segunda-feira, 13 de junho de 2016

Por Terras de Lafões - concelho de Vouzela


JORGE LAGE
Investigar sobre a memória do castanheiro e da castanha foi fruto de um contacto com o Posto de Turismo de Vouzela, depois identifiquei com ajuda do município os locais mais importantes onde poderia recolher informação a tratar no meu próximo livro. Vouzela, que deve o seu nome ao rio Vouga e à ribeira Zela, pertence à região de Lafões, situada entre os maciços das serras da Gralheira e do Caramulo, fazendo parte da sub-região mais ocidental da Região Centro. O rio Vouga, depois de receber nos seus calmos braços o rio Sul, banha terras de Vouzela (e de Lafões). Eu apenas conhecia Vouzela por ter os famosos «pastéis de Vouzela» e onde os «Irmãos Maristas» tiveram uma casa de formação (eu estudei seis anos no Colégio Marista dos Pousos – Leiria), e foi em conversa com a técnica de Turismo, Filomena Vilafanha, que fiquei desassossegado para visitar um castanheiro centenário na freguesia de Campia. Depois de concluir que iria visitar as freguesias de Campia, Ventosa e Fornelo do Monte (lá bem no cimo da encosta Norte do Caramulo), contactei os seus Presidentes, Carlos Duarte, Graça Carvalho e Sérgio do Vale, respectivamente. Por razões alheias à minha vontade e de última hora, acabei por não ir à Ventosa. Fornelo do Monte foi mais um passeio nas alturas e muita simpatia, já quase não havia memória a recolher. Desde que, em tempos, fui visitar dos castanheiros na Guarda e terei passado a uma meia-dúzia de metros e não os vi, decidi não procurar castanheiros classificados de interesse público, em terreno desconhecido. Por isso, não o visitei o castanheiro centenário da freguesia de Cambra por não ter guia municipal ou da freguesia. Salvou-se, e bem, a minha ida a Campia, que fica a uns 1.500 metros da A25, saindo-se desta, no cruzamento de Oliveira de Frades/Caramulo. E vale a pena ir a Campia, pelo seu belo arranjo de calceta granítica, das jovens esculturas que a embelezam e enriquecem, pela sua Igreja Matriz e se estiver com o estômago vazio, o restaurante «O Sacristão» (do Carlos Duarte), que tem casa cheia, aos fins-de-semana, devido à rubra carne da vitela de Lafões (naco na brasa ou assada), criada nas pastagens, e ao bacalhau. Bem servida e a preços moderados a clientela aflui, até de longe. O Presidente da Junta de Freguesia, tal como o filho que me recebeu são de uma atenção e préstimos que me tocaram. Não é habitual ver presidentes de junta tão preocupados com o património arbóreo como o Carlos Duarte. Com muitos afazeres, dispôs-se a acompanhar-me a visitar o centenário «Castanheiro de Adside», junto ao café Cruzeiro, em Adside. Pegou na carrinha todo o terreno e levou-me por um circuito de paisagens deslumbrantes, com castanheiros e carvalhos centenários com uma enorme potencialidade de turismo da Natureza (arbóreo e paisagístico). Para compor o quadro figurativo o rio Alcofra (ou Alfusqueiro?) selvagem, deslizando entre seixos e cortejado pela fauna e flora ripícolas específicas, dão-nos paz e bem-estar. O circuito «turístico» feito regressámos a Campia e cada um de nós foi à vida. A mim, aguardava-me o «Centro Social de Campia» (junto ao Santuário da imponente Virgem Milagrosa) e a animadora social, Ana Laranjeira, com uma dezena de velhos, bem-dispostos, tal como a animadora e passámos um curto tempo de convívio e de felicidade. Rara é a vez que entro num lar ou centro de dia de velhos e não os deixo mais felizes do que há partida. Devido à novidade anunciada que represento e pela cordialidade que mantenho nas conversas em que faço as recolhas de memória imaterial castanhícola. Sai do lar encantado, comovido, de alma molhada de emoção e gratidão pela forma como fui recebido. Para compor toda a generosidade sou brindado com uma caixinha dos conventuais (oriundos das freiras clarissas do Convento de Sta. Clara, do Porto) «pastéis de Vouzela», uma das melhores delícias doceiras de Portugal. Claro que hei-de voltar a Campia para rever gente tão afável e hospitaleira e para entrar num naco de vitela do restaurante «O Sacristão».

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