forma de barco e é dedicada ao Senhor dos Navegantes, pregado na grande Cruz. O Pároco dessa martirizada Paróquia de Caxinas — Monsenhor Domingos Araújo — lamentava, muito emocionado, que no tempo em que preside a esta paróquia, já fez o funeral a quase uma centena de pescadores!... O Arcebispo de Braga, veio associar-se e trazer oportuna palavra de esperança. Note-se que Caxinas e grande parte de Vila do Conde pertencem à Arquidiocese de Braga, constituindo o Arciprestado Vila do Conde / Póvoa de Varzim.
Também faleceu a mãe de Monsenhor Ferreira da Costa, ele que veio de Roma, interrompendo o seu trabalho na Secretaria de Estado do Vaticano para estar no funeral de sua Mãe, Deolinda — “ linda para Deus “( por sinal minha Mãe também era Deolinda e até faria 100 anos em 25 de Abril…). Sei o que vale a Mãe, na vida de um sacerdote, pois devo a minha vocação, à Fé fervorosa de minha Mãe… . Mais uma vez, o Arcebispo D. Jorge veio presidir à celebração fúnebre que se ficou apenas em “ Celebração da Palavra “, porque, em Sábado Santo, não pode haver Missa. Apenas a da Vigília Pascal que é Vigília de Domingo de Ressurreição. Estiveram vários sacerdotes, embora o dia não permitisse maior afluência.
O Papa Francisco enviou uma bela mensagem, solidarizando-se com o luto do seu dedicado colaborador, pois Monsenhor Ferreira da Costa está na Secretaria de Estado do Vaticano, encarregado das traduções de português. Todos ficamos beneficiados com uma especial bênção apostólica.  Aí estavam também o Cardeal D. Manuel Monteiro de Castro e o Pe. Mário Rui que trabalha nos célebres Tribunais do Vaticano ( Rota Romana ). Portanto Roma esteve muito presente naquela ampla Igreja da Paróquia de S. Cristóvão de Rio Mau— das mais amplas Igrejas modernas do país, devida à dedicação do Pe. Domingos que aí se encontra há várias dezenas de anos.
N.B. Esta Crónica / Reportagem já está pronta, desde o princípio da Semana Pascal. Não foi divulgada antes, por razões alheias ao meu intento.
Segue, de imediato, a 2ª Parte – porque há outros assuntos na calha ou rampa de lançamento. Desejo a todos os leitores continuação de uma Páscoa Feliz, porque o “ Tempo Pascal “ dura 7 semanas, até ao Pentecostes.

pe.manuelocouto@gmail.com


 

(O amigo leitor(a), pode ouvir-me na Rádio Canção Nova / Fátima – 103.7 – no programa “ Notas para uma Nova Vida” às Quintas Feiras /  9h15 – com repetição ao Sábado 9h18.)
 
                         Pe. Manuel Oliveira Couto    –    “ CADERNOS NOVA EVANGELIZAÇÃO

Sem comentários:

Enviar um comentário

Tintim traduzido para mirandês.

 

Os mais lidos