João Marques de Almeida ( Jornal Nascer do Sol)
SEGUNDA
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Incapaz de
resistir à sua vaidade e ânsia de popularidade e audiências, Pacheco Pereira
cometeu um enorme erro com o desafio a André Ventura para discutir questões
centrais da história portuguesa recente. Antes de mais, estava convencido que
seria um debate intelectual entre um ‘historiador’ conhecedor e um populista
ignorante (chegar ao estúdio com mais de dez livros é de um ridículo atroz, uma
espécie de novo-riquismo intelectual). Enganou-se completamente. Com Ventura,
os debates são políticos. No fundo, Pacheco Pereira desconfiava que o debate
poderia tornar-se político. Mas a sua vaidade também o levou a acreditar que
iria mostrar a todos como é que se debate com Ventura.
Mas o maior
erro de Pacheco Pereira foi ter contribuído para abrir o debate sobre as
interpretações políticas da história recente de Portugal. Aliás, Pacheco
Pereira prestou um serviço à Direita. A interpretação do período histórico
pós-25 de Abril, em Portugal e nas antigas colónias, foi construída pelas
esquerdas e imposto às direitas, que a aceitaram passivamente durante meio
século. Essa interpretação foi confrontada e reaberta por André Ventura.
Politicamente, é muito relevante. Normalmente, quem domina as interpretações do
passado, controla os debates políticos e culturais do presente. Só a Direita
partidária nacional não entende isto.
A Direita só
se emancipa do domínio cultural das esquerdas quando perceber que a
interpretação do período pós-25 de Abril foi imposta ao país. Foi isso que, de
um modo por vezes atabalhoado e pouco rigoroso, Ventura mostrou no debate com
Pacheco Pereira.
Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, vulgo Relatório das Sevícias
https://www.arquivo.presidencia.pt/viewer?id=989&FileID=302741&recordType=Description
Pacheco
Pereira tentou aldrabar os portugueses dizendo que teriam sido apenas exageros
do período revolucionário e uma forma de libertação dos «50 anos de
ditadura». Pacheco Pereira sabe muito bem que é mentira. Os exageros foram
resultado da ideologia das extremas esquerdas, especialmente do comunismo
soviético seguido pelo PCP de Álvaro Cunhal. Pacheco Pereira também sabe que se
os comunistas tomassem o poder, a ditadura seria muito mais sangrenta e dura do
que o Estado Novo. Tudo o que se passou em 1975 mostra a importância do 25 de
Novembro e a razão por que a Direita democrática celebra essa data.
Há quem diga
que não é o tempo para criar novas divisões. Eu prefiro divisões onde se possa
discutir as verdades do que imposições mentirosas. Devemos palavras de
agradecimento a Pacheco Pereira. Foi para o debate para aldrabar, sob a capa de
uma suposta superioridade intelectual, e acabou a contribuir para a verdade.
Foi para o debate como um homem de Esquerda para derrotar um populista de
direita e acabou a ajudar a Direita, contribuindo para o fim dos mitos das
esquerdas sobre o pós-25 de Abril.
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