O relato da Paixão de Cristo é, nos evangelhos sinópticos, comprimido numa semana. Hoje, Quinta Feira, deu lugar à Última Ceia de Jesus com os doze.
A ceia é um dos momentos mais
importantes da narrativa evangélica. É ela que institui um dos principais
sacramentos da liturgia cristã: a Eucaristia[1].
Como era costume entre os judeus,
Jesus e os seus discípulos dirigiram-se a Jerusalém para celebrarem a Páscoa[2].
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| Peter Paul Rubens, 1631 |
O episódio, segundo Louis Réau,
deu origem a dois temas iconográficos distintos que classificou de “Ceia
histórica ou narrativa” e “Ceia simbólica”, conforme os artistas privilegiaram
a narração da traição de Judas, ou a instituição do sacramento da comunhão
eucarística[4].
A arte bizantina ao representar a
comunhão dos apóstolos reteve como aspectos fundamentais o simbólico e o
litúrgico. A arte ocidental, pelo menos até à Contra-reforma, privilegiou o
aspecto histórico do relato.
O número de apóstolos, a
disposição dos comensais, o lugar ocupado por Judas, ou por Jesus, os atributos
de Judas para o assinalarem com as piores qualidades humanas, variaram com o
tempo.
Uma característica, porém,
manteve-se. Além de Judas, o outro apóstolo destacado foi sempre João,
normalmente representado junto ao peito do Mestre. Atitude apenas mencionada no
Evangelho de João (XIII, 23) e imposta pela tradição, também confirmada na
literatura apócrifa[5].
[1] O
momento
[2]Em
rigor, havia duas festas distintas: a Páscoa, que só durava um dia, e a Festa
dos Pães Ázimos, que durava os sete dias seguintes.
[3]O
relato de João, em certos detalhes, não coincide com os relatos sinópticos.
Para Mateus, o traidor é o que mete a mão no prato. De acordo com Lucas é o que
tem a mão sobre a mesa.
[4] RÉAU, Louis, Iconografia
da arte cristã, Vol 5, p. 409.
[5] No
Livro do Descanso (42-45), Maria já
próxima da morte, dirigindo-se a João o primeiro apóstolo a chegar, lembrou-lhe
que Jesus o amara mais do que aos outros. Mais recentemente James D. Tabor,

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