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| Jorge lage |
No Verão devemos fazer alguma leitura de um livro que nos
agrade ou nos desperte curiosidade. É melhor irmos lendo um pouco do que
gastarmos dinheiro em medicamentos. Melhor dizendo, fazer um pouco de
exercício, quer em trabalhos domésticos ou do campo ou uns passeios pela urbe,
ajudam-nos a manter uma saúde melhor. Para completar a trilogia de uma velhice
feliz e saudável há, ainda, a componente social. Isto é, devemos conservar as
sãs amizades dentro da família, dos bons amigos e vizinhos. Dou muito valor aos
povoados ou bairros que cultivam os laços de amizade. Valorizo, ainda, os
encontros e convívios regulares que ex-colegas de profissão ou da vida militar.
Algumas famílias perdem o amor a uns euros e promovem um encontro ou homenageiam
algum dos presentes ou a memória sagrada dos que partiram, como aconteceu, há
pouco, com os filhos do meu falecido primo António, José Manuel e Fabiana,
dando uma merenda ajantarada para a família, vizinhos da aldeia e outros. Mas,
vamos ao cultivo da mente e à busca de mais saber que pode chegar pela leitura.
Destaco alguns livros de autores (locais ou região), sendo para mim difícil
entrar em fumaças culturais da globalização. Já tinha aconselhado a leitura do
livro de Jorge Golias, «História do Sport Clube de Mirandela» e que
esgotou num ápice. Outro livro importantíssimo, agora reeditado, «Gente na
Minha Terra», do saudoso Nuno Nozelos. Para se conhecer melhor a obra ímpar
de Miguel Torga pode ler-se do franciscano mirandelense do Franco, Armindo
Augusto, «O Drama de Miguel Torga». De Barroso da Fonte, «Crónicas do
Tempo de Guerra», merece uma leitura agradável. Pela crítica piedosa e
encomiosa que teve o meu livro «Romanceiro da Castanha», poderá ser uma
opção. Uma monografia interessante em saberes etnográficos e antropológicos, de
José Veríssimo, é «Lagoaça – Loisas e Outras Coisas», com Prefácio de
Armando Palavras, citando António Vermelho do Corral, em «Da Oralidade ao
simbólico», sobre a transmissão da memória imaterial colectiva «a oralidade
é o principal veículo através do qual se processa a transmissão da cultura das
gerações antigas às mais jovens…», sobre Lagoaça grande aldeia de Freixo de
Espada-à-Cinta, dando a conhecer um mundo rural em extinção acelerada, como: «a
matança do porco», «o entrudo», «o cantar das almas», «o pastor», «os sinos» e
«as parvas». António Mosca, autor valpacense, com engenho na arte da escrita,
publicou agora «O gato que plantava afetos seguido de Rapazes», que,
segundo Pires Cabral, é «um conjunto de narrativas breves em que os
animais assumem protagonismo», a lembrar «o romance da raposa», de Aquilino, e
os Bichos, de Torga.
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