domingo, 1 de novembro de 2015

A farsa de Costa e de quem o empurra


Desde que José Sócrates foi eleito Primeiro-ministro, nada em Portugal nos surpreende. É um país sui generis. Aquilo que é uma pulhice num país desenvolvido é, em Portugal, uma normalidade. Se nos disserem que no Chiado um porco pedala numa bicicleta, acreditamos. Porque em Portugal, tudo é possível. A canalha sobrepõe-se à gente séria, e a vigarice à honestidade.
O que mais nos impressiona no momento politico que passamos é que gente séria ache que a farsa inventada pelo dr. Costa e por quem o empurra seja normal. Mas não é. Por muitas razões. Costa perdeu as eleições em toda a linha, como recentemente Bagão Félix lembrou: 1) no “duelo” com Passos Coelho para PM; 2) ficou a 6 pp da coligação, depois de quatro anos de austeridade (o que é obra); 3) não captou os desiludidos com o Governo, que foram para a abstenção; 4) perdeu votos para o BE; 5) perdeu para Seguro, que, “coitado”, até ganhou.
Para sobreviver politicamente, fez como o Ulisses de Sófocles e o Príncipe de Maquiavel. Preferiu-os a Filacteto. Procura assim “unir as esquerdas”, porque só dessa maneira consegue chegar a primeiro-ministro. Daqui se retira que a “negociação” com a “direita” foi dissimulada, porque dessa forma não atingiria esse objectivo. Se Costa tivesse ganho as legislativas, por um voto que fosse, jamais tentaria "unir" as esquerdas.
Essa “coligação” das esquerdas tem muitos pecados capitais, ao contrário do que defendem os que o empurram e agora alguma gente séria. Note-se bem que a questão constitucional apenas serve de arma de arremesso para tapar a pulhice que a sustenta.
1 – Seria legítima se fosse devidamente anunciada e concretizada antes do período eleitoral; ao não ser o voto popular foi alienado;
2 – Alguns dos que o empurram, dão o exemplo da Europa. Esquecem-se que os exemplos de maior relevância correspondem a países ricos. Como se esquecem de informar que essas coligações estavam previstas nas mentes dos seus eleitores muito antes do acto eleitoral. Mais, ao instrumentalizarem a discussão, enfermam de veracidade intelectual, porque não informam, por exemplo, que esses sistemas possuem complexidades que não possui o sistema português. Nesses sistemas de coligação, os partidos só exercem poder se, em eleições, conseguirem determinada percentagem de votos. Para além do mais, esses sistemas são sustentados por monarquias constitucionais. Ou seja, estes cavalheiros e estas “Gatas Borralheiras”, não podem comparar aquilo que não é comparável. Nem tornar igual o que é diferente. O que esta gente pretende ao instrumentalizar a discussão, ao promover esta farsa, é salvar a pele de uns quantos!
Perante isto, importa o seguinte:
1 – O provável “cordo”, ou o “papel” como sustenta o Secretário-geral do PCP, deve ser muito bem fundamentado e assinado (porque se trata de documento de Estado);
2 – Deve tornar-se público (dado a conhecer ao povo);
3- Ser comparado, no parlamento, com o programa do governo agora empossado.
4- O Presidente da República que neste processo se manteve igual a si mesmo, pondo o interesse nacional acima do umbigo, deve ser o primeiro a ser informado dos fundamentos do "acordo" (se é que existe).
A não ser assim, a golpada ultrapassa os limites do imaginável, porque se transforma numa golpada parlamentar. E assim sendo, o povo tem não só o direito de se indignar, como de exigir decência aos deputados.
Francisco Assis surgiu agora como uma nova corrente, contrária às propostas de Costa. E faz bem, porque muitos dos votos de protesto contra a coligação de “direita”, num futuro mais próximo do que se julga, reverterão em seu favor.
Armando Palavras

post-scriptum

Essa história do acordo de incidência parlamentar deve ser denunciado por todas as vozes decentes. Como é possível que um país seja governado por um partido que perdeu eleições? Como é possível que um país seja governado por uma "coligação" que apenas tenha na governação um de três partidos?
A golpada não poderia ser melhor!




Sem comentários:

Enviar um comentário

O decano dos jornalistas Portugueses

  ALEXANDRE  PARAFITA João Barroso da Fonte, que no próximo mês fará 87 anos, completa hoje (24 de janeiro) 73 anos sobre a data em que pu...

Os mais lidos