Num dos seus discursos de 1933,
Franklin Roosevelt defendeu que o país podia ter défices. Mas não deixou de
acrescentar o seguinte: “Qualquer governo, como qualquer família, pode, durante
um ano, gastar um pouco mais do que ganha. Mas sabemos que uma continuação
deste hábito significa o empobrecimento”.
No caso português, com o
“comentador de Paris” chefiando uma legiãozita de fiéis (que agora começa a
sair da “toca”), o regabofe de 2005
a 2011 foi tal que nos levou à bancarrota. Não apenas o
regabofe económico, mas também o social, com as mais alarves grosserias e
patifarias pelo meio.
Com Roosevelt eleito, a economia
americana apenas começou a dar sinais de crescimento três anos depois! Com um
programa New Deal (e o Supremo a “boicotar” várias medidas) pelo meio e,
sobretudo, com o abandono do padrão-ouro(1),
que permitiu a desvalorização cambial, a entrada de capitais do exterior, a descida dos juros e o aumento do consumo e do investimento.
que permitiu a desvalorização cambial, a entrada de capitais do exterior, a descida dos juros e o aumento do consumo e do investimento.
Como é que esta gente que se
distribui pelos partidos da oposição e pelos “comentários”, quer que o governo
português faça em dois anos, o que a América fez em três? Nem em sete! Primeiro
porque Portugal não é a América; não tem o seu poderio, segundo porque não pode
abandonar o padrão-ouro, e terceiro porque precisa de urgentes reformas na
administração pública que verdadeiramente bloqueiam o desenvolvimento da Nação.
Habituado que estava ao regabofe,
o “Zé” julgava que apertava o cinto dois anitos, e tudo voltava ao mesmo.
Continua iludido. O aperto, já aqui o havíamos dito, na melhor das hipóteses
arrastar-se-ia por 15 ou 20 anos. Mas com o chumbo do Tribunal Constitucional a
certas medidas, poderá ir muito para além deste calendário!
E os que nos levaram à bancarrota
tudo fizeram para boicotar os esforços do governo e dos portugueses, julgando
que os credores nos iriam perdoar a divida. Ainda não perceberam que os tempos
são outros.
António José Seguro, aconselhado
por algum iluminado, para quebrar o efeito do “comentador de Paris”, que o
prejudica, e sabendo da decisão do TC (porque dificilmente seria outra, imbuído
que está em princípios que levaram, tanto na Revolução Francesa como na Russa
bolchevique, a uma mortandade sem precedentes e a injustiças humanas
execráveis), optou por uma Moção de Censura (oportunista, porque poderia ter
votado a do BE e PCP) ao governo. Fez mal e ainda está a tempo de emendar o
erro. Contribuindo para soluções ao chumbo do TC. Pedir eleições antecipadas é
não saber o que está a fazer. Pedir eleições antecipadas é obrigar o país a um
segundo resgate (a uma segunda bancarrota). Pensamos que A.J.Seguro não quer
andar a brincar às bancarrotas como andou o “comentador de Paris”! Até porque
tudo o que o dr. Seguro tem dito não se enquadra nesta emergência nacional.
Desejos não são medidas programáticas. Desejar renegociar o memorando com os
credores não é a mesma coisa que os credores quererem renegociar seja o que for
com ele. É que não foi este governo que “nos trouxe até aqui”, como afirmou
ontem o dr. Seguro. Quem nos trouxe até aqui foi a bancarrota provocada por
dois governos socialistas. Este governo procura, com o esforço dos portugueses
(e a ajuda dos credores), “tirar-nos daqui”. E o que sucederia a A.J.Seguro se
formasse governo? O mesmo que ao sr. Hollande. Em duas semanas com o rabinho
entre as pernas, triplicava a austeridade. Mas parece que é isto que o país
quer!...
O governo, no presente, não tem
(grandes) alternativas. Mesmo que a negociação de Dublin (e terá sido esta a
razão fundamental que levou o governo a não se demitir, porque é constituído
por gente decente) seja aceitável, temos no horizonte um segundo resgate, e uma
austeridade tremenda, da qual o governo não será responsável.
A Comissão Europeia e o Ministro
das Finanças alemão já reagiram. Portugal tem de cumprir as metas acordadas no
Memorando assinado pelos socialistas. Adivinha-se um quadro muito negro. Com
despedimentos na Função pública a triplicar, com o corte total nas Fundações,
com cortes brutais na Educação e na Saúde, despedimentos catastróficos de
professores e profissionais de saúde, e por aí fora. O “Zé” terá então de
chamar à razão os responsáveis pela segunda bancarrota.
É inacreditável que a opção do
país tenha sido esta, quando 80% do programa de ajustamento estava cumprido!
Bem merece (“cruzes, canhoto!”) o que lhe vai acontecer.
Armando
Palavras
(1)Por razões diferentes, a Alemanha em 1923, conseguindo uma espectacular recuperação económica, substituiu o marco pelo rentenmark. E em 1924, foi criada outra moeda (depois do equilíbrio orçamental, com a divida interna liquidada), o reichsmark, criado por Schaaaacht, director do Rechsbank.
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