terça-feira, 1 de maio de 2018

Dor de alma com a Floresta

  
JORGE LAGE
O nosso Município mudou de Equipa autárquica nas eleições locais. No Portugal rural muitos recebem mal algumas críticas e sugestões. Há mais de década e meia, durante a apresentação dum livro meu na «Feira da Castanha, de Carrazedo Montenegro», o então Presidente de Valpaços, Francisco Tavares, ao apresentar-me à assistência, disse que eu era «um trasmontano inconfundível». Classificava, assim, as críticas que eu fiz ao «intocável» Primeiro-Ministro, Cavaco Silva e aos municípios, quando oportunas. O Governo de Cavaco tinha mandado carregar a GNR sobre os agricultores que se opunham à plantação de eucaliptos em terras de castanheiros e nogueiras. Claro que em circunstância alguma, perante isto, Cavaco teve um voto meu. Também, na apresentação do meu livro, «Mirandela Outros Falares», no Museu da Oliveira e do Azeite, o ex-Presidente, António Branco, aludiu a críticas que fiz à sua gestão autárquica. Recentemente, sobre a limpeza dos matos e árvores junto às habitações e povoados, fui duro com o actual Primeiro-Ministro. E não era para menos. Só se deve falar do que se sabe. Continua a ser triste ouvir os governantes dizerem o que não devem e sem bom senso. Neste saco entra muita ignorância de alguns GIPSE/GNR, Bombeiros, ICNF e, até, da comunicação social, como se deve fazer a redução dos matos e árvores junto às casas e povoados. Claro que dói a quem, como eu, voluntariamente, serviu mais de vinte anos (com muitos milhares de horas) a nobre causa pública da Floresta e da Biodiversidade. Todos opinam e asneiram e quem devia falar e aconselhar são os Municípios através dos Técnicos dos Gabinetes Técnicos Florestais. Assim, não podia calar a voz da consciência cívica. Quando manifesto a minha discordância, apenas quero que os actores façam melhor. Só para dizer bem e bater palmas ninguém conte comigo. As discordâncias pouco representam, porque o geral é os que nos governam fazerem o que devem.

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