sexta-feira, 14 de abril de 2023

O soldado Milhões 128 anos depois


Por BARROSO da FONTE


Finalmente um dos mais carismáticos heróis do século XX foi recordado na sua terra natal.

Valongo de Malhais, concelho de Murça. A homenagem, nem antes nem depois, foi coincidente com qualquer data cronológica, relativa ao herói transmontano. E também não foi, previamente anunciada nos órgãos de comunicação adequados à informação, cuja função é dar a conhecer o que se passa no país.

Aníbal Augusto Milhais nasceu em julho de 1895 e faleceu aos 75 anos de idade. Era uma figura franzina que pesava metro e meio de altura. Dia 9 de Abril de cada ano celebra-se, habitualmente, como o dia da Batalha de La Lys. O atual governo, em 2020, mexeu, após tantas promessas, defraudou a maior parte dos destinatários, aos quais anunciou o céu e mandou o inferno. Incluindo o dia do Combatente que baralhou a todos e centralizou o símbolo na Batalha de La Lys, quando foi nos 13 anos de guerra no Ultramar.

Homenagear, numa segunda-feira, dia de trabalhos agrícolas, o herói Milhões, foi mais uma cena desmotivadora para os Portugueses que, sabendo desse evento, caso coincidisse, num domingo ou feriado, poderiam deslocar-se ao berço desse verdadeiro herói que, sozinho, em 9 de Abril d 1918, utilizando as armas e munições daqueloutros que iam tombando, iludiu os vencedores.

O país de hoje está mais desatento, mais materialista e mais desumanizado do que em 1918. O soldado milhões regressou a Valongo de Milhais. E o seu comandante proferiu o maior louvor que poderia dar-lhe: - tu és de Milhais mas vales milhões!

Foi com esse frémito vencedor que Aníbal Milhais criou 11 filhos e seguiu para o Brasil, como emigrante, para angariar dinheiro para a construção de casa, na sua terra. Só que os portugueses desse tempo, quando souberam disso, cotizaram-se e reuniram as verbas necessárias para que esse herói nacional regressasse a Portugal. Que grande lição deram os emigrantes que se encontravam no país irmão!

O atual Presidente da República veio, agora, a Murça inaugurar a reconstrução da Casa que foi transformada em Casa-Museu

. Foi recebido por um dos 11 filhos de Milhões, o António. Nesse Centro interpretativo se pode conhecer a história de vida do pai e dos filhos.

Soube-se, nessa cerimónia, que o concelho de Murça, viu partir para essa primeira grande guerra, 127 militares. O PR chamou ao soldado Milhais «o herói único e singular». E reconheceu que temos heróis anónimos na história de Portugal. Garantiu que veio a Murça para homenagear um homem excecional que foi condecorado com a Ordem Militar de Torre e Espada, a mais importante condecoração portuguesa.

A este propósito recebi uma mensagem de António Guilhermino Pires, «o Zé de Murça», em que lamenta, nos termos que aplaudo, sem reservas, o seguinte texto:


«Sem pôr em causa a liberdade e o profissionalismo dos jornalistas-repórteres que acompanharam S/Ex.a o PR a Murça e Valongo de Milhais, confesso que senti ofendida a Autarquia, a população, a família e os amigos do «soldado-herói Milhões» que estava a ser homenageado. Foi simplesmente ignorado, ele e a homenagem prestada pelo PR, por cuja razão ali se deslocou propositadamente. Marcelo Rebelo de Sousa disse-o claramente. Mas os órgãos de informação presentes, nos atos programados de tão significativo evento, preferiram a abordagem e especulação política, das questões na berra, desgastadas, de inverdades, gestão e governança, subestimando quanto de patriótico aconteceu junto ao Monumento ao nosso Herói, na Vila, e calando ou minimizando as referências culturais em Valongo, onde se inaugurou o Núcleo Museológico - a própria casa restaurada e adaptada como casa-museu do Soldado Milhões. Era a razão da presença e do discurso inflamado de patriotismo do Sr. Presidente da República. E o que ouviram os portugueses nas rádios? E o que foi transmitido e projetado nas televisões? Um evento de carácter histórico-cultural-turístico não altera as estatísticas... Considero uma falta não se ter cantado o Hino Nacional, mas muito mais humilhante e indigno foi o desprezo dado a quanto ali tinha e tem valor, que trocaram pela cegueira dos interesses de jornalismo barato e sem ética que tudo confunde e mistura sem discernimento, na ânsia do exibicionismo oportunista. Não estiveram bem à sua altura, os órgãos de informação, relativamente a Murça e ao que lá se passou dia 10 de Abril.

Os portugueses - e os transmontanos e alto-durienses, merecem mais do que ver e ouvir as baboseiras repetitivas que nada trazem de edificante para a Nação».

Concordo e subscrevo.

                                                                                                         Barroso da Fonte

1 comentário:

  1. O que interessa o respeito pelas origens e pela fama que nos legaram ... - dá dinheiro e audiências?-`bora lá, seguir enfrente! ...-Vestidinhos decotados e dinheiro para cilicone, abanar as "partes" em ritmo de cantoria pimba e já está -povo entretido...

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