Raul Brandão nascido na Foz do Douro, mas casado em Guimarães com
Angelina Pereira, quando ali prestou serviço militar,como capitão, refugiou-se
da peste bubónica, na Quinta que Maria Angelina possuía entre Stº Emilião e S.
Martinho do Campo. Nessa quinta havia uma «Fonte de Boa Água» à qual o povo
baptizou de água santa, em homenagem a D. Joaquim da Boa Morte. Aí se
conheceram e conviveram, por essa altura. Além de militar e de escritor, Raul
Brandão era também jornalista. Nessa qualidade
publicou no «Comércio do Minho», de 25 de Abril de 1903, uma nota
necrológica, na qual escreveu: «na freguesia de Santo Emilião, concelho da
Póvoa de Lanhoso, faleceu ante-ontem, o revmº D. Joaquim da Boa Morte Álvares
de Moura, egresso Agostiniano. Era um venerando ancião, contando 92 anos de
idade, muito virtuoso e de ilustração pouco vulgar. Era tio do revº João
Álvares de Moura, secretário do curso teológico do Seminário de Braga».E no
Jornal O Dia que se publicava em Lisboa, em fins de Abril de 1903, fez
publicar uma notícia com o seguinte
título «Filósofo e Santo». Aí escreveu: «Na idade de 92 anos faleceu há dias em
Stº Emilião (Póvoa de Lanhoso) Frei Joaquim da Boa Morte Álvares de Moura,
natural de Barroso e vindo para o Minho na idade de 4 anos. Era bacharel
formado na Universidade de Coimbra, em filosofia e em matemática. Foi Cónego
regrante da Ordem de Stº Agostinho e doutor pelo colégio da Sapiência». O
jovem, aos 4 anos de vida, deixou Medeiros para se juntar ao irmão mais velho
que paroquiava Ronfe e que o preparou para ingressar na Ordem Crúzia. Quando já missionava, foi
extinta essa Ordem religiosa que o preparara. Refugiou-se então no Baixo Minho
que conhecera em criança. Aí (em casa do Professor Casalta, em Stº Emilião),
passou os últimos 30 anos de vida. Foi nessa altura que se relacionou com Raul
Brandão que não sendo um católico assumido, teve a ideia de escalpelizar no opúsculo «O Padre», os desmandos de alguns
clérigos, de entre os quais havia exemplos notáveis como D. Joaquim de Boa
Morte. «Era, na verdade um santo. Deixou tudo para viver perto de S. Martinho
de Campo, entre cavadores e gente pobre da terra que adorava. Vi-o muitas vezes
passar a estrada, todo branco, minguado, com o burel que nunca quis largar, no
fio e os sapatos rotos. Com a vida ia-se-lhe desfeito o burel, rotos os
sapatos. Deixara de dizer missa, mas o povo daqueles lugares, que é ingénuo e
crente, consultava-o nas suas doenças e nos seus sofrimentos. É que D. Joaquim
fazia milagres. Escusam de sorrir...O milagre é uma comunicação entre pessoas
que têm radicada e viva esta força enorme: a fé. D. Joaquim da Boa Morte curava
as criaturas simples, as mulheres, as crianças e os homens da Serra que o iam
visitar...» Desta notável figura
Transmontana de Barroso fala a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e
outros livros da época. Entretanto, já nos nossos dias, foi restaurada a Ordem
de Stº Agostinho, no Sameiro (Braga) Aí vivem vários padres crúzios que
passaram a ter sede, a meia dúzia de quilómetros da sepultura daquele que fora
o último da extinta geração. Aí conhecemos o Padre Samuel (oriundo do Texas)
que em 2003, preparava uma tese doutoral inspirado em D. Joaquim da Boa Morte.
Em Stº Emilião e em Montalegre, houve cerimónias evocativas desse Padre Crúzio.
Montalegre inaugurou uma Rua com o seu nome na descida para o Rolo. Sabemos que
o seu processo relacionado com a santidade se encontra no Vaticano em vias de
ser assumido o reconhecimento da sua beatificação. Ainda são vivos alguns
familiares desse tronco genealógico, como, por exemplo o popular Engº Gusmão.
Era interessante que a Câmara de Montalegre, a exemplo do que fez em 2003, ao
invocar os 100 anos da sua morte, assinalasse os 200 do seu nascimento. Estamos
cá para colaborar como sempre fizemos desde que o identificámos.
Barroso da Fonte

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