O Centro Interdisciplinar de
Documentação Linguística e Social (CIDLeS) organiza a primeira edição do ELE
(Endangered Languages in Europe), um evento único no território europeu
constituído por três momentos: uma conferência internacional dedicada à
reflexão sobre as línguas ameaçadas e minoritárias no Velho Continente; uma
Feira das Línguas; e, por fim, um festival de música, cujas bandas e artistas
interpretam temas nas suas línguas autóctones. Estas iniciativas têm lugar
entre os dias 17 e 19 de Outubro de 2013 em Minde (na Fábrica de Cultura) e em
Alcanena, no Centro de Ciência Viva do Alviela - Carsoscópio.
Relativamente à conferência, serão
apresentadas mais de 70 comunicações por investigadores de todos os continentes
que se têm debruçado sobre a temática das línguas ameaçadas e minoritárias, à
luz de perspectivas como a documentação linguística, a revitalização, a
política de língua e as tecnologias da linguagem.
Quanto à Feira de Línguas, está
já assegurada a presença de 11 comunidades linguísticas europeias que, por
intermédio de performances culturais (por exemplo, literatura, cinema, dança e
gastronomia), irão evidenciar aspectos significativos das suas tradições que
têm perdurado ao longo dos anos.
A 18 e 19 de Outubro irá ter
lugar o festival de música (Endangered Languages Music Festival). Entre as
bandas já confirmadas, destaque para os Toibi 4.7 (naturais da Alemanha,
interpretam em Bávaro), os Enkore (de Espanha, cantam em Basco) e os
Bandalheira (de Portugal, interpretam em Minderico).
O ELE 2013 conta com o apoio da
Casa do Povo de Minde (CPM), da Câmara Municipal de Alcanena e da Fundação para
a Ciência e a Tecnologia (FCT), para além de empresas e instituições da região.
Para mais informações, consultar
aqui: http://www.cidles.eu/events/conference-ele-2013/ ou escrever para o
seguinte endereço de email: ele2013@cidles.eu.
Finte
PartilharImprimir2,5 mil idiomas
correm risco de extinção no mundo
Dos 6 mil idiomas recenseados no
planeta, mais de 2,5 mil estão em risco de desaparecer, contabiliza a
Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)
A globalização e a pressão sobre
comunidades indígenas de integrarem-se à cultura dominante estão acelerando o
desaparecimento de centenas de idiomas no mundo todo, o que representa mais que
uma perda de palavras, a destruição de uma forma de levar a vida, avaliam
analistas reunidos recentemente em Quito.
Dos 6 mil idiomas recenseados no
planeta, mais de 2,5 mil estão em risco de desaparecer, contabiliza a
Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Entre eles
estão, por exemplo, o andoa equatoriano, que tem apenas uma pessoa falante do
idioma, e o zapara, com seis idosos fluentes.
Com eles desaparecem seus
conhecimentos naturais, além de uma maneira de conceber o espaço, o universo e
a relação com outros seres humanos, ressaltou Marleen Haboud, a coordenadora de
um congresso internacional sobre o tema que ocorreu recentemente na Pontifícia
Universidade Católica de Quito.
Outro exemplo é o mohawk, língua
de uma tribo indígena da confederação iroquois que vive entre os Estados Unidos
e o Canadá. Esse idioma não segue a estrutura tradicional de sujeito, verbo e
predicado, base do inglês, português e espanhol, entre outros.
Seus falantes colocam primeiro a
informação que acreditam ser mais importante para o ouvinte, independentemente
de ser nome, adjetivo ou ação, explicou Marianne Mithun, uma lingüística
americana que há décadas trabalha no resgate desse idioma.
Línguas diferentes "mostram
maneiras diferentes da mente humana codificar as informações, entender e
sistematizar o mundo, a experiência, e são formas nunca pensadas por nós que só
falamos uma língua europeia", opinou Mithun. Para ela, das 300 línguas
documentadas na América do Norte, em meados desta década somente 12 deverão
sobreviver.
Os continentes onde a ameaça é
maior são Oceania e as Américas. No Brasil ao menos 190 idiomas estão em risco,
no México 144, na Colômbia 68 e no Peru 62.
"O desaparecimento de
línguas está cada vez mais acelerada", lamentou Haboud, que atribui isso à
"globalização", pois povoados que antes estavam isolados "estão
agora praticamente vivendo em meio a muita modernidade, avassaladora no caso
deles".
Mais do que pressões externas
para impor uma língua, as comunidades frequentemente abandonam seu próprio
idioma por um desejo de integrar-se na sociedade majoritária e ter melhores
perspectivas econômicas, de acordo com os analistas.
"Muitas vezes as pessoas não
se dão conta do valor da língua indígena, porque pensam que é algo atrasado no
atual mundo moderno", explicou Mithun. Deixá-la para trás acarreta uma
perda de identidade, para esta linguísta, que enfatizou que a solução é a nova
geração aprenda os dois idiomas.
"As crianças mohawk que
sabem o inglês e o mohawk têm maior êxito em ambos os mundos, não têm postura
antagônica em direção à cultura externa", explicou Mithun, quem destacou
que de acordo com inúmeros estudos bilíngue melhora o desempenho de estudantes
em todas as matérias, não só em idiomas.
Essa estratégia é a que seguem de
indígenas achuar no Equador, segundo Sumpinanch Celestino Aij Tuntuam, professor
de 27 anos da comunidade amazônica de Kupit. "Nós mantemos, avaliando
cultura e tradição, a vestimenta, falamos espanhol, mas não esquecemos o
achuar", disse em Quito Aij Tuntuam, quem estava vestido com plumas e um
grande colar de contas, e tinha o rosto pintado com linhas pretas igual a um
felino.
Em sua comunidade todos os
habitantes falam achuar, metade o espanhol e 20% o shuar, detalhou. Em todo o
Equador existem somente 2,5 mil falantes da língua achuar e 35 mil de shuar.
"Uma língua pode desaparecer muito, muito rapidamente. Há quem pense que
porque existem muitas pessoas falando o idioma isso não vai acontecer, mas o
problema é que todos têm a mesma idade, e chegará o momento em que se perderá,
e quando isso acontecer não será possível recuperá-la", advertiu Mithun.
FONTE: Terra
Artigo relacionado: Atlas
interactivo das Línguas em perigo no mundo
Minderico
Origem: Wikipédia, a enciclopédia
livre.
O Minderico ou Piação
dos Charales do Ninhou (língua dos habitantes de Minde, Código ISO 639-3 DRC1 ),
é a variante linguística2 falada
em Minde desde
o século XVIII. Inicialmente esta variante
funcionava como código conhecido apenas pelos fabricantes e comerciantes das
mantas de Minde.3 Como
era utilizada apenas por um grupo restrito, era até então um sociolecto.
Está ameaçado de extinção e tem duas variantes regionais: a de Minde e a de
Mira de Aire4 (este
último por vezes designado calão mirense).
Fruto de uma comunidade isolada, localizada
numa depressão fechada entre os Planaltos de Santo António e de São Mamede, em
pleno Maciço Calcário Estremenho, o minderico, inicialmente enquanto língua
secreta, era semelhante a variantes que encontramos noutros grupos e
comunidades étnicas específicas espalhadas pelo mundo que usam "termos e
expressões de defesa", isto é, palavras e expressões que permitem aos
membros dessa comunidade falar entre si sem darem a conhecer o significado
dessa comunicação a outros. Porém, o minderico ultrapassou as barreiras do
secretismo e alargou-se não só as todos os grupos sociais da comunidade
minderica como passou a ser usado em todos os contextos sociais (não só para o
negócio). Esta evolução - de língua secreta a língua do quotidiano - não é
exclusiva do minderico, tendo-se registado já noutras comunidades em diferentes
partes do mundo.
Em muitos dos lexemas mindericos é notória a
sua origem em imagens do quotidiano, que passam de forma figurativa para a
linguagem, mas também, embora em menor quantidade, através de alterações
do português vernáculo,
não esquecendo também os desenvolvimentos propriamente mindericos. Nomes de
pessoas da terra deram origem a expressões que designam profissões ou atributos
humanos. O minderico é ainda hoje conhecido pela maioria da população adulta,
embora por influência da alteração dos costumes,
haja uma acentuada tendência para o seu desuso e esquecimento entre os mais
jovens.
Existem cinco edições de um glossário
minderico, onde se encontram as palavras traduzidas de português para minderico
e minderico para português. A edição de 2004, a mais completa e actual, está
disponível no Centro de Artes e Ofícios Roque
Gameiro. O Centro
Interdisciplinar de Documentação Linguística e Social (CIDLeS), um
centro de investigação que se dedica ao estudo e documentação de línguas
ameaçadas na Europa e ao desenvolvimento de tecnologias da linguagem para
línguas menos usadas, é a instituição que tem trabalhado na documentação
linguística e divulgação do minderico, bem como na sua revitalização, isto em
colaboração directa com a comunidade de falantes.



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