sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Um transmontano por terras do Lis - Costa Pereira



Um transmontano por terras do Lis
Por: Costa Pereira
Portugal, minha terra.

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Esta é a Rotunda Norte ou as Cáritas da Praia do Pedrógão que em Setembro ultimo um temporal quase tornou irreconhecível, mas como não bastasse vieram as mais recentes tempestades agravar a situação. Pese ser minha praia desde há uns quarenta anos a esta parte e de muito já ter escrito a seu respeito, o facto é que desde o Verão passado nunca mais por lá passei. Para ver misérias, bem me chego aquelas com que me cruzo na rua.
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Mas no domingo dia 16, uma alma caridosa lá se lembrou de me convidar para lanchar fora da capital do barro, e carro cheio com seis passageiros (é de 7) escolheu como destino o Pedrógão.
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Fiquei desolado e triste por ver a praia que bem conheço no estado que o temporal a deixou, e as fotos da Rotunda Norte aqui mostram. A força que tem o mar!
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Como um pouco por todo o litoral, também na terça-feira,07 de Janeiro, foi dia de contabilizar os estragos causados pelo temporal que se abateu em todo o país e que no Pedrógão causou danos que além dos prejuízos vão demorar a sanar. Apenas um dia bastou para o mar “comer” a praia Norte, e danificar o paredão. Não apenas o areal, como parte do passadiço que dá acesso à praia desapareceu e o muro do paredão abriu extensas brechas.
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Mas antes de continuar com a reportagem fotográfica vale dizer que a Praia do Pedrógão é a única praia do concelho de Leiria, e fica situada a norte da foz do Lis, muito próxima da praia da Vieira. Pertence à freguesia do Coimbrão e dizem dever o nome a um afloramento rochoso que ressai no areal, conhecido pelas “Pedras”; e as divide em Pedrógão Norte, onde fica a povoação antiga; e o Pedrógão Sul, pelo areal que por vezes chega a desaparecer
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Dos estragos conta a moradora ti Encarnação Quiais : " nunca tal coisa me lembro; antigamente, noutro tempo, não havia barreiras e o mar, no Inverno, batia por vezes na muralha, mas nada como isto".
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Já o presidente da Junta de Freguesia do Coimbrão, Ventura Tomás, revela à Região de Leiria a sua intenção de reportar a situação à Agência Portuguesa do Ambiente (APA). E o autarca faz saber que as marés vivas, habitualmente “expectáveis” lá para Outubro, desta vez “vieram mais cedo”.
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Recorda ainda que "quanto aos danos provocados pela erosão e o avanço do mar no Pedrógão, “a tendência é agravar-se se não se fizer nada a montante”, lembrando os vários alertas enviados à tutela".
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Não é espetáculo que agrade ver, pelo que tem de trágico, mas que desperta curiosidade a quem dá apreço às emoções fortes, não tenhamos dúvidas. E disso deu provas a quantidades de forasteiros que no domingo, dia 16, foi encontrar no Pedrógão, quase comparei com um daqueles dias de Agosto, em que os veraneantes ocupam todo o areal e ruas da piscatória estancia balnear.
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Dos curiosos aproveita o pequeno comércio local, sobretudo os cafés que nestes fins de semana têm aberto para recuperarem as percas dos efeitos do temporal
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E lá fui encontrar uma avó feliz que foi da Gaspara mostrar o mar ao neto.
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Entretanto o homem apoiado na maquina tenta remediar os estragos deixados pela onda e repor as areias desaparecidas, por forma a que na próxima época balnear que vem aí, os veraneantes possam gozar do sol e aguas da Praia do Pedrógão. Assim o tempo deixe, e as maquinas  tenham condições para escavar e transportar as toneladas de areia que faltam na praia e o mar engoliu.
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Acompanhei este trio desde a rotunda das Cáritas até à rotunda das Pedras, 1800 metros a ver um mar menos ameaçador, mas nunca de fiar...Mas outra coisa vi: que as pessoas gostam de enfrentar o perigo. Por mais que as autoridades recomendem para não se aproximarem dos lugares perigosos é onde as pessoas se juntam mais e desobedecem. Também se assim não fora, Vasco da Gama não chegava à Índia, nem Pedro Alves Cabral ao Brasil.
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A caminho das Pedras não sou só eu a fotografar
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Uma perspetiva das Pedras.
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A rotunda das Pedras onde fomos parar para um lanche que os ares do mar fazem apetecer, mas que a concorrência de curiosos como nós, obrigou a seguir viagem até à "Serração", nas Várzeas
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Mas antes passamos pelas antigas salinas da Carreia, para mais abaixo visitar a foz das águas que das Cabadas da Bouça (Bajouca) por Santo Aleixo e Aroeira (Monte Redondo) vão desaguar no Lis. E aqui as temos em força, passando por baixo da ponte, para darem entrada no rio. Rio que também fez das suas, ao longo do seu percurso.


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