quinta-feira, 16 de março de 2017

A Primavera estalinista


Alberto Gonçalves – revista SÁBADO

A hipótese provável é a de uma repugnante percentagem dos nossos representantes do povo defenderem de facto o genocídio como política económica e método de preservação do poder

Holodomor é o outro nome porque é conhecida a Grande Fome ucraniana de 1932-33, apenas uma parte da Grande Fome soviética do mesmo período. Resumindo imenso, a coisa justifica-se pela colectivização forçada dos campos agrícolas e da opressão crescente do campesinato. Através dos kolkhozes, o Estado desviava para si uma parcela fixa da produção, a fim de abastecer as cidades e sustentar a industrialização e a exportação. Os agricultores procuravam reter o suficiente para sobreviver. A cada ano, a parcela do Estado subia e as esperanças do povo encolhiam. Em 1932, maçado com os esboços de resistência, a qual incluía com frequência os delegados locais do regime, Estaline decidiu castigá-la. Só entre Agosto e Novembro, condenaram-se centenas de milhares ao gulag ou à morte (descubram as diferenças). E uma quantidade desmesurada de gente à fome. Moscovo ordenou o confisco total dos cereais, impediu a fuga das regiões afectadas e movimentou vastas populações para as ditas. Na primavera de 1933, o tifo e o canibalismo abrilhantaram a radical miséria.
A relativa comiseração de certas figuras do Partido não foi partilhada pelos dirigentes máximos: "As necessidades do Estado não podem vir em segundo lugar." O próprio Estaline explicava que os agricultores pagaram o preço pela "greve", a "sabotagem" e a "guerra de morte" que haviam declarado ao poder. Contas feitas, a Grande Fome afectou 40 milhões de pessoas. Só na Ucrânia, o assassínio programado dizimou um número indeterminado, porém grotesco, de "sabotadores"e "grevistas".
Desculpem a introdução, mas foi a propósito disto que o PSD apresentou no parlamento um voto de condenação do "regime comunista totalitário de Estaline, que terá causado a morte a cerca de sete milhões de cidadãos ucranianos" (o PS também apresentou documento similar, de que suprimiu a referência explícita ao comunismo e a Estaline: é o curioso caso de um crime sem autores e de um partido sem vergonha).
A "direita" e o senhor do PAN aprovaram a condenação. PCP e BE rejeitaram-na. O PS absteve-se, fora um deputado que votou a favor e três que votaram contra. Esses três, em particular, merecem menção honrosa. Uma chama-se Isabel Santos e, talvez por piada, é presidente da Comissão de Democracia, Direitos Humanos e Questões Humanitárias da Assembleia Parlamentar da OSCE. A segunda é a dona Isabel Moreira, em si uma atenuante. O terceiro é um Pisco, logo habituado a comer pouco. Se adicionarmos a rapaziada do PCP e do BE, a hipótese menos maligna é a de os deputados em causa, em 2017, genuinamente acreditarem na propaganda soviética (ou na russa vigente). Aí, estaríamos perante uma notável concentração de imbecis, comparáveis aos malucos que negam o Holocausto e as alunagens, com a agravante de que se sentam juntos e, em vez de mandarem vir em hospícios, mandam em nós.
A hipótese provável é a de uma repugnante percentagem dos nossos representantes do povo defenderem de facto o genocídio como política económica e método de preservação do poder. Neste pressuposto, a AR estará repleta de psicopatas, e psicopatas que apoiam o Governo em funções. São vários, e aflitivos, os sinais de que Portugal caminha rumo a um destino trágico. A resposta a Holodomor torna a tragédia oficial. E certa.

O BOM
Não ser pintora
Para homenagear a sofisticação dos inquilinos, a AR recebe manifestações artísticas. E quando se pensa nas belas-artes, pensa-se naturalmente na ex-sogra do "eng.º" Sócrates, Clotilde Fava, cuja exposição, naturalmente chamada Ser Mulher, é naturalmente de entrada gratuita. Eis o que importa: as obras têm valor? As que vi retratam mulheres africanas e acredito que qualquer destas, de olhos vendados e mãos amputadas, retrataria a dona Clotilde com maior mestria. Digamos que a exposição faz justiça à dignidade do lugar. E que está tudo bem.

O MAU
A laranja vermelha faz bem à saúde?
Como reage o PSD à demência em curso? Obviamente, juntando-se a ela. Parece que agora os sociais-democratas exigem uma "lista negra" das empresas que, cito, discriminam mulheres. Não sei se falam de empresas ligadas à pesca, às minas, à serralharia ou à recolha de lixo. Sei que, embora nem mereça comentários, a ideia (?) mereceu destaque nos media. A "direita", para ser notícia, precisa de se fingir "moderna" e subjugar-se às alucinações da esquerda. Vale a pena perguntar para que serve uma "direita" assim. Já a serventia da esquerda salta à vista.

O VILÃO
Catarina, a Enorme
A chefe do BE reconhece que "as pessoas desejam" o turismo, já que "dá emprego" e "dá crescimento económico". Porém, é "absolutamente insustentável", visto que "está a retirar às pessoas os direitos mais básicos de habitação, de mobilidade, de cidadania". Ou seja, há um fosso evidente entre aquilo que as pessoas querem e aquilo que lhes convém. Quem garante que a primeira dimensão não conspurca a segunda? Ora essa: a actriz Catarina e iluminados afins – a bem ou, se preciso for, a mal. A redenção, meus caros, começa assim. Segue-se o horror.
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