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| Jorge Lage |
Visitei as amigas, Filomena e Paula, do
Vértice da Moda, trocando impressões sobre a vida difícil e mirrada da luta
diária no Interior. Estava para sair quando entram duas senhoras de Vila Nova,
mordomas da Festa de Sto António, para angariar euros para as despesas da festa
rugida. Lamentam que a gente hoje faz mais faramalha do que contribui para
ajuda ao grande dia da sua festa e de outras terrinhas. Disseram que, para o
ano, pode não haver festa. Certa é que deixaram três bôlas-calcadas e levaram
15 euros. As bôlas azeitadas, a fumegar, em forma de palmilha de sapato e
regadinhas com ouro da terra, espalhavam aroma a pão-novo. Fiquei a pensar com
os meus botões: - cada bôla não lhes custava um euro. Ia valendo a pena a
canseira das senhoras. Depois, passámos em revista os bons velhos tempos, com o
saudoso Fernando Azevedo e para sua memória e teimosia da esposa, filho e
associado, o melhor pronto-a-vestir de Mirandela vai desfiando a conta dos
dias. Mas, podia haver mais gente, diziam. Podia, dizia eu, mas é preciso que o
poder autárquico olhe para a nossa cidade com olhos e coração ambicioso e de
mangas bem arregaçadas que isto de fumaça citadina esvai-se logo, que se apagam
as brasas da comezaina. Devia haver um «Conselho Cultural Consultivo»… ou,
então formar-se um «Conselho de Desenvolvimento Estratégico de Mirandela». Mas,
seria ameaça ao umbigo de alguns. Até lá, no dia do São Nunca-à-Tarde, vão-se
atirando com as culpas para os governos centrais e até para os pardais que
depenicam em eira varrida. As Mordomas mexeram comigo e espero que o Santo
António fortaleça com tachos novos, já que os velhos ficavam melhor no «Museu
Etnográfico das Terras de Ledra», se alguém o descobrir. Força, caras Mordomas
de Vila Nova e, também, todas as Mordomas das pobras do nosso concelho!

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