sábado, 7 de novembro de 2015

Como na politica portuguesa, Deus e o Diabo estão nos pormenores


As últimas notícias dão conta de um acordo das esquerdas. A habilidade, ao contrário do que alguns avançam, não foi de Costa, mas sim de Jerónimo, quando três dias depois das eleições ter proposto nas televisões esta possibilidade (anunciada mesmo na noite de quatro de Outubro). Uma habilidade conhecida nestes partidos, fundamentada nas directivas de Lenine. Que fazer?, livro do revolucionário russo, é soberbamente explicito neste tipo de habilidade.
O Bloco da Dona Catarina e de Mariana, aproveitou a boleia, porque só tem a ganhar, ao contrário do PCP, com esta golpada de Costa.
A questão, contudo, a considerar é a seguinte. A fantochada que se viveu neste mês após as eleições, vencidas por determinada força politica – a coligação de “direita” – é suportada por questões ideológicas, mas não politicas. As três forças (quatro, considerando os Verdes) de esquerda “uniram-se” simplesmente para derrubar o governo de direita, como eles dizem. Não se “uniram” por questões programáticas e politicas, para resolverem o problema do país (BANCARROTA), que em boa verdade, foi criado por um governo ao qual pertenceu Costa como segundo na hierarquia.
E isto levanta um problema. O da consistência estrutural governamental, que se sustenta, pelos vistos, em três acordos!
O Presidente da República que, ao contrário das opiniões de certos profetas das esquerdas como Fernando Rosas ou Pacheco Pereira (ou Freitas do Amaral) sempre avaliou de forma legal as questões politicas. Como avaliará os três acordos.
Alheando-se agora das opiniões do costume, porque pensa pela sua cabeça, vai mesmo ter que avaliar a consistência destes presumíveis três acordos (que devem ser assinados porque são documentos de Estado), depois de conhecer os detalhes (que devem ser dados a conhecer ao povo, antes da votação do programa do governo em funções). Porque Deus e o Diabo estão nos pormenores.

Armando Palavras

Actualizado a 9 de Outubro

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