Tema
em debate no Simpósio “Music, Poetry and the Brain”
Música estimula o
desenvolvimento intelectual, pessoal e social dos mais jovens
Lisboa, 10 de Abril de 2013 – Estudos recentes sobre a atividade cerebral comprovam que a interação com a música pode influenciar ações cognitivas que não estão diretamente relacionadas com ela, principalmente nas gerações mais jovens. O córtex cerebral organiza-se à medida que nos envolvemos em diferentes atividades musicais e as capacidades relacionadas com esta área adaptam-se a outro tipo de ações com um processo cognitivo semelhante.
Lisboa, 10 de Abril de 2013 – Estudos recentes sobre a atividade cerebral comprovam que a interação com a música pode influenciar ações cognitivas que não estão diretamente relacionadas com ela, principalmente nas gerações mais jovens. O córtex cerebral organiza-se à medida que nos envolvemos em diferentes atividades musicais e as capacidades relacionadas com esta área adaptam-se a outro tipo de ações com um processo cognitivo semelhante.
As investigações
mostram que a música e o discurso oral partilham uma série de sistemas de
processamento cognitivo, pelo que as experiências musicais melhoram a perceção
da linguagem, o que por sua vez facilita a aprendizagem da leitura.
Experiências com crianças de oito anos com apenas 8 semanas de educação
musical, demonstraram que havia melhorias na cognição percetual quando
comparadas com o grupo de controlo. Ou seja, o envolvimento ativo com a música
aguça a capacidade cerebral para registar sons linguísticos.
O discurso oral faz
um uso extensivo da audição dos padrões estruturais que se baseiam nas
diferenças do timbre entre fonemas. A educação musical desenvolve capacidades
que melhoram a perceção destes padrões, que, por sua vez, são fundamentais para
desenvolver a atenção fonológica e aprender a ler com sucesso. Tocar um
instrumento ajuda a melhorar a capacidade de recordar as palavras através do
desenvolvimento da região temporal esquerda do cérebro. O mesmo estudo
realizado com crianças de 8 anos demonstrou que os participantes com educação
musical fixaram mais 17 por cento da informação do que aqueles que não tinham
educação musical.
Helena Rodrigues,
Professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa e especialista em psicologia da música explica que “ o desenvolvimento
cognitivo não existe sem desenvolvimento sensorial e sem desenvolvimento motor.
A música apresenta um forte potencial em termos de estimulação a este nível.
Por outro lado, não se pode falar em desenvolvimento cognitivo sem considerar
também o desenvolvimento social. E aqui, a música apresenta também todo um
potencial de transformação capaz de ajudar crianças com necessidades educativas
especiais – quer as que apresentam dificuldades de aprendizagem como as
sobredotadas, que são também especiais”.
A especialista
refere que “em Portugal há vários estudos realizados nesta área. Não posso
deixar de destacar o trabalho realizado no Laboratório de Música e Comunicação
na Infância do Centro de Estudos de
Sociologia e Estética Musical da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas que,
não obstante ser um equipamento recente, conta já com duas teses de
doutoramento muito relevante no âmbito do estudo do desenvolvimento musical na
infância . Está também a decorrer o Projeto Opus Tutti que é um significativo
projeto de carácter musical voltado para a infância apoiado pela Fundação
Calouste Gulbenkian”.
No entanto,
continua a faltar investimento na edução musical no nosso país. “A educação
pré-escolar e o 1º ciclo de escolaridade são a altura em que se aprende mais e
mais depressa. Por isso, deveria haver um investimento muito maior na educação
e no apoio social que é dado a esta faixa etária. Eu não tenho dúvidas que uma
cuidada educação musical nos primeiros anos de vida pode ser um fator
extremamente relevante para a promoção do sucesso educativo e do bem-estar
social”, defende Helena Rodrigues.
Este e outros temas vão ser apresentados no simpósio “Music, Poetry and
the Brain”, organizado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova
de Lisboa e pelo Goethe- Institut, de programação coordenada por Armando Sena
(Lisboa) e Robert Zatorre (Montreal). Este encontro não está vocacionado apenas
para especialistas em música ou neurociência. As intervenções dos oradores
convidados serão adaptadas ao público em geral.
Fontes:
Hallam,
Susana, “The power of music: its impact on the intellectual, social and
personal development of children and young people”, Institute of Education,
University of London
Para mais
informações/contactos médicos
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Susana Viana
Telefone:
(+351) 218 446 391
Telem:
91 09 33 693
De "Jornal do Norte" para "Tempo Caminhado"

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