sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Livros de autores do concelho de Montalegre


Barroso da Fonte
Trago hoje ao diálogo com os leitores obras de três barrosões. No  corrente ano, vieram à luz do dia, cerca de uma dezena de livros, das mais variadas modalidades literárias.  Destes falo hoje.


  História da Polícia em Portugal é um documento muito útil e prático da autoria de Domingos Vaz Chaves, colaborador regular de Notícias de Barroso. Nasceu em Gralhas em 1954. Em 1974, com 19 anos, já residente em Lisboa, completou o Curso Geral dos Liceus. Em 1980, ingressa na Polícia de Segurança Pública, onde continua após sucessivas progressões na carreira. Em 1989 conclui o 12º ano e ingressa na Faculdade de Direito. Foi fundador  e vice-presidente da Direção Distrital de Lisboa da ASP - Associação Sócio-profissional. A partir de 1992 passou a pertencer à Direção Nacional da mesma. Em 1994, por divergências no seio da ASP funda, com outros, a APP/PSP à qual preside até Outubro de 1999. Nessa altura foi eleito para o Conselho Superior, até 2001. São estes os seus dados biográficos que constam nas duas primeiras páginas deste volume encadernado de 306 páginas desta História da Polícia em Portugal, debruçando-se sobre «Formas de Justiça e Policiamento». Esta sua primeira obra saiu numa edição de 2.500 exemplares, no ano 2000. É um esboço histórico muito bem conseguido. Nessa data já tinha a categoria de Chefe de Polícia de Segurança Pública.
  Já em 2015  editou, com o apoio da Câmara Municipal, um segundo livro, centrado na sua aldeia natal – Gralhas, - reunindo elementos etnográficos que qualquer Barrosão conhece, ou que, não conhecendo, deve ler e reler.

A Gesta de Gualtar é o último livro de fôlego de Paleólogo Bento Miranda Pereira, natural do Baixo Barroso. Embora convidado, não pude estar presente. Mas pôde ver-se pelas fotos que o auditório da sede de Junta de Freguesia, esteve cheio como um ovo. Numa sessão presidida por Ricardo Rio, Presidente da Câmara de Braga, ali marcaram presença qualificados historiadores académicos, como Franklim Neiva e outros como Eduardo Pires de Oliveira que escreveu o Prefácio. Nesse prefácio se afirma que o Paleólogo Bento Miranda Pereira teve o cuidado de relembrar (com documentos), o passado histórico da Freguesia de Gualtar. Porque «não teve medo em perder tempo e andou a escavar em muitos arquivos: os da paróquia, nos Arquivo Distrital e Municipal e em todos os demais, onde acreditou que pudesse haver algum material interessante para o conhecimento de Gualtar. A partir de agora as famílias de Gualtar saberão de onde vieram e quem são, graças também ao apêndice compilado por António da Mota Gonçalves. O livro vai percorrendo o tempo, desde a arqueologia à modernidade, desde a via romana que saindo de Braga, em direção a Chaves e Astorga, passava em Gualtar até ao novo Hospital». Menciona a data de 1032, anterior à Nacionalidade, para dizer que já nessa altura havia registo de propriedades e da igreja velha e das confrarias do Subsino. Tem 2,74 km2 de área e 5.286 habitantes residentes, pelo censo de 2011. Afirma ainda o Liber Fidei, obra de referência obrigatória, situa a póvoa de Gualtar em frente ao sopé do Monte Espinho. Curioso é constatar que, situando-se nessa freguesia o Campus principal da Universidade do Minho, que leciona o Curso de História, seja um autodidata a escrever a monografia da freguesia. Este argumento basta para aplaudir a Junta de Freguesia que confiou a um Barrosão com tarimba, o primeiro livro, a sério, sobre a freguesia.

 Mp3 & outras minificções é um livro de poemas do docente universitário (UM)  Henrique Barroso que nasceu em Salto, em 1960, terra da Mãe, sendo o pai asturiano. Reside na Póvoa de Lanhoso e tem 2 filhos da companheira, alemã, Silke, igualmente docente na U. do Minho. Doutorou-se em Ciências da Linguagem, na área de conhecimento de Linguística Portuguesa. A Língua de um povo é dinâmica. E se o mestre da Língua é o povo que a usa como instrumento comunicacional, são os cientistas que a estudam, a reconhecem nas suas formas inovadoras e a promovem. Aqui está um livro pedagógico. A começar pelo título, passando pelos duetos, tercetos, quadras, quintilhas, sextilhas, lendo as sentenças, os enunciados, os  quase- provérbios, fica-se com a ideia de que estamos perante um neologismo ou novo conceito de poema. Quer na disposição gráfica, quer no desenvolvimento contextual. É como aterrar na Lua e provar o  primeiro tipo de fruta que apareça ao esfomeado terrestre, acabado de chegar. Mas vindo de um especialista em ciências da linguagem tem que aceitar-se como novidade certificada. A confirmar esta dinâmica poética  logo aparece Maria do Carmo Cardoso Mendes, também docente na UM, a esclarecer que, com estas «minificções», o Poeta propõe uma reflexão sobre como o conhecimento dos valores que norteiam uma existência e do modo como o texto literário conduz tais valores».A prefaciadora louva o aparecimento desta inovação linguística «numa época em que os valores humanistas legados pela cultura clássica têm dificuldade em sobreviver».

                                                                                                Barroso da Fonte


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