sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Congresso Internacional de Línguas Ameaçadas na Europa em Minde - Alcalena



ELE 2013 - Congresso Internacional de Línguas Ameaçadas na Europa

O Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS) organiza a primeira edição do ELE (Endangered Languages in Europe), um evento único no território europeu constituído por três momentos: uma conferência internacional dedicada à reflexão sobre as línguas ameaçadas e minoritárias no Velho Continente; uma Feira das Línguas; e, por fim, um festival de música, cujas bandas e artistas interpretam temas nas suas línguas autóctones. Estas iniciativas têm lugar entre os dias 17 e 19 de Outubro de 2013 em Minde (na Fábrica de Cultura) e em Alcanena, no Centro de Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio.


 Relativamente à conferência, serão apresentadas mais de 70 comunicações por investigadores de todos os continentes que se têm debruçado sobre a temática das línguas ameaçadas e minoritárias, à luz de perspectivas como a documentação linguística, a revitalização, a política de língua e as tecnologias da linguagem.
Quanto à Feira de Línguas, está já assegurada a presença de 11 comunidades linguísticas europeias que, por intermédio de performances culturais (por exemplo, literatura, cinema, dança e gastronomia), irão evidenciar aspectos significativos das suas tradições que têm perdurado ao longo dos anos.
A 18 e 19 de Outubro irá ter lugar o festival de música (Endangered Languages Music Festival). Entre as bandas já confirmadas, destaque para os Toibi 4.7 (naturais da Alemanha, interpretam em Bávaro), os Enkore (de Espanha, cantam em Basco) e os Bandalheira (de Portugal, interpretam em Minderico).
O ELE 2013 conta com o apoio da Casa do Povo de Minde (CPM), da Câmara Municipal de Alcanena e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), para além de empresas e instituições da região.
Para mais informações, consultar aqui: http://www.cidles.eu/events/conference-ele-2013/ ou escrever para o seguinte endereço de email: ele2013@cidles.eu.

Finte

 

2,5 mil idiomas correm risco de extinção no mundoDiminuirAumentar
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Dos 6 mil idiomas recenseados no planeta, mais de 2,5 mil estão em risco de desaparecer, contabiliza a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
A globalização e a pressão sobre comunidades indígenas de integrarem-se à cultura dominante estão acelerando o desaparecimento de centenas de idiomas no mundo todo, o que representa mais que uma perda de palavras, a destruição de uma forma de levar a vida, avaliam analistas reunidos recentemente em Quito.
Dos 6 mil idiomas recenseados no planeta, mais de 2,5 mil estão em risco de desaparecer, contabiliza a Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Entre eles estão, por exemplo, o andoa equatoriano, que tem apenas uma pessoa falante do idioma, e o zapara, com seis idosos fluentes.
Com eles desaparecem seus conhecimentos naturais, além de uma maneira de conceber o espaço, o universo e a relação com outros seres humanos, ressaltou Marleen Haboud, a coordenadora de um congresso internacional sobre o tema que ocorreu recentemente na Pontifícia Universidade Católica de Quito.
Outro exemplo é o mohawk, língua de uma tribo indígena da confederação iroquois que vive entre os Estados Unidos e o Canadá. Esse idioma não segue a estrutura tradicional de sujeito, verbo e predicado, base do inglês, português e espanhol, entre outros.
Seus falantes colocam primeiro a informação que acreditam ser mais importante para o ouvinte, independentemente de ser nome, adjetivo ou ação, explicou Marianne Mithun, uma lingüística americana que há décadas trabalha no resgate desse idioma.
Línguas diferentes "mostram maneiras diferentes da mente humana codificar as informações, entender e sistematizar o mundo, a experiência, e são formas nunca pensadas por nós que só falamos uma língua europeia", opinou Mithun. Para ela, das 300 línguas documentadas na América do Norte, em meados desta década somente 12 deverão sobreviver.
Os continentes onde a ameaça é maior são Oceania e as Américas. No Brasil ao menos 190 idiomas estão em risco, no México 144, na Colômbia 68 e no Peru 62.
"O desaparecimento de línguas está cada vez mais acelerada", lamentou Haboud, que atribui isso à "globalização", pois povoados que antes estavam isolados "estão agora praticamente vivendo em meio a muita modernidade, avassaladora no caso deles".
Mais do que pressões externas para impor uma língua, as comunidades frequentemente abandonam seu próprio idioma por um desejo de integrar-se na sociedade majoritária e ter melhores perspectivas econômicas, de acordo com os analistas.
"Muitas vezes as pessoas não se dão conta do valor da língua indígena, porque pensam que é algo atrasado no atual mundo moderno", explicou Mithun. Deixá-la para trás acarreta uma perda de identidade, para esta linguísta, que enfatizou que a solução é a nova geração aprenda os dois idiomas.
"As crianças mohawk que sabem o inglês e o mohawk têm maior êxito em ambos os mundos, não têm postura antagônica em direção à cultura externa", explicou Mithun, quem destacou que de acordo com inúmeros estudos bilíngue melhora o desempenho de estudantes em todas as matérias, não só em idiomas.
Essa estratégia é a que seguem de indígenas achuar no Equador, segundo Sumpinanch Celestino Aij Tuntuam, professor de 27 anos da comunidade amazônica de Kupit. "Nós mantemos, avaliando cultura e tradição, a vestimenta, falamos espanhol, mas não esquecemos o achuar", disse em Quito Aij Tuntuam, quem estava vestido com plumas e um grande colar de contas, e tinha o rosto pintado com linhas pretas igual a um felino.
Em sua comunidade todos os habitantes falam achuar, metade o espanhol e 20% o shuar, detalhou. Em todo o Equador existem somente 2,5 mil falantes da língua achuar e 35 mil de shuar. "Uma língua pode desaparecer muito, muito rapidamente. Há quem pense que porque existem muitas pessoas falando o idioma isso não vai acontecer, mas o problema é que todos têm a mesma idade, e chegará o momento em que se perderá, e quando isso acontecer não será possível recuperá-la", advertiu Mithun.

FONTE: Terra

Artigo relacionado: Atlas interactivo das Línguas em perigo no mundo

Minderico
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Minderico ou Piação dos Charales do Ninhou (língua dos habitantes de Minde, Código ISO 639-3 DRC1 ), é a variante linguística2 falada em Minde desde o século XVIII. Inicialmente esta variante funcionava como código conhecido apenas pelos fabricantes e comerciantes das mantas de Minde.3 Como era utilizada apenas por um grupo restrito, era até então um sociolecto. Está ameaçado de extinção e tem duas variantes regionais: a de Minde e a de Mira de Aire4 (este último por vezes designado calão mirense).
Fruto de uma comunidade isolada, localizada numa depressão fechada entre os Planaltos de Santo António e de São Mamede, em pleno Maciço Calcário Estremenho, o minderico, inicialmente enquanto língua secreta, era semelhante a variantes que encontramos noutros grupos e comunidades étnicas específicas espalhadas pelo mundo que usam "termos e expressões de defesa", isto é, palavras e expressões que permitem aos membros dessa comunidade falar entre si sem darem a conhecer o significado dessa comunicação a outros. Porém, o minderico ultrapassou as barreiras do secretismo e alargou-se não só as todos os grupos sociais da comunidade minderica como passou a ser usado em todos os contextos sociais (não só para o negócio). Esta evolução - de língua secreta a língua do quotidiano - não é exclusiva do minderico, tendo-se registado já noutras comunidades em diferentes partes do mundo.
Em muitos dos lexemas mindericos é notória a sua origem em imagens do quotidiano, que passam de forma figurativa para a linguagem, mas também, embora em menor quantidade, através de alterações do português vernáculo, não esquecendo também os desenvolvimentos propriamente mindericos. Nomes de pessoas da terra deram origem a expressões que designam profissões ou atributos humanos. O minderico é ainda hoje conhecido pela maioria da população adulta, embora por influência da alteração dos costumes, haja uma acentuada tendência para o seu desuso e esquecimento entre os mais jovens.
Existem cinco edições de um glossário minderico, onde se encontram as palavras traduzidas de português para minderico e minderico para português. A edição de 2004, a mais completa e actual, está disponível no Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro. O Centro Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS), um centro de investigação que se dedica ao estudo e documentação de línguas ameaçadas na Europa e ao desenvolvimento de tecnologias da linguagem para línguas menos usadas, é a instituição que tem trabalhado na documentação linguística e divulgação do minderico, bem como na sua revitalização, isto em colaboração directa com a comunidade de falantes.



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