quinta-feira, 10 de julho de 2014

A magia do Bongo (Angola)


COSTA PEREIRA
Portugal, minha terra.

Por: Costa Pereira

A cidade do Huambo foi fundada em 1912 e baptizada com o nome de Nova Lisboa, em 1928. Chegando a ser proposta para capital de Angola. Pelo traçado das suas ruas e avenidas deixa perceber quão importante e próspera era, antes do desentendimento entre angolanos lhe ter provocado as feridas que vão demorar a sarar.
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Como dei a perceber, a viagem desde o Alto Hama até à capital da província do Huambo foi feita sob forte trovoada, mesmo assim ainda houve coragem para ir a um restaurante da cidade dar ao dente. Depois foi recolher algures na Rua dos Ministros e toca a descansar que no dia 16 é outro dia.
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Manhã cedo, os angolanos não dormem a manhã na cama, foi abrir a janela do meu quarto para as traseiras do prédio e logo uma torre com um galo que me fez lembrar Barcelos...Era segunda-feira, dia de escola para quem estuda, e na rua cada aluno passava carregando além do livro e caderno com a cadeira para se sentar. Cá também foi assim, e já no meu tempo.
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Antes de sair do Huambo, havia que passar por um supermercado e abastecer de víveres, pois nas aldeias do interior nem sempre há o que se quer. Enquanto as mulheres foram às compras, fiquei eu no jipe donde tirei uma foto com a imagem triste duma cidade que acredito há-de voltar a ser formosa e alegre. Com um até breve, parti pela estrada de Benguela, passando por Caala, para ao cabo de uns 80km, tomar a direcção do Bongo cuja placa de orientação assinala o desvio.
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Silo de Caala, inativo como parte das grandes estruturas produtivas do país. Que pena!
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 Encontrado o desvio que me conduz ao destino que me trouxe a Angola, o Bongo, não tarda a encontrar também a acolhedora mansão que rodeada de mata e campo, me vai servir de quartel general para gozar as férias mais proveitosas  da minha vida.
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Com guarda, de dia e noite, não há bicho que entre em casa, mas antes a presença amiga e simpática dos encarregados pela segurança de pessoas e bens.
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No Bongo já existiu um dos mais famosos hospitais de Angola, que guerra destruiu, e hoje nem para acolher os residentes da Missão oferece condições. Tantos portugueses se recordam dele e lamentam a sua destruição!
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Aonde dantes se ia procurar cura para as enfermidades melindrosas, pastam agora os animais que as carraceiras acompanham.
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Constou-se-me que pensam reabilitar o aldeamento e de novo implantar ali o hospital, bom era que isso acontecesse, porque as populações residentes e de toda a região carecem de protecção sanitária e de postos de trabalho.
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Lá como cá, no campo as mulheres raramente vêm da lavra de mãos vazias, também ali se mais não for, pelo menos molhos de vassouras no cesto trazem.
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Vassouras que na eira, onde o piso faz farinha dão muito jeito.
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Com tempo para ver, pensar e sentir, prometo dar desta terra e gente a imagem mais aproximada que souber do seu viver e agir.


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Desta vez fico-me por um comentário em língua espanhola a que dei resposta, mas não transcrevo por vergonha do meu reles espanhol:
Encantadoras las fotos. Tienes fotos de Benguela?
De hecho, da pena que no se aproveche el edifício para un hospital, seguro que el pueblo lo necesita y merece.
Gracias por el relato y imagenes, por cierto que no nos llegan frecuentemente noticias de Angola.
Saludos”
continua


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