A cobardia não aproveita
a ninguém. Sempre ouvi e aprendi assim. Vem isto na sequência de um artigo que
li no Publico, do catedrático Luís Reis Torgal, e que me mereceu especial atenção
face ao modo como se refere à polémica gerada por causa do badalado “Museu
Salazar”. Por norma não me prendo com leitura que se desvie do meu normal modo
de ver e pensar pois não gosto bombardear o meu cérebro com material bélico. E
as vezes com certa literatura isso acontece. Mas este artigo seduziu-me e
levou-me mais longe: a duvidar de certos políticos que para conquistar votos
até se escondem de ser autênticos e verdadeiros como desejávamos que fossem.
Porquê um PSD e um CDS entenderam não ser carne, nem peixe e votar a favor a
criação de um Centro Interpretativo do Estado Novo? Quando á sua frente, estão
democratas como António Rochette, João Paulo Avelãs Nunes, e outros como o
próprio Luís Reis Torgal? Além de todos saber que não é normal desconfiar de
quem quer que seja se haver razão para isso, mas antes averiguar se algum
motivo existe que leve a pensar assim. Pelos vistos tudo não passou de uma
trama daquelas a que estamos habituados a assistir e vamos continuar a ver
neste circo de palhaçadas. Senão vejam o que reza parte do dito artigo:
“Deveria, na qualidade de
historiador, ao menos, conhecer melhor os documentos, para se aperceber o que,
na verdade, se pretenderá realizar. E acrescenta: “Na Alemanha ninguém se
atreveria a propor um museu de Hitler ou em Itália um museu de Mussolini; seria
claramente anticonstitucional”. É certo que é assim, mas não deixa de ser
curioso que a casa de Mussolini em Predappio tenha sido restaurada pela Comuna
para ali se realizarem exposições temporárias, algumas sobre temas do fascismo.
Quanto a Hitler, a casa onde nasceu, em Braunau am Inn (na Áustria), também se
encontra de pé e bem conservada, sem qualquer sentido museológico, mas foi
restaurado o “Ninho da Águia” nos Alpes bávaros, sem que isso fosse considerado
uma afirmação anticonstitucional e neonazi. E, deve notar-se que, além dos
campos de concentração serem excelentes museus para se entender o Holocausto e
por ele manifestar o horror, a Alemanha aceitou transformar o que resta do
palácio de congressos de Nuremberga, onde se realizaram os tristemente famosos
encontros do Partido Nazi, num moderno centro de documentação, onde se recorda
o triste passado hitleriano e se abre sobretudo a jovens estudantes, para que
não mais se esqueçam dessa história terrível”. – Mesmo depois de morrido
Salazar, contínua a dar que falar; bem diferente dos que vieram a seguir a ele,
que já nem a história os regista.

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