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| O barbeiro de Maputo (Clique para aumentar) |
Não é costume nosso
publicar este tipo de textos. Este, porém, não é injurioso nem ultrajante. Pelo
contrário, é de um humor desconcertante. E com tanta tristeza que por aí vai, é
bom que de vez em quando alguém nos faça sorrir. Costa Pereira que nos enviou o texto contribuiu para o nosso
sorriso do dia. Assim como a foto que o ilustra enviada por João Manuel. O barbeiro de Maputo é, na
verdade, a formiga desta alegoria. Não chegará a milionário, nem emigrará para
a Suíça com toda a certeza, mas continuará o seu trabalho com uma boa disposição
inigualável.
A CIGARRA E A FORMIGA (em duas
versões: alemã e portuguesa)
Versão alemã
A formiga trabalha durante todo o Verão
debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é
burra, ri-se, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o
tempo passar.
Quando chega o Inverno, a formiga
está quentinha e bem alimentada. A cigarra está cheia de frio, não tem casa nem
comida e morre de fome.
Fim
Versão portuguesa
A formiga trabalha durante todo o Verão
debaixo de Sol. Constrói a sua casa e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é
burra, ri-se, vai para a praia, bebe umas bejecas, vai ao Rock in Rio e deixa o
tempo passar.
Quando chega o Inverno, a formiga
está quentinha e bem alimentada.
A cigarra, cheia de frio,
organiza uma conferência de imprensa e pergunta porque é que a formiga tem o
direito de estar quentinha e bem alimentada enquanto as pobres cigarras, que
não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.
A televisão organiza emissões em directo, que
mostram a cigarra a tremer de frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos
da formiga em casa, toda quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de
coisas boas à sua frente.
A opinião pública portuguesa escandaliza-se
porque não é justo que uns passem fome enquanto outros vivem no bem-bom. As
associações anti pobreza manifestam-se diante da casa da formiga. Os
jornalistas organizam entrevistas e mesas redondas com montes de comentadores,
que comentam a forma injusta como a formiga enriqueceu à custa da cigarra e
exigem ao Governo que aumente os impostos da formiga para contribuir para a
solidariedade social.
A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à
Rasca, os Indignados e a ala esquerda do PS, com a Helena Roseta e a Ana Gomes
à frente e o apoio implícito do Mário Soares, organizam manifestações diante da
casa da formiga.
Os funcionários públicos e os
transportes decidem fazer uma greve de solidariedade de uma hora por dia (os
transportes à hora de ponta) de duração ilimitada.
Fernando Rosas escreve um livro que demonstra
as ligações da formiga com os nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens, o Governo faz
passar uma lei sobre a igualdade económica e outra de antidiscriminação (esta
com efeitos retroactivos ao princípio do Verão).
Os impostos da formiga são aumentados sete
vezes e simultaneamente é multada por não ter dado emprego à cigarra. A casa da
formiga é confiscada pelas Finanças porque a formiga não tem dinheiro que
chegue para pagar os impostos e a multa.
A formiga abandona Portugal e vai-se instalar
na Suíça, onde, passado pouco tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento
da economia local.
A televisão faz uma reportagem sobre a
cigarra, agora instalada na casa da formiga e a comer os bens que aquela teve
de deixar para trás.
Embora a Primavera ainda venha longe, já
conseguiu dar cabo das provisões todas organizando umas "parties" com
os amigos e umas "raves" com os artistas e escritores progressistas
que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a canção de protesto
"Formiga fascista, inimiga do artista”...
A antiga casa da formiga deteriora-se
rapidamente porque a cigarra está-se nas tintas
para a sua conservação. Em vez disso, queixa-se de que o Governo não faz
nada para manter a casa como deve ser. É nomeada uma comissão de inquérito para
averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O custo da comissão
(interpartidária mais parceiros sociais) vai para o Orçamento do Estado: são 3 milhões
de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião
para daí a três meses, a cigarra morre de overdose.
Rui Tavares comenta no Público a incapacidade
do Governo para corrigir o problema da desigualdade social e para evitar as
causas que levaram a cigarra à depressão e ao suicídio.
A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por
um bando de baratas, imigrantes ilegais, que há já dois anos foram intimadas a
sair do País mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a
aterrorizar a vizinhança.
Ana Gomes, um pouco a
despropósito, afirma que as carências da integração social se devem à compra
dos submarinos, faz uma relação que só ela entende entre as baratas ilegais e
os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo Portas.
Entretanto o Governo felicita-se pela
diversidade cultural do País e pela sua aptidão para integrar harmoniosamente
as diferenças sociais e as contribuições das diversas comunidades que nele
encontraram uma vida melhor.
A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e
está quase milionária...
FIM


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