segunda-feira, 8 de abril de 2013

Nuno Crato e a demissão do ministro


José Manuel Fernandes, acerca do caso Miguel Relvas, escreveu:

A forma como Nuno Crato tratou este dossier é exemplar.
E não me recordo de um precedente semelhante na história da democracia portuguesa.
Conheço Nuno Crato há quase 40 anos, trabalhei com ele na juventude e somos amigos, por isso nunca duvidei que ele actuaria de forma totalmente séria.
Mas como Portugal é o que é - e em Portugal inquéritos como este, quando existem, acabam geralmente sem conclusões.
Não aconteceu desta vez.
Um ministro foi obrigado a demitir-se porque um outro ministro realizou um inquérito, levou-o até ao fim e não teve medo das conclusões.
Mais: o primeiro-ministro não deu ordem de veto de gaveta, permitiu que o processo fosse até ao fim.
É bom recordar que ainda há poucos anos se considerava uma cabala levantar dúvidas sobre a validade de cadeiras terminadas a um domingo ou resolvidas através de provas mais amanhadas.
Foi com Sócrates e o ministro de então nem sequer abriu um inquérito.
Aproveitou foi para fechar essa universidade e por uma pedra em cima do assunto.
É bom ter memória e é bom saber que, no meu país, nem tudo continua igual ao que sempre foi.
Obrigado amigo Crato.

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