Desde que José Sócrates foi eleito
Primeiro-ministro, nada em Portugal nos surpreende. É um país sui generis.
Aquilo que é uma pulhice num país desenvolvido é, em Portugal, uma normalidade.
Se nos disserem que no Chiado um porco pedala numa bicicleta, acreditamos.
Porque em Portugal, tudo é possível. A canalha sobrepõe-se à gente séria, e a
vigarice à honestidade.
Para sobreviver politicamente, fez como o
Ulisses de Sófocles e o Príncipe de
Maquiavel. Preferiu-os a Filacteto. Procura assim “unir as esquerdas”, porque
só dessa maneira consegue chegar a primeiro-ministro. Daqui se retira que a “negociação”
com a “direita” foi dissimulada, porque dessa forma não atingiria esse
objectivo. Se Costa tivesse ganho as legislativas, por um voto que fosse, jamais tentaria "unir" as esquerdas.
Essa “coligação” das esquerdas tem muitos
pecados capitais, ao contrário do que defendem os que o empurram e agora alguma
gente séria. Note-se bem que a questão constitucional apenas serve de arma de
arremesso para tapar a pulhice que a sustenta.
1 – Seria legítima se fosse devidamente
anunciada e concretizada antes do período eleitoral; ao não ser o voto popular
foi alienado;
2 – Alguns dos que o empurram, dão o
exemplo da Europa. Esquecem-se que os exemplos de maior relevância correspondem
a países ricos. Como se esquecem de informar que essas coligações estavam
previstas nas mentes dos seus eleitores muito antes do acto eleitoral. Mais, ao
instrumentalizarem a discussão, enfermam de veracidade intelectual, porque não
informam, por exemplo, que esses sistemas possuem complexidades que não possui
o sistema português. Nesses sistemas de coligação, os partidos só exercem poder
se, em eleições, conseguirem determinada percentagem de votos. Para além do
mais, esses sistemas são sustentados por monarquias constitucionais. Ou seja, estes
cavalheiros e estas “Gatas Borralheiras”, não podem comparar aquilo que não é
comparável. Nem tornar igual o que é diferente. O que esta gente pretende ao
instrumentalizar a discussão, ao promover esta farsa, é salvar a pele de uns
quantos!
Perante isto, importa o seguinte:
1 – O provável “cordo”, ou o “papel” como
sustenta o Secretário-geral do PCP, deve ser muito bem fundamentado e assinado
(porque se trata de documento de Estado);
2 – Deve tornar-se público (dado a
conhecer ao povo);
3- Ser comparado, no parlamento, com o
programa do governo agora empossado.
4- O Presidente da República que neste processo se manteve igual a si mesmo, pondo o interesse nacional acima do umbigo, deve ser o primeiro a ser informado dos fundamentos do "acordo" (se é que existe).
4- O Presidente da República que neste processo se manteve igual a si mesmo, pondo o interesse nacional acima do umbigo, deve ser o primeiro a ser informado dos fundamentos do "acordo" (se é que existe).
A não ser assim, a golpada ultrapassa os
limites do imaginável, porque se transforma numa golpada parlamentar. E assim
sendo, o povo tem não só o direito de se indignar, como de exigir decência aos
deputados.
Francisco Assis surgiu agora como uma nova
corrente, contrária às propostas de Costa. E faz bem, porque muitos dos votos
de protesto contra a coligação de “direita”, num futuro mais próximo do que se
julga, reverterão em seu favor.
Armando Palavras
post-scriptum
Essa história do acordo de incidência parlamentar deve ser denunciado por todas as vozes decentes. Como é possível que um país seja governado por um partido que perdeu eleições? Como é possível que um país seja governado por uma "coligação" que apenas tenha na governação um de três partidos?
A golpada não poderia ser melhor!
post-scriptum
Essa história do acordo de incidência parlamentar deve ser denunciado por todas as vozes decentes. Como é possível que um país seja governado por um partido que perdeu eleições? Como é possível que um país seja governado por uma "coligação" que apenas tenha na governação um de três partidos?
A golpada não poderia ser melhor!

Sem comentários:
Enviar um comentário