Não temos competência académica
para “julgar” os juízes. Muito menos os do Tribunal Constitucional.
Posto isto, tudo o que abaixo se
expõe pertence ao domínio da opinião (que tem o valor que tem) e do conhecimento
histórico (este sim, tem algum).
Franklin Delano Roosevet
conseguiu, depois da Grande Depressão, construir um projecto (o New Deal) e com ele, aplicou com
determinação as suas politicas para a criação de emprego. Mas FDR, como
popularmente ficou conhecido, hostilizara a magistratura. Porque a principal
força de bloqueio ao New Deal era o
Supremo Tribunal, que chumbava muitas das suas propostas, muitas vezes por um
voto. FRD recorreu a um truque, mas perdeu popularidade. Contudo, o que o
Supremo lhe recusou pela força, acabou por lhe dar de livre vontade;
inesperadamente um dos juízes passou-se para o lado do projecto.
O Tribunal Constitucional de
Portugal tornou a chumbar uma das propostas apresentadas pelo Governo, o novo
regime de “requalificação”.
O que está em causa é a reforma
do Estado (que nas palavras de Pulido Valente é um “covil de ladrões”). E se a
Constituição não a permite, temos um segundo resgate pela frente como lembrou o
Primeiro-ministro em
Bragança. Disso não temos dúvida alguma. Os juízes do TC são
gente de bem, e sabem disso. Esperemos que o tempo traga à Nação um milagre
como no tempo de FDR. E por vezes, um voto chega.
A oposição, como sempre,
rejubilou. Porque, no seu entender, este Governo tem uma tendência natural para
chocar com a Constituição. A estupidez do costume, diga-se. E o alarido que
provoca serve apenas para manipular o povo genuíno e “pacífico”. Para que este
excomungue e se dane com a governação.
As opiniões são de cada qual, e
só o seu autor é verdadeiramente responsável. Não é nosso costume comentar
comentadores, muito menos opiniões. Apenas o temos feito quando estas visam a
dignidade de pessoas, ou quando são verdadeiramente idiotas.
Vem isto a propósito das
afirmações do dr. Basílio Horta e de José Sócrates.
A opinião de Basílio Horta é
dele, apenas dele. O que não deve (mas pode) fazer é introduzir no debate
político, o ataque pessoal, tentando ridicularizar (e humilhar) o visado. Entre
as afirmações que fez (referindo-se ao Primeiro-ministro de Portugal), merece-nos
comentário a seguinte: “ revela pouca
preparação democrática do primeiro-ministro…”.
Se o dr. Basílio Horta julga
ganhar uns votitos em Sintra à custa disto, desengane-se. Os “saloios” do
princípio do século XX, não são os mesmos de hoje!
Se, de facto, o Primeiro-ministro
revela alguma coisa, é precisamente cultura democrática. Procurou sempre fazer
o exercício do debate político, e com ele defender ideias (que muitos não
gostam, como é óbvio). Nunca o ouvimos achincalhar alguém, nem reproduzir nos
meios de comunicação, comentários que humilhem o adversário político. Uma das
suas características (à maneira inglesa) é a cortesia (não fosse filho de quem
é). E ao contrário dos indivíduos de comité é um liberal-democrata. Um defensor
da liberdade.
Para o dr. Basílio Horta, a
liberdade é só para alguns. Pelos vistos, para ele e os do seu partido.
Acontece, porém, que Basílio Horta pertenceu a uma governação de que não há
memória em Portugal, de tão execrável. Mas nem Basílio Horta nem o seu partido
defendem verdadeiramente a liberdade. Foi nessa governação que a liberdade
individual de cidadãos livres foi amordaçada. Pelo contrário, o actual
Primeiro-ministro de Portugal é um homem livre. E por o ser se manifesta
perante as instituições, sejam elas quais forem. Porque o cidadão Pedro Passos
Coelho, como outro qualquer cidadão, é livre de expor a sua opinião. Liberdade
não é aquilo que Basílio Horta e o seu partido pensam que é. Liberdade é
comunicar livremente as ideias, sem, contudo, ultrajar, ou prejudicar terceiros.
Foi o que fez o Primeiro-ministro.
É tempo de se começar a ler os
clássicos. Areopagítica de John
Milton e On liberty de John Stuart
Mill deviam ser relidos (por alguns). Isto para não recomendarmos os clássicos
dos clássicos como por exemplo Eurípides. Das Suplicantes respigamos: “ Há verdadeira liberdade quando homens
nascidos livres, em tendo de esclarecer o público, podem falar livremente. Quem
consegue e se propõe fazê-lo merece todo o louvor; quem não consegue, ou não
quer, pode sempre ficar calado.
Quer melhor que isto, dr. Horta?
Quanto ao cavalheiro Sócrates não
nos vamos alongar para não ultrapassarmos o limite da boa educação. Este
cavalheiro se tivesse alguma vergonha, sobre esta questão nem se pronunciava.
Porque se alguém tratou porcamente a democracia foi o seu regime. Perseguindo
cidadãos livres e acanalhando instituições.
Armando
Palavras
Nota:
Convém esclarecer os incautos. O
que choca com a Constituição, nas propostas governamentais, não são questões de
fundo, são pressupostos abstractos como a equidade, a igualdade, etc. (como
aconteceu com Roosevelt).


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