terça-feira, 12 de março de 2013

Gravagens !

 
Qualquer coisa nos pode fazer rir. Com vontade. Por vezes, situações caricatas (como tombos de pessoas) que nos deviam provocar comiseração, provocam-nos o riso. Mas pequenos detalhes humanos o podem provocar, como uma simples palavra. Foi o que nos sucedeu quando no jornal Público (8 de Março, XIII) líamos a crónica de Francisco Teixeira da Mota, intitulada “A justiça de Fafe ao ataque …”. Em síntese, o advogado conta uma história que se passou em Fafe. Dois rapazolas, por impropérios proferidos à GNR vão a tribunal. Em Fafe são condenados, mas a seguir recorrem para o Tribunal da Relação de Guimarães e são absolvidos.
O que nos provocou o riso não foi a história em si, foi uma palavra proferida por um dos protagonistas.
Pouco passava da uma da manhã quando a GNR foi chamada para impor a ordem pública à saída de um bar. Um dos guardas (Abílio) dirigiu-se ao João, um dos exaltados, aconselhando-lhe calma. “Eu falo como eu quiser! Eu conheço os meus direitos! Eu tenho um tio que é cabo da Guarda Nacional Republicana e vou já ligar com ele!”, respondeu-lhe. Outro dos exaltados, o Roberto, dirigiu-se a outro guarda e disse-lhe: “Bate-me, anda lá, bate-me. Eu sei que vocês não podem fazer nada”.
Os guardas incomodados com estas invectivas chamaram-nos à parte. Roberto, quando chegou perto da viatura, atirou-se ao chão simulando que estava a ser agredido. João gritou: “Já um guarda teve um processo e teve de pagar uma indemnização! Eu tenho gravagens! Eu tenho gravagens!”.
Chegados aqui, rimos a bom rir. Quem se não tenha apercebido, com o desenrolar do escrito fica a saber pelas palavras da juíza desembargadora Lígia Moreira, o que são gravagens! São gravações!
Armando Palavras



Comentário:

A nós só nos interessou a parte cómica do episódio. Mas em termos sociológicos ele revela muita coisa. O Tribunal de Fafe considerou esses impropérios crime, o da Relação de Guimarães, não, absolvendo os arguidos.
O autor do escrito considera que foi ajuizada a intervenção do Tribunal da Relação, mas não acrescenta mais nada.
Nós que não temos a veleidade de julgar casos judiciais, também estamos de acordo com o autor. Mas que o que se passou demonstra uma enorme falta de respeito pelas pessoas, e, neste caso, pelas instituições, lá isso demonstra. E as faltas de respeito, embora não sejam crime, podem estar no limiar de o provocar. Ao que parece, o João e o Roberto (os insurrectos) foram a cantarolar para casa enquanto os guardas da GNR foram enxovalhados. Esta é que é a questão. Absolvidos como criminosos, não o deviam ser como cidadãos.
São estas pequenas coisas, todas juntas, que explicam a bancarrota do país!

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