sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Jorge Lage - NOTAS DE RODAPÉ (103)


Jorge Lage

1- «O Passarão» – Sempre que me desloco a Lisboa, surge uma boa razão para encontro com os amigos, Jorge Golias, João Rocha e Carlos Cordeiro, a que se juntou nos últimos tempos o Eduardo Botelho. O mais certinho nos encontros é o Jorge Golias. O João e o Carlos devido às cordas das guitarras e das violas, às tunas, aos coros e ao teatro, por vezes falham. O Eduardo Botelho é um ás nos cozinhados e na fotografia. A encerrar o último ano solar tive o privilégio de me juntar com o grupo a que só faltou o Carlos. O encontro começou com um adeus ao ilustre e lutador advogado, Gabriel Salazar, à entrada do cemitério dos Olivais, e um sentido abraço ao filho, Victor Salazar, a viver em Tomar. Os repastos ou os passeios culturais são sempre momentos de tertúlia e de recordações. Veio a talho de fouce, não me recordo porque carga de água, «O Passarão», que se regista nas «Nomeadas de Mirandela» do «Mirandelês», apenas mais uma alcunha lavrada desta obra. «O Passarão», como muitas das alcunhas, veio duma palavra invulgar no contexto. Estava-se na Segunda Guerra Mundial e a aviação civil e militar já marcava muitos pontos na esperança da humanidade. Alguns mirandelenses costumavam ir para o Campo da Aviação para melhor ver passar os aviões que, de tempos a tempos, cruzavam os céus mirandelenses. Certo dia esperaram, esperaram, esperaram e nada de aviões. Alguém interpelou o Manuel coveiro: - oh Senhor Manuel, afinal eles não passam! Ele mais esperançado e desejoso de ver uma máquina voadora, contrapôs em tom convicto de um crente de fé inabalável: calma! Eles não passam, mas passarão! E assim, o grupo perante a palavra incrédula para uns e de esperança para outros, «baptizou-o» de «O Passarão»,
 
2- O Botafogo – Qualquer topónimo ou nome importante terá sempre por trás um curioso trabalho monográfico. É sabido da arrogância e superioridade da maioria dos brasileiros quando se referem a Portugal. Contudo, parte da sua chapa matricial ou identitária está em Portugal ou nos portugueses. O episódio que vos vou descrever é um exemplo do que acabei de dizer. No século XVI, o galeão S. João Baptista, alcunhado de «Botafogo», construído em 1534, deslocava 1.000 toneladas e possuía 366 bocas de fogo de bronze. Esta grande capacidade de responder a um ataque ou de atacar aterrorizava qualquer inimigo. Não eram só as bocas de fogo que o tornavam famoso. Por exemplo, o seu forte esporão, partiu as correntes que fechavam o porto de Tunes (Tunísia) e conseguiu que a conquista fosse bem sucedida. Carlos V sabia que só este super galeão português lhe abriria a vitória. João Pereira de Sousa, nobre de Elvas, fazia parte da tripulação e era responsável pelas infernais peças de fogo, tendo ele próprio sido alcunhado de «Botafogo». O apelido passou aos seus descendentes. João Pereira de Sousa foi para o Brasil, recebendo da coroa as terras junto da baía de Guanabara e tomaram o nome de «Botafogo». Durante as Invasões Francesas, a família real portuguesa deslocou-se para o Brasil e nobres e burgueses elegem para residirem o bairro rural de Botafogo. Também, na cidade de Elvas, ainda hoje existe a Rua do Botafogo.

3- José Manuel Pavão distinguido – A Comunidade de Municípios de Trás-os-Montes (CMTM) elegeu José Manuel Pavão para seu Presidente da Assembleia. Embora não tenha funções executivas, essas dizem respeito ao Presidente da CMTM, Américo Pereira, Presidente do Município de Vinhais, registo com agrado esta nova função para o ilustre médico mirandelense. Sabendo-se da pouca simpatia endémica dos bragançanos pelos mirandelenses, saúdo esta nomeação.

4- Elina Fraga a «Bastonária»  – Já me tinham referenciado, no início do último Verão, que a mirandelense Elina Fraga seria candidata a Bastonária da Ordem dos Advogados e possível sucessora do bastonário, Marinho Pinto. Por isso, a nomeação para bastonária desta advogada mirandelense foi, para mim, algo esperado, mas motivo de contentamento, porque os nossos valores humanos são o nosso melhor activo. Elina Fraga é a segunda mulher em Portugal a ocupar tal cargo e desejo-lhe as maiores felicidades pessoais e profissionais.


5- Feiras temáticas de Mirandela – As Feiras, principalmente do Fumeiro, estão em grande força. Já se passou a do Porco de Boticas, a do Fumeiro de Montalegre, a dos Sabores de Chaves é no fim-de-semana e a grande Feira do Fumeiro de Vinhais vem a caminho. Mirandela abre as «hostilidades» feirantes com a «Feira do Alheira de Mirandela 2014», na Alfândega da cidade do Porto, em 31 de Janeiro e 1 e 2 de Fevereiro. A 8 e 9 de Março o Parque Império de Mirandela recebe mais uma Feira da Alheira, com degustação e venda de enchidos. Era bom que as próprias empresas alheireiras façam um esforço e dêem a degustar os seus produtos. Uma feira mais virada para o azeite, ou antes da azeitona é a «Feira dos Tordos», em Mascarenhas, dia 15 e 16 de Fevereiro. Para trás ficou a «Feira dos Sabores do Azeite Novo». Azeite que este ano, dizem, é excelente. Consumir o melhor azeite do nosso é ser-se mais saudável e ter-se mais qualidade de vida. Ficava bem a Mirandela adoptar a alcunha elogiosa de «Poço do Azeite».


6- Correcção sobre os Zoelas – os Zoelas, com a capital em Castro de Avelãs (Bragança), estendiam-se até à margem esquerda do rio Tua e Mirandela e não «margem direita» como, por lapso, se referiu no texto «Livro “Chaves Romana”». À direcção do Notícias de Mirandela e aos leitores do jornal as minhas desculpas.
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com – 28JAN2014


Provérbios ou ditos:

         Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
         Dia de Santa Doroteia já o dia tem mais hora e meia.
         Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.



Cento-cinquentenário do nascimento do Padre Ernesto Sales


Os 150 anos do nascimento do Padre Ernesto Augusto Pereira de Sales, nascido acidentalmente no Mogadouro em 1864 e vindo para Mirandela, aos três anos, passam a 23 de Novembro próximo.
Ordenado sacerdote em 1887 foi paroquiar Suçães até 1892 e Franco até 1893, passando a ser capelão militar da arma de Engenharia e pároco da Igreja da Graça em Lisboa.
 Destacou-se como escritor bem documentado e ajudou imenso o Abade Baçal na sua obra monumental. Da sua obra bibliográfica consta: Notícia Histórica de Nossa Senhora do Amparo de Mirandela (1887), Discurso comemorativo da Batalha do Bussaco (1904), Livro do Soldado para sua educação moral e patriótica (1905), Livro do curso de instrução elementar para praças de pret (1908), Cartilha Militar (1908), Subsídios p/ a biografia do Dr. Francisco da Fonseca Henriques (Dr. Mirandela, médico de D.João V) (1921), Dois Documentos Históricos: O Foral e o Pelourinho da extinta Vila de Frechas (1923), Nosso Senhor dos Passos da Graça, (1925), Bandeiras e Estandartes Regimentais do Exército e da Armada e outras bandeiras militares (separata do Elucidário Nobiliárquico) (1930), Cerâmica portuguesa; a propósito de duas lápides (1932), O Conde de Lippe em Portugal - Comissão de História Militar (1937), A Capela de Nª Sª da Glória (no Bairro da Graça, em Lisboa - 1943), A Igreja da Graça, jazida de 4 governadores da Índia (1947) e Mirandela Apontamentos Históricos de 1250 a 1920 (Vol. I e II, 1950).
À extensa obra temos de juntar, ainda, o inédito «Gente de Mirandela» (1916), sobre o período de 1258 a 1908 e propriedade do Museu de Bragança que o Presidente do Município de Mirandela, Almor Branco, gostaria de publicar.
Esta obra inédita tem estado a ser tratada, ao longo de meses de muito trabalho por Jorge Golias, em colaboração com o professor universitário mirandelense Telmo Verdelho.
Como curiosidade, registe-se que o Padre Sales é primo em 3.º grau do Capitão de Abril e mirandelense, Jorge Sales Golias (e do irmão, José Sales Golias).
A Associação do Museu de Bragança está a preparar um programa próprio para os 150 anos do nascimento do Padre Sales, com conferencistas em que se incluem Telmo Verdelho e Jorge Golias.
O Padre Ernesto Sales é patrono da Biblioteca do Exército, estando esta instituição cultural e militar a elaborar um programa que prevê o convite a Professores universitários para falarem sobre a vida e obra do Padre Ernesto Sales, em que se destaca um padre português no Vaticano que prepara a tese de doutoramento sobre o muito ilustre mirandelense.
O Padre Ernesto Sales fez parte de associações de prestígio. Foi secretário da Comissão de História Militar e pertenceu à Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos e à Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Pelo seu mérito e acção foi agraciado com o Grau de Cavaleiro e Oficial da Ordem de S. Bento de Aviz. Tem o nome gravado na toponímia de Mogadouro, de Bragança e de Mirandela.
Com ou sem publicação do livro inédito, «Gente de Mirandela», Mirandela poderá homenagear este ilustre Mirandelense, podendo servir-se do Telmo Verdelho e Jorge Golias, especialistas na obra do Padre Ernesto Sales.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Havia o meu amigo de fazer anos neste dia...

 Mário Adão Magalhães Jornalista Bom amigo Havia o meu amigo de fazer anos neste dia... Além de lhe trazer o meu melhor parabém, com o dese...

Os mais lidos