domingo, 7 de maio de 2017

ECOS DO NOSSO MUNDO - Débeis condecorações


Artur Soares – Escritor d’aldeia
O general e estadista Charles de Gaulle, há mais de cinco décadas proferiu uma frase interessante, quando afirmou: “Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreendido ao ver que os outros acreditam nele”. Ainda hoje, esta visão do general à cerca dos políticos, tem alguma verdade e penso, infelizmente, que se irá mantendo.
Não pretendo (hoje) debruçar-me sobre se a dupla António Costa/Marcelo Rebelo de Sousa é melhor que a dupla Passos Coelho/Cavaco Silva. Muito se poderá escrever já sobre estes quatro políticos, em que a dupla passada já exerceu funções e estes, exercem-na agora. Todavia, um pormenor será de realçar já: a dupla passada, conflituavam-se entre si, e a dupla actual entreajudam-se.
Mas vamos ao essencial desta crónica, deste lamento. Noticiaram alguns jornais que o presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou a título póstumo, no dia um de Maio, com a grã-cruz da Ordem da Liberdade, o eurodeputado Miguel Portas, eleito pelo Bloco de Esquerda, “data que também coincidiu com o aniversário da sua morte”. Pessoalmente tal condecoração não me faz mossas, não me provoca choros nem risos, mas perturba-me porque sou português.
Ordem da Liberdade! Quem não conhece as “amplas liberdades” comunistas ou trotskistas que por certas partes do mundo falham? Liberdade, com extrema-direita ou extrema-esquerda, onde está? Que feitos realizou este condecorado em prol da Nação, do Povo Português? Não foi Miguel Portas um eurodeputado eleito, bem pago, isto é, um político normal como outros? Notava-se sim, ser um político sério, competente, simpático, mas irónico quanto bastasse. Mas, con-de-co-rá-do!?
Sabe-se que o presidente da República, manifestou já a intenção de reduzir o número de condecorações e só ele saberá porquê. No entanto verifica-se que esta condecoração de Miguel Portas muito pouco ou nada diz ao país. António Costa, sob a fita-cola que o segura no Governo, agradece a condecoração. Trata-se de um militante do BE que forma o Governo “geringonça”, cognominado por Paulo Portas, irmão do condecorado, que, politicamente eram adversários.
O Presidente pactuou com a condecoração e os comunistas não estão livres de terem também um futuro condecorado – que podia ser Rosa Coutinho, que mandou Agostinho Neto atirar a matar aos civis brancos, que impedissem a comunização de Angola - e, portanto, fecho-ecler à condecoração de M. Portas.
Pelo que se analisa, pelo que nos perturba neste acto político rasteiro, estamos perante débeis condecorações. Paulo Portas, irmão de M. Portas, foi vice-primeiro ministro de Portugal e não foi condecorado; Cavaco Silva e Passos foram dois altos servidores do país e não foram condecorados; os Portugueses que têm sofrido nos bolsos e no estômago a crise que não criaram – sofrimento que Costa mantém -  não foram condecorados; tantas centenas de portugueses que tudo dão e tudo fazem pelos outros, onde o Governo falha, não está, não são condecorados.
Há criadores culturais, dirigentes sindicais, voluntários no alívio à pobreza de tantos, inventores, cientistas, ex-militares Milicianos e do Quadro que foram heróis, bombeiros de coragem e de entrega à causa pública, aposentados que foram escravos trabalhadores e que continuam a ser sugados, etc., e toda esta gente ainda não foi condecorada!
Ora as condecorações, como se sabe e ninguém as contesta, são todas aquelas que se colocam ou caem em pessoas que, pelos seus feitos, coragem, invenção e trabalho destacado - em benefício nacional - as merecem.
Assim sendo, como é possível que a política rasteira e o corporativismo, com base em ideologias totalitárias e em publicidade (política) que embebeda o povo, caminhando para o agora chamado populismo, é capaz de impor ao país tão débeis condecorações, que, neste caso, até não é culpa do condecorado – já falecido, infelizmente?
E se os familiares de um débil condecorado, chegam à conclusão de que tal acontecimento é oportunismo ou miserável uso político da pessoa condecorada, jamais deveria pactuar com (tais) tristes cenas, para e por honra familiar, por respeito e dignidade da pessoa em causa.
De Gaulle tinha razão há cinco décadas atrás! Só que estes senhores esquecem que vivemos no século XXI e que enquanto o povo tiver a liberdade de se abeirar das urnas para votar, tudo se resolve. A menos que aconteça novo golpe eleitoral – como o fez António Costa -  para ser primeiro-ministro. Mas debilitado, também, primeiro-ministro.
(Artur Soares – Escritor d’aldeia)
(O autor não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico).
(O presente texto foi publicado no jornal DIÁRIO DO MINHO, de Braga, em 05 de Maio de 2017)

Comentário:
Quem cognominou esta "União das esquerdas" de "Geringonça", não foi Paulo Portas, foi VASCO PULIDO VALENTE!

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