| José António Silva |
Fundada em
Agosto de 2009, a
Confraria dos Vinhos Transmontanos (CVT) foi apadrinhada pela Confraria dos
Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro, consubstanciando uma
forma de associação que remonta à Idade Média, então ligada a motivos
essencialmente religiosos. Na actualidade, o fenómeno do reaparecimento em
força de novas confrarias prende-se com a necessidade da defesa do património
imaterial das diversas regiões do nosso país. Numa época em que a globalização
constitui uma ameaça concreta à identidade dos povos, dos seus costumes,
tradições e folclore, faz todo o sentido o ressurgimento destas associações que
acentuam e estimulam, através dos seus ritos cerimoniais e dos seus trajes, o
sentido de pertença e o desejo de valorizar e divulgar aquilo que se considera
digno de ser conhecido e experimentado pelos outros. No nosso caso o objecto
congregador – o vinho – conheceu uma evolução sem precedentes nos últimos cinco
anos, que o alcandorou a um patamar capaz de competir com os melhores quer a
nível nacional quer internacional, pelo que se legitima a criação da Confraria
dos Vinhos Transmontanos subordinada ao
lema Honor et Gloria Transmontano Vino.
Embaixadores
do néctar transmontano
Em apenas um ano
e quatro meses de existência, e sendo membro efectivo da Federação das
Confrarias Báquicas portuguesas, a Confraria dos Vinhos Transmontanos já
realizou quatro capítulos, entronizando novos confrades, dispostos a ajudar,
com a sua acção e prestígio e sob juramento solene, no alcance dos objectivos
de divulgação e nobilitação dos preciosos néctares produzidos na região de
Trás-os-Montes que, como é sabido, engloba Valpaços, Chaves e o Planalto
Mirandês, cujos saberes na produção vinícola remontam, a avaliar pela quantidade
de lagares escavados na rocha, a tempos anteriores à fundação da nacionalidade.
Tem ainda a CVT
o objectivo de proporcionar, a par da divulgação dos vinhos, momentos de
cultura transversal que englobaram, até agora, a poesia, a música clássica, a
música popular e a música sacra, mas também possibilitando uma vertente
didáctica na apreciação dos vinhos apresentados, a cargo dos seus confrades
enólogo, Arnaldo Sampaio e Escanção – Mor, Modesto Junqueira que primam por
elucidar os confrades e convidados sobre como apreciar um vinho e sobre as boas
práticas do seu consumo.
Vinho
Transmontano
Da terra, das raízes, do suor salgado do
rosto,
Do labor de mãos nodosas e sedentas da
jornada,
Vem o prémio generoso e gárrulo que é o
mosto,
Tinto e alegre ardor de alma libertada.
Inchadas de sumo e espuma de laço…
Ressumam, dançantes, de todos os tragos
E trazem no casco o calor de um abraço.
Ergamos os copos em pâmpanos gestos
Para brindar a dádiva desta natureza
De duros granitos e aráveis modestos.
Riqueza arrancada à terra todo o ano
Que no jarro enfeita a alva mesa
De todo e qualquer lar transmontano.
José António Silva
José
António Soares da Silva é natural de Margaride, concelho
de Felgueiras, mas reside em Valpaços há 25 anos. Licenciado em Línguas e
Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e Mestre
em Ciências da Cultura pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, é
professor na Escola Secundária de Valpaços e tem cinco obras publicadas pelas
respectivas câmaras municipais sobre história local relativa a Felgueiras e
Valpaços.
Actualmente é Mestre de
Cerimónias da Confraria dos Vinhos Transmontanos.



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