sábado, 14 de maio de 2016

Ganhou uma ecopista......

 
Por: Costa Pereira - Portugal, minha terra

Guimarães é das nossas mais importantes cidades históricas, sendo o seu centro histórico considerado Património Cultural da Humanidade. Do topónimo, inicialmente Vimaranes, supõem-se relacionado com Vímara Peres, dos meados do séc. IX, que fez deste sitio o principal centro governativo do Condado Portucalense que tinha conquistado para o Reino de Galiza, onde veio a falecer. As sua ruas e monumentos exalam história e seduzem o visitante. No seu castelo é tradição bem fundamentada ter nascido D. Afonso Henriques, o Fundador, por isso à cidade se dá a designação de “ Cidade-berço”, pois foi ali que nasceu o nosso primeiro Rei, e na batalha de São Mamede, nasce Portugal. Construído no século X pela Condessa Mumadona, que para proteger a comunidade cristã dos ataques dos mouros ao seu mosteiro, também carecia de fortificações, só dois séculos depois os pais de D. Afonso Henriques ampliaram o castelo, dando-lhe a aparecia que mais ou menos tem hoje. Quando por volta de 1960, nele entrei e subi às suas torres senti dó, perante a ruína e total desprezo por esta pérola da história de Portugal.
No Largo da Republica do Brasil, também conhecido por Campo da Feira, um amplo espaço ajardinado tem como motivo de especial atracção um dos apreciados monumentos da cidade: a igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos. A sua origem remonta ao séc. XVI, na construção ali de uma pequena ermida. Em 1785 essa ermida dá lugar à nova igreja, então concluída. Templo barroco, onde acrescentaram duas torres na frontaria um século depois, além da escadaria e a balaustrada. O culto a Nossa Senhora da Consolação determina a ereção canónica da Irmandade em 1594, por Frei Agostinho de Jesus. Em 1878,é agraciada pelo Rei D. Luís I, com o titulo de Real Irmandade. É também conhecida por igreja de São Guálter. Um monumento do séc. XVII, que como igreja é a mais sedutora da cidade, atraí a atenção dos visitantes pela beleza das suas torres similares, do séc. XIX e do seu acesso ajardinado que vem do centro da cidade. Do séc. XIX é ainda a Casa do Despacho e a capela do Senhor dos Passos. Postal enviado em 21/4/75 pelo meu saudoso cunhado “Pereirita”.
 São Torcato é uma vila rural dos arrabaldes da cidade vimaranense, famoso pelo santuário consagrado ao seu patrono, um dos primeiros evangelizadores da Península Ibérica, no séc. VIII. Situada na margem esquerda do rio Selho, este lugar de romagem é com outros, como a Penha e a igreja de Nossa Senhora da Oliveira, pontos de referência para visitar na “Cidade-berço”. O edifício dos finais do séc. XIX é de granito, com elementos de inspirado “gótica, românica e clássica”. As obras em acabamento, são de canteiros formados na Escola de Cantaria da Irmandade de São Torcato. No seu interior deparamos com o corpo incorrupto de São Torcato, que é motivo de fé, admiração e curiosidade dos muitos devotos e estudiosos que ao bem-aventurado se consagram. Conhecida pelo seu folclore, em São Torcato se realiza desde 1852, no 1º Domingo de Julho, umas das maiores e mais animadas romarias do Minho. Das muitas curiosidades esta preferida de Amaro das Neves, merece transcrição, conta:
“Por volta de 1637, uma delegação da Colegiada de Guimarães foi à sepultura de S. Torcato, abriu o túmulo e verificou que o corpo continuava inteiro. Mas apenas até àquele momento. É que o mestre-escola da Colegiada, Rui Gomes Golias, fundador do morgado das Lamelas, sentiu o apelo irresistível de arrancar, com os dentes, o osso de um dos tornozelos de S. Torcato. Levou-o para a capela da sua casa (hoje o Arquivo Municipal Alfredo Pimenta, em Guimarães), onde ficou até à morte do cónego, altura em que as sobrinhas o entregaram à colegiada. Em Dezembro de 1662, uma procissão fez a trasladação da relíquia da Capela das Lamelas para a colegiada e, hoje, o calcanhar pode ser admirado no Museu Alberto Sampaio”. Ao saudoso padre Guedes devo este postal, enviado, em 3/3/72.
Esta é a ponte centenária que os “amigos” de Mondim e da região de Basto se batem para destruir, a troco de uma “banheira” que a ser construída mata por completo este pedaço de beleza natural e elo que liga aqui o Minho a Trás-os-Montes. Ponte sobre o Tâmega, que nasce na serra de São Mamede, Espanha, o histórico e sagrado Tameobrigos penetra por Portugal dentro, para em Entre os Rios, tombar no Douro. Construída no reinado de D. Maria I, em 1882, para assinalar o centenário da sua construção, em 1982,a Câmara Municipal de Mondim de Basto, mandou editar uma medalha comemorativa. É pana que por interesses de ocasião se deixe destruir o património quer histórico, quer natural, e andarmos preocupados com  arranjar meios artificiais para cativar turistas. Olhem se alguém se lembrou de defender a Linha do Tâmega, desativada a 01 de Janeiro de 1990 !!!. Mas daí, resultou: o povo de Basto, a troco de um comboio, ganhar uma Ecopista….Este postal não tem data, mas é uma edição do fotografo mondinense Carlos Costa.

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