sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Dom Joaquim da Boa Morte, o filósofo santo








Raul Brandão nascido na Foz do Douro, mas casado em Guimarães com Angelina Pereira, quando ali prestou serviço militar,como capitão, refugiou-se da peste bubónica, na Quinta que Maria Angelina possuía entre Stº Emilião e S. Martinho do Campo. Nessa quinta havia uma «Fonte de Boa Água» à qual o povo baptizou de água santa, em homenagem a D. Joaquim da Boa Morte. Aí se conheceram e conviveram, por essa altura. Além de militar e de escritor, Raul Brandão era também jornalista. Nessa qualidade  publicou no «Comércio do Minho», de 25 de Abril de 1903, uma nota necrológica, na qual escreveu: «na freguesia de Santo Emilião, concelho da Póvoa de Lanhoso, faleceu ante-ontem, o revmº D. Joaquim da Boa Morte Álvares de Moura, egresso Agostiniano. Era um venerando ancião, contando 92 anos de idade, muito virtuoso e de ilustração pouco vulgar. Era tio do revº João Álvares de Moura, secretário do curso teológico do Seminário de Braga».E no Jornal O Dia que se publicava em Lisboa, em fins de Abril de 1903, fez publicar  uma notícia com o seguinte título «Filósofo e Santo». Aí escreveu: «Na idade de 92 anos faleceu há dias em Stº Emilião (Póvoa de Lanhoso) Frei Joaquim da Boa Morte Álvares de Moura, natural de Barroso e vindo para o Minho na idade de 4 anos. Era bacharel formado na Universidade de Coimbra, em filosofia e em matemática. Foi Cónego regrante da Ordem de Stº Agostinho e doutor pelo colégio da Sapiência». O jovem, aos 4 anos de vida, deixou Medeiros para se juntar ao irmão mais velho que paroquiava Ronfe e que o preparou para ingressar na  Ordem Crúzia. Quando já missionava, foi extinta essa Ordem religiosa que o preparara. Refugiou-se então no Baixo Minho que conhecera em criança. Aí (em casa do Professor Casalta, em Stº Emilião), passou os últimos 30 anos de vida. Foi nessa altura que se relacionou com Raul Brandão que não sendo um católico assumido, teve a ideia de escalpelizar  no opúsculo «O Padre», os desmandos de alguns clérigos, de entre os quais havia exemplos notáveis como D. Joaquim de Boa Morte. «Era, na verdade um santo. Deixou tudo para viver perto de S. Martinho de Campo, entre cavadores e gente pobre da terra que adorava. Vi-o muitas vezes passar a estrada, todo branco, minguado, com o burel que nunca quis largar, no fio e os sapatos rotos. Com a vida ia-se-lhe desfeito o burel, rotos os sapatos. Deixara de dizer missa, mas o povo daqueles lugares, que é ingénuo e crente, consultava-o nas suas doenças e nos seus sofrimentos. É que D. Joaquim fazia milagres. Escusam de sorrir...O milagre é uma comunicação entre pessoas que têm radicada e viva esta força enorme: a fé. D. Joaquim da Boa Morte curava as criaturas simples, as mulheres, as crianças e os homens da Serra que o iam visitar...»  Desta notável figura Transmontana de Barroso fala a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e outros livros da época. Entretanto, já nos nossos dias, foi restaurada a Ordem de Stº Agostinho, no Sameiro (Braga) Aí vivem vários padres crúzios que passaram a ter sede, a meia dúzia de quilómetros da sepultura daquele que fora o último da extinta geração. Aí conhecemos o Padre Samuel (oriundo do Texas) que em 2003, preparava uma tese doutoral inspirado em D. Joaquim da Boa Morte. Em Stº Emilião e em Montalegre, houve cerimónias evocativas desse Padre Crúzio. Montalegre inaugurou uma Rua com o seu nome na descida para o Rolo. Sabemos que o seu processo relacionado com a santidade se encontra no Vaticano em vias de ser assumido o reconhecimento da sua beatificação. Ainda são vivos alguns familiares desse tronco genealógico, como, por exemplo o popular Engº Gusmão. Era interessante que a Câmara de Montalegre, a exemplo do que fez em 2003, ao invocar os 100 anos da sua morte, assinalasse os 200 do seu nascimento. Estamos cá para colaborar como sempre fizemos desde que o identificámos.


                                                                                  Barroso da Fonte



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