Festival das Painças de Montemuro

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| JORGE LAGE |
No princípio era um amigo do José Carlos que me falou do seu
dinamismo, como Presidente, em prol da basta freguesia de Tendais. Depois,
combinei uma ida a um Portugal mais natural, na vertente poente da Serra de Montemuro
onde Tendais se inquieta. Na ida à «Festa da Castanha» senti a teluridade quase
virginal. Ali conheci o amigo do meu amigo, Vergílio Alberto Vieira, poeta
amarense. O Antonino Jorge ficou meu amigo e com ele aprendi muito da cultura
local. Ajudou a revista «A Tendedeira», de muita qualidade gráfica, de imagens
e textos memoráveis e únicos. Foi um visitar ano após ano, sempre que o tempo o
permitia. Ali vi surgir outro evento cultural e gastronómico, medularmente
genuíno. Genuíno até à alma pura da sua gente. Gente que, ainda, vê nas
vessadas e no seu «paínço graúdo» o maná para um ano longo. O «Festival das
Paínças» surge como uma oração ao deus Bestanços de ventre fecundado pelas
selvagens e cristalinas lágrimas de Montemuro. Rio que canta, entre pedras e
salgueiros, uma melodia prateada pelo deus Sol. O moinho recebe, no ventre, as
entaladas águas, canta e encanta a Natureza humedecida e irrequieta e as almas
lutadoras. O carinho e as mãos da Mãe do José Carlos ajudam a retirar, da sua
frenética mó, as melhores farinhas
paínças e de castanha que se podem comer no Condado de Montemuro e em Terras de
Luso. A Natureza faz maravilhas, moldando a gente que a venera e dá, em troca,
o «maná das painças». Foi quase um sacrilégio a «diabólica castanha marinha»
ter entrado no seu seio, em pleno século XX e pela mão abençoada do prior. Este
ano, as sezões, da quadra invernal, levaram-me ao tapete e privaram-me da
maravilha gastronómica de Tendais e nem o S. Brás de Resende me quis ver por
lá. Fica o desejo de saborear a carne arouquesa. Talvez apareça no próximo
magusto. É fácil ir ao «Festival das Paínças de Tendais» ou à Festa da
Castanha. Indo pela A24 sai-se na placa que indica Cinfães. Do Grande Porto ou
Minho seguem-se as placas que levam a Cinfães. Depois, é um tiro de espingarda,
nave norte da serra acima. Esta pequena nota não estaria completa se não
lembrasse que o mítico herói da Reconquista, Geraldo Sem Pavor, tem casa na
Torre de Chã, perto de Tendais.
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