segunda-feira, 5 de maio de 2014

BARROSO da FONTE - Maio o mês de todas as lamurias e desgostos políticos




Barroso da Fonte
Barroso da Fonte
Dia 1 de Maio é dia do Trabalhador. O país pára para celebrar quem gera riqueza. É esta que nos falta, porque  diz o povo: «quem não labuta não manduca».

Eu nunca soube estar parado. Mas respeito quem descansa. Cristo assim o quis quando criou o Domingo. E os políticos, sempre mais generosos do que a própria moral, criaram os feriados, para conquistarem a simpatia dos eleitores. É por essas e por outras que os políticos nunca se entenderam. Daí que o ditado defina «as promessas dos políticos são como os anos bissextos: mudam de quatro em quatro anos».
Estamos em pré-campanha para as Europeias. Uma soberana ocasião para testar estes provérbios populares. Basta ligar qualquer canal televisivo. Aqueles que hoje prometem acabar com os sem-abrigo, com o desemprego e com a fome vão endurecer a voz, o gesto e os clamores. Aqueles que geraram a dívida, que não querem pagá-la e que prometem devolver as reformas e os dinheiros aos trabalhadores, já esfregam as mãos de contentamento. Todos ansiamos o mesmo. Como chegar lá?
  Um capitão de Abril fez-me chegar  um artigo da escritora Rita Ferro. Chamou-lhe a náusea. Foi escrito e publicado no dia 24 de Abril. Circulou mundialmente pelas redes sociais. É uma obra de arte. Aqui fica a pensar naqueles que não têm acesso ao Google.


«Conhecem aquele tipo de beatas ou ratas de sacristia, essas matronas que se apoderam das igrejas católicas, mudam as dálias do altar, barricam o acesso aos padres e lhes engomam os paramentos em êxtases ambíguos, destratando os humildes e adiantando-se nas naves para serem as primeiras a comungar, de olhos em alvo e estendendo, papudas, as mãos à hóstia? Essas, precisamente! E sabem por que motivo me enervam mais do que qualquer pecador cristão? É simples: porque não pecam na casa delas, mas na de Jesus.

Ora bem. É seguindo a mesma lógica que certos socialistas me revoltam mais do que qualquer burguesia exploradora, pelas mentiras, falcatruas e conspiratas que fazem, servindo-se dos clichês humanistas para depois se borrifarem nos pobres, aburguesando-se num crescendo assustador e apoderando-se, um a um, de todos os confortos dos ricos ou do que entendem por «alta sociedade»: o carrito de luxo, a casita com piscina, a contita na Suiça - tudo ambições humanas, mas anãs.

Ao contrário, a Direita, sendo egoísta, comodista, diletante, individualista - tudo o que quiserem, reconheço - ao menos não mistifica as suas prioridades!

Em suma: não há partidos, há pessoas, e a ambição é comum às duas margens, já o sabemos. Mas a de alguns socialistas é tão execravelmente hipócrita que acaba por enojar quem, como eu, neta de salazaristas, foi tão pronto a entender a bênção da democracia que chegou a dar-lhes, penitente e escrupuloso, o benefício da dúvida.

O exemplo começou com o mais emblemático dos paladinos da liberdade e da justiça: El Rei Dom Mário Soares e os seus sucessivos citroëns de luxo, personalizados como um monograma, os tailleurs Chanel da Maria Barroso, talhados no Ayer, e as suas casinhas na cidade, serra e praia, para se aquecerem ou refrescarem consoante as estações do ano - e, finalmente, até uma Fundação para se distraírem na reforma; décadas depois, a coisa refinou: temos o Sócrates a vestir-se por estilistas da Rodeo Drive de Los Angeles, a ministrada anti-fascista a rolar em séries 5, e os quadros estratégicos das empresas públicas a ganharem salários que nem os banqueiros ganham - mete nojo!

(Atenção: escreve-vos a sobrinha de um Director Geral do Turismo,  casado e com cinco filhos, de rendimento modestíssimo, que, em Abril de 74, foi enjaulado em Caxias como um vulgar delinquente por alegado crime de peculato, por gastar - segundo a grelha da (in)Justiça Revolucionária - «demasiada água do Luso»! Miseráveis: não lhe arranjaram mais nada! E agora digam-me: visitar um tio na prisão por servir garrafas de água, nas funções representativas que ocupava, e ter de encará-lo atrás das grades prostrado pela desonra, para agora ver esta maltosa arrivista em lugares-chave, alguns deles profundamente desconhecedores de maneiras ou protocolo, a jantarem no Eleven e a regarem-se a Chivas?)
Palavra de honra: antes os políticos comunistas e bloquistas ? autistas no seu radicalismo anacrónico e obviamente perigosos num cenário de poder ? mas, apesar de tudo, com outra face, outra decência, outra coerência doutrinária! E digo-vos mais: nem deveria ser gente como eu, apenas crítica ou sangrando sobre os escombros de uma pátria pilhada e demolida, a revoltar-se, mas os próprios socialistas, honestos e convictos da consistência da sua ideologia, a demarcarem-se, exigindo o afastamento de quem tão gravemente os embaraça, compromete e, por associação, os arrasta para este lodo de troça e de descrédito! E só digo mais isto: coitados dos militares de Abril, analfabetos, que alinharam: foram usados! Cravos, sim, mas para pregarem nas mãos desses!»  

 Atenção: não confundir esta Rita Ferro com outra outra do mesmo nome.      

Barroso da Fonte                 
                                                                                            


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Tintim traduzido para mirandês.

 

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