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| Jorge Lage |
1- «O
Passarão» – Sempre que me desloco a Lisboa, surge uma boa razão para encontro
com os amigos, Jorge Golias, João Rocha e Carlos Cordeiro, a que se juntou nos
últimos tempos o Eduardo Botelho. O mais certinho nos encontros é o Jorge
Golias. O João e o Carlos devido às cordas das guitarras e das violas, às
tunas, aos coros e ao teatro, por vezes falham. O Eduardo Botelho é um ás nos
cozinhados e na fotografia. A encerrar o último ano solar tive o privilégio de
me juntar com o grupo a que só faltou o Carlos. O encontro começou com um adeus
ao ilustre e lutador advogado, Gabriel Salazar, à entrada do cemitério dos
Olivais, e um sentido abraço ao filho, Victor Salazar, a viver em Tomar. Os
repastos ou os passeios culturais são sempre momentos de tertúlia e de
recordações. Veio a talho de fouce, não me recordo porque carga de água, «O
Passarão», que se regista nas «Nomeadas de Mirandela» do «Mirandelês», apenas
mais uma alcunha lavrada desta obra. «O Passarão», como muitas das alcunhas,
veio duma palavra invulgar no contexto. Estava-se na Segunda Guerra Mundial e a
aviação civil e militar já marcava muitos pontos na esperança da humanidade.
Alguns mirandelenses costumavam ir para o Campo da Aviação para melhor ver
passar os aviões que, de tempos a tempos, cruzavam os céus mirandelenses. Certo
dia esperaram, esperaram, esperaram e nada de aviões. Alguém interpelou o
Manuel coveiro: - oh Senhor Manuel, afinal eles não passam! Ele mais
esperançado e desejoso de ver uma máquina voadora, contrapôs em tom convicto de
um crente de fé inabalável: calma! Eles não passam, mas passarão! E assim, o
grupo perante a palavra incrédula para uns e de esperança para outros,
«baptizou-o» de «O Passarão»,
2- O
Botafogo – Qualquer topónimo ou nome importante terá sempre por trás um curioso
trabalho monográfico. É sabido da arrogância e superioridade da maioria dos
brasileiros quando se referem a Portugal. Contudo, parte da sua chapa matricial
ou identitária está em Portugal ou nos portugueses. O episódio que vos vou
descrever é um exemplo do que acabei de dizer. No século XVI, o galeão S. João
Baptista, alcunhado de «Botafogo», construído em 1534, deslocava 1.000
toneladas e possuía 366 bocas de fogo de bronze. Esta grande capacidade de
responder a um ataque ou de atacar aterrorizava qualquer inimigo. Não eram só
as bocas de fogo que o tornavam famoso. Por exemplo, o seu forte esporão,
partiu as correntes que fechavam o porto de Tunes (Tunísia) e conseguiu que a
conquista fosse bem sucedida. Carlos V sabia que só este super galeão português
lhe abriria a vitória. João Pereira de Sousa, nobre de Elvas, fazia parte da
tripulação e era responsável pelas infernais peças de fogo, tendo ele próprio
sido alcunhado de «Botafogo». O apelido passou aos seus descendentes. João
Pereira de Sousa foi para o Brasil, recebendo da coroa as terras junto da baía
de Guanabara e tomaram o nome de «Botafogo». Durante as Invasões Francesas, a
família real portuguesa deslocou-se para o Brasil e nobres e burgueses elegem
para residirem o bairro rural de Botafogo. Também, na cidade de Elvas, ainda
hoje existe a Rua do Botafogo.
3- José
Manuel Pavão distinguido – A Comunidade de Municípios de Trás-os-Montes (CMTM)
elegeu José Manuel Pavão para seu Presidente da Assembleia. Embora não tenha
funções executivas, essas dizem respeito ao Presidente da CMTM, Américo
Pereira, Presidente do Município de Vinhais, registo com agrado esta nova
função para o ilustre médico mirandelense. Sabendo-se da pouca simpatia
endémica dos bragançanos pelos mirandelenses, saúdo esta nomeação.
4- Elina
Fraga a «Bastonária» – Já me tinham
referenciado, no início do último Verão, que a mirandelense Elina Fraga seria
candidata a Bastonária da Ordem dos Advogados e possível sucessora do
bastonário, Marinho Pinto. Por isso, a nomeação para bastonária desta advogada
mirandelense foi, para mim, algo esperado, mas motivo de contentamento, porque
os nossos valores humanos são o nosso melhor activo. Elina Fraga é a segunda
mulher em Portugal a ocupar tal cargo e desejo-lhe as maiores felicidades
pessoais e profissionais.
5-
Feiras temáticas de Mirandela – As Feiras, principalmente do Fumeiro, estão em
grande força. Já se passou a do Porco de Boticas, a do Fumeiro de Montalegre, a
dos Sabores de Chaves é no fim-de-semana e a grande Feira do Fumeiro de Vinhais
vem a caminho. Mirandela abre as «hostilidades» feirantes com a «Feira do
Alheira de Mirandela 2014», na Alfândega da cidade do Porto, em 31 de Janeiro e
1 e 2 de Fevereiro. A 8 e 9 de Março o Parque Império de Mirandela recebe mais
uma Feira da Alheira, com degustação e venda de enchidos. Era bom que as
próprias empresas alheireiras façam um esforço e dêem a degustar os seus
produtos. Uma feira mais virada para o azeite, ou antes da azeitona é a «Feira
dos Tordos», em Mascarenhas, dia 15 e 16 de Fevereiro. Para trás ficou a «Feira
dos Sabores do Azeite Novo». Azeite que este ano, dizem, é excelente. Consumir
o melhor azeite do nosso é ser-se mais saudável e ter-se mais qualidade de
vida. Ficava bem a Mirandela adoptar a alcunha elogiosa de «Poço do Azeite».
6-
Correcção sobre os Zoelas – os Zoelas, com a capital em Castro de Avelãs
(Bragança), estendiam-se até à margem esquerda do rio Tua e Mirandela e não
«margem direita» como, por lapso, se referiu no texto «Livro “Chaves Romana”».
À direcção do Notícias de Mirandela e aos leitores do jornal as minhas
desculpas.
Jorge Lage – jorgelage@portugalmail.com –
28JAN2014
Provérbios
ou ditos:
Fevereiro matou a mãe ao soalheiro.
Dia de Santa Doroteia já o dia tem mais
hora e meia.
Cautela e caldos de galinha nunca
fizeram mal a ninguém.
Cento-cinquentenário
do nascimento do Padre Ernesto Sales
Ordenado
sacerdote em 1887 foi paroquiar Suçães até 1892 e Franco até 1893, passando a
ser capelão militar da arma de Engenharia e pároco da Igreja da Graça em
Lisboa.
À
extensa obra temos de juntar, ainda, o inédito «Gente de Mirandela» (1916),
sobre o período de 1258 a 1908 e propriedade do Museu de Bragança que o
Presidente do Município de Mirandela, Almor Branco, gostaria de publicar.
Esta
obra inédita tem estado a ser tratada, ao longo de meses de muito trabalho por
Jorge Golias, em colaboração com o professor universitário mirandelense Telmo
Verdelho.
Como
curiosidade, registe-se que o Padre Sales é primo em 3.º grau do Capitão de Abril
e mirandelense, Jorge Sales Golias (e do irmão, José Sales Golias).
A
Associação do Museu de Bragança está a preparar um programa próprio para os 150
anos do nascimento do Padre Sales, com conferencistas em que se incluem Telmo
Verdelho e Jorge Golias.
O Padre
Ernesto Sales é patrono da Biblioteca do Exército, estando esta instituição
cultural e militar a elaborar um programa que prevê o convite a Professores
universitários para falarem sobre a vida e obra do Padre Ernesto Sales, em que
se destaca um padre português no Vaticano que prepara a tese de doutoramento
sobre o muito ilustre mirandelense.
O Padre
Ernesto Sales fez parte de associações de prestígio. Foi secretário da Comissão
de História Militar e pertenceu à Sociedade Portuguesa de Estudos Históricos e
à Associação dos Arqueólogos Portugueses.
Pelo seu
mérito e acção foi agraciado com o Grau de Cavaleiro e Oficial da Ordem de S.
Bento de Aviz. Tem o nome gravado na toponímia de Mogadouro, de Bragança e de
Mirandela.
Com ou
sem publicação do livro inédito, «Gente de Mirandela», Mirandela poderá
homenagear este ilustre Mirandelense, podendo servir-se do Telmo Verdelho e
Jorge Golias, especialistas na obra do Padre Ernesto Sales.

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