domingo, 14 de agosto de 2016

Que sejam os Bombeiros a fazê-la


Por: Costa Pereira     Portugal, minha terra

O primeiro grande fogo que deflagrou em Mondim de Basto desde que me conheço ocorreu à volta de setenta anos (70) e destruiu todo o pinhal da serrania dos montes farinha, inclusive a Pirâmide Verde. Durou dias, e numa altura em que escasseava trabalho, os poucos testões que a Floresta dava a quem durante dia e noite combatesse as chamas, que desceram até às Richeiras , fazia jeito em casa. Foi nessa altura que ainda rapazito descobri um “incendiário” meu conterrâneo. Tinha ido levar o almoço a um dos apagadores voluntários que ali combatia, era o saudoso António Cardoso, de Vilar, e esperei por ele nas Richeiras de Cima, junto ao inicio do Caminho Novo da Senhora da Graça, onde estava montado o comando das operações sob direção do saudoso mestre Teixeira. Enquanto esperava pela chegada e que comesse para regressar com a louça a casa, deu-me para me afastar um pouco  do local ,e como o fogo ali já tinha sido dominado, progredi na caminhada. Foi então que vi certa pessoa muito à cautela, lançar uma pinha acesa para o meio do mato. Nunca revelei a visão desse acontecimento, e só muito mais tarde é que procurei entender aquele criminoso ato por parte de uma pessoa que sempre me pareceu normal. Era a luta pela sobrevivência que estava ativa; outros são os motivos e diversos que hoje atuam na mente dos incendiários, e que destruindo o país servem as muitas industrias que vivem à custa deste ladrão que queima e mata sem que ninguém o trave, pois tem políticos e gente poderosa a viver regalados à custa dele. Não fora assim há muito que os bombeiros e as autoridades policiais estavam bem apetrechadas e chegada a época de Verão toda a gente no terreno, inclusive os militares. Poupava-se muito dinheiro ao País, e aos  cidadãos prejuízos e desgostos trágicos. E não venham com as matas por limpar, no concelho de Mondim de Basto, onde ardeu a zona é Florestal, e no meu tempo no Fojo, estavam cerca de 40 trabalhadores diariamente aptos para limpar e apagar focos de incendio. Quase certo que desta vez Cavernelhe não ardia, e poupava-se uma deslocação do Presidente da Câmara e dos meios televisivos andarem a ver fogos em Mondim. Lembrei-me também de que com a Lei dos Baldios, que veio entregar as matas aos Conselhos Diretivos, não sendo contra isso, o facto é que o que estes “dirigentes” querem é dinheiro para obras, mas a defesa da Floresta, que sejam os Bombeiros a fazê-la……

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