Crónica Pascal / 1
AS MARAVILHOSAS PROCISSÕES DA SEMANA SANTA NA PÓVOA DE
VARZIM
RAMOS /
PASSOS / SENHOR MORTO / RESSURREIÇÃO
Vou dedicar uma especial atenção a este aspecto relevante
da piedade popular, nesta terra tipicamente cristã que é a Póvoa de Varzim.
As procissões da Póvoa de Varzim já têm fama em todo o país. As
mais concorridas são a de Nossa Senhora
da Assunção ( 15/8 ) e a do Padroeiro
São Pedro – feriado municipal 29/6 – e também a de Nossa Senhora das Dores – procissão
de promessas – em meados de Setembro, após a Novena do Septenário ( 7 Dores ).
As Procissões Pascais começam
com Procissão dos Passos – no V domingo da Quaresma que se chamava,
antes da Reforma Litúrgica do Vaticano II — “ Domingo da Paixão “ ou “ Domingo de Lázaro “ pois sempre se lia o Evangelho da
Ressurreição de Lázaro ( Jo. 11 /1-45 ). Agora variam as Leituras (
conforme seja ano A, B ou C.) sendo a Ressurreição de Lázaro apresentada
apenas no ano A. Depois, vem a Procissão do Domingo de Ramos (Dia Mundial da Juventude) que inicia a Semana Santa. Destas duas
não posso falar jornalisticamente, pois estive em Pregações noutras terras e
assim vou começar pela Procissão de
Sexta-Feira Santa. Além das procissões, também afloro alguns aspectos da
Semana Santa e outros eventos surgidos, como a morte dos pescadores de Caxinas
e de Vila de Conde e a morte da mãe de Monsenhor
Ferreira da Costa, da Paróquia de São Cristóvão de Rio Mau, deste mesmo
Arciprestado acontecidas no contexto da
celebração da Morte de Jesus… Tratando-se de uma Crónica, os meus dedicados
leitores hão-de compreender o estilo pormenorizado que costumo assumir. Como o pintor reflecte ao máximo os pontos
da sua tela, também costumo apertar
o ” grão da fotografia “ —ou mais modernamente —
“ os pixéis” de captação da realidade visual! Enfim,
é uma leitura para recordar melhor estes tempos tão acentuadamente religiosos
da Páscoa que deve impregnar muito a
nossa vida pessoal, familiar, laboral, cultural e, principalmente, a nossa
Prática Cristã.
IMPRESSIONANTE
PROCISSÃO DO ENTERRO DO SENHOR
Após a Liturgia da tarde de Sexta- Feira Santa, às 15horas ( tradicional hora da Morte de Cristo), com a Via Sacra, Apresentação e
Adoração da Cruz foi, à noite (às 21h30) o Sermão do Enterro do Senhor. É
pregado no púlpito — a
belíssima Igreja Matriz da Póvoa tem dois púlpitos — pois a Capela-mor está ocupada com o esquife
do Senhor Morto colocado de baixo de um pálio de veludo escuro e
tudo fica envolvido por uma enorme
cortina preta que pende do arco cruzeiro.
Na capela lateral, frente ao
andor de Nossa Senhora das Dores, estavam o Senhor Bispo D. Manuel Rodrigues Linda
— Bispo
da Diocese Pessoal das Forças Armadas e da Segurança —ladeado pelo Pároco, Pe. Torres
e pelo Vigário Paroquial —
Pe. Avelino. O Pregador foi o Pe. Costa Araújo,
dos Oradores Sagrados de maior nomeada. Gostei de reviver essa pregação, pois
já subi a esse púlpito mas, então frente ao Senhor Bispo emérito de Vila Real –
D. Joaquim Gonçalves que vivia nesta sua Póvoa onde foi coadjutor da
Paróquia de São José e cá chegou ao final da sua vida… . O Pe. Costa Araújo recordou
que o “ Jesus que morre na Cruz é um Jesus de Perdão e Misericórdia, é o
Cordeiro que se oferece em sacrifício pela redenção da humanidade e também, um
Juiz que até perdoa ao ladrão arrependido a quem concedeu, imediatamente, o
Paraíso. Jesus espera o nosso
arrependimento e consequente conversão” …
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Na continuação desse Cerimonial foi a visita às 7 Igrejas, simbolizando as
7 Igrejas de Roma… visita essa que se prolongou até à meia-noite. As pessoas
percorriam, em filas silenciosas, o perímetro de cada Igreja, em clima de
oração e contemplando melhor os objectos de culto aí expostos. Recordo que na Igreja de Nossa Senhora das Dores a imagem
da Virgem Maria foi trazida para junto do grande Crucifixo que aí se venera
- numa comemoração da Mãe Dolorosa junto à Cruz de seu Filho (stabat Mater Dolorosa,
juxta crucem lacrimosa, dum pendebat filius – estava a Mãe
Dolorosa, derramando lágrimas de dor, junto à Cruz em que estava cravado seu
Filho “ ) !...
Tenho apreciado várias
procissões do “ Senhor Morto “, mas é difícil encontrar tão impressionante
mostra de respeito e piedade perante esse “ funeral de Cristo “. É uma autêntica compaixão —
“ padecer
juntamente com… “ nesse momento indescritível da solidariedade para com
Cristo e Nossa Senhora da Soledade, que ficou sem o amparo de seu Filho!
A própria Câmara Municipal faz baixar o nível de iluminação nas ruas
por onde passa esse féretro que nos recorda a noite trágica que se viveu
após a Morte do Messias Salvador. Nas
janelas e sacadas pendiam panos pretos manifestando
o luto pela Morte de Cristo — num sentido impressionante de condolência. Jesus ficará encerrado no sepulcro de onde Ressuscitará na
madrugada do terceiro dia ( Sexta, Sábado e Domingo da Ressurreição
) .
No
fim da Procissão, como é usual, as Autoridades Locais, bem como os membros das
Confrarias, Chefes de Bombeiros, Escuteiros (…), vieram à Sacristia para
cumprimentarem os sacerdotes presentes desejando-lhes “Boa Páscoa”. À frente apresentava-se o Presidente da Câmara
Municipal – Eng. Aires Pereira – com
alguns Vereadores. Nesse dia pontificava o Senhor Bispo D. Manuel Rodrigues
Linda - Bispo Castrense das Forças Armadas ( Exército – Marinha – Aviação –
Forças da Segurança / G.N.R. – P.S.P. …). Assim, as Autoridades deste sector estavam, a cumprimentar o seu Bispo
próprio, que pouco tempo antes, tomara posse do seu cargo, constituído na
hierarquia militar no posto de Major General! …
O IMPACTO DA MORTE NESTES DIAS DE VIVENCIADA ESPERANÇA EM CRISTO
RESSUSCITADO.
Nesta Semana Santa a Morte
aparece-nos com um sentido muito especial e muito próximo. Já dizia São Paulo :
“ Completo
em mim o que falta à Paixão de Cristo. Se com Ele morrermos com Ele
ressuscitaremos. Ó morte onde está a tua vitória?“ Todo o país se condoeu com a trágica morte
de vários pescadores de Caxinas e de Vila de Conde, num naufrágio do barco,
nas Astúrias (Mar Cantábrico) …. Dolorosa
Semana Santa para esse povo cristão das Caxinas, cuja Igreja tem a forma de barco e é dedicada ao Senhor dos Navegantes,
pregado na grande Cruz. O Pároco
dessa martirizada Paróquia de Caxinas —
Monsenhor Domingos Araújo — lamentava, muito emocionado, que
no tempo em que preside a esta paróquia, já fez o funeral a quase uma centena de pescadores!... O Arcebispo de Braga, veio associar-se e
trazer oportuna palavra de esperança. Note-se que Caxinas e grande parte de
Vila do Conde pertencem à Arquidiocese de Braga, constituindo o Arciprestado
Vila do Conde / Póvoa de Varzim.
Também faleceu a mãe de Monsenhor
Ferreira da Costa, ele que veio de Roma, interrompendo o seu trabalho na
Secretaria de Estado do Vaticano para estar no funeral de sua Mãe, Deolinda — “ linda para Deus “( por sinal
minha Mãe também era Deolinda e até faria 100 anos em 25 de Abril…). Sei o que vale a Mãe, na vida de um sacerdote,
pois devo a minha vocação, à Fé fervorosa de minha Mãe… . Mais uma vez, o Arcebispo D. Jorge veio presidir à
celebração fúnebre que se ficou apenas em “ Celebração
da Palavra “, porque, em Sábado Santo, não pode haver Missa. Apenas a da Vigília Pascal que é Vigília de Domingo de
Ressurreição. Estiveram vários sacerdotes, embora o dia não permitisse
maior afluência.
O Papa Francisco enviou uma bela mensagem, solidarizando-se com o luto do seu dedicado
colaborador, pois Monsenhor Ferreira
da Costa está na Secretaria de Estado do Vaticano, encarregado das
traduções de português. Todos ficamos beneficiados com uma especial bênção apostólica.
Aí
estavam também o Cardeal D. Manuel Monteiro de Castro e o Pe. Mário
Rui que trabalha nos célebres
Tribunais do Vaticano ( Rota Romana
). Portanto Roma esteve muito presente
naquela ampla Igreja da Paróquia de S. Cristóvão de Rio Mau— das mais amplas Igrejas modernas
do país, devida à dedicação do Pe.
Domingos que aí se encontra há várias dezenas de anos.
N.B. Esta Crónica / Reportagem já está
pronta, desde o princípio da Semana Pascal. Não foi divulgada antes, por razões
alheias ao meu intento.
Segue, de imediato, a 2ª Parte – porque
há outros assuntos na calha ou rampa de lançamento. Desejo a todos os leitores continuação de uma Páscoa Feliz, porque o “
Tempo Pascal “ dura 7 semanas, até ao Pentecostes.
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Pe. Manuel Oliveira Couto –
“ CADERNOS
NOVA EVANGELIZAÇÃO ”
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