O CDS e o PSD devem ouvir e
calar; e sair daquela mascarada dignamente.
O CDS e o PSD vão à Assembleia da
República discutir. O quê e com quem? Não há uma oposição, há três, que
aparentemente tencionam apresentar as suas particularíssimas razões para
rejeitar o Governo. Só por milagre a coisa não dará numa berraria inútil. E que
ganhará a coligação com isso? Nada. Pelo contrário, compromete de certeza a sua
razão e a sua legitimidade. Não se trata gente como se ela fosse igual, quando
ela não o é. O CDS e o PSD devem ouvir e calar; e sair daquela mascarada
dignamente e sem comentário de espécie alguma. A esquerda que fique por lá num
comício íntimo a repetir o que já disse em toda a parte. O país que os veja bem
sem interrupção e que tire as suas conclusões. Sem ruído, como quem assiste a
um espectáculo para sua edificação.
E depois com quem ia a coligação
falar? Com o PCP, que ainda ontem repetia pela boca de Jerónimo de Sousa os
lugares-comuns da seita, sem faltar uma vírgula, e que deu a entender que a sua
putativa aliança com o dr. Costa não tinha outra base, excepto a sua conveniência?
Quem pode adivinhar o que é, ou não é, o verdadeiro interesse dos
trabalhadores, segundo Jerónimo? Anteontem, o Avante! declarou que sem a
“renegociação da dívida” (um eufemismo para não a pagar) e sem nacionalizações
(da banca, claro) os trabalhadores continuarão na mesma. Será que o PC já
explicou isto ao dr. Costa? Talvez por isso ainda não apareceu o misterioso
“papel”, que Jerónimo acha dispensável e o PS o fundamento da sua política.
Ninguém até agora conseguiu apurar. E como tenciona a coligação discutir o seu
programa sem o comparar com o programa da “esquerda”?
E o Bloco? O que pensa do mundo
essa tresloucada agremiação? Deve ser difícil descobrir. O Bloco tem seis
chefes, tem um porta-voz, tem 3000 profetas e tem três medidas para salvar a
Pátria. Para lá disto, não há mais que nevoeiro e uma inextricável trapalhada.
Consta que parte daquela sociedade se confessa trotskista e outra
marxista-leninista. Não acredito, exactamente como não acredito em fantasmas,
nem que a terapêutica médica persista na sua devoção à sangria. Verdade que a
“esquerda” é um museu, mas não anda por aí a distribuir antiguidades. E se as
distribuir ao CDS e ao PSD não vale a pena perder tempo com lições de história.
O Bloco precisa de uma creche; e o cidadão sério precisa seriamente de perceber
a brincadeira em curso.

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