domingo, 15 de setembro de 2019

O que Salazar nos arranja, já depois de morto.




Por: Costa Pereira Portugal, minha terra      

A cobardia não aproveita a ninguém. Sempre ouvi e aprendi assim. Vem isto na sequência de um artigo que li no Publico, do catedrático Luís Reis Torgal, e que me mereceu especial atenção face ao modo como se refere à polémica gerada por causa do badalado “Museu Salazar”. Por norma não me prendo com leitura que se desvie do meu normal modo de ver e pensar pois não gosto bombardear o meu cérebro com material bélico. E as vezes com certa literatura isso acontece. Mas este artigo seduziu-me e levou-me mais longe: a duvidar de certos políticos que para conquistar votos até se escondem de ser autênticos e verdadeiros como desejávamos que fossem. Porquê um PSD e um CDS entenderam não ser carne, nem peixe e votar a favor a criação de um Centro Interpretativo do Estado Novo? Quando á sua frente, estão democratas como António Rochette, João Paulo Avelãs Nunes, e outros como o próprio Luís Reis Torgal? Além de todos saber que não é normal desconfiar de quem quer que seja se haver razão para isso, mas antes averiguar se algum motivo existe que leve a pensar assim. Pelos vistos tudo não passou de uma trama daquelas a que estamos habituados a assistir e vamos continuar a ver neste circo de palhaçadas. Senão vejam o que reza parte do dito artigo:
“Deveria, na qualidade de historiador, ao menos, conhecer melhor os documentos, para se aperceber o que, na verdade, se pretenderá realizar. E acrescenta: “Na Alemanha ninguém se atreveria a propor um museu de Hitler ou em Itália um museu de Mussolini; seria claramente anticonstitucional”. É certo que é assim, mas não deixa de ser curioso que a casa de Mussolini em Predappio tenha sido restaurada pela Comuna para ali se realizarem exposições temporárias, algumas sobre temas do fascismo. Quanto a Hitler, a casa onde nasceu, em Braunau am Inn (na Áustria), também se encontra de pé e bem conservada, sem qualquer sentido museológico, mas foi restaurado o “Ninho da Águia” nos Alpes bávaros, sem que isso fosse considerado uma afirmação anticonstitucional e neonazi. E, deve notar-se que, além dos campos de concentração serem excelentes museus para se entender o Holocausto e por ele manifestar o horror, a Alemanha aceitou transformar o que resta do palácio de congressos de Nuremberga, onde se realizaram os tristemente famosos encontros do Partido Nazi, num moderno centro de documentação, onde se recorda o triste passado hitleriano e se abre sobretudo a jovens estudantes, para que não mais se esqueçam dessa história terrível”. – Mesmo depois de morrido Salazar, contínua a dar que falar; bem diferente dos que vieram a seguir a ele, que já nem a história os regista.

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