O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d'Oliveira Martins,
considerou esta quarta-feira "perfeitamente compreensível" o despacho
do ministro das Finanças, que limita a despesa pública, face a
"constrangimentos imediatos" orçamentais.
"Não é um despacho definitivo, é transitório, tendo em
consideração a necessidade de adoptar procedimentos que vão no sentido de
detectar onde estão verdadeiramente os desperdícios, para não sacrificar os
serviços públicos de qualidade", sustentou.
Para Guilherme d'Oliveira Martins, que falava aos jornalistas, em
Lisboa, no final da entrega dos Prémios de Escola 2012, cujo júri presidiu, o
despacho de Vítor Gaspar "é perfeitamente compreensível, tendo em
consideração que há constrangimentos imediatos".
Para o ex-ministro da Educação, "é fundamental que a reforma do
Estado, qualquer que seja, não ponha em causa a qualidade dos serviços
públicos", sendo que Portugal, na sua opinião, não pode recuar na
qualidade do ensino e nos índices da mortalidade infantil.
Segundo Guilherme d'Oliveira Martins, a educação, a ciência e a cultura
devem ser "assumidas, claramente, como prioridades da sociedade e do
Estado".
"Há desperdícios e, havendo desperdícios, é necessário
combatê-los, mas nunca confundir o desperdício com aquilo que é verdadeiramente
prioritário", frisou, defendendo ser "possível garantir uma melhor
utilização dos recursos".
O despacho do ministro das Finanças, que resulta do chumbo do Tribunal
Constitucional (TC) a quatro artigos do Orçamento do Estado para 2013, vigora
desde segunda-feira e prolonga-se até que o Conselho de Ministros "aprove
limites aos fundos disponíveis no âmbito de cada um dos Programas
Orçamentais".
O documento, que impede ministérios e serviços do sector público
administrativo, da administração central e da Segurança Social de contraírem
nova despesa, não abrange as despesas com pessoal e o "pagamento de custas
judiciais e das decorrentes de contratos em execução cujo montante a pagar não
pudesse ser determinado no momento em que foi celebrado".
O TC chumbou na sexta-feira o corte do subsídio de férias para o sector
público, pensionistas e contratos de docência e investigação, assim como a
criação de uma taxa sobre o subsídio de doença e desemprego
Diário Digital com Lusa

Sem comentários:
Enviar um comentário