sexta-feira, 24 de junho de 2016

Gente de Kolima


Já havia a coligação dos que não piaram (ou não abriram o bico) sobre o tal inquérito à Caixa proposto pelo PSD. Composta pelas donas bloquistas, a dona do PEV, as manas, o cavalheiro Jerónimo e a restante governança. Mais tarde, a ela se juntaram alguns comentadores e figuras gradas do PSD e do CDS. Agora o sr. Ferro Rodrigues, que por sinal é o Presidente da Assembleia da República, pediu um parecer urgente à Procuradoria da República sobre a pertinência de um ponto que o PSD havia apresentado no seu texto para a criação da Comissão de Inquérito Parlamentar. O PSD, retirou (e bem) esse ponto para que a Comissão de Inquérito avançasse rápido.
Entretanto, os bloquistas recuaram, começando a piar para controlar as tropas (embora tarde) e pedem agora uma auditoria forense; o Ministério das Finanças pede uma auditoria independente e a Comissão Europeia já havia dado sinais de pedir uma investigação. E tudo isto porque o líder do Partido Social Democrata demonstrou, mais uma vez, coragem politica. Coisa que rareia na população autóctone.
O que é que esconderá a Caixa para que esta gente não queira informar o Povo?
O que é de espantar é que toda esta gente sempre que abre a boca não deixa de referir a questão do emprego e do desemprego. Emprego para aqui, desemprego para acolá. Que o país tem de crescer para criar emprego; que o país isto e aquilo para que o desemprego diminua, diz esta gente.
Pois bem, segundo noticias recentes, serão despedidos da Caixa cerca de 2000 funcionários altamente qualificados; dos melhores.
Imaginemos que, em média, cada um desses funcionários auferia 2000 euros mensais. Num cálculo grosseiro, aos números actuais, sem contar com a inflacção e outras variantes económicas, os dois mil milhões (veremos se este número não triplica) que meia dúzia de amigalhaços sacou ao banco do Estado, daria para pagar o vencimento destes funcionários durante 40 anos! Ou seja, durante uma vida!
Sobre isto essa gente nada diz. Porque só pode ser gente de Kolima. Não a que acompanhou Varlam Shalamov ou Nadejda Mandelstam, mas a que meditou e actuou junto de Eduard Berzin, o velho bolchevique.

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