Qualquer coisa nos pode fazer
rir. Com vontade. Por vezes, situações caricatas (como tombos de pessoas) que
nos deviam provocar comiseração, provocam-nos o riso. Mas pequenos detalhes
humanos o podem provocar, como uma simples palavra. Foi o que nos sucedeu
quando no jornal Público (8 de Março, XIII) líamos a crónica de Francisco
Teixeira da Mota, intitulada “A justiça de Fafe ao ataque …”. Em síntese, o
advogado conta uma história que se passou em Fafe. Dois rapazolas,
por impropérios proferidos à GNR vão a tribunal. Em Fafe são condenados, mas a
seguir recorrem para o Tribunal da Relação de Guimarães e são absolvidos.
O que nos provocou o riso não foi
a história em si, foi uma palavra proferida por um dos protagonistas.
Pouco passava da uma da manhã
quando a GNR foi chamada para impor a ordem pública à saída de um bar. Um dos
guardas (Abílio) dirigiu-se ao João, um dos exaltados, aconselhando-lhe calma.
“Eu falo como eu quiser! Eu conheço os meus direitos! Eu tenho um tio que é
cabo da Guarda Nacional Republicana e vou já ligar com ele!”, respondeu-lhe.
Outro dos exaltados, o Roberto, dirigiu-se a outro guarda e disse-lhe:
“Bate-me, anda lá, bate-me. Eu sei que vocês não podem fazer nada”.
Os guardas incomodados com estas
invectivas chamaram-nos à parte. Roberto, quando chegou perto da viatura,
atirou-se ao chão simulando que estava a ser agredido. João gritou: “Já um
guarda teve um processo e teve de pagar uma indemnização! Eu tenho gravagens!
Eu tenho gravagens!”.
Chegados aqui, rimos a bom rir.
Quem se não tenha apercebido, com o desenrolar do escrito fica a saber pelas
palavras da juíza desembargadora Lígia Moreira, o que são gravagens! São gravações!
Armando
Palavras
Comentário:
A nós só nos interessou a parte
cómica do episódio. Mas em termos sociológicos ele revela muita coisa. O
Tribunal de Fafe considerou esses impropérios crime, o da Relação de Guimarães,
não, absolvendo os arguidos.
O autor do escrito considera que
foi ajuizada a intervenção do Tribunal da Relação, mas não acrescenta mais
nada.
Nós que não temos a veleidade de
julgar casos judiciais, também estamos de acordo com o autor. Mas que o que se
passou demonstra uma enorme falta de respeito pelas pessoas, e, neste caso,
pelas instituições, lá isso demonstra. E as faltas de respeito, embora não
sejam crime, podem estar no limiar de o provocar. Ao que parece, o João e o
Roberto (os insurrectos) foram a cantarolar para casa enquanto os guardas da
GNR foram enxovalhados. Esta é que é a questão. Absolvidos como criminosos, não
o deviam ser como cidadãos.
São estas pequenas coisas, todas
juntas, que explicam a bancarrota do país!

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