domingo, 31 de março de 2019

Os últimos colonos das Terras do Barroso (MONTALEGRE)


António Oliveira Salazar
29.03.2019 17h39

Na década de 50 do século passado, o Estado Novo pôs em marcha um plano de ocupação de terrenos baldios nalgumas das regiões mais deprimidas do país. A ideia era aumentar a produção agrícola de um país com evidentes carências alimentares e tentar fixar as gentes à terra.
O regime de Salazar oferecia casa, terreno de cultivo e sementes para a primeira campanha. Em troca, os colonos entregavam ao Estado a sexta parte da produção. Em Montalegre, a Junta de Colonização Interna ergueu cinco aldeias. Ricardo Bessa foi o último colono da Aldeia Nova do Barroso e, aos 88 anos, é o guardião da memória de uma dos últimos planos do Estado para tentar travar a desertificação do país.
Uma Reportagem Especial para ver no Jornal da Noite (SIC) de domingo.


E, já agora, para se inteirarem melhor sobre a questão, aconselha-se a consulta deste site: https://www.rtp.pt/noticias/pais/colonos-vieram-nos-anos-50-para-verem-a-terra-mingar-e-os-filhos-emigrar_n59064

E o Doutor salazar é que era o fascista! Mas por aqui se nota que distribuiu mais riqueza do que os "democratas abrileiros"!


O genocídio Ocultado – O tráfico negreiro árabo - muçulmano


Em 2008, Tidiane N’Diaye lançou a publico, em língua francesa, um livro (Le Génocide Voilé) que, para os especialistas e os leitores cultos, punha ponto final na discussão sobre a escravatura africana.
Image result for joão pedro marques escravaturaContudo, como é costume, uma certa casta portuguesa, por questões ideológicas, há cerca de um ano, continuou a alimentar uma discussão que Tidiane N’Diaye deu como concluída. E de nada serviu que estudiosos como João Pedro Marques se rebelassem contra as aldrabices lançadas na imprensa. A casta insistiu no tráfico transatlântico, sobretudo o português!
Nós próprios nos pronunciámos neste espaço sobre o assunto. De nada valeu. A casta insistiu na aldrabice.
A bem da verdade acaba de sair a público esse mesmo livro, publicado em língua portuguesa pela Gradiva.
E bastam as palavras do próprio autor na introdução para pôr em sentido a tal casta. 


Até porque N’Diaye é africano e preto (o uso desta palavra é intencional). Franco-senegalês, é antropólogo e economista de renome, e trabalha no INSEE (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Económicos Franceses).
Tanto o título como o subtítulo nos dizem tudo. Mas ouçamos o autor: “Enquanto o tráfico transatlântico durou quatro séculos, os árabes arrasaram a África Subsariana durante 13 séculos ininterruptos. A maioria dos milhões de homens por eles deportados desapareceu devido ao tratamento desumano e à castração generalizada” (p. 8).
E, a terminar esta nota introdutória, no último parágrafo, acrescenta: “É mais do que tempo de o genocidário tráfico negreiro árabo-muçulmano ser examinado e debatido, ao mesmo título que o tráfico transatlântico. Embora não existam graus no horror nem monopólio da crueldade, podemos afirmar, sem risco de equívocos, que o comércio negreiro árabo-muçulmano e as jihads* (guerras santas) provocadas pelos seus impiedosos predadores para obter prisioneiros foram, para a África Negra, muito mais devastadores do que o tráfico transatlântico. E isto ainda ocorre sob os nossos olhos (Janeirode 2008), com o seu quinhão de massacres e o seu genocídio a céu aberto” (p. 9).

A empresa familiar portuguesa mais famosa!



O jornal Sol acaba de lançar o organograma da empresa familiar portuguesa mais famosa! Tão famosa é que já extravasou o noticiário nacional, para ser notícia internacional. O patriarca da mesma é António Costa, advogado de formação e boy socialista de tempos imemoriais. No seu curriculum acrescenta-se ter sido número dois de José Sócrates que em 2011 levou o país à BANCARROTA! 
Já se contam 50 ligações e cerca de 20 famílias!


As reuniões da Tupperware no Governo

O ‘Governo-Família’ já tem uma versão de Zandinga na pessoa do primeiro-ministro que adivinha o futuro dos seus governantes.
Vítor Rainho - SOL

A história da família portuguesa mais famosa tem dado azo a muitas comparações com as famílias particulares, numa clara tentativa de branquear o atual Governo e suas ramificações. É normal que assim seja, já que aqueles que são atacados procuram contra-atacar para defender a honra da família. A política faz-se dessas coisas e não faltam voluntários que dão o corpo às balas por aqueles que estão no poder. Sempre assim foi e sempre assim será.
Ao ver os diferentes argumentos fui espreitar a história de um português que conseguiu criar um império quando deixou Portugal no princípio do século passado, tendo chegado ao Brasil em 1929, com 16 anos. Valentim dos Santos Diniz começou com uma pequena mercearia em São Paulo, depois abriu uma padaria com um sócio, mas como não queria dividir as decisões com ninguém vendeu a sua parte e inaugurou uma panificadora. A 7 de setembro de 1948 abriu a primeira loja com o nome de Pão de Açúcar, doces e salgados finos. Para encurtar a história, diga-se que, em 1985, o homem que deixou para trás Pomares de Jarmelo, na Beira Alta, tinha mais de 54 mil empregados nas suas 626 lojas, incluindo os que estavam nos escritórios. Cansado de tanto trabalho, Valentim quis deixar o comando das operações aos seus filhos, nomeadamente nas mãos do mais velho, que o acompanhava há já algum tempo. Acontece que essa decisão não foi bem aceite pelos outros filhos e a toda poderosa marca Pão de Açúcar quase entra em colapso, obrigando o velho patriarca a voltar aos comandos da empresa familiar.
Depois de um brutal emagrecimento do grupo, e de as disputas familiares acalmarem, decidiram recorrer a um diretor executivo de fora da família, pois só dessa forma profissional podiam ter sucesso. É histórico que as empresas familiares funcionam muito bem até ao momento da sucessão e, muitas das vezes, a incapacidade de o mentor do negócio de não delegar nos filhos a passagem de testemunho pode tornar-se fatal para a empresa.
Se assim é nas empresas, o que dizer do Governo? A questão do profissionalismo que demonstraram anteriormente não está em causa, mas encarar um Executivo e demais serviços do Estado como uma espécie de porto seguro dos seus familiares só não é escandaloso para quem não quer ver. Além de revelar uma pequenez de visão do país, denota que António Costa não reconhece talento a ninguém fora do seu circulo mais próximo. Digamos que estamos ao nível dos países africanos que saíram da guerra e em que o chefe máximo vai entregando setores fundamentais do Governo aos seus generais e familiares destes.
Costa entende que fazer do Conselho de Ministros uma espécie de reunião familiar da Tupperware, em que todos vendem e compram as ideias uns dos outros, é saudável e positivo para o país é lá com ele.
Lá fora já se goza com esta república monárquica e as sondagens cá dentro começam a demonstrar que as pessoas estão um pouco cansadas deste forrobodó familiar. O primeiro-ministro, claramente desorientado, até já faz de Zandinga quando prevê o futuro dos seus atuais governantes, insinuando que nunca seguirão os caminhos dos muchachos de Cavaco Silva. Esperemos que sim, que não se metam em bancos que nos custaram milhões de euros e que não passem do Governo para empresas que tutelaram. E podem aproveitar uma reunião mais alargada do ‘Governo-Família’ para combinarem o que farão quando se divorciarem do Executivo.


Um governo em família…
 Dinis de Abreu- jornal Sol

Há empresas em Portugal que têm como regra a não admissão de empregados com um grau de parentesco próximo de outros já nos quadros. Se isto acontece no setor privado, por maioria de razão deveria ser uma regra na administração pública, no setor empresarial do Estado ou no Governo.
Há vocábulos que emergem inesperadamente no espaço público, empurrados por uma determinada realidade substancial, e que ficam depois a pairar na narrativa mediática enquanto não se esgotam pela usura ou não são ultrapassados por outros. Os mais recentes são ‘nepotismo’ e ‘endogamia’. E até já saltaram a fronteira, como se leu no jornal espanhol El País…
Diz-se, com ironia, que temos a singularidade de um «Governo em família», ou que os escolhidos saíram da lista de convidados para festejar o aniversário de António Costa.
Ao Governo junta-se o PS na celebração desse ‘espírito de família’. A tal ponto que até Rui Rio, habitualmente cinzento, se saiu com humor ao dizer que «o Conselho de Ministros parece uma ceia de Natal».
Os exemplos ‘em família’ são conhecidos e vão desde Vieira da Silva e a filha Mariana, a Eduardo Cabrita e à mulher Ana Paula Vitorino, até a Francisca Van Dunem, ou aos recém-chegados Duarte Cordeiro e Pedro Nuno Santos.
O próprio presidente do PS e líder parlamentar, o açoriano Carlos César, não se envergonha de ter toda a família próxima investida em funções públicas e ele mesmo nunca conheceu outra atividade.
É um profissional da política que, em coerência, apareceu pressuroso a achar «natural que, em determinadas famílias, onde essa vocação se multiplica, as pessoas tenham empenhamento cívico similar». Di-lo sem o menor sobressalto cívico. Vale tudo.
A falta de pudor alastrou, aproveitando o adormecimento das oposições, e tornou-se mais atrevida por sentir a opinião pública anestesiada.
Há empresas em Portugal que têm como regra a não admissão de empregados com um grau de parentesco próximo de outros já nos quadros.
Fazem-no por uma questão de transparência e com o declarado intuito de eliminar favorecimentos ou conflitos de interesses,
Se isto acontece no setor privado, por maioria de razão deveria ser uma regra na administração pública, no setor empresarial do Estado ou no Governo.
O certo, porém, é que os boys e as girls têm inundado o aparelho do Estado. António Costa gosta de estar rodeado por um séquito de fieis, obedientes e acríticos. Francisco Assis pagou a ‘rebeldia’ com o nome riscado nas listas para o Parlamento Europeu. Ainda tentou ‘emendar a mão’, mas fê-lo demasiado tarde…
É improvável encontrar em governos democráticos um elenco tão enfeitado de amigos e compadres.
A «pandemia de relações familiares que pauta a composição do Governo» é «uma flagrante e temerária violação do princípio republicano» - afirmou Paulo Rangel, lamentando que o Presidente da República não tivesse advertido o primeiro-ministro em exercício contra essas «promiscuidades familiares».
Rangel defendeu mesmo que, «se se aplicasse o Código de Procedimento Administrativo nas reuniões do Governo, levaria a impedimentos sistemáticos de votações no Conselho de Ministros».
Algo que não parece incomodar muito quem deveria - quando se verifica a multiplicação de casos onde a condição de amigo, familiar ou titular de cartão do partido são os melhores atributos para desempenhar funções públicas.
Escrever isto hoje é, contudo, ‘chover no molhado’. No PS sobra gente exímia em se auto vitimizar, protestando estados de virtude e de inocência.
A cartilha tem ‘direitos de autor’ - e António Costa segue-a à letra, juntando-lhe um carrossel de inaugurações e de reinaugurações, ao estilo de Sócrates, com aproveitamento da máquina do Estado ao serviço da propaganda eleitoral.
A ‘cereja em cima do bolo’ foi a descarada manobra de redução dos passes sociais, sem cuidar antes de corrigir as frequentes anomalias que afetam os utentes dos transportes públicos.
 Em vez de se investir na melhoria da rede, na manutenção e na qualidade do material circulante - a cair de podre, como está provado nos comboios da CP -, incentiva-se a procura, mesmo sabendo de antemão que a oferta não dispõe de condições mínimas para corresponder a um aumento de circulação.
Pretende-se o efeito imediato e fácil. Apesar de governar em minoria, Costa faz o que lhe apetece, com a cumplicidade do PCP e do Bloco. O resultado não se recomenda.
Sócrates quis controlar a banca, a Justiça e os media - e quase o conseguiu. Costa é mais sofisticado. Espera ser ungido, finalmente, nas próximas legislativas, e alcançar os mesmos desígnios com menos custos de imagem. Aprendeu.
Com o sistema financeiro dependente, os media à trela, a Justiça novamente ‘domesticada’ - e os casos mais embaraçosos postos a recato, à espera de prescrição ou de um expediente processual qualquer -, Costa poderá dormir sossegado ou pôr o avental e ir cozinhar outra vez com a família para o programa da manhã da SIC…

Miguel Carvalho agora na Figueira da Foz

 última actualização do Boletim Bibliográfico


(e a anterior de 2018 em:)


Faz hoje um ano que encerrei a LIVRARIA MIGUEL DE CARVALHO em Coimbra. Faz hoje um ano que iniciei o processo de mudança de todo o acervo de dezenas de milhares de livros para a Figueira da Foz. Entretanto, estive a restruturar e reorganizar todo o acervo e o mesmo encontra-se hoje disponível na Figueira da Foz em dois espaços físicos, distanciados de 50 metros um do outro (a Livraria e o Armazém). A livraria física reabriu no coração histórico da Figueira da Foz, junto ao Pelourinho da cidade, no verão passado com horário reduzido. Agora, muito mais alargado, tenho as portas abertas no seguinte horário:

Terça a Sexta-feira: 15h00-19h00
Sábado e Segunda-feira: 10h30 - 18h00
Encerrado ao domingo e feriados.

Aguardo Vossa visita, ora física, ora virtual, na(s) morada(s) abaixo indicadas.
Votos de boa saúde com cordiais saudações bibliofílicas.
Atentamente ao dispor

Miguel de Carvalho 

LIVRARIA MIGUEL DE CARVALHO

Rua de “O Figueirense”, 12-14
3080-059 Figueira da Foz
 (233 420 118 | 968 079 282)

Coisas de Trás-os-Montes



Coisas de Trás-os-montes, podem ser consultadas AQUI.

A Nova Gramática do Latim



Finalmente, uma gramática moderna e atualizada do Latim, escrita por um dos maiores conhecedores portugueses em estudos clássicos, Frederico Lourenço. Fazia falta. Depois de darem cabo dos estudos clássicos no ensino (por questões ideológicas), esta gramática vem colmatar uma lacuna há muito a pedir estas páginas agora publicadas pela Quetzal.
Ao contrário do que se tem dito, o Latim não é luxo de eruditos; é a matriz da nossa identidade, do conhecimento daquilo que somos, do que é a nossa cultura, das nossas origens.
Frederico Lourenço, como outros, tem dedicado tempo e estudo à cultura clássica. A ele (como a outros) se deve o renascimento do gosto por esse mundo onde estão parte das nossas raízes.
“Esta Nova Gramática do Latim é uma obra de consulta e trabalho e, ao mesmo tempo, um livro fascinante sobre a língua latina, a sua literatura e os mistérios da língua que hoje falamos”.
Frederico Lourenço já foi premiado, mas merece mais prémios.
Da net, retiramos o seguinte comentário:

MARAVILHOSA
FREDERICO LOURENÇO
Fernanda S. Matos, Porto | 19-03-2019
Uma absoluta maravilha! Sem superlativos! Uma obra espectacular que me está a empolgar imenso. Comprei após folhear e começar a ler as primeiras páginas ainda na Bertrand. De tudo, ressalte-se a genialidade desse nosso grande intelectual de transformar uma gramática, um manual para aprender uma língua, num caso de amor, num romance, numa leitura tão aprazível. Com o livro, aprende-se não só a gramática em si, mas também um imenso conteúdo de cultura geral, sobre os povos latinos e a sua história e, igualmente, da HISTÓRIA da nossa língua. Indispensável a qualquer estante que se preze.

Ali aprenderam a viver sem trabalhar


Por: Costa Pereira Portugal, minha terra  



Li e não duvido do poder que tem a comunicação social e do que pode fazer de bem ou de mal quando pendente para um ou outro lado. Todos sabemos isso. Nota-se em Portugal, no Brasil e nos EUA, onde os interesses que ninguém sade de quem dependem, e vai de deitar a baixo, sem dó nem piedade tudo que não alinhe com o pensar dos ditos “iluminados” que têm á mão o microfone, o écran, a caneta ou a máquina fotográfica. Os quais muitas vezes até nem são eles que pensam, mas outros pensam por eles. Tudo que cheire a direita é mau, bom só aquilo que seja corrupção, desrespeito pelos valores dos nossos antepassados, e tudo mais que seja contrário ao favoritismo consumista da sociedade que o “modernismo” adotou. Não acreditam em promessas, mas é de promessas que toda esta gentinha vive…. E curiosamente nem disso se apercebem. Em Portugal temos um artista que sabe prometer, sem dar, no Brasil um presidente que prometeu mundos e fundos, mas não se soube rodear de quem o acompanhe, e como resultado sujeitasse a fazer, não a sua vontade, mas a de quem lhe está ao lado. Na América, digam lá o que disser, mas é sempre América.
 E quer queiram ou não, precisamos dela para nos ajudar nas horas das aflições, como na que agora aconteceu em Moçambique. Só ela vale por todas as demais quando necessário for. Vamos a por de lado o “malabarismo ideológico da esquerda”, das Catarinas, das Isabéis Moreiras, Mortáguas e dessas figuronas todas que são o que são porque foram criadas na abundância de boas famílias e ali aprenderam a viver sem trabalhar.

sábado, 30 de março de 2019

Porque não sou socialista



Image result for josé manuel fernandes José Manuel Fernandes OBSERVADOR
28/3/2019

A simples condição de “não socialista” parece estar tocada pela lepra e merecer um cordão sanitário. É pois tempo de dizer que não sou socialista porque já fui socialista e sei o que isso significa.
Não sou socialista porque já fui socialista. E não sou socialista porque sei o que isso significa e a ilusão que representa.
Pode parecer estranho vir afirmá-lo aqui e agora é porque se tenta que esta simples condição – a de “não socialista” – seja uma espécie de lepra em torno da qual se deve construir um severo cordão sanitário. E, no entanto, nunca foi tão necessário romper esta espécie de unanimidade não assumida que é uma das razões da nossa desesperança.
Não é fácil. Os alucinados de toda a vida e os idiotas úteis do momento que estão sempre a postos e, logo que ouvem alguém dizer-se “não socialista” às claras, sem medo e sem rodriguinhos, saltam a anunciar que chegou a “alt-right”. O que vai bem com o espírito dos tempos e esta forma de pensar Portugal em que não é necessário ser sequer do PS nem votar-se no PS para se fazer parte de uma cultura dominante de inspiração e prática socialista (sendo que no PS nem todos serão exactamente socialistas).
Por outras palavras: não venho aqui dizer que não sou socialista apenas porque não tenho ou tive família no PS (até porque isso seria mentira), antes venho dizer precisamente o contrário. A primeira razão porque não sou socialista é porque aprendi a sua doutrina ainda na adolescência, época em que a sua lógica me enfeitiçou, tempo em que percorri os caminhos da ideologia até aos seus limites mais absurdos, tudo antes de compreender – felizmente ainda bem cedo – a mentira da ilusão e ter deixado de tentar justificar todas as tragédias associadas.
Para mim tudo começou muito cedo, aos 13, 14 anos, quando o meu pai me deu a ler um pequeno opúsculo de Léon Blum, o primeiro socialista a dirigir um governo em França, nos anos da Frente Popular. Nele se procurava explicar o que era o socialismo e, para além de todas as ideias de justiça social, pareceu-me de uma lógica inatacável a ideia de que a economia funcionaria muito melhor existindo planeamento central. Sendo eu então um miúdo com uma fé quase ilimitada no conhecimento científico, era para mim claro que assim se evitaria o desperdício e mais facilmente se garantiria que haveria bens que chegassem para todos. Conhecíamos as necessidades, só havia que organizar a sua produção e distribuição.
Hoje, quase 50 anos depois, sorrio da minha ingenuidade. Na verdade tudo no planeamento central contraria a natureza humana, limita a inovação, estimula a preguiça e conduz à servidão. Tudo no planeamento central leva, mesmo no mais eficiente dos regimes, à produção de Trabant’s, enquanto a “caótica” concorrência vai produzindo Mercedes, Audi’s e e BMW’s.
E não, não descartem já este exemplo por exagerado, pois sei bem que há uma enorme, uma gigantesca distância entre o socialismo democrático de Léon Blum – o ramo a que pertence o nosso PS – e as muitas variantes totalitárias filhas da Revolução Russa e do leninismo – o tronco de que brotou o PCP mas também o Bloco de Esquerda. Contudo não podemos descartar os ensinamentos de décadas de “socialismo real”, sem economia de mercado, até porque não é preciso acabar com as eleições para vermos onde nos leva uma economia onde o Estado trata de mandar em tudo – basta olhar para o que se está a passar na Venezuela.
É por isso que é necessário ir mais longe e mais fundo e compreender que quando Friedrich Hayek escreveu O Caminho para a Servidão, em 1944, uma das suas teses centrais é que o comunismo só se diferencia do socialismo por uma questão de grau. No fundo a ideia de planificar a economia acaba sempre num esforço para “planificar a sociedade” que limita as liberdades. Muito vilipendiado, ainda hoje proscrito em muitos centros ditos “do saber”, o livro foi lido mal saiu por um rival intelectual de Hayek, que lhe enviou de imediato um cartão a dizer que se encontrava “moral e filosoficamente profundamente comovido e agradado”. Estas palavras são de John Maynard Keynes, que tinha aproveitado a viagem transatlântica a caminho da conferência de Bretton Woods para ler o livro.
Conto esta pequena história porque Keynes sempre se definiu como um liberal, sempre se opôs às diferentes formas de socialismo e se advogou formas de intervenção do Estado na economia foi para salvar o capitalismo, não para o “superar”. É por isso que ao mesmo tempo que arquitectou formas de combater a Grande Depressão e defendeu políticas que estimulariam a criação de emprego e o combate à pobreza, e considerasse excessivo um certo nível de desigualdades de rendimento, considerava, sem complexos, “que existem justificações sociais e psicológicas para significativas diferenças de rendimento e de riqueza”.
Uma avaliação como esta não deriva de qualquer egoísmo pessoal ou de se ter o coração duro, antes de uma avaliação da natureza humana. Assim como dos sentimentos humanos, sobre os quais de resto Adam Smith escreveu longa e sabiamente antes de se dedicar à riqueza das nações. É por isso que o planeamento central não funciona e todos os fundamentos económicos do socialismo estão errados. É também por isso que não existe um sentido na História, a tal “seta do progresso” que levará à “superação” do capitalismo em que os socialistas também acreditam, mesmo quando não dispensam os prazeres “burgueses”.
O planeamento central não funciona porque não se planeia o que não se conhece. Pode-se fazer um plano quinquenal para a RTP, mas é impossível saber quando ou onde vai aparecer um Netflix. A inovação implica risco, implica falhanços, implica concorrência, implica empresas estabelecidas que vão à falência (a chamada destruição criativa), implica estar empregado, ficar desempregado e voltar a estar empregado, implica lutar e ter ambição, lutar por ser rico mas também poder ficar pobre. Sob a asa de um Estado que tudo providencia isso não acontece. Mesmo sob o peso de Estado que tudo regulamenta tudo é mais difícil. O socialismo pode dar-nos hoje a ilusão de mais segurança, mas garante-nos no futuro apenas mais pobreza.
Um Estado que tudo controla, ou que de todos desconfia, é um Estado que limita as liberdades. É um Estado que mais tarde ou mais cedo faz de todos os cidadãos dependentes de um qualquer serviço público ou de uma qualquer prestação estatal, logo é um Estado de cidadãos tendencialmente submissos e temerosos. É cada vez mais a nossa condição, e é essa nossa condição que limita as nossas escolhas: o socialismo faz política assustando a cidadania. É o nosso caminho da servidão.
Os socialistas não desconhecem as limitações da natureza humana, e por isso sempre sonharam com alguma forma de “homem novo”, um desiderato prosseguido à bruta pelos totalitarismos do século XX, uma missão hoje assumida pelos fanáticos de todos os politicamente correctos, sempre empenhados em obras de engenharia social que só respeitam a sua ideia de liberdade, não a liberdade de todos. E quando nos falam de “conquistas” ou “retrocessos” civilizacionais estamos muitas vezes de novo confrontados com o seu mito historicista de que a História flui apenas num sentido e, sobretudo, de que são eles os conhecedores desse sentido e os nossos guias, mesmo que à força.
Muitos dos que se dizem socialistas não se identificarão com o retrato que acabei de fazer, e isso não me surpreende. Viverão mais num “estado de espírito” sem se aperceberem de que as ideias têm genealogia, têm história e, sobretudo, têm consequências. E não as conhecerão como eu as conheci: por dentro, sem ambiguidades e em diferentes aproximações.
Por isso não devem ficar surpreendidos, só para dar um exemplo, com o actual estado do debate sobre a Lei de Bases do Serviço Nacional de Saúde. Um socialista defenderá mesmo aquilo que o actual PS parece estar a defender, a máxima estatização dos serviços de saúde, a mínima liberdade para os utentes e para os médicos, todos idealmente encaminhados para os seus hospitais e consultórios pelos “planeadores centrais”. Um não socialista preocupar-se-ia sobretudo em garantir que toda a população tinha acesso a bons cuidados de saúde, com o menor custo possível para o contribuinte, sendo-lhe indiferente se o prestador era o Estado, o sector social ou um operador privado, acreditando que tendo os utentes mais liberdade, mais responsabilidade nas suas escolhas e havendo mais concorrência, o resultado final seria melhor.
Há, por fim, uma perversão muitas vezes associada ao socialismo que também faz com que não seja socialista – é a facilidade com que confundem Estado com Governo e Governo com Partido. No leninismo isso foi teorizado: era o partido “vanguarda da classe operária”, detentor da verdade e conhecedor do “sentido da história”, que devia exercer a “ditadura do proletariado”. Nas democracias liberais não é assim, mas a verdade é que os socialistas, por acreditarem nessa coisa abstracta que é o Estado, e entenderem que ele deve ter um comando, que é o governo, têm por regra a maior das resistências aos mecanismos de limitação do poder executivo. O nosso PS nisso dá cartas, pois da constante tensão com o poder judicial ao desmantelamento dos órgãos de regulação independentes – o escândalo mais recente é o cerco ao Banco de Portugal –, tudo tem feito para concentrar mais poder nas mãos do Executivo. Fê-lo com Sócrates e reincide com António Costa.
Não há aqui nada de estranho: um não socialista como eu quer naturalmente mandar menos e dar mais liberdade a todos; um socialista acredita num dirigismo que também naturalmente contraria dar mais graus de liberdade.
Olhando agora para trás, para as quatro décadas e meia que já levamos de democracia, e lendo-as à luz destes critérios, é fácil perceber que estivemos quase sempre mergulhados numa cultura política e de Governo socialista, mesmo quando não eram os socialistas de nome que estavam no Governo.
Mais uma razão para me sentir não socialista.

O nepotismo socialista no Diário de Vasco Pulido Valente



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VASCO PULIDO VALENTE - jornal Público

25 de Março
Toda a gente anda por aí a falar das “famílias” do governo. É verdade que eles não conhecem mais ninguém. E, pior ainda, nunca quiseram conhecer mais ninguém. Só que não podemos olhar isto com complacência. Nunca houve em Portugal, nem no século XIII, um governo destes. E também nunca houve um governo destes na Europa moderna. As desculpas de António Costa não valem: a originalidade lusitana não é um consórcio de parentes e amigos.
Só entrei num governo. Mas, nesse governo, não passaria pela cabeça de ninguém encher o Estado com as pessoas com que o PS o encheu. Existia, nessa altura, o que se pode chamar decência comum: “se a minha mulher está no governo, não devo estar eu”; “se a minha filha está no governo, não devo estar eu”. Nada mais simples.

Crimes violentos tiram sono a sobas do Huambo






Marcelino Wambo | Bailundo - Jornal de Angola
30 de Março, 2019

Trás-os-Montes está na cauda das regiões mais pobres da Europa

 Terras de Barroso

Por BARROSO da FONTE

Tenho orgulho em ter nascido em Trás-os-Montes. E em defender o Entre Douro e Minho que foi uma espécie de quintal hortículo, enquanto Condado Portucalense e, por isso, primeira capital histórica de Portugal.

 Nascer rico, por abrir os olhos ao mundo numa cidade como Lisboa, Londres ou Nova Iorque, não confere àqueles que aí entram na vida: corpulência, sabedoria e direito para humilhar os outros. Todos chegamos ao mundo, envoltos numa placenta ensanguentada, com olhos semiabertos e a deitar a língua de fora, para expelir saliva espumosa como todos os seres vivos. Diz o ditado que «quem vê um povo, vê o mundo todo». A riqueza material, a sabedoria, a competência e, sobretudo, a dignidade cívica, ganham-se depois, através daquilo que identifica as pessoas, de boas ou más, ricas ou pobres, cultas ou petrificadas de corpo e alma.
Leio no JN de 19 de Março que «se o Norte fosse um país seria o quarto mais pobre da União Europeia». Essa página é ilustrada com gráficos a cores e confirma que abaixo da Região Norte de Portugal, só a Bulgária, a Croácia e a Roménia são mais pobres. 
Pessoalmente não tenho vergonha por ter nascido em Trás-os-Montes. Nem sou subserviente perante pessoas que sejam mais do que eu, sejam ricas ou pobres. Tenho – isso sim – vergonha dos Sócrates, dos Varas, dos Oliveiras e Costa, dos Duartes Lima, dos Pinhos, dos jarretas e pernetas que roubaram as caixas gerais, os bancos que agora nos roubam a nós, que temos de pagar, com língua de palmo, esses crimes que mereceriam prisão perpétua aos seus autores.
Mas tenho vergonha de ser governado, como se leu na mesma edição do JN, por um Executivo que «em família abre porta a decisões informais», como se demonstra na página 8 do mesmo JN. Essa prova provada tem o selo da instituição «Transparência e Integridade» que alerta para «os sinais preocupantes desses exemplos e o risco de as decisões serem tomadas em círculos informais, sem documentação que permita fiscalizar as políticas públicas e a desilusão dos cidadãos para com a política».


A rebaldaria com que o ministro Pedro Nuno Santos defende que a mulher (dele) não pode ser prejudicada por ser quem é, é muito pobre porque é um argumento recorrente, prejudica as instituições, desacredita a democracia e vulgariza o uso e o abuso de um dos crimes mais conhecidos da administração pública que é o peculato». Muitos funcionários públicos têm sido condenados por esse crime, perdendo o emprego, repondo os prejuízos e cumprindo prisão.
Ainda a mesma edição do JN dedica a página 12 a mostrar os autores e as provas do crime, ao ser anunciado mais um atestado de pobreza, em crescendo das zonas periféricas, com a promulgação do programa Navegante. É uma tirania, é um embuste, é a morte anunciada do Norte e do país real.

Os melhores dos melhores



Alberto Gonçalves - OBSERVADOR
30/3/2019, 0:03380

A opinião publicada não contesta o pagode socialista, na medida em que: a) acha que o pagode é normal; b) acha que o pagode é benéfico; c) espera vir a beneficiar do pagode; d) já beneficia do pagode.
O poder das ilusões é uma coisa maravilhosa. E sobretudo patética. Para não admitir o que de facto são, os portugueses fingem-se convictos de que são “os melhores dos melhores”, citando a ladainha humilhante do prof. Marcelo. O método é repetirmos com maníaca insistência que somos insuperáveis nisto e naquilo, da bola aos chouriços, das peúgas ao azeite. De tanto entoarem o mantra, alguns, coitados, chegam a acreditar nele. Muitos, porém, permanecem ligeiramente cépticos: embora proclamem a superioridade pátria nos “sectores” – sei lá – do mobiliário ou da saúde, receiam no fundo estar errados e a fazer o que os clássicos da Antropologia designavam por figura de urso. A conversão dos cépticos dispõe da propaganda oficiosa, os “telejornais” que se encarregam, dia após dia, de entrevistar governantes nas imediações de uma inauguração, ou estrangeiros nas imediações dos Jerónimos, todos dispostos a confirmar as incontáveis virtudes deste abençoado país. Se um casal de belgas gosta disto, quem somos nós para discordarmos?
Quase literalmente, não somos ninguém. É a nossa sorte. Dado que o mundo mal dá pela existência de Portugal, Portugal costuma escapar ao escrutínio do mundo. Ambos beneficiam do arranjo. Excepto às vezes. Às vezes, um acontecimento fortuito ou um tique exagerado desperta atenções alheias e indesejadas. Às vezes, as notícias escapam ao controlo, ou aos objectivos editoriais do falecido DN. Às vezes, a realidade espreita e perturba as patranhas que nos oferecem e o idílio em que vivemos. A título de exemplo recente, sugiro o documentário sobre o desaparecimento de Maddie McCann, estreado na Netflix. Ali não há turistas seleccionados a louvarem a comida e a hospitalidade e as “startups”: há ingleses que olham para Sul e descobrem um território entregue a bárbaros, onde a polícia se destaca pela espectacular inépcia e a corrupção genérica serve de cenário para apaixonantes enredos. Em meia-dúzia de horas de programa, o mito do paraíso à beira-mar afoga-se com esmero. Mas nada afoga as ilusões dos portugueses, os quais, bem amestrados, tomam a crítica por um ataque movido a inveja. Não importa que, no caso, a “inveja” seja tão fundamentada quanto a da banca suíça face à estabilidade do BES.
Uma outra história actual e digna da estupefacção “externa” é a endogamia governamental. Na sua infinita ingenuidade, o povo garante que a família não se escolhe. A sério? O PS escolhe os familiares que pode e, não satisfeito, nomeia-os para os cargos públicos que não deve. Sendo engraçado que um dos argumentos contra a monarquia consista em impedir a ascensão automática de mentecaptos, também é verdade que a situação desta peculiar república, absolutamente trivial em exotismos marxistas, não é, vá lá saber-se a razão, comum nas democracias civilizadas. É aliás inédita a ponto de impressionar a imprensa espanhola, que habitualmente nos dedica a quantidade de páginas que reservamos às Berlengas: o “ABC” fala numa “rede de nepotismo sem precedentes em toda a Europa”, lembra a “rede de 27 pessoas com vínculos familiares no exercício do poder” e refere que “a indignação tomou conta do país vizinho”. Escusado dizer que se trata de uma série de calúnias, a desmentir com urgência.
A primeira calúnia é considerar que pertencemos à Europa, presunção que apenas funciona no momento de receber, com maus modos, dinheiro alemão. Fora isso, uma fotografia colectiva do governo basta para exibir não só os perigos da consanguinidade como uma tropa fandanga que, na aparência e no conteúdo, dificilmente se sentaria na assembleia estadual do Maranhão.
A segunda calúnia são os 27 parentes, proverbialmente caídos na lama. O Observador já desenterrou quarenta e tal, e não duvido que uma pesquisa distraída pelas subsecretarias e chefias de gabinete alcance os 150. Além de que amanhã é um novo dia, e uma nova oportunidade profissional para dezenas de filhos, esposos, genros, primos e enteados dos vultos que nos guiam.
A terceira calúnia é a indignação que alegadamente nos assola. Qual indignação? Salvo por umas dúzias de excêntricos, a famosa “opinião pública” e a famosíssima opinião publicada não contestam o pagode socialista, na medida em que: a) acham que o pagode é normal; b) acham que o pagode é benéfico; c) esperam vir a beneficiar do pagode; d) já beneficiam do pagode. Entre a cretinice e o oportunismo, compreende-se a tendência do cidadão médio para a opinião informada. Se o “ABC”, o “El País” e os jornais que calhar realizassem com competência o seu trabalho, perceberiam que a notícia não é a rompante promiscuidade no governo: é a complacência de uma sociedade em peso perante a promiscuidade e perante o resto. O espantoso, na hipótese de ainda sobrar alguém que se espante, é a jovialidade com que os portugueses se permitem ser enxovalhados e roubados às mãos de uma legião de rústicos que nem possuem em manha metade do que lhes falta em vergonha.
Haverá, nos confins da Terra, populações mais oprimidas. Ou mais ridicularizadas. Ou mais burladas. Não haverá nenhuma que o aceite com este simulacro de orgulho. Nisso, e não nas peúgas ou no azeite, somos mesmo os melhores dos melhores. Ou uma desgraça sem remédio, consoante a perspectiva.

Nota de rodapé
O prémio “Uma Rotunda Em Cada Cruzamento, Dois Multiusos Em Cada Esquina, Três Sacos Azuis Em Cada Mandato” da semana vai para António Costa, com a frase: “O mundo seria muito melhor se fosse governado pelos presidentes de câmara”.

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